Scholarly article on topic 'Tenofovir como 1a opção terapêutica na hepatite B'

Tenofovir como 1a opção terapêutica na hepatite B Academic research paper on "Educational sciences"

CC BY-NC-ND
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Academic research paper on topic "Tenofovir como 1a opção terapêutica na hepatite B"

GE J Port Gastrenterol. 2012;19(4):165-166

Jornal Portugués de

Gastrenterologia

Portuguese Journal of Gastroenterology

www.elsevier.pt/ge

EDITORIAL

Tenofovir como 1a opcao terapéutica na hepatite B Tenofovir as first therapeutical option of hepatitis B

Pedro Pimentel-Nunesab

a Servico de Fisiología da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Porto, Portugal b Servico de Gastrenterologia do IPO-Porto, Porto, Portugal

O artigo "Custo-utilidade do tenofovir (TDF) comparado com entecavir (ETV) no tratamento em primeira linha da hepatite B crónica'', publicado no presente volume do Jornal Portugués de Gastrenterologia, avaliou qual dos fármacos de primeira linha utilizados na terapéutica da Hepatite B crónica seria o mais custo-eficaz para utilizacao a longo prazo1. Trata-se de um artigo que usa a metodologia adequada a um estudo de custo-utilidade, utiliza dados de estudos de grande evidéncia científica, bem estruturado, e que se dedica a um assunto de aplicacao diária numa consulta de Hepatologia. As conclusoes sao muito interessantes e confirmam de forma clara uma vantagem em termos económicos (e provavelmente nao só) do tenofovir em relacao ao entecavir. É um estudo inovador já que é o primeiro estudo sobre o assunto a ser realizado em Portugal, confirmando resultados já obtidos noutros países2,3.

As mais recentes Guidelines para o tratamento da hepatite B crónica., quer as Europeias quer as Americanas, consideram que ambos os fármacos (tenofovir e entecavir) sao de 1alinha para o tratamento da hepatite B crónica, nao fazendo distincao entre nenhum dos dois4,5. Nao havendo estudos comparativos entre os dois fármacos, nem sendo previsível que estes venham a acontecer, a escolha entre os dois na prática clínica muitas vezes poderá ocorrer por razoes pessoais (conhecimento e experiéncia maior do clínico com um dos fármacos), institucionais (protocolos de cada Hospital) ou até mesmo pontuais. De facto,

Artigo relacionado com: http://dx.doi.org/10.1016/ j.jpg.2012.04.008

Correio eletrónico: pedronunesml@msn.com

comparando os resultados clínicos em termos de eficácia a longo prazo dos dois fármacos é difícil optar-se de forma objectiva por um dos dois. Poder-se-á dizer que a possibi-lidade de nefrotoxicidade do tenofovir poderá levar alguns clínicos a optar pelo entecavir, contudo, a nefrotoxicidade do tenofovir em doentes com hepatite B e sem HIV é de relevancia clínica questionável1. Por estas razoes, a vertente económica da utilizacao de ambos os fármacos, isto é, uma análise de custo-utilidade, torna-se de grande relevancia, principalmente face ao panorama económico Nacional e Mundial.

Em Portugal estima-se que a prevaléncia actual da doenca se situa em cerca de 1,0 e 1,5%, com cerca de 6500 doentes a apresentarem critérios para efectuar terapéutica, apesar de apenas 1800 doentes se encontrarem em tratamento6. Os autores estimam que, com uma eventual alteracao da terapéutica nos doentes que fazem entecavir para tenofovir, se poupariam cerca de 5,3 milhoes de euros! Nao parecendo lícito (mas também nao totalmente ilícito...) mudar a terapéutica a um doente com resposta positiva a um fármaco apenas por razoes económicas, o caso muda de figura quando se consideram os novos doentes que ainda nao estao a fazer qualquer terapéutica. De facto, os autores sugerem mesmo que o tratamento inicial com tenofovir resulte numa reducao em 20% (!) nas faléncias terapéuticas em 1alinha, com uma menor evolucao a longo prazo para cirrose, carcinoma hepatocelular e transplante hepático. Esta afirmaccao deve ser, contudo, interpretada com algum cuidado, já que o estudo em questao nao foi desenhado nem permite concluir com toda a certeza esta afirmaccao. Apesar desta limitaccao inerente ao tipo de estudo, parece difícil arranjar justificaccoes para escolher o entecavir como

0872-8178/$ - see front matter © 2012 Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Publicado por Elsevier España, S.L. Todos os direitos reservados. http://dx.doi.org/10.1016/j.jpg.2012.06.003

P. Pimentel-Nunes

primeira linha na terapéutica da Hepatite B em detrimento do tenofovir.

Em conclusao, este artigo de custo-utilidade refere-se a um tema de grande interesse clínico e também económico, chegando a conclusoes de grande relevancia clínica e que podem (e devem) ajudar o Hepatologista na sua prática diá-ria. Estabelece de forma concludente que, pelo menos em Portugal e face ao custo actual do entecavir, o tenofovir deve ser considerado a terapéutica de 1a linha na Hepatite B. Neste momento de grandes dificuldades económicas em que sao negados aos doentes em diversos hospitais do país as melhores opcoes terapéuticas alegando-se nao exis-tirem estudos de custo-eficácia que mostrem a vantagem destes novos fármacos, como por exemplo na Hepatite C em que muito doentes com genótipo 1 nao tém acesso ás novas terapéuticas dirigidas ao vírus que em estudos clínicos mos-traram resultados superiores na ordem dos 20-30% (!), nao se pode deixar de salientar a importancia ainda maior des-tes estudos. Aliás, parece claro que cada vez mais vao ser necessários este tipo de trabalhos e análises se queremos ter a possibilidade de oferecer aos nossos doentes as melhores opccoes terapéuticas.

Bibliografía

1. David Vanness IJ, Marinho Rui, Areias Jorge, Carvalho Armando, Macedo Guilherme, Matos Leopoldo, Rodrigues Beatriz, Velosa José, Aragao Filipa, Perelman Julian, Revankar Nikhil. Custo-utilidade do tenofovir (TDF) comparado com entecavir (ETV) no tratamento em primeira linha da hepatite B crónica. GE J Port Gastrenterol. 2012:2.

2. Colombo GL, Colangeli V, Di Biagio A, Di Matteo S, Viscoli C, Viale P. Cost-effectiveness analysis of initial HIV treatment under Italian guidelines. Clinicoecon Outcomes Res, 3:197205.

3. Dusheiko GM. Cost-effectiveness of oral treatments for chronic hepatitis B. J Hepatol. 2009;51:623-5.

4. Lok AS, McMahon BJ. Chronic hepatitis B: update 2009. Hepato-logy. 2009;50:661-2.

5. EASL Clinical Practice Guidelines: management of chronic hepatitis B. J Hepatol 2009;50:227-42.

6. The Epidemiological Situation in Portugal [http://www.vhpb.org/files/html/Meetings_and_publications/ Presentations/LISS31.pdf].