Scholarly article on topic '12.º Congresso de Pneumologia do Norte'

12.º Congresso de Pneumologia do Norte Academic research paper on "Health sciences"

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Revista Portuguesa de Pneumologia
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Academic research paper on topic "12.º Congresso de Pneumologia do Norte"

Resumos dasComunicaçôes Orais (C) e dos Posters (P) Abstracts of Oral Communications (C) and Posters (P)

Resumos

das Comunicaçôes Orais Abstracts of Oral Communications

12.° Congresso de Pneumologia do Norte

Porto, 3 e 4 de Março de 2005

Sustained attention measurements in obstructive sleep apnoea and risk of traffic accidents.

Zamarrón, Carlos1 Pichel, Fernanda1 Magan, Fernando2 Salgueiro, Marcelino1 Rodríguez Suárez, Jose Ramón1

1 Servicio de Neumologia. Hospital Clínico Universitario

2 Escuela Superior de Ingeniería Informática. Universidad de Vigo

The aim was to use data regarding vigilance, tracking error and reaction time to identify associations between these parameters and clinical characteristics in OSA patients. The relationship between these measurements and the risk of suffering traffic accidents has also been studied. Patients and Methods. 129 consecutive adult patients with a driving licence and clinical symptoms of OSA were recruited from the hospital waiting list. Each patient was applied a polysomnography and two driving tests; vigilance was tested with Steer Clear®, while tracking error and reaction time were tested with Divided Attention Steering Simulator DASS-2D®. Basic Nordic Sleep Questionnaire and Epworth Sleepiness Scale and SF-36 questionnaire were applied. Regression models were used to investigate factors associated with patient performance on the simulators. Results. Poor performance in vigilance was associated with alcohol intake (OR 4.41, 95% CI 1.13 to 17.20, P<0.05), and vitality dimension of SF-36 questionnaire (OR 0.97, 95% CI 0.94 to 0.99, P<0.05). Poor tracking error was associated with female gender (OR 6.79, 95% CI 1.37 to 33.65, P<0.05), alcohol intake (OR 3.32, 95% CI 1.03 to

10.63, P<0.05), and a history of accidents the previous year (OR 5.84, 95% CI 1.33 to 25.68, P<0.05). Poor reaction time was only associated with age (OR 1.12, 95%CI 1.03 to 1.21, P<0.01). When all three performance measures were studied jointly, only reaction time was associated with self-reported dozing while driving (OR 5.39, 95% CI 1.10 to 26.32, P<0.05), and irresistible tendency to fall asleep was associated with poor tracking error (P<0.05). Conclusions. Certain factors normally associated with OSA are also associated to measurements of performance on driving simulators. Although these measures are not directly associated to traffic accident, they are, in fact, associated to related circumstances such as dozing while driving and falling asleep while driving.

Heart rate regularity analysis obtained from pulse oximetric recordings in the diagnosis of obstructive sleep apnoea

Zamarrón, Carlos1 Hornero, Roberto2 Pichel, Fernanda3 Salgueiro, Marcelino3 Rodríguez Suárez, Jose Ramón3

1 Servicio de Neumologia. Hospital Clinico Universitario. Santiago

2 Escuela 2ETSI-Telecomunicación University. Valladolid.

3 Hospital Clinico Universitario. Santiago.

Approximate entropy (ApEn) is a technique that can be used to quantify the irregularity or variability of time series

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and its implications for health. A decrease in ApEn, that is an increase in regularity, is associated with the presence of cardiac disease. We prospectively evaluated the validity of ApEn of heart rate data obtained from pulse oximetric recordings as a diagnostic test for obstructive sleep apnoea (OSA) in patients clinically suspected of suffering this disease.

A sample of 187 referred outpatients (147 men and 40 females), with 58.3 ± 12.8 years and BMI of 30.4 ± 4.1 kgr/m.2 were studied using nocturnal pulse oximetric recording performed simultaneously with polysomnography. A diagnosis of OSA was confirmed in 111 (59.3%). ApEn was estimated using MatlabR (Natick, Massachusetts) with the widely established parameter values of m=1 r=0.2 times the standard deviation (SD) of the original data sequence. Patients with OSA presented significantly higher approximate entropy levels than those without OSA (1.334 ± 0.189 versus 1.167 ± 0.182). The distribution of ApEn throughout the night in OSA patients shows relatively small changes and that the proportional difference between OSA and non-OSA groups remains relatively constant throughout the night. Approximate entropy correlated significantly with apnoea-hypopnea index (r = 0.38; p = 0.000). There was no significant correlation between approximate entropy and either age or body mass index. No significant changes were observed in approximate entropy throughout the night in OSA patients. Using receiver operating characteristic curve analysis, we obtained a diagnostic sensitivity of 71.2%, specificity 78.9%, positive predictive value of 81.3%, and negative predictive value of 66%, at a threshold of 1.272. We conclude that ApEn of heart rate could be useful in the analysis of nocturnal oximetry and this method is very well suited to recognise the sleep apnoea-specific cyclic variability of heart rate.

Alveolite alérgica extrínseca: Caso clínico

Bacellar, Patricia

Servido de Medicina; Hospital Sao Joao de Deus S.A.

Helena Martins

Marta Silva

Francisco Costa

Nélia Tinoco

A doen^a pulmonar do criador de aves deve ser incluida no diagnóstico diferencial de doen^a pulmonar intersticial. Os autores apresentam um caso de uma doente de 20 anos, estudante, que foi internada para esclarecimento de um

quadro de dispneia de inicio súbito, tosse e febre. Durante o internamento fez cintigrafia V/P que revelou alta probabilidade de tep, iniciou anticoagula^ao oral com varfine. Por manter dispneia de esfor^o com agravamento progressivo, foi orientada para a consulta de Pneumologia, onde a doente refere ter contacto com aves desde a infancia. Fez TAC torácico helicoidal que revelou fibrose pulmonar, padrao em vidro despolido com micronodularidade centrilobular e sinais de hipertensao pulmonar. As provas funcionais respiratorias revelaram um padrao restritivo, com hipoxemia grave em repouso. A broncofibroscopia nao revelou altera^óes macroscópicas e o lavado bronco-alveolar mostrou um predominio de linfócitos (71,2%) e uma rela^ao CD4/CD8 diminuida, sugestiva de alveolite alérgica extrinseca. O ecocardiograma revelou hipertensao pulmonar (70mmHg de PSAP) s/ dilata^ao das cavidades. Todos os exames bacteriológicos, culturais e serologia para doen^as auto-imunes foram negativos. Foram também excluidas as neoplasias. Iniciou corticoterapia oral com deflasacort 30mg/dia e deixou de ter contactos com aves. Actualmente assintomática.

Pneumonia por Pneumocystis carinii em doentes imunodeprimidos VIH negativos - A propósito de dois casos clínicos

Teixeira da Silva, Gilberto A Szánthó M C Alcobia L Oliveira M Baganha

Departamento de Ciencias Pneumológicas e Alergológicas. Hospitais da Universidade de Coimbra

Os autores apresentam dois casos clínicos de doentes imunodeprimidos VIH negativos com pneumonia por P. carinii com diferente resposta ao tratamento. 1o caso: doente do sexo masculino 42 anos, internado por pneumonia extensa a direita. Ao exame objectivo apresentava lesöes cutáneas eritemato-maculares disseminadas com histologia compatível com lúpus cutáneo subagudo. Analiticamente revelava anemia normocrómica normocítica e leucopenia acentuada; C3, C4, CD3 e CD4 baixos; PCR e VS elevadas; VIH1 e 2 negativos; ANA positivos; ecografia abdominal e ecocardiograma revelaram ascite e derrame pericárdio; TAC torácica: consolidado parenquimatosa de vários segmentos do lobo sup, médio e inf a direita; broncofibroscopia (BFO) com altera^öes inflamatórias; LLBA positivo para P. carinii. Face ao quadro de lúpus

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eritematoso sistémico com actividade multissistémica, iniciou ciclofosmida e antibioterapia sem sucesso. 2o caso: doente de 68 anos de idade, internado por abcesso frio da coxa esquerda e insuficiencia respiratoria parcial. Dos antecedentes patológicos: abcesso/quisto recorrente no punho esquerdo (2000-2003). Ao exame clínico: febre, discretos fervores bibasais, hepatoesplenomegália e abcesso frio na coxa esquerda. Analiticamente apresentava leucocitose (posteriormente leucopenia), PCR elevada, VIH1 e 2 negativos, CD4 baixos e hipoxemia. A telerradiografía do tórax revelava padrao retículo-nodular e a TAC tóraco-abdominal, apresentava lesao cavitada no lobo superior esquerdo e bronquiectasias nos andares inferiores e hepatoesplenomegália. BFO: secre^óes mucopurulentas abundantes. LLBA: positivo para P. carinii. Ziehl-Neelsen, cultura da expectorado e exsudato do abcesso: positivo para M. tuberculosis complex. Iniciou antibioterapia e antibacilares com melhoria clínico-laboratorial.

masculino e 18,2% do sexo feminino. A média de idades foi de 64,5 anos, compreendida entre os 20 e 86 anos. Foram isolados agentes no lavado brônquico de 25,5% dos doentes, destes 51,5% apresentavam imagem endoscópica de obstruçâo parcial ou total da árvore brônquica. Os agentes mais frequentemente identificados foram a Candida (42%), o S. pneumoniae (12%) e H. influenza (12%). O tipo histológico mais frequentemente associado a obstruçâo e infecçâo foi o carcinoma epidermóide. Mais de metade dos doentes apresentavam doença neoplásica em estadio IV com classificaçâo de capacidade funcional (Zubrod) entre 1 e 2.

Conclusâo: O estudo microbiológico do lavado brônquico deve manter-se como exame de rotina em doentes com neoplasia pulmonar. Na nossa série, a obstruçâo brônquica e a possível depressâo da imunidade destacaram-se como as principais determinantes para a identificaçâo de agentes microbianos.

Microbiología do lavado brónquico no cancro do pulmao. Revisao de 4 anos (2001-2004)

Sousa, Marta1 Almeida, Madalena1 Vaz, Anne1 Silveira, Pedro2 Ferreira, Jorge3 Joao, Fernanda3

1 Departamento de Medicina; Hospital Pedro Hispano

2 Departamento de Cuidados Intensivos; Hospital Pedro Hispano

3 Servido de Pneumologia; Hospital Pedro Hispano

Introdu^ao: A infec^ao pulmonar é uma complicado importante nos doentes com cancro do pulmao. A imunossupressao, resultante da terapia ou da própria malignidade, bem como as altera^óes anatómicas da árvore respiratória, sao os principais factores de risco. Objectivo: Investigar a presenta de agentes microbianos no lavado brónquico, em doentes com cancro do pulmao. Proceder á identificado dos microrganismos e estabelecer correla^óes com a classifica^ao histológica, imagem endoscópica e capacidade funcional. Material e métodos: Estudo retrospectivo das bronco-fibroscopias realizadas no Servido de Pneumologia do Hospital Pedro Hispano, no período compreendido entre 2001-2004.

Resultados: Foram incluidos 380 doentes, 81,8% do sexo

Achado endoscópico invulgar

Conde, Bebiana1 Rodelo,Emília2 Costa, Antonio2 Noya Rafael2 Calvo, Teresa2 MJ, Silvestre2 Fernandes Ana2 Afonso Abel2

1 Centro Hospitalar de Vila Real - Peso da Régua

2 Servido de Pneumologia - Hospital de Vila Real

A expectorado hemoptóica é manifestado clínica de

diversas patologias, mas de abordagem clínica e diagnóstica semelhante.

O pulmao é alvo de infec^óes por virus, bactérias e parasitas. O nemátode, Ascaris lumbricoides completa o seu ciclo vida no pulmao com a matura^ao das larvas, regressando ao tubo digestivo pelo reflexo da tosse que desencadeia. Os AA apresentam o caso clínico de um homem de 64 anos, professor do ensino superior, com antecedentes de tabagismo, enviado ao nosso servido para estudo de expectorado hemoptóica.

Radiologicamente apresentava formado nodular localizada ao segmento apicoposterior do LSE, já observável na TAC de controlo pós-pneumonia pneumocócica do LSE (1999). Durante a realizado da BFC observou-se ao nivel do B7 direito e terminus do brónquio principal esquerdo Ascaris lumbricoides, que exibiam exuberantes movimentos.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA S 59

Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2005

Procedeu-se á remodo do parasita, que foi enviado para estudo bacteriológico, mantendo-se em movimento. Os AA apresentam este caso dada a raridade etiológica no desencadear da expectorado hemoptóica.

Cancro do pulmáo de pequeñas células. Revisáo de um servigo e avaliagáo de alguns factores de prognóstico (2000/04)

Ana OLiveira1 Ana Barroso1 Sara Conde1 Agostinho Lira2 Bárbara Parente1

1 Unidade de Pneumologia Oncológica, Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Servido de Patologia Clinica, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Introdu^ao: O cancro do pulmao de pequenas células (CPPC) eleva-se habitualmente nos doentes fumadores. A sua incidencia tem mostrado tendencia a diminuir nos últimos anos. Contudo, o diagnóstico continua a fazer-se em estadios avanzados de doen^a na grande maioria dos casos. Objectivos: Caracterizar o universo de doentes com CPPC da Unidade de Pneumologia Oncológica num periodo de 5 anos (2000/04) e analisar alguns factores, sem valor diagnóstico, que contribuam para uma melhor caracterizado da doen^a e avaliagáo de prognóstico. Material e métodos: Dados demográficos dos doentes com CPPC, resposta objectiva á terapéutica e avalia^ao da NSE á data do diagnóstico, após tratamento, avalia^óes intercalares e progressao.

Resultados: Em 2000/04 foram diagnosticados e tratados 68 doentes com CPPC; 64 M e 4 F; média de idades de 63,9 anos; PS 0/1/2/3 de 3/34/6/3; 56 fumadores ou ex--fumadores; 38% doen^a localizada e 62% doen^a generalizada. Efectuada quimioterapia (QT) em 93% dos casos, terapéutica combinada (QT + RT) em 32% dos casos; em 7% apenas foi efectuada terapéutica de suporte; irradiado profilática do cránio nos doentes com remissao completa. Sempre que havia beneficio para o doente foram os sintomas dos mesmos paliados com RT. O esquema standard de 1a linha foi para todos os doentes o carboplatinum + ectoposideo, tendo os doentes que progrediram e apresentavam PS de 0/1 efectuado 2.a linha de QT com um dos dois esquemas em uso no servido. Avaliados ainda sobrevida média global - 8,6 meses. Conclusoes: Comparando esta série com outra da Unidade

verificou-se um decréscimo/ ano do número de casos de CPPC; contudo, o estadiamento nao sofreu alterado significativa bem assim a terapéutica. Os niveis de neuroenolase especifica (NSE) deram indicado da extensao da doen^a, prognóstico e resposta do doente ao tratamento, pelo que pensamos deve ser usada, antecedendo muitas vezes a progressao documentada da doen^a.

Pneumonia pneumocócica

Ferreira, Daniela Rego, Ana Caiado, António Ferreira, Susana Nogueira, Carla Lima, Ricardo Shiang, Teresa

Servido de Pneumologia. Centro Hospitalar Vila Nova Gaia

A pneumonia pneumocócica está associada a bacteriemia mais frequentemente que qualquer outra pneumonia bacteriana, sendo a maior causa de morbilidade e morta-lidade, especialmente em crianzas, idosos e em pessoas com co-morbilidades. Streptococcus pneumoniae continua a ser o agente mais comum na pneumonia adquirida na comu-nidade (PAC).

A identificado do agente microbiológico na PAC continua a ser difícil com os métodos em vigor, nomeadamente isolamento na expectorado e sangue. A introdu^ao recente do isolamento do antigénio capsular Streptococcus pneumoniae na urina, um método simples e rápido de sensibilidade e especificidade elevada, parece promissor como técnica de diagnóstico e tem sido alvo de vários estudos. Neste trabalho os autores fazem uma breve revisao das pneumonias pneumocócicas e seu método de diagnóstico, internadas no Servido de Pneumologia no período de 01.01.2003 a 14.01.2005.

Como complemento, serao apresentados dois casos clínicos de jovens com pneumonias pneumocócicas complicadas:

1- Pneumonia pneumocócica complicada com choque séptico e necessidade de ventilado mecánica em jovem de 20 anos.

2- Pneumonia pneumocócica complicada com empiema em jovem de 17 anos.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Avaliaçao do protocolo de rastreio de contactos. Articulaçao com a Saúde Pública

Duarte, Raquel1 Guimaräes, Miguel1 Neto, Maria2 Vanzeller, Manuela1 Brito, Ma Céu1 Conde, Sara1 Carvalho, Aurora1

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Médica de Saúde Pública de Vila Nova de Gaia

Apesar de se conhecer o agente causal de tuberculose e de se dispor de tratamento eficaz contra a doença, a sua prevaléncia continua a aumentar em todo o mundo. A prioridade nos programas de prevençâo e controlo de tuberculose é a identificaçâo e tratamento dos doentes com tuberculose activa. O passo seguinte é a investigaçâo dos contactos. Classicamente, o rastreio dos contactos segue a norma dos círculos concéntricos, em que sao avaliados os contactos estreitos e só entâo é alargada a investigaçâo. Os factores de risco valorizados sâo relacionados com o caso índice (grau de infecciosidade) e com os contactos (idade, imunossupressâo, características de exposiçâo, ventilaçâo dos locais de residéncia, duraçâo de exposiçâo). Estudos actuais tém demonstrado a insuficiéncia nesta metodologia. Identificar correctamente todos os contactos, avaliá-los individualmente para conhecer níveis de exposiçâo e susceptibilidade individual é crucial para o controlo da doença. Os autores apresentam protocolo de articulaçâo do CDP de VNGaia com a Saúde Pública que permite uma correcta avaliaçâo dos contactos dos doentes com tuberculose. A Saúde Pública, conhecendo melhor a realidade da residéncia e local de trabalho do doente — visitando os locais, estabelecendo o contacto com médico assistente —, permite alargar o leque de contactos a rastrear. Durante o ano 2004 foram declarados à Saúde Pública 105 doentes bacilíferos. No CDP de Gaia foram identificados os contactos de doentes bacilíferos e de todas as crianças com o diagnóstico de tuberculose. Com a colaboraçâo da Saúde Pública foram identificados 904 contactos, que foram rastreados (inquérito de sintomas e vacinaçâo, radiografia do tórax ou microrradiografia, reacçâo de Mantoux). Deste grupo de contactos, 128 fizeram tratamento de tuberculose latente. Esta actuaçâo, associado a um incremento da TOD, tem tido uma repercussâo positiva com diminuiçâo progressiva dos índices epidemiológicos de tuberculose em Vila Nova de Gaia.

Tuberculose - A actualidade no Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra

Rodrigues, Bárbara1 Magalhaes, Eunice1 Chieira, Lino1 Carvalho, Luisa2

1 Departamento de Ciéncias Pneumológicas e Alergológicas; Hospitais da Universidade de Coimbra

2 Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra

A tuberculose está normalmente limitada ao pulmâo, mas pode, virtualmente, atingir qualquer órgáo ou tecido. As localizaçoes mais comuns de disseminaçâo extrapulmonar sâo a pleura e os ganglios linfáticos. Neste caso, nem sempre é possível identificar o bacilo da tuberculose, o que dificulta a confirmaçâo do diagnóstico. O tratamento prolongado é uma das causas de abandono da terapéutica. Objectivo: Análise rectrospectiva dos novos casos de tuberculose, nos anos de 2000 a 2003, no Centro de Diagnóstico Pneumológico de Coimbra. Material e métodos: Neste período de 4 anos foram analisados 341 novos casos de tuberculose, considerando como parámetros de estudo a localizaçâo, o meio de diagnóstico, a adesâo e duraçâo do tratamento e a mortalidade, com base na listagem geral do Sistema de Vigilancia de Tuberculose.

Resultados: Dos 341 novos casos de tuberculose (média de 85,25 novos casos por ano), 61,9% eram de localizaçâo pulmonar. As localizaçoes extra-pulmonares mais frequentes foram a pleural (12,9%), a ganglionar (10,85%), a peritoneal/digestiva (2%), a génito/urinária e disseminada (1,76%) e a vertebral (1,47%). 85,3 % dos doentes cumpriram o tratamento prescrito, 3,8 % interromperam o tratamento ou abandonaram a consulta e 8,5% dos doentes encontravam-se com tratamento em curso. A percentagem de doentes que já tinha realizado tratamento antibacilar anterior foi de 5%. O tempo médio de tratamento foi de 8,9 meses. A mortalidade de 2,4%. O diagnóstico foi realizado através da identificaçâo de Myco-bacterium tuberculosis (exame directo/cultura) em 61% dos casos.

Conclusao: O número de novos casos de tuberculose durante estes quatro anos cresceu ligeiramente. As localizaçoes de tuberculose mais frequentes correspondem às descritas na literatura, mas existe um número considerável de casos de tuberculose extra-pulmonar. A maioria dos doentes cumpriram o tratamento e o diagnóstico foi realizado maioritariamente através da identificaçâo do bacilo da tuberculose.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA S 61

Vol XI N.° 2 (Supi 1) Março 2005

Tromboembolismo pulmonar - Estudo retrospectivo

Alexandre Mendonça Antonio Pinho Joao F. Silva

Serviço de Medicina Interna do H. S. Miguel (O. Azeméis)

Introduçao: O tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma patología frequente e potencialmente fatal, considerada como a 3a causa de morbilidade cardiovascular com uma prevaléncia na populaçâo hospitalizada de 1%, sendo responsável por 5 a 6% de mortes hospitalares. O objectivo foi estudar os casos de TEP internados no Serviço de Medicina Interna deste hospital, durante 5 anos. Método: Foram analisados de forma retrospectiva os processos clínicos dos doentes internados com diagnóstico de saída de TEP, desde 1999 a 2004.

Foram avaliados a origem dos doentes, tempo médio de internamento, distribuiçâo etária e por sexos, a sintomatologia de apresentaçâo, factores de risco, estratégia diagnóstica, os exames complementares, como gasimetria, ECG, radiografía de tórax, ecocardiograma, cintigrafia de ventilaçâo perfusâo e TAC helicoidal. Foi ainda estudada a evoluçâo, mortalidade, orientaçâo e terapéutica. Resultados: Confirmou-se o diagnóstico de TEP em 25 doentes (0,8%) dos doentes internados. A principal origem dos doentes foi de OAZ. O tempo médio de internamento de 6 dias. A maior incidéncia a partir dos 60 anos, com distribuiçâo por sexos superior no feminino (61%). A sintomatologia de apresentaçâo foi a dispneia, dor torácica, tosse e hemoptise. Em 92% dos doentes existiam 2 ou mais factores de risco. Estes foram por ordem decrescente a idade (superior a 60 anos), traumatismo (41,2%), TEP ou TVP prévios, neoplasias, imobilidade, uso de ACO, cardiopatias, trombofilia (factor V Leiden e Antitrombina III).

As gasimetrias mostraram hipoxemia e hipocapnia em 36% dos casos. Os ECG variaram desde ritmo sinusal a taquicardia sinusal, arritmias, bloqueios, alteraçoes isquémicas e da repolarizaçâo. O Rx de tórax foi normal em 35% dos casos, tendo noutros alteraçoes como derrame pleural, atelectasia, enfisema ou subida da hemicúpula diafragmá-tica.

A cintigrafia mostrou alta probabilidade de TEP em 44% de casos e a TAC helicoidal, confirmou o diagnóstico em 85,7% dos casos.

A evoluçâo foi favorável em 92% dos doentes. Um faleceu por TEP maciço e outro mais tarde com neoplasia. A taxa de mortalidade foi de 4%.

Os doentes foram tratados na fase aguda com HBPM

(nadroparina e enoxaparina e hipocoagulados com acenocumarol. Foram depois orientados para as consultas de Medicina Interna / Hipocoagulaçâo Conclusâo: O tromboembolismo continua a ser um desafio ao diagnóstico e à terapéutica. O envelhecimento, as neoplasias, os acidentes traumáticos a imobilidade sâo factores de risco importantes. E importante pensar nesta patologia e ter atençâo aos sinais de apresentaçâo, que podem passar despercebidos. A TAC helicoidal permite obter o diagnóstico mais facilmente e pode definir estruturas extra-vasculares, tornando possível o diagnóstico diferencial (adenopatías, tumores, doença pericárdica, pleural, etc.), permite ainda visualizar émbolos nas artérias pulmonares principais e lobares, tendo cada vez mais interesse diagnóstico. A profilaxia e seguimento após alta hospitalar sâo fundamentais na prevençâo da recorréncia.

Tromboembolismo pulmonar -Do diagnóstico à terapéutica

Marques, Ana Barata, Fernando

Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Coimbra

O diagnóstico de tromboembolia pulmonar (TEP) constitui um desafio na actividade clínica diária. Nos últimos anos, para o diagnóstico, assistimos à generalizaçâo da cintigrafia de ventilaçâo/perfusâo (V/Q) e tomografia computorizada helicoidal (TC), reservando a angiografia pulmonar para casos seleccionados. As heparinas de baixo peso molecular (bpm) revolucionaram a terapéutica em internamento e ambulatório.

E objectivo deste trabalho avaliar da experiéncia do Serviço nos últimos 5 anos. Após caracterizarmos na nossa populaçâo factores de risco, clínica, radiograma torácico, D-dímeros e gasometria arterial, focamos o diagnóstico e terapéutica. Foram incluídos 41 doentes internados entre 01-01-99 e 31-12-04 com diagnóstico de TEP, 23 (56,1%) do sexo feminino e 18 (43,9%) do masculino. A média de idades foi 59,6. Os factores de risco identificados foram neoplasia 9, cirurgia ortopédica 7, trombose venosa profunda 6, imobilizaçâo prolongada 5, insuficiéncia cardíaca 4, contracepçâo oral 3, cirurgia geral 3, hiper-homo-cisteinemia 1. Entre o início dos sintomas e o recurso ao hospital decorreram em média 4,1 dias (0-14). Em 70,3% os sintomas tiveram início súbito e foram: toracalgia 56,1%, dispneia 43,9% e tosse 26,8%. Detectamos febre em 78,1% indivíduos, taquipneia 65,8% e taquicardia 26,8%. A radiografía torácica mostra oclusâo de um seio costofrénico

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em 22%, opacidade subpleural 19,5%, oligoemia 17,1%, normal 14,9%, derrame pleural 9,8%, atelectasia segmentar 9,8% e hemicúpula elevada 4,8%. Os D-dímeros de fibrina foram positivos em 95,2%. A gasometria foi normal em 24,4%, hipoxemia em 48,8% e alcalose respiratória em 26,8%. O diagnóstico foi através de cintigrama V/Q em 63,4%, TC em 17,1%, angiografia pulmonar 12,2% e por consenso em 7,2%. A terapéutica hospitalar privilegiou heparinas bpm em 80,5%, heparina clássica 17,1% e trombólise 2,4%. Na anticoagulaçâo domiciliária a varfarina foi utilizada em 86,5% e as heparina bpm em 13,5%. Faleceram 4 doentes (9,8%).

Doença pulmonar obstrutiva crónica -Como estratificar a gravidade da doença?

Diva Ferreira A. Caiado S. Ferreira G. Reis, I. Pascoal N. Taveira

Unidade de Cinesiterapia Respiratoria. Serviço de Pneumologia. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Introduçâo: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é caracterizada por obstruçâo escassamente reversível ao fluxo aéreo, progressiva e associada a inflamaçâo. Tem expressâo respiratoria (FEV1 variável fisiológica) e sistémica (manifestaçoes nâo explicadas só por FEV1); a gravidade reflecte-se num compromisso variável para o doente. Nâo há um critério consensual na sua estratificaçâo -ATS (1995)?; GOLD (2003)?; ATS/ERS (2004)?; BODE (2004)?

Objectivo: Comparar diferentes critérios de estratificaçâo da gravidade da DPOC.

Metodologia e populaçâo: Análise transversal de 20 doentes com DPOC em estabilidade clínica e reabilitaçâo respiratória. A gravidade da doença foi classificada pelos critérios da ATS (FEV1 pós-BD), GOLD (FEV1 pós-BD em percentagem do valor teórico e índice de Tiffeneau), e Index BODE (FEV1% pós-BD, grau de dispneia Fletcher, IMC e teste de 6 minutos marcha).

Resultados: Em 15 homens e 5 mulheres com idade média = 62,3±9,7anos, obteve-se: FEV1 pós-BD-média=49,1°/o±16,7;IMC-média=26,5±6,5kg/m2; grau de dispneia-média=3,2±1,2; marcha-média=465±61metros.

ATS-8 doentes no estadio I (obstruçâo ligeira), 9 no estadio

II (obstruçâo moderada), 3 no estadio III (obstruçâo grave). Seis doentes (estadio I ATS) passam para o GOLD II (DPOC moderada) e 3 para BODE 4/5. Todos os doentes do estadio II ATS correspondem ao GOLD III (DPOC grave) e 5 a BODE 5. No grupo do estadio III ATS 2 doentes passam para o GOLD IV (DPOC muito grave), e todos correspondem a BODE>5. Relativamente à classificaçâo GOLD, foi analisada a pontuaçâo do BODEGOLD II (6 doentes)-2 com score 4 e 1 com score 5; GOLD

III (10 doentes)-1 com score 4, 5 com score 5 e 1 com score 6; GOLD IV (2 doentes)-todos com score 6. Conclusäo: Na DPOC de gravidade ligeira/moderada, os critérios ATS e GOLD nâo traduziram fielmente o grau de compromisso. O Index BODE avaliando as conse-quências sistémicas da DPOC mostrou ser um indicador mais real das repercussoes. Como estratificar entâo a gravidade da DPOC?

Avaliaçao da qualidade de vida dos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)

Barreira, Luisa Alexandra1 Martins, Cristiana2

1 Cintigrafia de Perfusâo Miocárdica; Centro de Medicina Nuclear, S.A.

2 Serviço de Provas Funcionais Respiratórias; Hospital Santos Silva - Vila Nova de Gaia

A DPOC envolve um grande número de doentes, na sua maioria fumadores, é por isso uma das principais causas da crescente morbilidade e mortalidade a nível mundial, com um enorme impacto sócio-económico, tendo a qualidade de vida (QdV) destes doentes merecido interesse crescente a nível investigacional no ámbito das ciencias da Saúde.

Objectivo: Avaliar, através da aplicaçâo do St. George Respiratory Questionnaire (SGRQ), a QdV destes doentes em funçâo da utilizaçâo ou nâo da oxigenioterapia de longa duraçâo (OLD) como tratamento nâo farmacológico. Material e métodos: A populaçâo em estudo inclui 54 individuos com DPOC de grau moderado ou severo (15 do sexo feminino, 39 do sexo masculino), divididos em dois grupos, 26 recebiam OLD e 28 apenas terapéutica farmacológica.

Todos os pacientes realizaram espirometria e gasimetria, preencheram o questionário de QdV (SGRQ) e a escala de Borg para quantificaçâo do grau de dispneia.

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Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2005

Resultados: No grupo da OLD a média do grau de dispneia foi ligeiramente superior, embora nao estatisticamente significativa. Nao existem diferen^as estatisticamente significativas nos scores obtidos no SGRQ (valores de p> 0,05). Quando comparados ambos os grupos em fun^ao dos hábitos tabágicos, existem diferen^as significativas nos scores do SGRQ, no FEV1 (%), na PaO2 e na SatO2, entre os ex-fumadores; na FVC (%) entre os fumadores e na PaO2 e SatO2 entre os nao fumadores (valor p <0,05). Nas comparares realizadas dentro de cada grupo, as diferen^as verificam-se no valor médio do score referente ao impacto social, quando comparados os fumadores e ex--fumadores do grupo que nao realiza OLD; no valor médio do FEV1 (%) entre os fumadores e ex-fumadores que realizam OLD e nos valores médios do FEV1 (%) e da FVC (%), quando comparados os fumadores e nao fumadores que realizam OLD.

Conclusao: A QdV, assim como a condi^ao respiratória dos pacientes com DPOC, encontra-se profundamente diminuida, principalmente nos pacientes que recebem OLD.

de 42,5anos. Quanto aos valores gasimétricos, a mediana da variaçao de pH foi de -0,008, da paO2 de 1,45 mmHg (-3,90 a +8,40 mmHg), da paCO2 de -0,25 (-3,90 a +6,20 mmHg), traduzindo discreta melhoria na oxigenaçao e reduçao da retençao de CO2 na maioria dos doentes, à excepçao de 1. Quanto aos parámetros funcionais, a mediana da diferença de FVC foi de 0,175L (+0,06 a 0,50) e de FEV1 de 0,110L (-0,03 a +0,480), tendo diminuido apenas num doente; verificou-se diminuiçao do RV na maioria dos doentes com diferença mediana de -0,290L (de - 0,470 a +0,320) e da FRC, mediana da diferença de -0,110L (-0,30 a +0,70). A DLCO só foi avaliada em 4 doentes; em todos se verificou aumento da mesma (mediana de 2,625 ml/mmHg/min). Conclusôes: Neste pequeno grupo de doentes verificou--se, na maioria, nao ter havido agravamento dos parámetros avaliados, ocorrendo discreta melhoria das trocas gasosas e diminuiçao da insuflaçao pulmonar, indiciando a segurança da utilizaçao do oscilador de alta frequéncia no recrutamento de secreçoes

Efeito imediato da utilizaçao do oscilador Hayek de elevada frequência em doentes com retençao de secreçôes

Fernandes, Gabriela Araújo, Emilia Mateus, Edgar Almeida, Joao Gomes, Isabel

Serviço de Pneumologia; Hospital de Säo Joäo

Introduçao: Os beneficios nas trocas gasosas obtidos com ventilaçâo com o oscilador Hayek säo conhecidos em doentes com falencia respiratória. O uso do modo de oscilaçâo com frequência elevada pode ser usado como auxiliar no recrutamento de secreçôes. Esse recrutamento pode induzir alteraçôes nas trocas gasosas e em parámetros funcionais que näo estäo completamente determinados. Objectivo: Avaliar o efeito imediato nos gases de sangue, equilibrio ácido-base, débitos, volumes e difusäo de CO em doentes a fazer recrutamento de secreçôes com Hayek em modo de oscilaçâo com frequência elevada. Material e métodos: Estudo prospectivo em doentes submetidos a recrutamento de secreçôes com Hayek, de Novembro e Dezembro de 2004. Avaliaçâo pré e pós-sessáo dos seguintes parámetros: gasimétricos, espirometria, volumes pulmonares e difusäo de CO.

Resultados: Incluidos 8 doentes com bronquiectasias, 7 do sexo feminino, 1 do masculino, com mediana de idades

Avaliaçâo da eficácia da disponibilidade da espirometria nos centros de Saúde.*

Fernandes, Gabriela1 Paulo Viana2 Cristina Lourenço2 Teresa Santiago2 Joana Pipa2 Rui Médon3 Bernardo Vilas Boas3 Graça Azevedo3 Costa Lima3 J Agostinho Marques1

1 Serviço de Pneumologia; Hospital de Sao Joao

2 Técnicos Cardiopneumologia, Hospital Sao Joao

3 Centros de Saúde Admnistraçao Regional Porto

Introduçao: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença à qual se atribui crescente morbilidade e mortalidade, com uma prevaléncia globalmente subvalorizada, devido ao aparecimento tardio dos sintomas, à desvalorizaçao dos mesmos pelo doente e possivelmente à dificuldade em aceder à espirometria, exame fundamental para o seu diagnóstico. Em Portugal a prevaléncia é de cerca de 5,3%.

Objectivo: Avaliar a eficácia da disponibilidade de espirometria no centro de saúde, em particular para o diagnóstico da DPOC.

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Material e métodos: Estudo prospectivo realizado de Julho a Dezembro 2004 em 4 Centros de Saúde da Sub-regiâo do Porto, durante o qual se efectuaram as espirometrias solicitadas pelos médicos de clínica geral. Resultados: Efectuadas 646 espirometrias. 340 (52,6%) indivíduos eram do sexo feminino e (306) 47,4% do sexo masculino, com mediana de idades de 56 anos. Quanto aos hábitos tabágicos, 285 (44,1%) eram fumadores com consumo médio de 22 cigarros/dia, 113 (17,5%) ex--fumadores há mais de 12 meses e 247 (38,2%) nâo fumadores. No início do estudo eram conhecidos os seguintes diagnósticos: DPOC em 26 (4%), asma brônquica em 24 (3,%) e bronquite em 54 (8,4%). Quanto aos resultados das espirometrias efectuadas: 481 (74,5%) foram normais, 86 (13,3%) apresentavam síndroma obstrutiva, destas 43 (6,7%) nâo tinham reversibilidade ao broncodilatador, 28 (4,3%) tinham reversibilidade e em 15 (2,3%) este parámetro nâo foi avaliado. Com base no resultado espiro-métrico, o diagnóstico de DPOC poderia ter sido estabe-lecido em 43 indivíduos (6,7%).

Conclusâo: A disponibilidade de espirometria nos centros de saúde permitiu diagnosticar 6,7% de casos sugestivos de DPOC, contribuindo para a identificaçâo de mais 15 casos (2,7%) além dos conhecidos. Embora o acréscimo diagnóstico nâo tenha sido substancial, permitiu o diagnóstico da doença numa percentagem ligeiramente superior à conhecida para a nossa populaçâo.

*Apoio Boehringer/Pfizer

Doença pulmonar obstrutiva crónica. Funçâo pulmonar e história natural da doença - Análise prospectiva.

Guimarâes, Miguel1 Oliveira, Ana2 Rego, Ana2 Rodrigues, Fernanda2 Taveira, Natália2

1 Unidade de Cinesiterapia Respiratória - Serviço de Pneumologia. Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia (CHVNG)

2 Serviço de Pneumologia; CHVNG

Introduçâo: Na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) o volume expiratório máximo no 1o segundo (FEV1) é essencial no diagnóstico e estratificaçâo da gravidade; a sua taxa de declínio parece ser um indicador fiável de progressâo e mortalidade.

Objectivo: Análise da variaçâo do FEV1 em doentes com DPOC (8 meses).

Metodologia e populaçâo: Análise prospectiva da funçâo pulmonar em 20 doentes com DPOC estável e diagnosticada > 1 ano (GOLD III e IV). Início do estudo (T0)- terapeutica médica optimizada e doentes em programa de reabilitaçâo (exercício aeróbico). Em TO e aos 8 meses (T8), avaliou-se: FEV1 pós-BD absoluto e em % de VT, IT, GSA, dispneia (Fletcher); no/gravidade de exacerbaçôes (Roisin), consultas extra; antibioterapia; alteraçâo à terapeutica; internamento. Análise estatística em SPSS12,0 (significado estatístico <0,05).

Resultados: Vinte doentes do sexo masculino, dois fumadores actuais. Idade média de 68,3 ± 7,6 anos; T0-FEV1 médio de 0,97 ± 0,29L; FEV1%VT médio de 36,8 ± 10,2%; 12 doentes com PaO2 média de 65,9 ± 10,7mmHg, nenhum com hipercapnia; GOLD: estadio III-11 e IV-9 doentes; dispneia média-3,1 ± 0,9. T8-FEV1 médio-0,97 ± 0,37L; FEV1%VT médio-36,4 ± 12,9%; 17 doentes com PaO2 média de 67,4 ± 9,7mmHg e 2 com hipercapnia; GOLD estadio II-2, III-9 e IV-9 doentes; ocorreram exacerbaçôes em 10 doentes; 10 recorreram a consulta extra; 8 fizeram antibioterapia e 6 corticoterapia oral; um doente necessitou de ventilaçâo mecánica invasiva. Idade>70 anos, exacerbaçôes, hipoxemia, corticoterapia oral, e consultas extra associaram-se a valores mais baixos de FEV1 em L (T0/8); a associaçâo com antibioterapia é próxima do significado estatístico (p=0.07). Comentário: A investigaçâo na DPOC tem-se centrado na variaçâo do FEV1 ao longo do tempo e sua relaçâo com exacerbaçôes em fumadores. А semelhança de alguns estudos, os resultados encontrados apontam para o papel das exacerbaçôes infecciosas num maior declínio da funçâo pulmonar.

Doença pulmonar obstrutiva crónica. Indicadores de morbilidade

Oliveira, A Guimarâes, M Rego, AL Roque, A Taveira, N

Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Introduçâo: Na doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a dispneia é nâo só um indicador de gravidade da doença como também factor do seu prognóstico e

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mortalidade. Múltiplos factores explicam a sua variabilidade. Objectivo: Correlacionar gravidade da doença e dispneia com o estado de nutriçao.

Metodologia e populaçâo: Análise transversal de 40 doentes com DPOC em fase de estabilidade clinica; Consideraram-se o FEV1 absoluto e em %VT como indices de gravidade fisiológica. A dispneia foi avaliada pela escala de Fletcher (0 a 5); os doentes foram estratificados pelos

resultados pouco encorajadores. As consultas de Desa-bitua^ao Tabágica destinam-se fundamentalmente a fumadores motivados.

Objectivos: Avaliar os resultados de um ano de consulta e a abstinéncia aos doze meses (M).

Metodologia e populado: Caracterizado dos fumadores observados na consulta de desabitua^ao tabágica durante o ano de 2003. Avaliaram-se: idade, sexo, proveniéncia, carga tabágica, tentativas prévias de abandono, comor-bilidades, motivos para cessa^ao, motivado (Richmond), dependéncia (Fargerstrom modificado), abstinéncia continua até aos doze M.

Resultados: Observados 138 fumadores, 72,4% homens e 27,6% mulheres, idade média 45.7 +12.2 anos, carga tabágica média 44,5±27,1 UMA. Idade média de inicio dos hábitos tabágicos -16,1±4,8 anos. Proveniéncia: consultas de Pneumologia — 30,4%, outras— 23%, iniciativa própria— 33,3% e médico de familia—13%. A maioria nunca tinha tentado deixar de fumar. Antecedentes: patologia respiratória-50% (DPOC); patologia cardiovascular-18,1%, 15,9% saudáveis e 10,9%-antecedentes de depressao. A saúde-90,4%, pressao familiar-3,6%, os filhos-2,9% e os motivos económicos-2,2% foram os primeiros motivos apresentados para cessa^ao. Grau de dependéncia: grande-52,2%, média-27,9% e baixa-19,9%. Motivado: moderada-67%, alta-19,8% e 13,2%-baixa. Abandonaram a consulta no primeiro més 36,9%. Taxas de abstinéncia continua: 1 semana-22,8%, 1M-40,9%, 3M-34,5%, 6M-24,2% e 12M-22,8%. Cerca de 87% das recaidas ocorreram até aos 6M. Comentários: Os resultados nao sao o que desejariamos, mas estao próximos dos referidos na literatura. A relado homem-mulher reflecte a prevaléncia no nosso pais. A maioria das recaidas aconteceu nos primeiros seis meses, tal como é referido na literatura. A procura das consultas de desabituado tabágica por fumadores pouco motivados acarreta elevadas taxas de abandono e contribui para o insucesso.

critérios GOLD; no indice de massa corporal assumiu-se o cut-off de 25kg/m2. Análise estatistica em SPSS12.0 (significado estatistico < 0.05).

Resultados: Do total de doentes, 88% (35) sao do sexo masculino, com FEV1 médio de 1,16 t 0,44L e FEV1%VT médio de 42,96 t 15,06%; dispneia média de 3,12 t 1,09 e IMC médio de 26,02 t 5,32 kg/m2; estratificaçao GOLD: estadio II - 8; estadio III - 21; estadio IV — 11 doentes; considerados de baixo peso (IMC<25kg/m2) 18 doentes, peso normal (25-30kg/m2) 16, e 6 obesos (IMC^kg/m2). Encontrou-se diferença estatisticamente significativa para FEV1 entre doentes com IMC < 25 e >25; correlaçao com significado próximo do estatistico entre FEV1 e grau de dispneia. O IMC (>25 e < 25) e a dispneia (0-2 e 3-5) nao se correlacionaram estatisticamente entre si; os doentes de baixo peso apresentaram maiores graus de dispneia. Encontramos a maior associaçao entre GOLD IV, dispneia >4 e IMC<25kg/m2.

Comentários: Assumindo que o IMC nao traduz com fiabilidade o "estado qualitativo" dos músculos periféricos e respiratorios e que, na DPOC, mecanismos limitativos possam influenciar a auto-percepçao da dispneia, os resultados encontrados apontam para que o estado de nutriçao seja um dos factores a influenciar a gravidade da dispneia.

Um ano de consulta de desabituaçâo tabágica. Resultados aos doze meses

Ferreira, Diva1 Oliveira, A1 Valério, J2 Correia, A3 Pascoal, I4

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Consulta de Psicologia, CHVNG

3 Serviço de Alimentaçao e Dietética, CHVNG

4 Consulta de Desabituaçao Tabágica, Serviço de Pneumologia, CHVNG

Introduçâo: O abandono do consumo de tabaco é um processo dificil e multifactorial, sendo por vezes os

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Factores preditivos de abstinência tabágica aos doze meses

Ferreira, Diva1 Oliveira, A1 Valério, J2 Correia, A3 Pascoal, I4

1 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia (CHVNG)

2 Consulta de Psicologia; CHVNG

3 Serviço de Alimentaçâo e Dietética; CHVNG

4 Consulta de Desabituaçâo Tabágica; Serviço de Pneumologia; CHVNG

Introduçâo: O comportamento tabágico é multifactorial sendo a motivaçâo o aspecto fundamental na desabituaçâo tabágica. Outros factores tem sido relacionados com o sucesso.

Objectivos: Avaliar factores preditivos de abstinencia aos 12 meses (M).

Populaçâo e metodologia: Avaliaçâo da relaçâo da idade, sexo, patologia, motivaçâo (teste de Richmond), dependencia (Fagerstrom modificado), convívio com fumadores no domicílio e abstinencia aos 12 M de 138 fumadores observados na consulta de Desabituaçâo Tabágica no ano

de 2003.

Resultados: 138 fumadores, 72,4% homens e 27,6% mulheres, idade média de 45,7±12,2 anos (A) e carga tabágica média 44,5±27,1 UMA. Idade média de início dos hábitos tabágicos-16,1±4,8 A. A maioria nunca tinha tentado deixar de fumar. Antecedentes: patologia respiratória-50% (predomínio de DPOC); patologia car-diovascular-18,1%; 15,9% saudáveis e 10,9% com antecedentes de depressâo. A saúde-90,4%, pressâo fami-liar-3,6%, filhos-2,9% e motivos económicos-2,2% foram os primeiros motivos apresentados para cessaçâo. Dependencia: grande em 52,2%, média em 27,9% e baixa em 19,9%. Maioria dos fumadores (67%) com motivaçâo moderada, 19,8% alta e 13,2% baixa. Deixaram de fumar 22,8% (28.2% homens e 10,3% mulheres). Taxa de sucesso nos fumadores<35 A-17,7% sendo 40% nos >65 A. Deixaram de fumar 26,8%, 21,1% e 17,2% dos fumadores com grande, moderada e baixa dependencia, respectivamente. Sucesso: 37%, 22,6% e 5,5% nos fumadores com motivaçâo elevada, moderada e baixa respectivamente. Taxa de sucesso: doentes com patologia respiratória-18,8%, doentes com outras patologias-25,3%, saudáveis-27,2% e com antecedentes de depressâo-6,7%. Sessenta fumadores que contactavam com outros no domicílio: sucesso=20%, 25,6% nos fumadores em que isso nâo acontecia.

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Comentários: A desabitua^ao é mais difícil nas mulheres, fumadores com depressao, jovens e fumadores que contactam com fumo em casa e nao depende da dependencia. A motiva^ao é essencial.

Resumo dos Posters Abstracts of Posters

Carcinoma in situ do pulmâo -A propósito de um caso clínico

Guimarâes, Miguel1 Conde, S2 Miranda, J3 Parente, B2

1 Unidade de Pneumologia Oncológica - Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia — CHVNG

2 Serviço de Pneumologia; CHVNG

3 Serviço de Cirurgia Cardiotorácica; CHVNG

A neoplasia do pulmao é uma das principais causas de morte a nivel mundial e o número de novos casos tem vindo a aumentar progressivamente. Apesar dos avanços terapéuticos registados nos últimos anos, o número de doentes curados, bem como a sobrevida, permanecem baixos.

A detecçao de estadios pré-neoplásicos, antes da invasao e metastizaçao, permitiria melhorar o combate à doença. Os autores apresentam o caso clinico de um homem de 76 anos nao fumador, sem antecedentes patológicos do foro respiratório, que recorreu ao SU por dor retroesternal, tendo sido excluida causa isquémica.

O estudo ecocardiográfico subsequente revelou massa hiperecogénica nao homogénea de forma eliptica com 3,8 x x 7,5 cm, adjacente à parede da auricula direita e 1/3 basal da parede livre do ventriculo direito.

No sentido de melhor caracterizar esta massa, o doente

realizou TAC, RM, angiografia e broncofibroscopia (BF).

Na BF detecta-se ligeira convergéncia de pregas na entrada

de B6 direito — feito escovado.

Resultado do escovado — carcinoma epidermóide.

Realizou ainda PET que nao demonstrou nenhum foco

avidamente captante de FDG.

O doente foi proposto para toracotomia.

Feita lobectomia inferior direita e inspecçao de massa ven-

tricular (paredes lisas, implantada na parede do ventriculo direito sem invasäo do pericárdio, de parede lisa e muito vascularizada) - NÄO BIOPSÁVEL. Histologia do lobo inferior do pulmäo direito — CARCINOMA IN SITU DO PULMÄO.

Actualmente o doente está assintomático. Tem permanecido em vigiláncia imagiológica periódica, mantendo a massa as mesmas dimensôes. Mesmo entre broncologistas experientes, apenas 29% identificam carcinoma in situ, epidermóide de localizaçâo central. Quando visiveis, sâo lesôes inespecificas (áreas de rubor ou granulaçâo), muitas vezes observadas em patologias näo malignas. A terapéutica de eleiçâo é a cirurgia que, em geral, é curativa. Contudo existe uma grande incidéncia(45%) de 2.a neoplasia pulmonar.

Pneumonias atípicas - Um estudo retrospectivo

Jones, Jessica

Campos, Ana

Guimaraes, Maria José

Mendes, Pedro

Robalo, Carlos

Fontes Baganha, Manuel

Departamento de Ciencias Pneumológicas e

Alergológicas; Hospitais da Universidade de Coimbra

A etiologia das pneumonias atípicas adquiridas na comunidade sao frequentemente sugeridas por altera^óes clínicas, radiológicas e laboratoriais, sendo habitualmente instituida a medicado sem que haja confirmado do agente etiológico.

Este estudo, baseado em confirmado microbiológica durante o internamento, abrange um período de 4 anos (20002004) num total de 9 casos de pneumonia por Legionella, 6

s ба

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por Chlamydia, 3 por Mycoplasma pneumoniae. Dos casos apresentados, 6 necessitaram de ventiia^äo mecánica e 2 apresentaram tempo de internamento inferior a 10 dias.

Os autores pretendem fazer uma revisäo do tema e, perante este estudo, demonstrar a diversidade clínica encontrada nas pneumonias atípicas, a importáncia das comorbilidades e a abordagem terapéutica.

Linfoma anaplásico e compromisso da via aérea

Damas, Carla Fernandes, Gabriela Gomes, Isabel Espanhol, Venceslau

Serviço de Pneumologia; Hospital de Sâo Joâo Director: Prof. J. Agostinho Marques

Os autores descrevem o caso de um doente do sexo masculino, com 54 anos, caucasiano e fumador, que recorreu ao serviço de urgéncia (SU) por apresentar quadro de tosse produtiva e expectoraçâo hemoptóica com cerca de dois meses de evoluçâo, sem febre, perda de peso ou suores nocturnos associados, tendo sido submetido sucessivamente a antibioterapia.

Dada a persisténcia do quadro, é solicitada a colaboraçâo da Pneumologia, tendo sido agendada broncofibroscopia. Esta mostrou a existéncia de neoformaçoes sésseis, 2 cm abaixo das cordas vocais e ao longo da vertente póstero--lateral do terço médio da traqueia. Estas lesoes condicio-navam obstruçâo quase total, motivo pelo qual foi realizada broncoscopia rígida para colocaçâo de prótese endo-traqueal. Cerca de trés horas após a colocaçâo, a prótese é mobilizada com esforço de tosse, motivo porque foi substituída. Esta situaçâo repete-se por duas vezes com necessidade de substituiçâo da prótese por uma mais curta. Tendo em conta a instabilidade clínica e a grande suspeiçâo de malignidade, o doente inicia radioterapia, enquanto aguardava resultado da biópsia, que permitiu o diagnóstico de linfoma anaplásico de células grandes, CD 30+. A TAC torácica mostrou a existéncia de uma massa mediastínica que invadia a traqueia. Após a colocaçâo da terceira prótese, o doente entra em insuficiéncia respiratória, com estridor, tendo sido necessário retirá-la por estar obstruída por um rolhâo de secreçoes, ficando a traqueia patente. O doente teve alta orientado para a consulta de Hematologia Clínica, estando actualmente estabilizado do ponto de vista respiratório e submetido a quimioterapia com CHOP.

O linfoma de grandes células primário do mediastino corresponde a 7% dos linfomas de grandes células, sendo o atingimento primário do timo uma constante, e o compromisso da via aérea e/ou da veia cava superior muito frequente.

Neoplasia do pulmâo - Imagiologia enganadora

Szánthó, Ambrus Paiva, Benedita Campos, Ana Guimarâes, Maria José Ferreira, Ilda Oliveira, L C Baganha, M F

Serviço de Pneumologia, Departamento de Ciencias Pneumológicas e Alergológicas; Hospitais da Universidade de Coimbra

Os autores apresentam tres casos clínicos de internamento por suspeita de neoplasia pulmonar. 1o Caso: Doente do sexo feminino, 56 anos, referindo tosse seca iniciando em Dezembro de 2003. Fez tratamento com antibióticos e anti-inflamatórios com melhoria clínica. Em Junho de 2004 iniciou tosse com expectoraçâo hemoptóica e dispneia. A telerradiografia do tórax mostrou opacidade justa-hilar esquerda, mal limitada. A TAC torácica evidenciou lesâo nodular sólida com 5 x 4 cm no lobo inferior esquerdo, contornos espiculados, englobando o brônquio lobar inferior e o ramo descendente da artéria pulmonar, e estendendo-se até à pleura. Efectuado videotoracoscopia cirúrgica, diagnosticou-se pneumonia de hipersensibilidade.

2o Caso: Doente do sexo feminino, 63 anos, com antecedentes de tuberculose pulmonar. Recorreu ao Serviço de Urgencia em Novembro de 2004 por tosse com expecto-raçâo muco-purulenta/hemoptóica. A telerradiografia do tórax evidenciou formaçâo ovalada no 1/3 médio do hemitórax direito, subpleural estendendo-se ao hilo com hipotransparencia heterogénea da base homolateral. A TAC torácica mostrou formaçâo nodular no lobo médio com 4 cm do maior eixo, limites mal definidos, condicionando retracçâo do hilo. Efectuada biópsia transtorácica, o exame anatomopatológico revelou lesâo inflamatória compatível com pneumonia eosinofílica. Identificou-se Micobacterium avium no aspirado brônquico.

3o Caso: Doente do sexo feminino, 62 anos, que em Setembro de 2004 iniciou toracalgia posterior esquerda

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acompanhada de tosse seca. Referia astenia, anorexia e perda ponderal (9 kg / 6 meses). A telerradiografía do tórax evidenciou hipotransparéncia homogénea de base esquerda. A TAC torácica revelou lesâo ovalada com 4 cm de maior eixo, captando contraste no lobo inferior esquerdo com espessamento da pleura adjacente. Efectuada cirurgia de ressecçâo, diagnosticou-se pneumonia organizada com zona central de abcesso.

Papilomatose tráqueo-brónquica - Caso clínico

Reis, António Paiva, Benedita Ferreira, Ilda Oliveira, Luis Baganha, Fontes

Departamento de Ciéncias Pneumológicas e Alergológicas/Serv^o de Pneumologia; Hospitais da Universidade de Coimbra

A papilomatose das vias aéreas é uma patologia rara, com atingimento preferencial da laringe em crianças e adultos jovens. Tem na maioria dos casos evoluçao benigna com remissao na puberdade, embora raramente possa apresentar evoluçao mais prolongada, com atingimento tráqueo--brônquico e parenquimatoso por vezes recorrente. Os autores apresentam um doente do sexo masculino, 62 anos, nao fumador, com quadro clinico de tosse, expec-toraçao e rinorreia purulentas com 6 meses de evoluçao, sem febre ou alteraçao do estado geral. Referia persisténcia das queixas após vários cursos de antibioterapia. No exame cultural da expectoraçao identificou-se Pseudomonas aeruginosa, pelo que foi submetido a 3 semanas de antibioterapia com melhoria parcial. A TAC torácica apresentava reduçao do diámetro transverso da traqueia com irregularidade do seu contorno interno devido a pequenos nódulos. Na broncofibroscopia observou-se traqueia em bainha de sabre com mucosa difusamente irregular, com pequenos nódulos, prolongando-se pelos brônquios principais; identificou-se Morganella morgani e Pseudomonas aeruginosa. Biópsia da mucosa traqueal compa-tivel com papiloma.

Recorre entretanto ao SU com tosse, expectoraçao purulenta e febre, sendo internado por pneumonia à direita, com identificaçao de Pseudomonas aeruginosa. Boa resposta clinica e imagiológica durante o internamento. Nas consultas externas refere persisténcia das queixas iniciais, apresentando exame bacteriológico da expec-toraçao repetidamente positivo para bactérias de elevada patogenicidade, sem repercussao clinica. Destaca-se um caso de papilomatose com atingimento traqueo-brônquico, de apresentaçao tardia, com colo-nizaçao por gérmens de elevada patogenicidade, provavel-mente devido às alteraçoes morfológicas tráqueo-bran-quicas.

Microlitíase alveolar pulmonar - A propósito de um caso clínico

Campos, Ana Franco, Ana Guimarâes, Maria Jones, Jessica Mendes, Pedro Oliveira, Luis Baganha, Manuel

Departamento de Ciéncias Pneumológicas e Alergológicas dos Hospitais da Universidade de Coimbra

Os autores apresentam o caso clinico de um doente do sexo masculino, 21 anos de idade, estudante, que realiza uma microrradiografia torácica de rastreio, que, por apresentar um padrao reticulomicronodular bilateral, é internado para estudo.

De antecedentes pessoais apenas há a referir uma história de hematospermia, estando a ser seguido em Urologia por suspeita de calcificaçoes a nivel do epididimo. Ao exame objectivo o doente nao apresentava alteraçoes. Dos exames complementares de diagnóstico, salienta-se: TAC torácica: múltiplas pequenas formaçoes nodulares de limites imprecisos, tipo "acinar" dispersas por todos os lobos de localizaçao preferencial periférica e mais acentuada nos lobos inferiores; Biópsia pulmonar transtorácica: fragmento de parénquima pulmonar, com espaços celulares ocupados por pequenos corpos calcificados, correspon-dendo a microlitiase alveolar pulmonar. Em termos de evoluçao, o doente encontra-se assintomático e apresenta um estudo funcional respiratório e TAC torácica sobreponiveis aos iniciais. E seguido em consulta de Pneumologia e Urologia.

Os autores fazem por fim algumas consideraçoes finais acerca da microlitiase alveolar pulmonar, doença rara cuja etiologia e patogénese permanecem desconhecidas.

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Tumor fibroso solitário do pulmâo -Dois casos clínicos

Magalhâes, Eunice1 Rodrigues, Bárbara1 Marques, Maria Alcide1 Gamboa, Fernanda1 Bernardo, Joâo2 Sousa, Maria Amélia1 Baganha, Manuel Fontes1

1Departamento de Ciencias Pneumológicas e Alergológicas. Hospitais da Universidade de Coimbra 2 Serviço de Cirurgia Cardiotorácica. Hospitais da Univer-sidade de Coimbra

O tumor fibroso solitário é um tumor raro, de etiologia desconhecida, sem predilecçâo por raça ou sexo, mais frequente entre os 60-70 anos, maioritariamente de características benignas, podendo apresentar localizaçôes variegadas, mas predominando na pleura. As lesôes intrapulmonares sâo extremamente raras. As características imagiológicas sâo inespecíficas, sendo o diagnóstico definitivo histológico. A resssecçâo cirúrgica é o tratamento de escolha. O prognóstico é geralmente bom com baixo risco de recidiva ou metastizaçâo.

A este propósito os autores apresentam dois casos clínicos: Caso 1- Homem, 68 anos, fumador, com quadro de dispneia de esforço progressiva. O estudo complementar realizado identificou uma massa de tecidos moles englobando o brônquio principal direito. O estudo anatomopatológico do fragmento colhido por biópsia aspirativa transtorácica identificou um tumor fibroso solitário da pleura. Submetido a bilobectomia média e inferior direita, o estudo anatomopatológico da peça cirúrgica revelou um tumor fibroso intrapulmonar;

Caso 2 - Homem, 58 anos, nâo fumador, com quadro de tosse produtiva com expectoraçâo mucosa e toracalgia inespecífica. A avaliaçâo imagiológica revelou uma formaçâo nodular infra-hilar esquerda. Proposto para exérese cirúrgica: o diagnóstico histológico da peça foi tumor fibroso solitário do pulmâo.

Lipoma endobrônquico - Caso clínico e revisâo da literatura

Bonnet, Marina1 Soares, Jorge1 Ayala, Lucía2 Roldâo Vieira, Jorge1

1 Serviço de Pneumologia; Hospital Garcia de Orta

2 Serviço de Anatomia Patológica; Hospital Garcia de Orta

Descreve-se o caso clínico de um doente com lipoma brônquico na árvore brônquica direita, achado incidental em broncofibroscopia realizada por atelectasia do pulmâo esquerdo após cirurgia.

Trata-se de um doente do sexo masculino com 83 anos de idade, com história anterior de tuberculose pulmonar aos 27 anos, com queixas compatíveis com DPOC há 33 anos e diabetes mellitus tipo II. Seguido em consulta de Pneu-mologia há 10 anos.

Operado a neoplasia do cólon direito em Outubro 2004; no pós-operatório imediato apresenta alteraçôes clínicas e na radiografia de tórax compatíveis com atelectasia à esquerda; A broncofibroscopia revela alteraçôes inflama-tórias na língula e oclusâo quase total da emergencia da pirámide basal direita por lesâo nodular polipóide e pediculada, com superfície regular e com aspecto endos-cópico semelhante à mucosa brônquica e consistencia mole, cuja biópsia foi inconclusiva. O doente é posteriormente submetido a broncoscopia rígida diagnóstica e terapeutica; a lesâo foi extraída pelo pedículo, na sua totalidade com pinça de biópsia e realizou-se electrocoagulaçâo de alta frequencia no local de inserçâo da mesma. O diagnóstico histológico da massa foi compatível com lipoma.

A propósito deste caso clínico, fez-se revisâo da literatura e salientam-se as características deste tumor no que diz respeito à epidemiologia, clínica, localizaçâo, histologia e abordagem diagnóstica e terapeutica.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Massa pulmonar. Sinónimo de neoplasia?

Damas, Carla Saleiro, Sandra Gomes, Isabel

Serviço de Pneumologia; Hospital de S. Joâo

As autoras descrevem o caso de um doente referenciado à consulta de Pneumologia Geral para esclarecimento de um quadro de astenia, anorexia, tosse seca e perda de peso (nâo quantificada), com cerca de dois meses de evoluçâo. Tratava-se de um homem, de 60 anos, fumador (43 UMA), alcoólico e com mau estado geral.

O doente trazia do ambulatório uma telerradiografia do tórax que mostrava lesâo heterogénea de contornos irregulares no lobo superior direito, e uma TAC torácica que descrevia uma massa, de 7x6cm, com áreas de necrose, na mesma localizaçâo. No seguimento do estudo foram efectuadas broncofibroscopia ("...reduçâo do calibre do brônquio lobar superior direito...aspiradas secreçôes purulentas..."), sendo o lavado brônquico negativo para células malignas e biópsia aspirativa transtorácica ("..quadro inflamatório granulomatoso, de etiologia nâo esclarecida, com Ziehl-Nielsen negativo).

Por apresentar agravamento do estado geral e radiológico o doente é internado no serviço de Pneumologia. Radiologicamente, o doente apresentava para além da lesâo parenquimatosa, mais extensa, uma imagem pleural sugestiva de derrame loculado, mas que nâo tinha traduçâo ecográfica.

Toda a avaliaçâo diagnóstica foi repetida, tendo sido aspirado pus com a agulha de biópsia pulmonar. E colocado dreno torácico e inicia antibioterapia dirigida para tratamento de Acinetobacter calcoeticus baumanii complex, isolado no lavado brônquico.

O doente apresentou melhoria clínica e radiológica, tendo tido alta orientado para a consulta de Pneumologia com os diagnósticos de pneumonia necrotizante complicada com empiema.

Actualmente está assintomático, tendo do ponto de vista funcional uma síndroma ventilatória mista com componente obstrutivo grave e radiologicamente apresenta alteraçôes fibro-retrácteis cicatriciais no lobo superior direito.

Palavras-chave: Massa pulmonar, pneumonia, empiema.

Pneumotórax espontáneo recorrente -Uma etiologia pouco habitual

Saleiro, Sandra1 Drummond, Marta1 Souto Moura, Conceiçâo2 Magalhâes, Adriana1

1 Serviço de Pneumologia; Hospital de Sâo Joâo - Porto

2 Serviço de Anatomia Patológica; Hospital de Sâo Joâo

Os autores descrevem o caso clínico de uma doente de 41 anos, nâo fumadora, que recorreu ao Serviço de Urgencia do Hospital de Sâo Joâo em Novembro de 2004 com queixas de toracalgia pleurítica direita e dispneia ligeira, de início súbito. Tratava-se de uma doente com história de esclerose tuberosa, diagnosticada aos 18 anos e com antecedente de pneumotórax espontáneo à esquerda, ocorrido há 2 anos.

A telerradiografia torácica efectuada na admissâo confirmou a presença de pneumotórax à direita. Foi realizada drenagem torácica, evidenciando-se expansâo pulmonar completa 24 horas depois. A TAC torácica revelou presença de múltiplos cistos de parede fina, com dimensôes variáveis e dispersos por todo o parenquima pulmonar. Em termos funcionais respiratórios apresentava síndrome ventilatório obstrutivo ligeiro, com valor normal de DLCO.

Quarenta e oito horas após a alta hospitalar, verificou-se presença de pneumotórax espontáneo à direita refractário, pelo que realizou abrasâo pleural cirúrgica. No decurso da toracotomia, foram efectuadas biópsias pulmonares que evidenciaram lesôes de linfangioleiomiomatose e de hiperplasia de pneumócitos micronodular multifocal, confirmando assim o envolvimento pulmonar pela esclerose tuberosa.

A esclerose tuberosa é uma doença hereditária, autossómica dominante, e, embora seja multisistémica, o envolvimento pulmonar é raro e sinal de mau prognóstico. Actualmente, a doente encontra-se em follow-up, ponde-rando-se início de terapeutica hormonal em caso de agravamento clínico e/ou funcional.

S 72 REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2005

Sarcoidose induzida por IFN alfa-2a em doente com hepatite C crónica

Morais, António1 Tavares, Ana Paula2 Santos, Alzira1 Sarmento, Rui2

1 Serviço de Pneumologia; Hospital Joaquim Urbano

2 Serviço de Infecciologia; Hospital Joaquim Urbano

O interferao alfa é uma terapéutica de 1a linha na hepatite C, estando descritas complicaçoes decorrentes da sua actividade imunomoduladora. Encontram-se referenciados na literatura casos de patologias auto-imunes ou inflama-tórias crónicas, com um pequeno número de casos de sarcoidose relatados, apresentando alguns envolvimento torácico.

Apresenta-se o caso clinico de um homem de 48 anos, com diagnóstico de hepatite C crónica, tratado com interferao peguilado alfa 2a desde Janeiro a Junho de 2004. Nesta altura, além dos sintomas sistémicos de astenia que manteve durante a administraçao da referida terapéutica, iniciou sintomas respiratórios de dispneia para médios esforços e tosse seca frequente. O estudo radiológico realizado revelou presença de adenopatias hilares e mediastinicas, além de espessamento difuso do intersticio, alteraçoes estas sugestivas de sarcoidose. A presença de alveolite linfocitica associada a uma relaçao CD4/CD8 elevada (12,8) no LBA e a observaçao de granulomas epitelióides sem necrose de caseificaçao na biópsia transbrônquica confirmaram a hipótese de diagnóstico. Após a suspensao da terapéutica com interferao e de um periodo de corticoterapia, verificou--se regressao total da doença, que mantém. A induçao exagerada de linfócitos T auxiliares Th1 pelo interferao, células que tem uma funçao primordial na resposta imunológica verificada na sarcoidose, poderá ser a explicaçao para a situaçao descrita.

Imunoterapia específica na sinusite alérgica fúngica - A propósito de um caso

Ferreira, Diva1 Duarte, Raquel1 Morete; Ana2 Carvalho, Aurora1 Silva, A1

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Hospital de Aveiro

A sinusite alérgica fúngica (SAF), uma forma de sinusite fúngica nao invasiva, é uma doença rara. Caracterizada por uma reacçao alérgica intensa a fungos que crescem no muco das cavidades sinusais. O seu conhecimento é ainda muito limitado, sendo frequentemente subdiagnosticada. O tratamento dos doentes com SAF inclui a remoçao cirúrgica apropriada do conteúdo das cavidades sinusais com marsupializaçao dos seios envolvidos. Depois da cirurgia está indicado fazer corticoterapia sistémica. A imunoterapia para antigénios fúngicos e nao fúngicos é ainda controversa. Apresentamos o caso clínico de um doente do sexo masculino, de 42 anos de idade, enviado à consulta de ORL por congestao nasal, rinorreia purulenta anterior e posterior persistente e cefaleias. Historia de asma e rinite na infância. O exame revelou polipose nasal à direita; a TAC mostrou sinusite hipertrófica com envolvimento do seio maxilar direito. Foi submetido a cirurgia ORL em 1996. O exame histológico nao revelou a presença de fungos. No iníco de 2000 volta à consulta por recidiva dos sintomas. Apresenta polipose nasal bilateral e envolvimento do seio maxilar esquerdo. Repete cirurgia, o exame histológico revela mucina e hifas fúngicas. O estudo imunoalergológico revela IgE elevada; confirma atopia para ácaros do pó da casa e para fungos ( Alternaría e Aspergillus). O dignóstico é sinusite alérgica fúngica. Inicia corticoterapioa sistémica que tem de suspender por efeitos secundários graves. Inicia imunoterapia específica para ácaros e fungos. No quinto ano de imunoterapia está clinicamente bem, assintomático durante a maior parte do ano, e as lesoes das vias aéreas superiores mantém-se estacionárias.

A sinusite alérgica fúngica tem vindo a ser reconhecida como uma nova doença alérgica. Neste doente a imunoterapia especifica iniciada após a cirurgia mostrou--se eficaz no controlo da doença e foi uma excelente alternativa à corticoterapia sistémica.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Pneumonias nosocomiais: estatística Julho-Setembro 2GG4

Nogueira, Carla1 Ferreira, Susana1 Lima, Ricardo1 Mota, Margarida2

1 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Serviço de Medicina Interna; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Pneumonia nosocomial refere-se a toda e qualquer infecçao pneumónica diagnosticada num doente hospitalizado há mais de 48h, ou com alta hospitalar há menos de 10 dias. Representam 17 a 20% das infecçoes hospitalares, sendo as que estao associadas a maior mortalidade. Os agentes frequentemente isolados sao Staphilococus, P. aeuruginosa, K. pneumoniae.

Os autores apresentam um estudo descritivo apoiado numa revisao dos processos clinicos de doentes internados nos meses de Julho, Agosto e Setembro no serviço de medicina deste centro hospitalar.

O objectivo é determinar a percentagem de ocorréncia de pneumonias nosocomiais, os agentes mais frequentes, resisténcias aos antibióticos, mortalidade ocorrida, os principais factores de risco e caracteristicas da populaçao envolvida.

Os resultados preliminares (dois meses) apontam para uma percentagem de 23,8 de pneumonias, com uma mortalidade de 40%. Os homens representam 60% desta populaçao com uma idade média de 72,5 anos. As mulheres (40%) sao em média mais idosas (79,7 anos). Quarenta por cento desta populaçao era habitante de lar e 50 % haviam tido internamento anterior. O antibiótico usado com maior frequéncia foi a associaçao tazobactam/ /piperacilina, cujo tempo médio de uso foi de 7,5 dias. Em 50% dos casos nao foi isolado qualquer agente etiológico, nos restantes casos 10% foram K. pneumoniae, 10% P. aeuruginosa, 30% MRSA.

Tromboembolia pulmonar e massa no ventrículo direito - Caso clínico

Ferreira, Susana Alves1 Moreira, Joana2 Eiras, Eduardo2 Vouga, Luis3 Gonçalves, Manuel2

1 Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina; CHVNG

3 Serviço de Cirurgia Cárdio-Torácica; CHVNG

O tromboembolismo pulmonar é uma patologia comum, com morbilidade e mortalidade consideráveis e amplo espectro de apresentaçao clinica. O ecocardiograma permite identificar um subgrupo destes doentes que apresentam massas móveis nas cámaras cardiacas direitas. Estas sao mais frequentemente trombos em tránsito das veias sistémicas para as artérias pulmonares. Os autores apresentam o caso de um doente de 27 anos, sexo feminino, que em Maio de 2004 inicia dispneia para esforços progressivamente menores e toracalgia. Ecocardiograma e ángio-TAC torácico, nessa data, incon-clusivos. Ecocardiograma, cinco meses depois: "sinais indirectos de HTP; massa intracardiaca?". Ecocardiograma TE: "massa no ventriculo direito e sinais de HTP". Internada na Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina.

Ao exame objectivo: TVJ a 450, finas crepitaçoes inspira-tórias bibasais à AP e AC com desdobramento de S2 e sopro sistólico grau I-II audivel no BEE. Analiticamente: leucocitose com neutrofilia, D-dimeros aumentados, insuficiéncia respiratória tipo 1. Telerradiografia do tórax normal. Estudo imunológico: inibidor lúpico 64,2 s (normal até 42). Marcadores viricos, serologias, electroforese de proteinas, doseamento de alfa1-antitripsina, VS, marcadores tumorais e estudo genético de estados protrom-bóticos negativos.

Inicia terapéutica hipocoagulante com heparina nao fraccionada e é submetida a ressecçao cirúrgica de trombos do VD, tromboembolectomia da artéria pulmonar esquerda e encerramento de foramen ovale patente. Inicia posteriormente hipocoagulaçao oral.

Exame histológico da peça operatória: "material fibro-necrótico e hemorrágico, compativel com trombo intra-cardiaco" e "material fibro-necrótico e retalhos da parede arterial, compativel com trombo recente da artéria pulmonar."

Melhoria progressiva da sintomatologia, sem novos episódios de tromboembolismo documentados.

S 74 REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2GGS

Transmissao cutánea de Mycobacterium tuberculosis por picada acidental

Seabra B, Valente I, Vale S, Nogueira R, Duarte R

Seabra, Bárbara1

Vale, Silvio2

Nogueira, Rosete3

Duarte, Raquel1

1 Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Servido de Cirurgia, CHVNG

3 Servido de Anatomia Patológica; CHVNG

A tuberculose é uma doen^a de elevada incidencia e prevalencia no nosso país. A forma de transmissao de tuberculose mais frequente é a inalatória. Nao é contudo a única.

Os autores apresentam um caso de transmissao de tuberculose por picada acidental:

Técnica em laboratório de microbiologia, sem antecedentes patológicos relevantes. No momento de determinado de antibiograma de culturas de Mycobacterium tuberculosis ocorre auto-inoculado acidental de produto contaminado. O caso nao é valorizado pela própria até cerca de 3 semanas depois quando surge pequeno nódulo duro, indolor no local da picada (dedo indicador). Posteriormente, surgem adeno-megalia volumosa na regiao axilar homolateral e lesoes de eritema nodoso nos membros inferiores. A exérese do nódulo e a biópsia aspirativa da adenomegalia axilar confirmam o diagnóstico de tuberculose. O bacilo de Koch nao tem capacidade de penetrar a mucosa ou pele intactas. A sua transmissao por via cutánea ocorre apenas na presenta de uma lesao prévia ou provocada no momento da inoculado. Embora esta via de transmissao seja rara existem casos pontuais documentados, particularmente em profissionais de saúde.

Reconstrugao tridimensional por TAC em doente com neurofibromatose de von Recklinghausen

Ferreira, Jorge1 Sousa, Marta2 Almeida, Madalena2 Simao, Paula1 Joao, Fernanda1

1 Servido de Pneumologia; Hospital Pedro Hispano

2 Departamento de Medicina; Hospital Pedro Hispano

A neurofibromatose é uma doen^a conhecida desde há séculos, classificada em dois tipos principais, NF1 e NF2, causadas por diferentes genes. As manifestares clínicas da NF1 podem ser bastante variadas, o que pode dificultar o seu diagnóstico, tratamento e aconselhamento genético. As principais características clínicas da doen^a sao as manchas café-com-leite, neurofibromas e nódulos de Lisch. Os autores apresentam o caso clínico de uma doente do sexo feminino, 49 anos de idade, a quem em 2003 foi detectada em exame radiológico de rotina uma massa torácica volumosa, localizada no 1/3 médio do campo pulmonar direito. A doente foi referenciada para a consulta externa de Pneumologia. Prosseguiu o estudo com realizado de TAC torácico que confirmou a massa com cerca de 5 cm, de contornos regulares, com aparente ponto de partida na parede torácica. Efectuou broncofibroscopia, que nao revelou altera^óes. Foi submetida a biópsia aspirativa transtorácica e Core Biopsy que identificou tumor de bainhas nervosas - neurofibroma/schwannoma. Para completa caracterizado e avalia^ao da extensao da doen^a a doente efectuou TAC torácico com reconstrugao tridimensional da imagem e RMN tóraco-abdominal. Após completa caracterizado imagiológica a paciente foi submetida a ressec^ao cirúrgica da massa, que decorreu sem complicares. O estudo da pe^a operatória confirmou o diagnóstico inicial de neurofibromatose de Von Recklinghausen. No follow-up a doente manteve-se assintomática.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Estudo do HLA/MHC e polimorfismos de citocinas pró e anti-inflamatórias em doentes com pneumonite de hipersensibilidade

Morais, Antonio1

Correia de Sá, Hermenegildo1

Alves, Helena2

Pneumotórax espontáneo, em pulmao único - Caso clínico

Marinho, Anabela Lima, Beatriz Gomes, Isabel Araújo, Idalina

Servido de Pneumologia; Hospital de Säo Joäo

Descreve-se o caso clínico de uma doente de 21 anos, de etnia cigana, com antecedentes de cirurgia do pulmäo esquerdo na infáncia, que recorreu ao SU do HSJ a 19/10/ /03, por quadro clínico súbito caracterizado por toracalgia intensa a direita, dispneia progressiva e vómitos, que culminaram em síncope e paragem respiratória eminente, tendo sido atendida na Sala de Emergéncia. O RX pulmonar mostrou pneumotórax direito total, hipertensivo. Foi introduzido dreno torácico. A doente ficou em vigiláncia na UCI do SU, sendo transferida posteriormente para o Servido de Pneumologia. Foi constatada fístula bronco-pleural de alto débito. No RX pulmonar, além do pneumotórax direito, evidenciava-se pneumotórax também a esquerda, onde parecia ter ocorrido lobectomia. A consulta do processo anterior e do relatório da cirurgia permitiu esclarecer que a doente tinha efectuado pneumectomia esquerda, por pulmäo sequelar de infec^öes de repeti^äo. A TAC torácica confirmou a existéncia de um único pulmäo, com hernia^äo parcial para o hemitórax contralateral ("pulmäo de búfalo") e existéncia de ar a esquerda. Teve várias intercorréncias com necessidade de trans-feréncia para a UCI, salientando-se enfisema subcutáneo extenso e pneumomediastino, que motivou a introdujo de segundo dreno torácico e infec^öes respiratórias com insuficiéncia respiratória.

Verificou-se persisténcia da fístula, mesmo com a aspira^äo negativa de baixa pressäo. A situa^äo de pulmäo único inviabilizava o recurso a intervengo de cirurgia torácica. Ao fim de 1 més realizou-se talcagem pelo dreno, sob seda^äo, mesmo sem expansäo pulmonar que näo se tinha conseguido até entäo. Passados 6 dias a fístula resolveu; 2 dias depois verificou-se reexpansäo pulmonar, tendo sido possível retirar os drenos.

A doente teve alta hospitalar més e meio após a admissäo, assintomática e sem insuficiéncia respiratória. Sem intercorréncias até a data.

Real^am neste caso clínico as particularidades diagnósticas e terapéuticas.

Tafulo, Sandra2 Gon^alves, Ricardo2

1 Servido de Pneumologia; Hospital Joaquim Urbano

2 Centro de Histocompatibilidade do Norte

As moléculas HLA classe II do MHC sao necessárias para a activa^áo dos linfócitos T pelas células apresentadoras do antigénio, no desencadear da resposta imune. Por sua vez os polimorfismos das regióes reguladoras dos genes de algumas citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias como o TNF-в, TGF-a1, IL-10, IL-6 e INF-a influenciam o perfil da resposta inflamatória, estando descritos como interferindo na susceptibilidade e na evolu^ao de várias doen^as, entre as quais as que envolvem o intersticio pulmonar.

Foram estudados 5 pessoas pertencendo á mesma familia e com exposi^ao a aves, sendo que 3 desenvolveram pneumonite de hipersensibilidade (PH) e 2 nao apre-sentaram qualquer altera^ao. Extraiu-se ADN do sangue periférico efectuando-se genotipagem HLA por PCR-SSO e dos promotores dos genes das citocinas TNF-в, TGF--a1, IL-10, IL-6 e INF-a por PCR-SSP. Os 3 doentes apresentaram HLA-DRB1*13 e DQB1*03, alelos já descritos como associados a PH. Todos os individuos estudados sao baixos produtores de TNF-a. Aqueles que desenvolveram doen^a partilham o genótipo G/C elevado para a IL-6 -174, sendo os nao doentes baixos produtores. Entre os doentes, aquele que apresentou mani-festa^óes mais precocemente é alto produtor de INF-y. Aquele em que as manifestares se manifestaram mais tardiamente é produtora intermédia de TGF-^1, enquanto os demais doentes sao altos produtores. Nao foram encontradas diferen^as na IL-10, nem houve associa^óes entre as diferen^as observadas e a apresenta^ao clinica, alterares funcionais ou do LBA.

Segundo os resultados observados, parecem concorrer para o desencadear das manifestares da doen^a a IL-6, interferindo na rapidez de aparecimento o INF-y e o TGF-P1 na sua manutengo.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Aspectos radiológicos da tuberculose sequelar

Ferreira, Daniela Seabra, Bárbara Oliveira, Ana Caiado, António Shiang, Teresa

Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova Gaia

A cura da tuberculose pleuro-pulmonar, ao contrário da evoluçao natural da maioria das doenças infecciosas, implica a esterilizaçâo do foco lesional, apesar de nao haver restituiçao integral do parénquima.

Estamos assim perante uma doença que evolui para a cura mas que deixou sequelas. Se para além destas existem outras resultantes das atitudes terapéuticas, podemos entao definir tuberculose sequelar como um estado mórbido resultante das alteraçoes anátomo-patológicas e/ou terapéuticas consequentes da tuberculose.

Os autores apresentam neste trabalho uma revisao radiológica das lesoes sequelares decorrentes da tuberculose, encontradas no Serviço de Pneumologia do CHVNG de 1994 a 2003.

As lesoes sequelares foram divididas em resultantes da doença e resultantes da terapéutica.

Dependendo da localizaçao anatómica, dividimos as lesoes em:

- parenquimatosas: cavidades, atelectasia, calcificaçao, fi-brose

- brônquicas: estenose, distrofia, bronquiectasias

- pleurais: calcificaçâo, fibrose

- ganglionares: calcificaçao

Dos antigos procedimentos utilizados na era pré--quimioterapia da tuberculose, incluimos neste trabalho a colapsoterapia (pneumotórax terapéutico, toracoplastia e plombage) e a ressecçao pulmonar.

Apesar de todos os avanços na terapéutica antibacilar, a tuberculose continua a apresentar uma incidéncia bastante elevada em Portugal e é ainda um problema mundial de Saúde Pública.

Assim sendo, as lesoes sequelares vao continuar a ser, nas próximas décadas, uma entidade a ter em conta no panorama das doenças respiratórias.

Tuberculose e VIH - Caso clínico

Lima, Ricardo1 Caiado, Antonio1 Nogueira, Carla1 Ferreira, Susana1 Ferreira, Daniela1 Tavares, Vasco2 Mota, Margarida2

1Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

2 Serviço de Medicina; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

A tuberculose é considerada a primeira causa de morte, a nivel mundial, em adultos, com mortalidade de 52 000 pessoas por semana. Um terço da populaçâo mundial está infectado pela micobactéria e há cerca de 8,8 milhoes de novos casos de tuberculose por ano, o que significa 1000 novos casos por hora. Sabe-se que a pandemia VIH/SIDA é a principal causa para o aumento da prevalência de tuberculose. Os individuos infectados por VIH tem um risco aumentado de desenvolver a doença e, atendendo à elevada taxa de co-infecçâo Mycobacterium tuberculosis¡V\H em Portugal, nâo é de estranhar que a tuberculose constitua o critério definidor de SIDA mais frequente, estando presente em 50% dos doentes.

As manifestaçoes clinicas da tuberculose quando associada à infecçâo por VIH sâo em geral semelhantes às dos individuos imunocompetentes, sendo, no entanto, as formas de localizaçâo extrapulmonar mais frequentes do que na populaçâo imunocompetente. Embora a tuberculose possa ocorrer em qualquer estádio da infecçâo VIH, as manifes-taçoes clinicas variam com o grau de imunodepressâo associada. Assim, um número de linfócitos T CD4+ <200/ /mm3 correlaciona-se com localizaçoes extrapulmonares ou com formas disseminadas de tuberculose e, à medida que a infecçâo VIH progride no tempo, mais "atipica" pode ser a apresentaçâo clinica.

Os autores apresentam os casos clinicos de doentes com VIH cuja forma de apresentaçâo da tuberculose é pouco frequente, atendendo ao facto de apresentarem niveis de imunodepressâo pouco acentuados.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Tuberculose endobrônquica - Caso clínico

Anabela, Nogueira Marinho Magalhâes, Adriana

Serviço de Pneumologia; Hospital de Sao Joâo

Enfisema bolhoso numa mulher jovem

Rodrigues, Bárbara Magalhâes, Eunice Mendes, Pedro Freitas, Sara Abreu, Fava

Baganha, Manuel Fontes

Departamento de Ciéncias Pneumológicas e Alergológicas; Hospitais da Universidade de Coimbra

O enfisema bolhoso ocorre habitualmente em homens jovens, a maioria dos quais fumadores, e é caracterizado pela presença de bolhas subpleurais ou intraparen-quimatosas, predominantemente nos lobos superiores, que ocupam um volume significativo do hemitórax. Os autores relatam o caso clinico duma mulher de 31 anos, sem história prévia de consumo de drogas, ex-fumadora (carga tabágica de 6 UMA) desde há 6 anos, altura em que foi submetida a pleurodese cirúrgica esquerda por pneumotórax espontáneo recidivante. Recorre ao serviço de urgéncia por dificuldade respiratória, com cerca de uma semana de evoluçao, onde é diagnosticado pneumotórax espontáneo à direita com aderéncia pleural, tendo sido submetida a pleurodese cirúrgica com exérese de bolhas. Dos exames complementares realizados salienta-se o estudo funcional ventilatório com sindroma obstrutiva moderada e capacidade de difusao do monóxido de carbono normal, a bacteriologia da expectoraçao negativa e o doseamento de alfa1-antitripsina com valor dentro dos parámetros normais. A TAC torácica evidenciou a existén-cia de bolhas de enfisema em toda a altura de ambos os campos pulmonares, as maiores com 2 cm de diámetro. O exame anátomo-patológico da peça operatória confirmou o diagnóstico de enfisema bolhoso.

Este caso representa uma entidade clinica pouco frequente, principalmente no sexo feminino, que se manifestou numa mulher jovem e fumadora através de pneumotóraxes recidivantes, uma das suas complicaçôes tardias.

Os autores apresentam o caso clinico de um doente de 53 anos, fumador até há 2 anos (38 UMA), com consumo excessivo de álcool, trabalhador na construçao civil. Saudável até há dois meses, altura em que iniciou tosse seca e manifestaçôes sistémicas, sendo internado mais recentemente por pneumonia da base direita que terá respondido favoravelmente ao tratamento antibiótico, persistindo a tosse seca e as queixas sistémicas. Foi efectuada TAC torácica que além de condensaçao com broncograma aéreo revelou fenómenos de atelectasia, pelo que foi transferido para o serviço de Pneumologia do HSJ para estudo complementar, suspeitando-se nessa altura de pneumonia obstrutiva por provável neoplasia pulmonar. А admissâo o doente estava assintomático, apresentava-se emagrecido. Analiticamente com anemia normocrómica e normocitica e VS de 140mm/10seg. baciloscopias negativas. No estudo broncoscópico observaram-se lesôes neofor-mativas múltiplas na árvore brônquica direita, obstruindo parcialmente o BLM e o apical do BLI. Prova de Mantoux com endurecimento superior a 20mm. Os marcadores de VIH 1 e 2 foram negativos. A biópsia destas lesôes mostrou processo granulomatoso com caseose central (Ziehl-Neelsen negativo). Perante a forte suspeita de tuberculose foi iniciado tratamento antituberculoso e o doente teve alta hospitalar, orientado para Consulta de Pneumologia e CDP da área. Posteriormente foi isolada estirpe de Mycobacterium tuberculosis complex no exame cultural das secreçôes brônquicas.

Verificou-se melhoria global progressiva. Em estudo de revisao foi constatada normalidade endo-brônquica e melhoria franca das alteraçôes radiológicas. Estudo funcional respiratório revelou sindroma ventilatória obstrutiva das pequenas vias aéreas.

A tuberculose endobrônquica assemelhou-se à neoplasia pulmonar, radiológica e endoscopicamente. O diagnóstico e tratamento precoces sao essenciais para prevençao da incapacitante complicaçao que poderá constituir a estenose brônquica.

S 7a REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2GGS

Micobacteriose atípica - A propósito de um caso clínico

Julieta, Vieira Vanzeller, Manuela Shiang, Teresa

Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

As micobacterioses atípicas tém merecido, nos últimos anos, uma aten^äo crescente por parte da comunidade médica. A sua incidéncia näo se tem alterado substancial-mente nas últimas décadas e o seu aparente aumento em alguns países ocidentais pode dever-se a diminuido da incidéncia da tuberculose.

Os autores apresentam caso clínico de indivíduo, sexo masculino, 34 anos, com diagnóstico de sarcoidose estadio III em 1992 (corticoterapia- 3 anos) e de aspergilose profunda em 1997 (itraconazol- 2 anos). Vários internamentos por agravamento clínico, sem isolamento de agente etiológico, sem evidéncia de agravamento das patologias subjacentes.

Em Novembro de 1999, internado por novo agravamento clínico e evidéncia radiológica de nível hidroaéreo a direita. Isolamento de M. avium complex no exame cultural de 3 amostras de expectorado (colhidas no internamento anterior) e de lavado bronquico.

Iniciou tratamento em Novembro de 1999 com esquema de 4 drogas com INH- 300mg/dia (4 meses), RAMP--600mg/dia (14 meses), etambutol- 1200mg/dia (reajuste para 800mg/dia em Janeiro 2000 dose que manteve até ao fim do tratamento), ciprofloxacina 750mg 12/12h (14 meses). Associa^äo de claritromicina 250mg 12/12h ao esquema antibacilar em Fevereiro de 2000. Boa evolu^äo clínica e radiológica. Negativa^äo dos culturais em Fevereiro de 2000. Suspensäo terapéutica antibacilar em Janeiro de 2001. Os culturais foram persistentemente negativos até Maio de 2001, altura em que faleceu por agravamento das patologias subjacentes. Destacam-se, como pontos de análise, a existéncia de factores predisponentes para o desenvolvimento da doen^a, os critérios de diagnóstico e terapéutica e a evolu^äo favorável, apesar de se tratar de um doente imunocom-prometido.

Granulomatose de Wegener - Um caso clínico

Costa, Filipa Cortesäo, Nuno Matos, Fernando

Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Coimbra

A granulomatose de Wegener é uma vasculite granulo-matosa necrotizante com predilecçâo pelo tracto respiratorio superior, pulmäo e rim, estando associada a uma morbilidade e mortalidade elevadas.

Apresenta-se o caso clínico de um doente de 41 anos, sexo masculino, fumador, previamente saudável, que surge com um quadro arrastado de 8 meses de evoluçâo de sintomatologia do tracto respiratorio superior (rinorreia purulenta, deformaçâo progressiva do nariz em sela), febre e emagrecimento de 11 kg. Cinco meses depois, surge com artrite das articulaçoes dos membros superiores e inferiores, mialgias e tumefacçâo dolorosa de escroto esquerdo, que aumentou progressivamente de tamanho. Iniciou também nesta altura protusäo do globo ocular direito, que foi agravando lentamente, e sintomatologia respiratoria (tosse e expectoraçâo muco-purulenta). Na sequência de episodios sincopais é detectado um bloqueio aurículo-ventricular que condiciona a colocaçâo de pacemaker. O Rx tórax de rotina realizado nesta altura motivou o seu internamento no serviço de Pneumologia, ao mostrar uma volumosa massa mediastínica esquerda e outra no lobo superior esquerdo, confirmadas por TAC e biopsadas. A abordagem diagnóstica passou ainda pela realizaçâo de TAC craniana e dos seios da face que revelou uma massa com invasäo intra-orbitária e com destruiçâo do septo e das paredes dos seios da face, tendo sido realizadas biópsias neste local. Ambas as biopsias foram compatíveis com o diagnostico de granulomatose de Wegener, associando-se ainda a um ANCA-c PR3 positivo. Näo evidenciava nesta altura sinais de envolvimento renal. Confirmou-se o envolvimento testicular por ecografia que revelou volumosa massa escrotal. O score de Birminghan realizado à data do diagnóstico foi de 1 critério major e 9 critérios minor. Iniciou tratamento com ciclofosfamida e corticoides com melhoria clínica, encontrando-se presentemente em seguimento na consulta de Pneumologia.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Malformaçâo adenomatóide quística

Mendes, Pedro

Guimaräes, Maria José

Jones, Jéssica

Campos, Ana

Abreu, Fava

Oliveira, Luis

Fontes Baganha, Manuel

Departamento de Ciéncias Pneumológicas e

Alergológicas. Hospitais da Universidade de Coimbra

Os autores apresentam um caso clinico de um doente de 51 anos de idade com um quadro de toracalgia com 6 meses de evoluçao, acompanhada de pieira nocturna e dispneia de esforço. Sem antecedentes relevantes; electricista de profissao; nao fumador.

Na imagiologia torácica identificou-se uma imagem hipodensa na transiçao da lingula com o lobo inferior esquerdo, de morfologia tubular, com cerca de 6 cm de maior diámetro, de contornos regulares, que nao sofre efeito de realce após contraste endovenoso, rodeada de área hipertransparente de tipo enfisematoso, sugestiva de corresponder a "broncocelo".

Na toracotomia nao se detectou nenhuma massa ou nódulo a nivel da lingula, mas observou-se uma hepatizaçao anómala a nivel do segmento póstero-basal do lobo inferior esquerdo com processo inflamatório à volta, onde se fez recessao em cunha.

O estudo histopatológico da peça operatória revelou tratar--se de uma forma de malformaçao adenomatóide quistica. A TAC de controlo efectuada após a cirurgia revelou a persisténcia da imagem.

Os autores fazem ainda algumas consideraçôes acerca das particularidades embriológicas, clinicas e de diagnóstico diferencial destas malformaçôes, sobretudo quando diagnosticadas na idade adulta.

Palavras-chave: Malformaçao adenomatóide quistica, broncocelo, toracalgia

Mycobacterium chelonae - A propósito de um caso clínico

Guimaräes, Maria José1

Chieira, Lino1

Mendes, Pedro1

Jones, Jessica1

Campos, Ana1

Oliveira, Luis1

Baganha, M.Fontes2

1 Serviço de Pneumologia

2Departamento de Ciéncias Pneumológicas e

Alergológicas dos Hospitais da Universidade de

Coimbra

Os autores apresentam o caso clinico de uma doente de 73 anos de idade, com um quadro de asma grave agudizada e infecçao respiratória, internada no Serviço de Imunoa-lergologia dos HUC em Dezembro de 2003. Trata-se de uma doente com antecedentes de asma desde a infáncia, sequelas de TP e insuficiéncia cardiaca congestiva.

Dos exames complementares realizados salienta-se: elevaçao da PCR na bioquimica de sangue, leucocitose, insuficiéncia respiratória parcial com boa resposta à oxige-nioterapia e exame directo de expectoraçao com presença de BAAR.

A doente foi entao transferida para o Serviço de Pneu-mologia do mesmo hospital, para isolamento respiratório e tratamento antibacilar, o qual foi iniciado prontamente. Foi pedida uma TAC torácica que revelou a presença de calcificaçao de aspecto residual no LSD, sem evidéncia de lesôes recentes.

A cultura de expectoraçâo foi positiva para Mycobacterium chelonae.

Os autores fazem algumas consideraçôes acerca das particularidades clinicas e de diagnóstico desta mico-bactéria, sobretudo quando associadas a corticoterapia prolongada.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Aspectos endobrônquicos de linfoma nâo Hodgkin

Caiado, A1 Ferreira Sá, D1 Seabra, B1 Lima, R1 Ferreira, S1 Nogueira, C1 Carvalho, A2 Moura e Sá, J3

1 Internos do Complementar de Pneumologia

2 Assistente Hospitalar Graduada de Pneumologia

3 Assistente Hospitalar Graduado de Pneumologia e responsável da Unidade de Broncologia

Serviço de Pneumologia - Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

Director : Dr. Raul César Sá

Os autores apresentam um caso clinico que mostra aspectos endobrônquicos de Linfoma nao Hodgkin, interpretados inicialmente como tuberculose gánglio-b^nqu^a perfurada.

Resumo do caso: Mulher de 27 anos, nao fumadora, professora universitária, previamente saudável. Quadro clinico com 3 meses de evoluçao caracterizado por tosse seca, sudorese nocturna, astenia e emagrecimento. Diagnóstico clinico e radiológico de tuberculose pulmonar, inicia anti-bacilares - HRZE.

Todas as pesquisas de BK nos produtos colhidos (expec-toraçao, lavado brônquico, lavado broncoalveolar e liquido pleural) foram negativas, quer no exame directo quer cultural.

Reavaliaçâo (após 1 més de terapéutica) melhoria clinica; sem melhoria radiológica.

TAC torácica mostra "imagens de aspecto cavitado; derrame pleural à esquerda".

Colocadas hipóteses de carcinoma bronquiolo-alveolar/ /granulomatose de Wegner/tuberculose pulmonar. O estudo do derrame pleural mostra — EXSUDADO com predominio de linfócitos; ADA - 42; citologia com imunofenotipagem e histologia inconclusivas para doença linfoproliferativa.

Broncoscopia rigida com biópsia — " carena alargada, aspecto de perfuraçâo glánglio-branquica nas 2 vertentes da carena, mais volumosa à dt."

Por nao haver melhoria radiológica, por recidiva do derrame pleural apesar da terapéutica antibacilar, a doente é internada para esclarecimento do quadro clinico. Estudo imunológico ANCA — negativo. Proposta para biópsia dos cornetos inferiores - "exsudado

fibrinoleucocitário que engloba minúsculos retalhos de epitélio pavimentoso estratificado sem alteraçoes". Detecçâo de "novo" de adenopatias cervicais - realizada biópsia aspirativa de adenopatia cervical : "Quadro citológico compativel com diagnóstico de linfoma. Fez biópsia excisional de adenopatia cervical :"compativel com linfoma. Realizado estudo imunocitoquimico: Imunorreactividade para CD20 e EMA e nâo para o ALK. Portanto: LINFOMA NÄO HODGKIN DIFUSO DE TIPO B

Sarcoidose estadio II em jovem assintomático

Caiado, A1 Lima, R1 Ferreira, S1 Nogueira, C1 Taveira, N2

1 Interno do Internato Complementar de Pneumologia

2 Assistente Hospitalar Graduada de Pneumologia Serviço de Pneumologia - Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia

A sarcoidose é uma doença inflamatória crónica de causa desconhecida que afecta mais comummente os pulmôes mas que pode envolver outros órgaos, como gánglios linfáticos, olhos, figado, baço, coraçao, pele, rins e sistema musculo-esquelético.

A marca da doença é a formaçao de granulomas epitelióides nao caseosos nos órgaos afectados, mas os sintomas clinicos e os aspectos radiológicos do tórax devem ser compativeis com a doença para se estabelecer o diagnóstico. Devem excluir-se as reacçôes granulomatosas a um agente causal identificado e as reacçôes sarcóides locais que acompanham algumas neoplasias.

A análise do lavado broconcoalveolar mostra acumulaçao de linfócitos T CD4+ activados Th1 — alveolite linfocitica de predominio CD4.

O tratamento em pacientes assintomáticos deve ser evitado, a nao ser que se verifique, por exemplo, hipercalcemia. A resoluçao espontánea estima-se ocorrer em 50% e possivelmente em 90% de pacientes com doença em estadio I. Esta resoluçao diminui nos estadios radiográficos mais avançados, cerca de 40-70% no estadio II e apenas 30% no estadio III. No estadio IV a remissao total nao é possivel. Se se verificar deterioraçao avaliada pelos sintomas, radiografia torácica e estudo da funçao pulmonar, nos estadios II e III, o tratamento com corticóides orais está indicado.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA S 81

Vol XI N.° 2 (Supl 1) Março 2GGS

Os autores apresentam um caso clínico que mostra o atingimento endobrôquico e parenquimatoso do pulmäo bem como dos ganglios linfáticos hilares, com marcadores de actividade de doença muito aumentados — sarcoidose estadio II - num individuo jovem assintomático.

Qualidade de vida dos parceiros dos pacientes com síndroma de apneia obstrutiva do sono - Impacto do tratamento com auto-CpAP

C Carvalho S Rodrigues JC Winck M Drummond J Almeida

J Agostinho Marques

Unidade de Fisiopatologia e Reabilitaçâo Respiratoria. Serviço de Pneumologia. Hospital Säo Joäo e Faculdade de Medicina do Porto

Introduçâo: A qualidade de vida dos pacientes com síndroma de apneia do sono (SAS), melhora com o CPAP; contudo, poucos estudos focam o impacto desta terapia nos parceiros destes pacientes.

Objectivo: Avaliar a repercussäo sobre a qualidade de vida e sintomas dos parceiros de doentes com SAS, antes e apos 3-4 semanas de tratamento destes com auto-CPAP nasal. Material e métodos: Foram incluidos 21 parceiros de pacientes com SAS grave (IAH médio 55,92±21,10/h), 17 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 30-65 anos. Foi avaliada a escala de sonolência de Epworth, ansiedade e depressäo (Questionário HADS), e qualidade de vida (Questionários SF-36 e FOSQ) antes e apos 3-4 semanas de tratamento dos doentes com CPAP nasal.

Resultados: Para além dos benefícios esperados dos doentes submetidos ao tratamento, ao fim de 3-4 semanas de terapéutica com auto-CPAP (aderência 5,59± 1,47 horas/noite), houve uma melhoria significativa da sonoléncia (11,81±6,26 versus 8,29±5,74; p = ,004), ansiedade (7,57±3,84 versus 5,81±3,43; p = ,006), dominios da "fu^äo física", "desempenho físico" e "vitalidade" do SF-36 (61,67±23,15 versus 71,19±18,09; 68,45±29,55 versus 78,27±21,53; 46,13±25,19 versus 55,95±20,58; p<0.05 respectivamente), score total e nível de actividade do FOSQ (15,52±3,58 versus 16,95±2,58; 3,02±0,69 versus 3,32±0,56; p<0,05 respectivamente) dos seus parceiros. Conclusäo: O tratamento com auto-CPAP beneficia näo so os pacientes com SAS, mas também melhora significativamente alguns sintomas (como a ansiedade e de-pressäo) e a qualidade de vida dos seus parceiros.

Asma de difícil controlo - Em que se deve pensar?

Julieta Vieira1 Bárbara Seabra1 Daniela Sá Ferreira1 Susana Ferreira1 Vasco Barreto2 Teresa Shiang1

1 Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia (CHVNG )

2 Servido de Medicina Interna. CHVNG

A coexisténcia de asma e doen^a do refluxo gastroesofágico (DRGE) é conhecida de longa data. Entre 30 e 90% dos asmáticos tém DRGE associada, estando os sintomas de DGRE geralmente presentes, embora possa ser assinto-mática. O diafragma desempenha o papel de manter a competéncia do EEI (esfíncter esofágico inferior), donde sobressai a importáncia da presenta simultánea de hérnia do hiato esofágico.

Os autores apresentam caso clínico de mulher de 36 anos, com asma persistente grave reconhecida desde há vários anos e que motivou diversos internamentos inclusive em unidade de cuidados intensivos. Apresentava queixas compatíveis com DRGE, com consequente agravamento do quadro respiratório. A EDA (endoscopia digestiva alta) confirmou existéncia de hérnia do hiato esofágico e esofagite de refluxo concéntrica Grau IV. Submetida a fundoplicatura de Nissen, constatou-se melhoria sintomática em termos de queixas respiratórias e diminuido da utilizado de corticoterapia inalada e sistémica. Actualmente, näo existem estudos que permitam recomen-da^öes fundamentadas para as diversas terapéuticas, mas há uma boa correlac^äo de custos/benefício com a cirurgia na DRGE grave e sintomática, principalmente no adulto jovem.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA