Scholarly article on topic 'Desfechos clínicos precoces e tardios após tratamento de enxertos de veia safena com stents MGuard™ vs. stents farmacológicos'

Desfechos clínicos precoces e tardios após tratamento de enxertos de veia safena com stents MGuard™ vs. stents farmacológicos Academic research paper on "Educational sciences"

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{"Intervenção coronária percutânea" / Angioplastia / "Ponte de artéria coronária" / "Percutaneous coronary intervention" / Angioplasty / "Coronary artery bypass"}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Danillo Taiguara da Silva, J. Ribamar da Costa, Antonio de Castro Filho, Rodolfo Staico, Ricardo A. Costa, et al.

RESUMO Introdução O stent MGuard™, revestido por malha polimérica microscópica, tem a finalidade de reduzir a embolização distal de fragmentos durante a intervenção coronária percutânea (ICP) em enxertos de veia safena (EVS). Avaliamos os desfechos clínicos precoces e tardios de pacientes submetidos à ICP de EVS com stents MGuard™ vs. stents farmacológicos (SF). Métodos Estudo observacional, retrospectivo, realizado em dois centros terciários, envolvendo uma coorte de pacientes com lesões em EVS, tratados de forma eletiva ou de emergência com stents MGuard™ ou SF. Resultados Foram incluídos 271 pacientes, sendo 220 tratados com SF. O Grupo MGuard™ apresentou maior proporção de mulheres (25,5% vs. 10,5%; p=0,01), com média de idades de 65,0 ± 13,9 anos vs. 69,0 ± 9,6 anos (p = 0,06). O Grupo SF utilizou com maior frequência filtro de proteção distal (5,8% vs. 10,0%; p = 0,001). Sucesso angiográfico foi obtido na maioria dos casos (96,2% vs. 98,0%; p = 0,22). O Grupo MGuard™ teve menores taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores (ECAM) na fase hospitalar que o Grupo SF (1,9% vs. 13,6%; p = 0,01) devido exclusivamente à menor incidência de infarto periprocedimento. Entretanto, a taxa de ECAM em 1 ano foi maior no grupo MGuard™ (14,3% vs. 4,4%; p = 0,01) à custa de maior taxa de revascularização da lesão alvo (7,1% vs. 1,3%; p = 0,048). Conclusões A utilização de stent MGuard™ resultou em redução de eventos na fase hospitalar, porém, no longo prazo, os SF foram superiores em reduzir desfechos maiores, sobretudo a necessidade de revascularização da lesão alvo. ABSTRACT Background The MGuard™ stent, which has a microscopic polymer mesh coating, is intended to reduce the distal embolization of fragments during percutaneous coronary intervention (PCI) in saphenous vein grafts (SVG). This study evaluated the early and late clinical outcomes of patients undergoing PCI in SVG with MGuard™ stents vs. drug‐eluting stents (DES). Methods Observational, retrospective study conducted at two tertiary centers, involving a cohort of patients with SVG lesions submitted to elective or emergency treatment with MGuard™ stents or DES. Results A total of 271 patients were included, of whom 220 were treated with DES. The MGuard™ group had a higher proportion of women (25.5% vs. 10.5%; p = 0.01), with a mean age of 65.0 ± 13.9 years vs. 69.0 ± 9.6 years (p = 0.06). The DES group more frequently used distal protection filter (5.8% vs. 10.0%; p = 0.001). Angiographic success was attained in most cases (96.2% vs. 98.0%; p = 0.22). The MGuard™ group had lower rates of early major adverse cardiovascular events (MACE) than the DES group (1.9% vs. 13.6%; p = 0.01), due solely to the lower incidence of periprocedural infarction. However, the MACE rate at 1 year was higher in the MGuard™ group (14.3% vs. 4.4%; p = 0.01) at the expense of a higher rate of target lesion revascularization (7.1% vs. 1.3%; p = 0.048). Conclusions The use of the MGuard™ stent resulted in a reduction of events during hospitalization; however, in the long term the DES were superior in reducing major outcomes, mainly the need for target lesion revascularization.

Similar topics of scientific paper in Educational sciences , author of scholarly article — Danillo Taiguara da Silva, J. Ribamar da Costa, Antonio de Castro Filho, Rodolfo Staico, Ricardo A. Costa, et al.

Academic research paper on topic "Desfechos clínicos precoces e tardios após tratamento de enxertos de veia safena com stents MGuard™ vs. stents farmacológicos"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(4):251-255

Artigo Original

Desfechos clínicos precoces e tardios após tratamento de enxertos de veia safena com stents MGuardTM vs. stents farmacológicos

Danillo Taiguara da Silvaa*, J. Ribamar da Costa Jr.a, Antonio de Castro Filhoa, Rodolfo Staicoa, Ricardo A. Costaa, Adriana Moreirab, Dimytri Siqueiraa, Daniel Chamiéa, Marinella Centemeroa, Galo Maldonadoa, Manoel Canob, Luiz Fernando Tanajuraa, Áurea J. Chavesa, Fausto Feresa, Alexandre Abizaida, Amanda Sousaa, J. Eduardo Sousaa

a Instituto Dante Pazzanese de Cardiología, Sao Paulo, SP, Brasil b Hospital do Corafäo da Associafäo do Sanatorio Sírío, Sao Paulo, SP, Brasil

INFORMALES SOBRE O ARTIGO RESUMO

Introdufáo: O stent MGuard™, revestido por malha polimérica microscópica, tem a finalidade de reduzir a embolizagao distal de fragmentos durante a intervengo coronária percutanea (ICP) em enxertos de veia safena (EVS). Avaliamos os desfechos clínicos precoces e tardios de pacientes submetidos a ICP de EVS com stents MGuard™ vs. stents farmacológicos (SF).

Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, realizado em dois centros terciários, envolvendo uma coorte de pacientes com lesoes em EVS, tratados de forma eletiva ou de emergencia com stents MGuard™ ou SF. Resultados: Foram incluidos 271 pacientes, sendo 220 tratados com SF. O Grupo MGuard™ apresentou maior proporgao de mulheres (25,5% vs. 10,5%; p=0,01), com média de idades de 65,0 ± 13,9 anos vs. 69,0 ± 9,6 anos (p = 0,06). O Grupo SF utilizou com maior frequencia filtro de protegao distal (5,8% vs. 10,0%; p = 0,001). Sucesso angiográfico foi obtido na maioria dos casos (96,2% vs. 98,0%; p = 0,22). O Grupo MGuard™ teve menores taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores (ECAM) na fase hospitalar que o Grupo SF (1,9% vs. 13,6%; p = 0,01) devido exclusivamente a menor incidencia de infarto periprocedimento. Entretanto, a taxa de ECAM em 1 ano foi maior no grupo MGuard™ (14,3% vs. 4,4%; p = 0,01) a custa de maior taxa de revascularizagao da lesao alvo (7,1% vs. 1,3%; p = 0,048).

Conclusoes: A utilizagao de stent MGuard™ resultou em redugao de eventos na fase hospitalar, porém, no longo prazo, os SF foram superiores em reduzir desfechos maiores, sobretudo a necessidade de revascularizagao da lesao alvo.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/Iicenses/by-nc-nd/4.0/).

Early and late clinical outcomes after saphenous vein graft treatment with MGuardTM stents vs. drug-eluting stents

ABSTRACT

Background: The MGuard™ stent, which has a microscopic polymer mesh coating, is intended to reduce the distal embolization of fragments during percutaneous coronary intervention (PCI) in saphenous vein grafts (SVG). This study evaluated the early and late clinical outcomes of patients undergoing PCI in SVG with MGuard™ stents vs. drug-eluting stents (DES).

Methods: Observational, retrospective study conducted at two tertiary centers, involving a cohort of patients with SVG lesions submitted to elective or emergency treatment with MGuard™ stents or DES. Results: A total of 271 patients were included, of whom 220 were treated with DES. The MGuard™ group had a higher proportion of women (25.5% vs. 10.5%; p = 0.01), with a mean age of 65.0 ± 13.9 years vs. 69.0 ± 9.6 years (p = 0.06). The DES group more frequently used distal protection filter (5.8% vs. 10.0%; p = 0.001). Angiographic success was attained in most cases (96.2% vs. 98.0%; p = 0.22). The MGuard™ group had lower rates of early major adverse cardiovascular events (MACE) than the DES group (1.9% vs. 13.6%; p = 0.01), due solely to the lower incidence of periprocedural infarction. However, the MACE rate at 1 year was higher in

* Autor para correspondencia: Av. Dr. Dante Pazzanese, 500, Vila Mariana, CEP: 04012-909, Säo Paulo, SP, Brasil. E-mail: danillo.taiguara@gmail.com (D.T. Silva).

A revisäo por pares é de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. http://dx.doi.org/10.1016Zj.rbci.2016.12.002

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Histórico do artigo:

Recebido em 09 de setembro de 2015

Aceito em 25 de novembro de 2015

Palavras-chave:

Intervençâo coronária percutânea Angioplastia

Ponte de artéria coronária

Keywords:

Percutaneous coronary intervention

Angioplasty

Coronary artery bypass

the MGuard™ group (14.3% vs. 4.4%; p = 0.01) at the expense of a higher rate of target lesion revascularization (7.1% vs. 1.3%; p = 0.048).

Conclusions: The use of the MGuard™ stent resulted in a reduction of events during hospitalization; however, in the long term the DES were superior in reducing major outcomes, mainly the need for target lesion revascularization.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introdujo

O tratamento intervencionista de enxertos de veia safena (EVS) permanece desafiador, mesmo nos dias atuais da Cardiologia Intervencionista, devido a maiores taxas de complicates agudas e de desfechos clínicos tardios, em comparado a intervengo em leitos coronários naturais.1

A intervengo coronária percutanea (ICP) neste cenário tem desafios técnicos singulares, devido a presenta de material friável nas lesoes, propensos a emboliza^ao distal durante o procedimento, acarretando maior risco de complicates, como o fenomeno no re-flow e o infarto agudo do miocárdio (IAM) periprocedimento.23

Embora os stents farmacológicos (SF) tenham promovido redujo das taxas de reestenose em virtualmente todos os cenários clínicos e angiográficos, impulsionando os resultados da ICP, ainda persistem dúvidas sobre a eficácia e a seguranza tardia desses dispositivos quando utilizados no tratamento de lesoes em EVS.45 Nesse cenário, vem ganhando destaque o uso do stent MGuard™ (InspireMD, Tel-Aviv, Israel), revestido por uma malha microscópica ultrafina, com o objetivo de reduzir a emboliza^ao distal de fragmentos e, consequentemente, as taxas de complicares agudas e tardias pós-ICP.6-8

Na presente análise, objetivamos avaliar os desfechos clínicos precoces e tardios da ICP com uso de stent MGuard™ vs. SF em EVS.

Métodos

Desenho do estudo e populagao-alvo

Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo, realizado em dois centros terciários, envolvendo uma coorte de pacientes com lesoes em EVS, tratados com stent MGuard™ ou com SF.

A populado desta análise incluiu pacientes submetidos a ICP de EVS de forma eletiva ou de emergencia, na rotina dos Servidos de Cardiologia Invasiva dos centros envolvidos, entre 2007 e 2012. Os pacientes do estudo foram selecionados no banco de dados local, e a coleta de dados foi realizada por meio da revisao de prontuários, relatórios médicos e angiografias, bem como por contato telefonico.

Dispositivos do estudo

O stent MGuard™ é uma plataforma metálica de a^o inoxidável 316L recortada a laser, com espessura da haste de 80 a 95 uM, reco-berta por uma dupla rede de fibras microscópicas de tereftalato de polietileno, as quais se encontram aderidas as hastes metálicas. Durante o implante do stent, a rede se estira e desliza sobre as hastes do stent em expansao, criando poros de < 200 mícrons de diámetro. Os stents MGuard™ estavam disponíveis nos diámetros de 2,5 a 4,0 mm e nas extensoes de 12 a 39 mm. Detalhes sobre este stent já foram publicados previamente.3,6-8

No grupo dos SF, foram utilizados stents eluidores de fármacos diversos, tanto de primeira como de segunda gera^ao, com destaque para os stents com elui^ao de sirolimus, zotarolimus, everolimus e paclitaxel.

Procedimento

De uma forma geral, as intervenís foram realizadas de acordo com as diretrizes atuais.9 A realizado de pré e/ou pós-dilata^ao fi-cou a critério do operador, assim como o uso de filtro de protejo distal e inibidores da glicoproteína IIb/IIIa.

A terapia antiplaquetária dupla pré-procedimento era constituída por aspirina (100 a 300 mg) e dose de ataque de clopidogrel (300 a 600 mg). Após a intervengo, aspirina 100 mg ao dia foi prescrita indefinidamente e clopidogrel 75 mg ao dia foi mantido por 12 meses. Durante a ICP, a terapia antitrombínica consistiu em heparina nao fracionada na dose de 100 UI/kg (ou 70 UI/kg, em caso do uso de ini-bidor da glicoproteína IIb/IIIa), objetivando-se alcanzar tempo de coagulado ativado > 250 segundos (ou entre 200 e 250 segundos, em caso de uso de inibidor da glicoproteína IIb/IIIa).

Análise angiográfica

As análises angiográficas qualitativas e quantitativas foram realizadas offline por um operador experiente, seguindo protocolo predefinido. De maneira geral, as cineangiografias pré e pós-procedimento foram realizadas após a administrado intracoronária de nitroglicerina (50 a 200 ]ag), em pelo menos duas proje^oes ortogonais correspondentes, sendo armazenadas em formato digital DICOM.

O fluxo coronário foi determinado de acordo com os critérios do estudo Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI).

A análise de angiografia coronária quantitativa (ACQ) foi realizada utilizando-se um programa computadorizado dedicado e com detec^ao semiautomática de bordas do lumen (QAngio XA, Medis Medical Imaging System, Leiden, Holanda).

Seguimento clínico e definigoes

O objetivo da atual análise foi avaliar a taxa de eventos cardiovasculares adversos maiores (ECAM), definida como a ocorrencia de óbito, IAM nao fatal e revasculariza^ao da lesao alvo (RLA), tanto na fase hospitalar, quanto na fase tardia (1 ano).

IAM nao fatal foi definido como elevado maior que tres vezes acima do valor de referencia laboratorial dos níveis da isoenzima MB da creatinoquinase (CK-MB). Revasculariza^ao da lesao alvo foi definida como nova revasculariza^ao por ICP ou enxerto cirurgico do segmento previamente tratado. Sucesso angiográfico foi definido como o implante bem-sucedido do stent MGuard™ na lesao alvo.

Análise estatística

As variáveis contínuas foram apresentadas como média ± desvio padrao e foram comparadas pelo teste t de Student. As variáveis ca-

tegóricas foram reportadas como números absolutos e porcentagens, e comparadas pelo teste qui quadrado de Pearson ou teste exato de Fisher, quando apropriado. Considerou-se estatisticamente significante p < 0,05. As análises foram realizadas com o auxilio do programa estatistico Statistical Package for Social Science (SPSS), ver-sao 16.0 (SPSS Inc., Chicago, EUA).

Resultados

Foram analisados 271 pacientes, sendo 220 no Grupo SF. A média de idade dos pacientes foi de 65,0 ± 13,9 anos no grupo MGuard™ e 69,0 ± 9,6 anos no Grupo SF (p = 0,06). O grupo MGuard™ apresentou maior proporçao de pacientes do sexo feminino (25,5% vs. 10,5%; p = 0,01), 1AM prévio (58,8% vs. 35,9%; p = 0,003) e disfunçao renal (25,9% vs. 12,5%; p = 0,001) e menor proporçao de hipertensos (66,6% vs. 88,6%; p = 0,001). O tempo desde a realizaçao da cirurgia de revas-cularizaçao miocárdica foi menor no grupo MGuard™ (10,0 ± 3,8 anos vs. 12,0 ± 5,9 anos; p < 0,001). As características clínicas dos pacientes estao apresentadas na tabela 1.

As características angiográficas e do procedimento estao apresentadas na tabela 2. A maior parte das lesoes tratadas estava localizada no corpo ou anastomose distal do enxerto, em especial no grupo MGuard™. Diámetro luminal mínimo, comprimento da lesao

e grau de estenose foram similares entre os grupos. O Grupo SF utili-zou com maior frequencia filtro de protegao distal quando comparado ao Grupo MGuard™ (5,8% vs. 10,0%; p = 0,001), mas a utilizado de inibidores da glicoproteína Ilb/llla nao mostrou diferenga entre os grupos (2,0% vs. 2,7%; p > 0,99). Sucesso angiográfico foi obtido na maioria dos casos, em ambos os grupos (96,2% vs. 98%, p = 0,22).

O Grupo MGuard™ teve melhores desfechos clínicos hospitalares (ECAM: 2,0% vs. 13,6%; p = 0,014; odds ratio - OR: 7,89; intervalo de confianga de 95% - IC 95% 1,05-59,3), devido exclusivamente a menor incidencia de lAM periprocedimento (2,0% vs. 13,6%; p = 0,014), e nao mostrou diferenga nas taxas de óbito e RLA (tabela 3).

Entretanto, contrariamente aos desfechos hospitalares iniciais, a taxa de ECAM em até 1 ano de seguimento foi estatisticamente maior no grupo MGuard™ (14,3% vs. 4,4%; p = 0,01; OR: 0,24; lC 95%: 0,07-0,76). Na análise desses desfechos clínicos tardios, nao houve diferenga nas incidencias de óbito (2,4% vs. 2,6%; p = 0,94) e lAM (4,8% vs. 0,6%; p = 0,09), porém verificou-se maior taxa de RLA no grupo MGuard™ (7,1% vs. 1,3%; p = 0,048).

Discussao

O presente estudo tem como principal observagao o fato de o stent MGuard™ ter demonstrado sua eficácia na fase imediata da

Tabela 1

Características clínicas basais

Características MGuard™ SF Valor de p

(n = 51) (n = 220)

ldade, anos 65,0 ± 13,9 69,0 ± 9,6 0,06

Sexo feminino, n (%) 13 (25,5) 23 (10,5) 0,01

Diabetes melito, n (%) 17 (33,3) 79 (35,9) 0,87

Dislipidemia, n (%) 39 (76,5) 160 (72,7) 0,72

Hipertensao arterial, n (%) 34 (66,6) 195 (88,6) 0,001

Tabagismo, n (%) 14 (27,4) 50 (22,7) 0,46

Disfungao renal, n (%) 27 (25,9) 28 (12,5) 0,001

lAM prévio, n (%) 30 (58,8) 79 (35,9) 0,004

lCP prévia, n (%) 10 (19,6) 65 (29,6) 0,15

Apresentagao clínica, n (%) 0,06

Angina estável 28 (54,9) 106 (48,2)

SCA sem elevagao de ST 19 (37,3) 109 (49,4)

SCA com elevagao de ST 4 (7,8) 5 (2,3)

Tempo da CRM, anos 10,0 ± 3,8 12,0 ± 5,9 < 0,001

Características MGuard™ SF Valor de p

(n = 51 pacientes, 53 lesoes) (n = 220 pacientes, 249 lesoes)

Localizaçao das lesoes, n (%) 0,04

Óstio 4 (7,5) 43 (17,3)

Corpo ou anastomose distal 49 (92,5) 206 (82,7)

Diámetro de referencia, mm 3,16 ± 0,70 3,3 ± 0,72 0,57

Comprimento, mm 16,9 ± 13,9 18,3 ± 9,2 0,32

DLM, mm 1,02 ± 0,56 0,97 ± 0,49 0,41

Diámetro da estenose pré, % 69,4 ± 17,7 68,2 ± 9,7 0,19

Pré-dilataçao, n (%) 13 (25,4) 68 (27,3) 0,44

Pôs-dilataçao, n (%) 23 (45,0) 107 (43,0) 0,64

Comprimento do stent, mm 22,3 ± 8,0 20,6 ± 6,8 0,86

Relaçao stent/lesâo 1,1 ± 0,3 1,1 ± 0,4 0,64

PMax de liberaçao, atm 15,2 ± 3,6 14,6 ± 3,2 0,09

Diámetro de estenose pós, % 3,0 ± 0,5 3,8 ± 3,4 0,006

IGP llb/llla, n (%) 1 (2,0) 6 (2,4) >0,99

Filtro proteçao distal, n (%) 3 (5,8) 22 (10,0) 0,001

Fluxo final TlMl lll, % 50 (94,3) 227 (91,2) 0,45

Sucesso angiográfico, % 51 (96,2) 244 (98,0) 0,22

SF: stent farmacológico; lAM: infarto agudo do miocárdio; lCP: intervengao coronária percutánea; SCA: síndrome coronária aguda; CRM: cirurgia de revascularizagao miocárdica. Tabela 2

Características angiográficas e do procedimento

SF: stent farmacológico; DLM: diámetro luminal mínimo; PMax: pressao máxima; IGP llb/llla: inibidores da glicoproteína llb/llla; TIMI: Thrombolysis in Myocardial Infarction.

Tabela 3

Desfechos clínicos hospitalares e tardios

Desfechos MGuard™ SF Valor de p

(n = 51) (n = 220)

Fase hospitalar

ECAM, n (%) 1 (1,9) 30 (13,6) 0,01

Óbito, n (%) 0 0 NA

1AM, n (%) 1 (1,9) 30 (13,6) 0,01

RLA, n (%) 0 0 NA

Desfechos até 12 meses (nao cumulativo)

ECAM, n (%) 7 (14,3) 9 (4,4) 0,01

Óbito, n (%) 1 (2,4) 5 (2,6) 0,94

1AM, n (%) 2 (4,8) 1 (0,6) 0,09

RLA, n (%) 4 (7,1) 3 (1,3) 0,048

SF: stent farmacológico; ECAM: eventos cardiovasculares adversos maiores; 1AM: infarto agudo do miocárdio; RLA: revasculariza^ao da lesao alvo; NA: nao aplicável.

ICP, com reduçao do IAM periprocedimento. Por outro lado, devido ao fato de nao se tratar de uma endoprótese eluidora de fármaco an-tiproliferatvio, sua eficácia no médio prazo foi reduzida quando comparada aos SF hoje considerados padrao-ouro para prevençao de reestenose após ICP.

O desempenho do dispositivo MGuard™ foi testado em diversos estudos. Grube et al. publicaram um estudo prospectivo com 41 pacientes avaliando o stent MGuard™, sendo que ICP em enxertos de safena representou 56% dos procedimentos. Nesse estudo, nenhum paciente recebeu inibidor da glicoproteína IIb/IIIa ou dispositivo de proteçao embólica distal. As taxas de sucesso angiográfico e do pro-cedimento foram de 100 e 95%, respectivamente. No seguimento de 6 meses, 19,5% dos pacientes foram submetidos à revascularizaçao do vaso alvo. Já no acompanhamento mais tardio desses pacientes (12 meses a 27 meses), observou-se apenas uma revascularizaçao do vaso alvo adicional.10

Costa Jr. et al., em estudo angiográfico protocolar aos 6 meses após implante do stent MGuard™ com 30 pacientes, encontrou média de idade dos pacientes de 63 anos, com 38% de diabéticos. Nenhum paciente usou dispositivo de proteçao embólica distal. A perda tardia luminal foi de 1,0 ± 0,4 mm e a porcentagem da obstruçao volumétrica intra-stent foi de 28,5 ± 15,6%."

Guimaraes et al. testaram o dispositivo MGuard™ em uma análi-se retrospectiva com 65 pacientes, dos quais 68% das intervençoes foi em EVS. A taxa de sucesso angiográfico foi de 91,8% e, no seguimento mais tardio (2,6 ± 1,4 anos), a taxa de RLA foi de 12,3%.7

Os achados desses estudos assemelham-se aos nossos, que alcan-çamos sucesso angiográfico em 98% dos procedimentos, e a taxa de nova revascularizaçao após 12 meses do implante do dispositivo MGuard™ foi de 7,1%.

Quanto ao desempenho dos SF em relaçao aos stents convencio-nais, o estudo randomizado RRISC (Reduction of Restenosis in Saphenous Vein Grafts with Cypher Sirolimus-Eluting Stent) selecionou 75 pacientes (96 lesoes em enxertos de safena) para receber SF Cypher™ ou stent nao farmacológico. Nessa análise, o uso do SF foi associado a 37% de reduçao do risco de reestenose binária (11,3% vs. 30,6%; p < 0,024), com taxas semelhantes de morte e IM no segui-mento a curto prazo.12

Em nossa análise, por sua vez, as taxas de IAM hospitalar foram favoráveis ao grupo MGuard™ frente aos SF (2,0% vs. 13,6%; p = 0,01), achado que pode ser justificado pelo fato desse dispositivo ser revestido por uma malha microscópica ultrafina, que poderia ser capaz de reduzir a embolizaçao distal e as complicaçoes resultantes. Quanto à taxa de IAM na evoluçao tardia (4,8% vs. 0,6%; p = 0,09), a ausência de significancia estatística pode ter sido resultante do número de pacientes incluídos do estudo.

Esteves et al. publicaram estudo comparativo, nao randomizado, de ICP em enxertos de safena, com 38 pacientes (16 no grupo MGuard™ e 22 no grupo com stent convencional com uso de filtro de

prote^ao embólica distal), demonstrando taxas de ECAM similares entre os grupos.6

Já Assali et al. publicaram os resultados da comparado entre 68 pacientes tratados com SF e 43 pacientes que receberam stents nao farmacológicos para lesoes em EVS. No seguimento de 2 anos, o uso de stents nao farmacológicos associou-se a marcante redu^ao da sobrevida livre de eventos (58,1% no grupo stents nao farmacológicos vs. 79,4% no grupo SF; p = 0,02), essencialmente as custas da redu^ao da taxa de RLA (14,7% vs. 32,6%; p = 0,03).13

Em um outro estudo randomizado, Brilakis et al. compararam SF Taxus™ com stents nao farmacológicos em ICP de EVS (39 pacientes no grupo stents nao farmacológicos e 41 pacientes no grupo com SF). No seguimento clínico (média de 1,5 ano), o uso de SF as-sociou-se a significativa redu^ao da taxa de ECAM (28% vs. 5%; risco relativo - RR = 0,38; 1C 95% 0,15-0,74; p < 0,003), bem como a redujo da RLA (46% vs. 22%; RR = 0,65; 1C 95% 0,42- 0,96; p < 0,03), sem que houvesse diferen^a nas taxas de infarto e óbito.14

Duas recentes metanálises abrangendo mais de 5 mil pacientes verificaram melhores desfechos com uso de SF comparados ao uso de stents nao farmacológicos, principalmente as custas de menores taxas de RLA.15,16

Nosso estudo vem ao encontro destes descritos, com taxas de ECAM aos 12 meses mais elevadas no grupo MGuard™ (dispositivo nao eluidor de fármacos) comparados ao grupo SF, as custas essencialmente de uma maior incidencia de RLA (7,1% vs. 1,3%; p = 0,048). Considerando as maiores taxas de eventos no tratamento dos enxertos venosos comparado a intervengo em leitos coronários nativos, e a faixa etária média dos pacientes (> 65 anos em ambos os grupos), observa-se que as taxas de ECAM e, principalmente, de RLA do presente estudo podem ser consideradas aceitáveis.

Limitagoes do estudo

Trata-se de um estudo retrospectivo, nao randomizado, que apre-senta como principais limitares o número reduzido de pacientes envolvidos e uma populado heterogénea. Um estudo multicéntrico, randomizado e com acompanhamento mais prolongado se faz ne-cessário para avaliarmos a eficácia do dispositivo MGuard™ a longo prazo em comparado aos SF.

Conclusoes

A utilizado de stent dedicado MGuard™ resultou em redu^ao de eventos clínicos na fase hospitalar. Entretanto, no longo prazo, os stents farmacológicos foram superiores em reduzir desfechos adversos maiores, sobretudo a necessidade de revasculariza^ao da lesao-alvo.

Os resultados sugerem que a próxima geragäo do MGuard™, com uso de fármaco antiproliferativo, pode vir a combinar o melhor dos dois instrumentais.

Fonte de financiamento

Nao há.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

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