Scholarly article on topic 'Angioplastia coronariana primária em pacientes com mais de 80 anos'

Angioplastia coronariana primária em pacientes com mais de 80 anos Academic research paper on "Health sciences"

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{Angioplastia / "Infarto do miocárdio" / Idoso / "Angioplasty ;Myocardial infarction ;Elderly"}

Abstract of research paper on Health sciences, author of scientific article — Alan Castro D’Avila, Renato Roese Filho, Marcia Moura Schmidt, Karina Melleu, Cristiano de Oliveira Cardoso, et al.

RESUMO Introdução : É cada vez mais prevalente o número de idosos submetidos à intervenção coronariana percutânea primária (ICPp). Historicamente, essa população apresenta pior prognóstico quando comparada aos mais jovens. Nosso objetivo foi comparar as características e os desfechos clínicos em 30 dias de pacientes ≥ 80 anos aos < 80 anos submetidos à ICPp. Métodos Estudo de coorte observacional, prospectivo, extraído do banco de dados do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, entre 2009 e 2013. Resultados Foram incluídos 1.970 pacientes, sendo 122 (6,2%) com idade ≥ 80 anos. Os mais idosos mostraram predomínio do sexo feminino (50% vs. 29%; p < 0,001), diabetes (34,4% vs. 23,2%; p = 0,004), classe Killip 3 ou 4 (13,1% vs. 7,4%; p = 0,02) e tempo porta‐balão superior (1,4 hora [1,0‐1,9 hora] vs. 1,1 hora [0,8‐1,5 hora]; p < 0,001). O fluxo TIMI 3 pós não mostrou diferença entre os grupos (86% vs. 90,7%; p = 0,08), mas o Blush 3 pós foi menor (59,3% vs. 70,9%; p = 0,01) nos idosos. O sucesso angiográfico foi obtido em 92,0% vs. 95,6%; p = 0,07. Necessidade de marca‐passo provisório, arritmias graves e morte súbita abortada foram mais frequentes nos pacientes ≥ 80 anos. Taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores e óbito em 30 dias foram mais frequentes no grupo mais idoso (32,2% vs. 11,5% e 29,7% vs. 7,2%; p < 0,001). Conclusões Nesta análise contemporânea, pacientes ≥ 80 anos submetidos à ICPp apresentaram perfil clínico e angiográfico mais grave, tempo porta‐balão mais prolongado, menor Blush 3 final, com maiores taxas de complicações hospitalares e mortalidade em 30 dias, quando comparados aos pacientes mais jovens. ABSTRACT Background The number of elderly patients submitted to primary percutaneous coronary intervention (PCI) is increasingly prevalent. Historically, this population has a worse prognosis when compared to the younger ones. This study aimed to compare the characteristics and 30‐day clinical outcomes of patients aged ≥ 80 years to those < 80 years submitted to primary PCI. Methods Observational, prospective cohort study, extracted from the database of Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, between 2009 and 2013. Results A total of 1,970 patients were included, of whom 122 (6.2%) were aged ≥ 80 years. The elderly showed a predominance of the female gender (50% vs. 29%; p < 0.001), diabetes (34.4% vs. 23.2%; p = 0.004), Killip class 3 or 4 (13.1% vs. 7.4%; p < 0.02), and longer door‐to‐balloon time (1.4 hour [1.0‐1.9 hour] vs. 1.1 hour [0.8‐1.5 hour]; p < 0.001). The TIMI 3 post flow did not show any difference between the groups (86% vs. 90.7%; p = 0.08), but the Blush 3 post was lower (59.3% vs. 70.9%; p = 0.01) in the elderly. Angiographic success was obtained in 92.0% vs. 95.6%; p = 0.07. Temporary pacemakers, severe arrhythmias, and aborted sudden death were more frequently observed in patients aged ≥ 80 years. The rates of major adverse cardiovascular events and death at 30 days were higher in the older group (32.2% vs. 11.5% and 29.7% vs. 7.2%; p < 0.001). Conclusions In this contemporary analysis, patients aged ≥ 80 years undergoing primary PCI had a more severe clinical and angiographic profile, longer door‐to‐balloon time, lower final Blush 3, with higher rates of hospital complications and 30‐day mortality when compared with younger patients.

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Academic research paper on topic "Angioplastia coronariana primária em pacientes com mais de 80 anos"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(4):261-265

Artigo Original

Angioplastia coronariana primária em pacientes com mais de 80 anos

Alan Castro D'Avilaa, Renato Roese Filhoa, Marcia Moura Schmidta, Karina Melleub,

Cristiano de Oliveira Cardosoa, Carlos Antonio Mascia Gottschalla, Alexandre Schann de Quadrosa*,

Alexandre Damiani Azmusa

a Instituto de Cardiologia/Fundafäo Universitaria de Cardiologia, Porto Alegre, RS, Brasil b Universidade Luterana do Brasil, Canoas, RS, Brasil

INFORMAÇÔES SOBRE O ARTIGO RESUMO

Introduçao: É cada vez mais prevalente o número de idosos submetidos à intervençao coronariana percutânea primária (ICPp). Históricamente, essa populaçao apresenta pior prognóstico quando comparada aos mais jovens. Nosso objetivo foi comparar as características e os desfechos clínicos em 30 dias de pacientes > 80 anos aos < 80 anos submetidos à ICPp.

Métodos: Estudo de coorte observacional, prospectivo, extraído do banco de dados do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, entre 2009 e 2013.

Resultados: Foram incluidos 1.970 pacientes, sendo 122 (6,2%) com idade > 80 anos. Os mais idosos mostraram predominio do sexo feminino (50% vs. 29%; p < 0,001), diabetes (34,4% vs. 23,2%; p = 0,004), classe Killip 3 ou 4 (13,1% vs. 7,4%; p = 0,02) e tempo porta-balao superior (1,4 hora [1,0-1,9 hora] vs. 1,1 hora [0,8-1,5 hora]; p < 0,001). O fluxo TIMI 3 pós nao mostrou diferença entre os grupos (86% vs. 90,7%; p = 0,08), mas o Blush 3 pós foi menor (59,3% vs. 70,9%; p = 0,01) nos idosos. O sucesso angiográfico foi obtido em 92,0% vs. 95,6%; p = 0,07. Necessidade de marca-passo provisório, arritmias graves e morte súbita abortada foram mais frequentes nos pacientes > 80 anos. Taxas de eventos cardiovasculares adversos maiores e óbito em 30 dias foram mais frequentes no grupo mais idoso (32,2% vs. 11,5% e 29,7% vs. 7,2%; p < 0,001). Conclusoes: Nesta análise contemporánea, pacientes > 80 anos submetidos à ICPp apresentaram perfil clínico e angiográfico mais grave, tempo porta-balao mais prolongado, menor Blush 3 final, com maiores taxas de complicaçôes hospitalares e mortalidade em 30 dias, quando comparados aos pacientes mais jovens.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Primary coronary angioplasty in patients over 80 years of age

ABSTRACT

Background: The number of elderly patients submitted to primary percutaneous coronary intervention (PCI) is increasingly prevalent. Historically, this population has a worse prognosis when compared to the younger ones. This study aimed to compare the characteristics and 30-day clinical outcomes of patients aged > 80 years to those < 80 years submitted to primary PCI.

Methods: Observational, prospective cohort study, extracted from the database of Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, between 2009 and 2013.

Results: A total of 1,970 patients were included, of whom 122 (6.2%) were aged > 80 years. The elderly showed a predominance of the female gender (50% vs. 29%; p < 0.001), diabetes (34.4% vs. 23.2%; p = 0.004), Killip class 3 or 4 (13.1% vs. 7.4%; p < 0.02), and longer door-to-balloon time (1.4 hour [1.0-1.9 hour] vs. 1.1 hour [0.8-1.5 hour]; p < 0.001). The TIMI 3 post flow did not show any difference between the groups (86% vs. 90.7%; p = 0.08), but the Blush 3 post was lower (59.3% vs. 70.9%; p = 0.01) in the elderly. Angiographic success was obtained in 92.0% vs. 95.6%; p = 0.07. Temporary pacemakers, severe arrhythmias, and aborted sudden death were more frequently observed in patients aged > 80 years. The rates of major adverse cardiovascular events and death at 30 days were higher in the older group (32.2% vs. 11.5% and 29.7% vs. 7.2%; p < 0.001 ). Conclusions: In this contemporary analysis, patients aged > 80 years undergoing primary PCI had a more severe clinical and angiographic profile, longer door-to-balloon time, lower final Blush 3, with higher rates of hospital complications and 30-day mortality when compared with younger patients.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

* Autor para correspondencia: Instituto de Cardiologia/Funda^äo Universitaria de Cardiologia, Av. Princesa Isabel, 395, Santana, CEP, 90620-001, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: alesq@terra.com.br (A.S. de Quadros).

A revisäo por pares é de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. http://dx.doi.org/10.1016Zj.rbci.2016.12.004

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licen^a de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Histórico do artigo:

Recebido em 10 de agosto de 2015

Aceito em 25 de novembro de 2015

Palavras-chave: Angioplastia Infarto do miocardio Idoso

Keywords: Angioplasty Myocardial infarction Elderly

Introdujo

A estratégia de recanaliza^ao mecanica tem sido preferida aos trombolíticos, especialmente no subgrupo dos idosos, pois estes apresentam taxas de sangramento aumentadas. Os registros de pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) tratados com recana-liza^ao mecanica mostram um número crescente de pacientes muito idosos, ou com idade > 80 anos.12

Este subgrupo pode ter apresenta^ao atípica, incluindo IAM silencioso ou nao reconhecido, ou com bloqueio de ramo esquerdo (BRE) como apresenta^ao eletrocardiográfica.3 Além disso, problemas cog-nitivos podem retardar o reconhecimento do quadro clínico.

Pacientes com mais de 80 anos tem de duas a tres vezes mais risco de choque cardiogenico, insuficiencia cardíaca e fibrila^ao atrial durante a hospitalizado.4 Classe Killip > 2 e insuficiencia cardíaca aguda sao muito mais comuns em pacientes > 85 anos.45 A mortali-dade intra-hospitalar dos octogenários é tres vezes maior e, nos no-nagenários, quatro vezes maior do que nos pacientes mais jovens com IAM com supradesnivelamento de ST (IAMCST).4

Este estudo visou incrementar as evidencias conhecidas, contri-buindo com um banco de dados nacional, já que sao escassas as evidencias para esta faixa etária. Isso porque costumeiramente os idosos sao excluídos dos grandes ensaios clínicos, limitando os dados a estudos observacionais e dificultando a avalia^ao dos resultado dos proce-dimentos e da terapéutica medicamentosa aplicada aos mesmos.36

Assim, o objetivo deste estudo foi comparar as características clínicas, angiográficas, do procedimento e os desfechos clínicos de pacientes > 80 anos com os < 80 anos com IAMCST que realiza-ram intervengo coronariana percutanea primária (ICPp) em nos-sa instituido.

Métodos

Estudo unicentrico de coorte prospectivo que incluiu todos os pacientes com IAMCST submetidos a ICPp no Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul no período de dezembro de 2009 a dezembro de 2013. Todos os pacientes incluídos assinaram Termo de Consenti-mento Livre e Esclarecido, e o estudo foi aprovado pelo Comite de Ética da instituido.

Populado

Foram considerados para inclusao no estudo pacientes sequen-ciais com IAMCST hospitalizados em nossa instituido e encaminha-dos para ICPp pelo médico assistente. IAMCST foi definido como dor torácica em repouso com durado de mais de 30 minutos associada com elevado do segmento ST > 1 mm em duas ou mais derivares contíguas do eletrocardiograma, ou novo BRE. Os critérios de exclu-sao foram dor torácica com mais de 12 horas de durado e recusa do paciente em participar do estudo.

A ICPp foi realizada conforme preconizado na literatura.7 Todos os pacientes foram medicados na admissao com 300 mg de ácido acetil-salicílico e 300 a 600 mg de clopidogrel, 60 mg de prasugrel ou 180 mg de ticagrelor. Heparina nao fracionada (60 a 100 U/kg) era administrada antes da ICPp. Aspectos técnicos do procedimento, como tipo e número de stents, uso de dispositivos adjuntos e uso de inibidores de glicoproteína IIb/IIIa ficaram a critério do médico intervencionista responsável pela ICPp.

A coleta de sangue para análise laboratorial foi realizada na sala de emergencia, antes do encaminhamento a ICPp.

Análise estatística

As variáveis qualitativas foram descritas como frequencias absolutas e relativas, e comparadas com o teste qui quadrado. As va-

riáveis continuas foram expressas como média ± desvio padrao e comparadas com o teste t de Student nao pareado. Variáveis continuas com distribuido nao normal foram apresentadas como mediana e intervalo interquartil, e comparadas com o teste de Mann-Whitney.

Os dados foram coletados em uma base de dados do Microsoft Access, e a análise estatistica foi realizada utilizando o Statistical Package for Social Sciences (SPSS) para Windows, versao 17.0. Significancia estatistica foi definida como um valor de p bicaudal < 0,05.

Resultados

Foram incluidos 1.970 pacientes consecutivos com IAMCST, sendo 122 (6,2%) com > 80 anos. A média das idades foi de 84,5 ± 4,4 anos e 58,7 ± 10,3 anos, sendo que os mais idosos mostraram predominio do sexo feminino (50% vs. 29%; p < 0,001), diabetes (34,4% vs. 23,2%; p = 0,004) e condiçoes como insuficiência renal e doença pulmonar obstrutiva crónicas, além de serem menos tabagistas (tabela 1).

O BRE ou bloqueio atrioventricular total (BAVT) foram significativamente mais frequentes nos mais idosos, assim como a apresenta-çao clínica em classe funcional Killip 3 ou 4 (13,1% vs. 7,4%; p = 0,02). O tempo porta-balao foi superior nos pacientes > 80 anos (1,4 hora [1,0-1,9 hora] vs. 1,1 hora [0,8-1,5 hora]; p < 0,001).

O perfil angiográfico dos pacientes foi bastante semelhante entre os grupos, com igual número de pacientes com acometimento triar-terial (20,5% vs. 18,6%; p = 0,33), mas menor fraçao de ejeçao no grupo > 80 anos (39,7 ± 18,5% vs. 54,5 ± 16,0%; p = 0,008) (tabela 2).

Em relaçao ao procedimento, o acesso femoral foi mais usado (82,4% vs. 62,3%; p < 0,001), e os inibidores de glicoproteina IIb/IIIa e clopidogrel na dose de 600 mg foram menos empregados nos pacientes acima de 80 anos. A pré-dilataçao foi utilizada mais frequen-temente em idosos, e o fluxo Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI) 3 pós nao mostrou diferença entre os grupos (86% vs. 90,7%; p = 0,08), mas o Blush 3 pós foi significativamente menor nos pacientes > 80 anos (59,3% vs. 70,8%; p = 0,01). O sucesso angiográfico foi obtido em 92,0% vs. 95,6% (p = 0,07).

As caracteristicas laboratoriais estao apresentadas na tabela 3. Marcadores de injúria miocárdica como o pico de troponina T ultras-sensivel (2.776 UI/L [712-7.853 UI/L] vs. 2.417 UI/L [641-5.915 UI/L]; p = 0,10) e da isoenzima MB da creatina quinase (CK-MB; 43,0 UI/L [16,7-83,7 UI/L] vs. 40,5 UI/L [17,0-81,0 UI/L]; p = 0,66) foram seme-lhantes entre os grupos.

Os pacientes > 80 anos necessitaram mais frequentemente de marca-passo provisório (11,8% vs. 4,5%; p < 0,001) durante a interna-çao e apresentaram também taxas significativamente maiores de arritmias graves ou morte súbita abortada (20,3% vs. 7,2%; p < 0,001). Disfunçao respiratória com necessidade de ventilaçao mecánica (18,6% vs. 7,3%; p < 0,001) e insuficiência renal aguda (11,0% vs. 3,5%; p < 0,001) foram mais prevalentes neste grupo de pacientes.

As taxas de eventos cardiovasculares maiores combinados e óbito em 30 dias foram estatisticamente mais frequentes no grupo > 80 anos (32,2% vs. 11,5% e 29,7% vs. 7,2%; p < 0,001). Complicaçoes como acidente vascular cerebral, reinfarto e trombose de stent nao foram diferentes entre os grupos (tabela 4).

Discussâo

A evoluçao hospitalar de pacientes > 80 anos mostrou-se definitivamente mais desfavorável no nosso meio, com taxas de óbito e complicaçoes muito altas. Este resultado foi encontrado indepen-dente da alta taxa de sucesso angiográfico.

Muitos registros têm mostrado que idade avançada é um fator in-dependentemente de mortalidade hospitalar, juntamente da insta-bilidade hemodinámica, da doença renal crónica (DRC), do diabete e

Tabela 1

Características clínicas basais

Características а SO anos < SO anos Valor de p

(n=122) (n = 1.S4S)

Idade, anos S4,5 i 4,4 5S,7 i 1O,3 < O,OO1

Sexo masculino, n (%) 61 (5O,O) 1.313 (71,O) < O,OO1

Raça branca, n (%) 1O7 (93,9) 1.555 (S6,7) O,13

Hipertensao arterial, n (%) S5 (69,7) 1.1SS (64,3) O,19

Diabetes melito, n (%) 42 (34,4) 42S (23,2) O,OO4

Dislipidemia, n (%) 34 (27,9) 667 (36,1) O,O7

Tabagismo, n (%) 6 (5,O) S17 (44,3) < O,OO1

História familiar de DAC, n (%) 19 (15,S) 5S1 (31,4) < O,OO1

IAM anterior, n (%) 53 (43,4) SOO (43,3) O,97

IAM de ventrículo direito, n (%) 12 (9,S) 215 (11,6) O,52

IAM prévio, n (%) 32 (27,6) 376 (2O,6) O,O5

ICP prévia, n (%) 3O (25,6) 295 (16,2) O,OOS

CRM prévia, n (%) 9 (7,S) 76 (4,2) O,O6

AVC prévio, n (%) 12 (1O,4) 117 (6,4) O,OS

Insuficiencia cardíaca, n (%) 12 (1O,4) 91 (5,O) O,OO3

Insuficiencia renal crónica, n (%) 9 (7,S) 53 (2,9) O,O3

DPOC, n (%) 11 (9,6) S4 (4,6) O,O2

Peso, kg 69,3 i 13,2 77,3 i 14,4 < O,OO1

Altura, m 64,2 i S,9 67,9 i S,5 < O,OO1

Circunferencia abdominal, cm 94,2 i 13,1 96,7 i 13,9 O,O9

PAS, mmHg 129,6 i 31,9 136,9 i 52,6 O,17

PAD, mmHg 74,5 i 19,7 S2,7 i 1S,6 < O,OO1

Frequencia cardíaca, bpm 79,3 i 21,6 7S,7 i 19,S O,76

Classe Killip 3 ou 4, n (%) 16 (13,1) 137 (7,4) O,O2

Bloqueio de ramo esquerdo, n (%) 5 (4,1) 19 (1,O) O,OO3

BAVT, n (%) S (6,6) 4S (2,6) O,O1

Delta T, hora 3,7 [1,9-6,2] 3,9 [1,9-6,5] O,77

Tempo porta-balao, hora 1,4 [1,O-1,9] 1,1 [O,S-1,5] < O,OO1

Uso prévio de AAS, % 49 (42,6) 513 (2S,2) < O,OO1

DAC: doença arterial coronária; 1AM: infarto agudo do miocárdio; ICP: angioplastia coronariana percutânea; CRM: cirurgia de revascularizaçâo miocárdica; AVC: acidente vascular cerebral; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crónica; PAS: pressâo arterial sistólica; PAD: pressâo arterial diastólica; BAVT: bloqueio atrioventricular total; AAS: ácido acetilsalicílico.

Tabela 2

Características angiográficas e do procedimento

Características а SO anos < SO anos Valor de p

(n=122) (n = 1.S4S)

Acesso femoral, n (%) 9S (S2,4) 1.151 (62,3) < O,OO1

Introdutor 6 F, n (%) 113 (92,6) 1.6SO (9O,9) O,74

Lesäo triarterial, n (%) 25 (2O,5) 343 (1S,6) O,33

Lesäo de TCE, n (%) 7 (5,7) 62 (3,4) O,16

FEVE, % 39,7 i 1S,5 54,5 i 16,O O,OOS

Bifurcado, n (%) 15 (12,3) 33S (1S,3) O,1O

Trombo, n (%) 75 (65,2) 1.259 (71,1) O,17

Calcio, n (%) 35 (3O,4) 2OS (11,S) < O,OO1

Estenose pré, % 97,1 i 6,O 97,O i 7,9 O,S7

Extensäo da lesäo, mm 16,1 i 6,6 1S,4 i S,9 O,O3

TIMI pré 0, n (%) 79 (6S,7) 1.2O6 (6S,2) O,72

Blush pré 0, n (%) S6 (74,S) 1.354 (77,O) O,44

Pre-dilatai;äo, n (%) SS (76,5) 1.O76 (6O,3) O,OO1

Tromboaspira^äo, n (%) 31 (26,7) 544 (3O,3) O,41

Kissing-balloon, n (%) 4 (3,4) 67 (3,7) O,S7

Uso de stent, n (%) 1O1 (S7,1) 1.6O4 (S9,1) O,49

Pös-dilata^äo, n (%) 32 (2S,3) 4SS (27,6) O,S6

Diámetro de referencia, mm 3,O1 i O,4O 3,19 i O,SO O,O3

Calibre do stent, mm 3,36 i 3,51 3,17 i O,4S O,59

Comprimento do stent, mm 19,1 i 6,2 2O,3 i 6,5 O,OS

Calibre do baläo, mm 3,32 i O,37 3,44 i O,62 O,29

Pressäo máxima do baläo, atm 17,S i 4,O 17,4 i 4,O O,SS

Diámetro final do vaso, mm 3,23 i O,44 3,37 i O,56 O,OO4

Estenose pós, % 5,3 i 2O,S 4,2 i 17,6 O,52

TIMI pós 3, n (%) 9S (S6,O) 1.575 (9O,7) O,OS

Blush pós 3, n (%) 67 (59,3) 1.222 (7O,9) O,O1

Glicoproteína Ilb/Illa, n (%) 14 (11,9) 5S4 (32,2) < O,OO1

Clopidogrel 600 mg, n (%) S3 (7O,3) 1.5S9 (S7,4) < O,OO1

Baläo intraórtico, n (%) S (6,7) 54 (3,O) O,O2

Sucesso angiográfico, n (%) 1O3 (92,O) 1.635 (95,6) O,O7

TCE: tronco de coronária esquerda; FEVE: fraçao de ejeçao do ventrículo esquerdo; TIMI: Thrombolysis in Myocardial Infarction.

HDL: lipoproteína de alta densidade; DCE: depuragao de creatinina endógena; HbA1c: hemoglobina glicada; CK: creatina quinase; CK-MB: isoenzima MB da creatina quinase; TNTus: troponina T ultrassensível; PCR: proteína C-reativa.

Tabela 4

Complicares e desfechos clínicos em 30 dias

Tabela 3

Características laboratoriais

Características > 80 anos < 80 anos Valor de p

(n = 122) (n = 1.848)

Colesterol total, mg/dL 181,5 ± 50,0 205,5 ± 54,8 < 0,001

HDL, mg/dL 44,0 ± 13,7 41,6 ± 12,2 0,08

Triglicérides, mg/dL 121,7 ± 83,7 163,7 ± 212,7 0,06

Creatinina, mg/dL 1,2 ± 0,4 1,1 ± 4,2 0,77

DCE, mL/minuto 43,4 ± 20,4 91,0 ± 38,3 < 0,001

Glicemia, mg/dL 174,2 ± 70,7 169,1 ± 84,5 0,56

Hematócrito, % 37,2 ± 4,6 41,0 ± 4,7 < 0,001

Hemoglobina, g/dL 12,2 ± 1,8 13,8 ± 1,6 < 0,001

Plaquetas, mil/mm3 228.644 ± 68.477 249.418 ± 77.141 0,01

Leucócitos, mil/mm3 12.270 ± 8.664 13.065 ± 6.005 0,20

Potássio, mEq/L 4,5 ± 0,6 4,6 ± 10,2 0,93

Magnésio, mEq/L 2,2 ± 0,4 2,2 ± 0,6 0,52

HbA1c, % 5,9 [5,7-6,3] 5,7 [5,4-6,5] 0,31

CK total, UI/L 88,0 [41,0-309] 139,5 [60-423] 0,17

Pico CK-MB, UI/L 43,0 [16,7-83,7] 40,5 [17,0-81,0] 0,66

Pico TNTus, UI/L 2.776 [712-7.853] 2.417 [641-5.915] 0,10

PCR, g/dL 0,3 [0,1-1,2] 0,4 [0,2-0,9] 0,77

Fibrinogenio, mg/dL 247,4 ± 72,2 255,8 ± 89,4 0,43

Complicaçoes > 80 anos < 80 anos Valor de p

(n = 122) (n = 1.848)

Óbito, n (%) 35 (29,7) 132 (7,2) < 0,001

AVC isquémico, n (%) 1 (0,9) 4 (0,2) 0,27

Reinfarto,n (%) 5 (4,3) 77 (4,2) 0,55

ECAM, n (%) 38 (32,2) 211 (11,5) < 0,001

Trombose de stent, n (%) 2 (1,7) 43 (2,4) 0,48

AVC: acídente vascular cerebral; ECAM: eventos cardiovasculares adversos maiores.

da doenga multiarterial.8-10 Este resultado ainda pode ser pior quan-do o nonagenário é comparado ao octogenário.11,12

A presenta de maior número de comorbidades nesse grupo foi registrada nesta coorte e pode justificar tal evolugao desfavorável.1 Insuficiencia cardíaca prévia, diabete, DRC, doenga pulmonar e IAM prévio foram mais prevalentes nos pacientes muito idosos. Além dis-so, os antiagregantes plaquetários foram menos utilizados nestes pacientes. Estudos prévios demonstraram associagao de idade avan-gada e má evolugao independente da estratégia de reperfusao. Além dos fatores identificados associados ao aumento do risco, outras medidas nao mensuráveis, como fragilidade e reserva homeostática, poderiam contribuir para a má evolugao.6 Em registro prévio, idade > 85 anos, mas nao a idade > 75 anos, foi preditor independente de mortalidade em 30 dias.13

O tempo total estimado de isquemia foi maior, devido ao retardo maior do tempo porta-balao no grupo > 80 anos. Dificuldades no diagnóstico ou no tratamento de complicagoes na apresentagao po-dem ser fatores determinantes do atraso da intervengao. Como já reconhecido, há forte associagao entre retardo do atendimento e mortalidade.10,13

Sinais de disfungao ventricular grave (Killip 3 ou 4) na apresenta-gao foram mais frequentes no grupo > 80 anos. Este fator está asso-ciado a pior evolugao hospitalar no IAM.11 Da mesma forma, distúrbios avangados de condugao ocorreram mais comumente nes-ta faixa etária e podem estar associados a pior prognóstico. O diagnóstico e o tratamento mais precoces poderiam diminuir a taxa de pacientes com comprometimento hemodinamico.

A DRC é reconhecidamente um dos principais fatores associados a pior evolugao no IAM.1 Sabe-se que a DRC está associada a distúr-bios de coagulagao, com taxas de sangramento e trombose maiores, além de lesoes mais calcificadas.

A via de acesso preferencial nos mais idosos foi a femoral. No período analisado, a via femoral ainda era preferida nas situagoes de urgencia no nosso meio. Mais recentemente, ocorreu uma inversao nas taxas de utilizagao da via radial, a medida que foram sendo demonstradas as evidencias de menor taxa de complicagoes e mortali-dade. Os pacientes de idade muito avangada podem apresentar anatomia vascular mais complexa por via radial, como tortuosidade acentuada, calcificagao vascular e calibre do vaso fino. No entanto, a curva de aprendizagem com a técnica tem permitido sucesso maior com menor taxa de complicagoes vasculares.14

Limitares do estudo

Trata-se de um estudo observacional, e conclusoes a respeito do efeito de terapias sobre os desfechos podem ter sido afetada por viés de confusao. A análise angiográfica nao foi avaliada independente-mente por um laboratório angiográfico distinto, uma limitagao que também é compartilhada por outros registros de pacientes com an-gioplastia coronariana primária. Por fim, nao temos um seguimento a longo prazo destes pacientes, mas desfechos a curto prazo sao sabidamente importantes e confiáveis na avaliagao dos desfechos dos pacientes com IAM.

Conclusoes

Nesta análise contemporánea, pacientes > 80 anos submetidos à intervençao coronária percutánea primária apresentam perfil clínico e angiográfico mais grave, tempo porta-balao mais prolongado, menor Blush 3 final, e maiores taxas de complicaçoes hospitalares e mortalidade em 30 dias, quando comparados aos pacientes mais jovens.

Com o envelhecimento da populado, o atendimento de pacientes desta faixa etária com infarto agudo do miocárdio deve aumentar progressivamente, assim como a utilizado de estratégias intervencionistas e terapéutica antiplaquetária, impondo a necessidade de melhorias no diagnóstico e no tratamento desses doentes, e visando melhorar os desfechos para este grupo populacional.

Fonte de financiamento

Nao há.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

Referencias

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