Scholarly article on topic 'Correlation between hemoglobin levels of mothers and children on exclusive breastfeeding in the first six months of life'

Correlation between hemoglobin levels of mothers and children on exclusive breastfeeding in the first six months of life Academic research paper on "Educational sciences"

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OECD Field of science
Keywords
{Hemoglobins / Breastfeeding / Anemia / Infant / "Linear models" / Hemoglobinas / "Aleitamento materno" / Anemia / Lactente / "Modelos Lineares"}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Rosa de Fátima da Silva Vieira Marques, José Augusto de Aguiar Carrazedo Taddei, Tulio Konstantyner, Affonso Celso Vieira Marques, Josefina Aparecida Pellegrini Braga

Abstract Objective To evaluate the correlation between hemoglobin levels of mothers and their children on exclusive breastfeeding in the first six months of life. Methods Cross‐sectional study with 221 binomials (mother–child) enrolled in a breastfeeding support program, who were stratified into six groups according to the children's age group. The sample consisted of children born at term with normal weight, with no neonatal complications and whose mothers did not have anemia or infectious disease at the time of data collection. Interviews were carried out with the mothers, blood was collected by peripheral venipuncture from mothers and children, and children's anthropometric data were assessed. Pearson's correlation coefficients between the hemoglobin levels of mothers and children were calculated. Six multiple linear regression models were adjusted with regression coefficient estimates, considering as statistically significant associations with p ≤0.05. Results The correlation coefficients of hemoglobin levels of mothers and children ranged from 0.253, at three months, to 0.601, at five months. The hemoglobin level of mothers was correlated with the hemoglobin level of their children at four months (r =0.578) and at five months (r =0.601). In the adjusted multiple linear regression, the regression coefficients were higher at four months (β =1.134; p =0.002) and at five months (β =0.845; p <0.001). Conclusion These findings allow for the conclusion that there is a correlation between the hemoglobin of mothers and the hemoglobin of their children on exclusive breastfeeding in the first six months of life. Resumo Objetivo Avaliar a correlação entre os níveis de hemoglobina de mães e de seus filhos em aleitamento materno exclusivo, no primeiro semestre de vida. Métodos Estudo transversal com 221 binômios (mãe‐filho) matriculados em programa de incentivo ao aleitamento materno, estratificados em seis grupos de acordo com a faixa etária das crianças. A amostra consistiu de crianças nascidas a termo, com peso normal, sem intercorrências neonatais e cujas mães não apresentavam doença infecciosa e anemia na época da coleta de dados. Foram feitas entrevistas com as mães, coleta de sangue por punção de veia periférica das mães e das crianças e antropometria das crianças. Foram calculados os coeficientes de correlação de Pearson entre os níveis de hemoglobina das mães e das crianças. Foram ajustados seis modelos de regressão linear múltiplos com estimativas de coeficientes de regressão, consideraram‐se estatisticamente significantes associações com p ≤ 0,05. Resultados Os coeficientes de correlação dos níveis de hemoglobina das mães e das crianças variaram entre 0,253, aos três meses, e 0,601, aos cinco meses. O nível de hemoglobina das mães esteve mais correlacionado com o das crianças aos quatro meses (r=0,578) e aos cinco meses (r=0,601). Na regressão linear múltipla ajustada, os coeficientes de regressão foram maiores aos quatro meses (β=1,134; p=0,002) e aos cinco meses (β=0,845; p<0,001). Conclusão Esses achados permitem concluir que há correlação entre a hemoglobina de mães e a hemoglobina de seus filhos em aleitamento materno exclusivo no primeiro semestre de vida.

Academic research paper on topic "Correlation between hemoglobin levels of mothers and children on exclusive breastfeeding in the first six months of life"

J Pediatr (Rio J). 2016;92(5):479-485

ARTIGO ORIGINAL

Correlation between hemoglobin levels of mothers and children on exclusive breastfeeding in the first six months of life^'^

CrossMark

Rosa de Fátima da Silva Vieira Marques3,

José Augusto de Aguiar Carrazedo Taddeib, Tulio Konstantyner6*, Affonso Celso Vieira Marquesc e Josefina Aparecida Pellegrini Bragad

a Universidade Federal de Sao Paulo, Escola Paulista de Medicina, Sao Paulo, SP, Brasil

b Universidade Federal de Sao Paulo, Departamento de Pediatria, Disciplina de Nutrologia, Sao Paulo, SP, Brasil ■ Hospital do Servidor Público Municipal de Sao Paulo, Disciplina de Obstetricia, Sao Paulo, SP, Brasil

Universidade Federal de Sao Paulo, Departamento de Pediatria, Disciplina de Especialidades Pediátricas, Sao Paulo, SP, Brasil

Recebido em 26 de julho de 2015; aceito em 13 de novembro de 2015

KEYWORDS

Hemoglobins; Breastfeeding; Anemia; Infant;

Linear models

Abstract

Objective: To evaluate the correlation between hemoglobin levels of mothers and their children on exclusive breastfeeding in the first six months of life.

Methods: Cross-sectional study with 221 binomials (mother-child) enrolled in a breastfeeding support program, who were stratified into six groups according to the children's age group. The sample consisted of children born at term with normal weight, with no neonatal complications and whose mothers did not have anemia or infectious disease at the time of data collection. Interviews were carried out with the mothers, blood was collected by peripheral venipuncture from mothers and children, and children's anthropometric data were assessed. Pearson's correlation coefficients between the hemoglobin levels of mothers and children were calculated. Six multiple linear regression models were adjusted with regression coefficient estimates, considering as statistically significant associations with p < 0.05.

Results: The correlation coefficients of hemoglobin levels of mothers and children ranged from 0.253, at three months, to 0.601, at five months. The hemoglobin level of mothers was correlated with the hemoglobin level of their children at four months (r = 0.578) and at five months

DOI se refere ao artigo: http://dx.doi.Org/10.1016/j.jped.2015.11.006

* Como citar este artigo: Marques RF, Taddei JA, Konstantyner T, Marques AC, Braga JA. Correlation between hemoglobin levels of mothers and children on exclusive breastfeeding in the first six months of life. J Pediatr (Rio J). 2016;92:479-85.

** Trabalho desenvolvido no Departamento de Pediatria, Escola Paulista de Medicina (EPM), Universidade Federal de Sao Paulo (Unifesp), Sao Paulo, SP, Brasil.

* Autor para correspondencia.

E-mail: tkmed@uol.com.br (T. Konstantyner).

2255-5536/© 2016 Publicado por Elsevier Editora Ltda. em nome de Sociedade Brasileira de Pediatria. Este é um artigo Open Access sob uma licencia CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE

Hemoglobinas;

Aleitamento

materno;

Anemia;

Lactente;

Modelos Lineares

(r = 0.601). In the adjusted multiple linear regression, the regression coefficients were higher at four months (£ = 1.134; p = 0.002) and at five months (£ = 0.845; p<0.001). Conclusion: These findings allow for the conclusion that there is a correlation between the hemoglobin of mothers and the hemoglobin of their children on exclusive breastfeeding in the first six months of life.

© 2016 Published by Elsevier Editora Ltda. on behalf of Sociedade Brasileira de Pediatria. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

Correlacao entre níveis de hemoglobina de maes e filhos em aleitamento materno exclusivo no primeiro semestre de vida

Resumo

Objetivo: Avaliar a correlacao entre os níveis de hemoglobina de maes e de seus filhos em aleitamento materno exclusivo, no primeiro semestre de vida.

Métodos: Estudo transversal com 221 binomios (mae-filho) matriculados em programa de incentivo ao aleitamento materno, estratificados em seis grupos de acordo com a faixa etária das criancas. A amostra consistiu de criancas nascidas a termo, com peso normal, sem intercorren-cias neonatais e cujas maes nao apresentavam doenca infecciosa e anemia na época da coleta de dados. Foram feitas entrevistas com as maes, coleta de sangue por puncao de veia periférica das maes e das criancas e antropometria das criancas. Foram calculados os coeficientes de correlacao de Pearson entre os níveis de hemoglobina das maes e das criancas. Foram ajustados seis modelos de regressao linear múltiplos com estimativas de coeficientes de regressao, consideraram-se estatisticamente significantes associacoes com p < 0,05. Resultados: Os coeficientes de correlacao dos níveis de hemoglobina das maes e das criancas variaram entre 0,253, aos tres meses, e 0,601, aos cinco meses. O nível de hemoglobina das maes esteve mais correlacionado com o das criancas aos quatro meses (r = 0,578) e aos cinco meses (r = 0,601). Na regressao linear múltipla ajustada, os coeficientes de regressao foram maiores aos quatro meses 0 = 1,134; p = 0,002) e aos cinco meses (p = 0,845; p<0,001). Conclusao: Esses achados permitem concluir que há correlacao entre a hemoglobina de maes e a hemoglobina de seus filhos em aleitamento materno exclusivo no primeiro semestre de vida. © 2016 Publicado por Elsevier Editora Ltda. em nome de Sociedade Brasileira de Pediatria. Este e um artigo Open Access sob uma licenca CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/ by-nc-nd/4.0/).

Introducao

No primeiro ano de vida, a anemia ferropriva associa-se a problemas no desenvolvimento psicomotor e cognitivo que podem ser irreversíveis mesmo após tratamento adequado.1 Em razao disso, o conhecimento de seus fatores de risco, que podem estar presentes já no início da vida, é fundamental para subsidiar estratégias de controle e prevenccao. No Brasil, as melhores estimativas da prevalencia de anemia entre lactentes e puérperas sao de respectivamente 24,1% e 29,4%, o que evidencia a relevancia do tema.2"4

Especificamente, há várias décadas pesquisadores de saúde tem discutido a influencia do estado nutricional de ferro materno sobre os valores da hemoglobina (Hb) dos filhos. Uma vez que a concentracao de ferro e da lac-toferrina no leite materno é necessária para manutenccao do ferro corporal nos primeiros meses de vida, a anemia materna poderia influenciar essas concentrares no leite materno. Entretanto, dois estudos conduzidos pelo mesmo grupo de pesquisadores na Índia, que avaliaram a concentraccao de ferro e da lactoferrina no leite de maes anemicas e nao anemicas, que amamentaram de forma exclusiva nos seis primeiros meses de vida, concluíram que tanto a concentraccao de ferro quanto a da lactoferrina nao tem relacao com o estado de ferro das maes.5,6

Resultados de estudos que avaliaram a associaçâo entre anemia no lactente e anemia materna permane-cem controversos. Enquanto alguns estudos sugerem nâo haver associaçâo,7"10 outros apresentam evidências de que criancas nascidas de mâes anémicas ou deficientes em ferro desenvolvem anemia ferropriva no primeiro ano de vida mais frequentemente, quando comparadas com criançcas de mâes nâo anémicas.11"14

Entretanto, nenhum dos estudos referidos investigou a influéncia dos níveis séricos da Hb materna nos perfis de Hb de criancas em amostra de lactentes em aleitamento materno exclusivo, o que compromete a validade dos seus achados, já que outras fontes de ferro na dieta das criancas podem ser responsáveis por achados dispares, que geram a controvérsia na literatura.

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi avaliar a correlacâo entre os níveis de Hb de mâes e de seus filhos em aleitamento materno exclusivo, no primeiro semestre de vida.

Métodos

Este foi um estudo transversal da correlacao entre os níveis de Hb de mâes e Hb de seus filhos. Mâes e criancas foram

recrutadas em uma unidade de saúde de cuidados primários em Belém do Pará (Brasil), de outubro de 2006 a dezembro de 2008.

Nesse servico de atencao a saúde, há um programa de cuidados para maes e chancas com consultas regulares feitas por equipe multidisciplinar, durante os seis primeiros meses de vida. O foco é o incentivo do aleitamento materno e a efetividade da puericultura para que as maes tenham sucesso com a manutencao da amamentacao de forma exclusiva, de acordo com as recomendares do Ministério da Saúde do Brasil, que seguem os padroes da Organizacao Mundial de Saúde e da Academia Americana de Pediatria.1516

Inicialmente, foram considerados todos os lactentes matriculados na referida unidade, que se apresentavam próximos á idade mensal (um, dois, tres, quatro, cinco ou seis meses de vida). Assim, as criancas foram estratificadas em seis grupos de acordo com a faixa etária (idade em meses ± 5 dias). Criancas com idades fora dessa margem de 10 dias nos seis estratos nao foram incluidas no estudo.

Além disso, foram selecionados apenas os lactentes que estavam em aleitamento materno exclusivo desde o nasci-mento, que nasceram a termo (idade gestacional entre 37 e 42 semanas), que nao apresentaram baixo peso (peso de nas-cimento igual ou superior a 2.500g), que nao apresentaram intercorrencias no periodo neonatal e cujas maes apresentavam nivel de Hb igual ou superior a 12g/dL na data da coleta de dados. Foram excluidos os lactentes que apresentavam suspeita de processos infecciosos ou inflamatórios no momento da coleta da amostra de sangue (presenca de sinais/sintomas mórbidos e/ou alteracoes do leucograma) e os filhos de maes que relataram antecedentes de malária ou apresentavam doencca infecciosa no momento da coleta de dados.

O tamanho amostral foi calculado a partir das médias e desvios-padrao dos valores de Hb do estudo piloto feito antes do in cio da coleta de dados. Para atender o objetivo da pesquisa, a estimativa resultou em 40 crianccas em cada grupo etário, consideraram-se beta = 0,1 e alfa-bilateral = 0,05.

Foram consideradas em aleitamento materno exclusivo as crianccas que recebiam leite materno, diretamente da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros l quidos ou sólidos, com exceccao de gotas ou xaro-pes com vitaminas, sais de reidrataccao oral, suplementos minerais ou medicamentos.16

Dessa forma, 245 maes cujos filhos preenchiam os cri-térios de inclusao do estudo foram entrevistadas durante a coleta de dados. No entanto, cinco criancas foram excluidas por apresentar pelo menos um dos critérios de exclusao, o que resultou em 240 crianccas. Posteriormente, 19 criancas foram excluidas das análises por material insuficiente para os exames laboratoriais, consubstanciou-se uma perda amostral de 7,9%. Portanto, foram estudados 221 binomios (mae-filho), que foram dispostos em seis grupos de acordo com a faixa etária: um (n=40), dois (n = 27), tres (n = 39), quatro (n = 38), cinco (n=40) e seis meses (n = 37). Nenhum binomio (mae-filho) foi incluido em mais do que um grupo etário da amostra.

Durante as atividades assistenciais prestadas as crianccas selecionadas, a pesquisadora principal (RFVM) preencheu junto ás maes um questionário validado, estruturado, pré--codificado com informaccoes sobre a história gestacional,

as condicoes de parto e pós-parto, a história neonatal e as condicoes económicas da familia.

As amostras de sangue das criancas e das maes foram coletadas, após a consulta médica, por punccao de veia periférica radial ou cubital da face anterior do bracco. Para a determinaccao da concentraccao de Hb das maes e das criancas foi usado aparelho da marca Cell-Dyn® 3.500 (Abbott, IL, EUA). Os valores de ferritina sérica foram obti-dos pela determinaccao imunoenzimática no soro ou plasma com a técnica Elfa (Enzyme Linked Fluorescent Assay) por meio do teste automatizado denominado Vidas® Ferritin (Biomerieux, Paris, Franca), que permite medir quantitati-vamente a ferritina no soro ou no plasma.

As criancas foram pesadas em balanca pediátrica certificada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) com capacidade máxima de 16 kg. Para a medida da estatura, foi usada régua antropométrica de cursor móvel. Os procedimentos antropométricos adotados foram os recomendados pelo Ministério da Saúde.17

O indicador antropométrico escolhido para a avaliacao nutricional foi a relaccao peso para idade e o critério usado expressá-lo foi o escore-Z.18 Definiu-se como indicador de ganho ponderal proporcional a diferenca do escore-Z da relaccao peso para idade entre o momento da coleta de dados e o nascimento das criancas.19

Os questionários preenchidos foram avaliados quanto á sua consistencia interna. As informacoes foram transcritas em bancos de dados com dupla digitaccao e, posteriormente, validadas, com vistas á correccao de erros de imputaccao. O pacote estat stico usado foi o SPSS (SPSS Inc. Released 2007. SPSS para Windows, versao 16.0, IL, EUA).20

Foram feitas análises de consistencia e estat sticas descritivas univariadas e bivariadas. Para comparaccao de médias foi usada a análise de variancia (Anova) e para quan-tificar a correlaccao entre os n veis de Hb das maes e das crianccas foram calculados os coeficientes de correlaccao de Pearson no seis grupos etários.21

Para o controle de variáveis de confundimento na correlacao entre Hb das maes e Hb das criancas, foi ajustado modelo de regressao linear múltiplo com estimativas de coeficientes de regressao.22

Os critérios de escolha das variáveis de controle para composicao do modelo final consideraram as situacoes com efeito plaus vel no n vel de Hb materna (idade, uso de ferro na época coleta de dados e tempo de uso de ferro na gestacao) e de Hb das criancas (ganho ponderal, nivel de ferritina sérica e sexo).

Elegeu-se o nivel máximo de 0,05 para indicar uma associaccao estatisticamente significante.

O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética em Pesquisa da Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de Sao Paulo (EPM/Unifesp) e autorizado pela Unidade de Saúde de Belém do Pará. O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado por todas as maes no momento em que aceitaram participar do estudo.

Resultados

A tabela 1 apresenta as caracter sticas das maes e das criancas estudadas, de acordo com a faixa etária das criancas. As médias dos niveis de Hb das maes e das criancas

Tabela 1 Comparacao entre as médias com seus respectivos desvios-padrao das características das maes e das criancas em amamentacao exclusiva, de acordo com a faixa etária (2006-2008)

Características Faixa etária (meses) p-valor3

(variáveis continuas) 1 (n = 40) 2 (n = 27) 3 (n = 39) 4 (n = 38) 5 (n = 40) 6 (n = 37)

x (DP) x (DP) x (DP) x (DP) x (DP) x (DP)

Hb das maes (g/dL) 13,0 (0,8) 12,9 (0,6) 13,0 (0,7) 13,3 (0,8) 13,2 (1,0) 13,1 (1,0) 0,293

Hb das criancas (g/dL) 11,9 (1,8) 11,4 (1,6) 11,4 (1,4) 12,0 (1,8) 11,9 (1,7) 11,8 (1,7) 0,468

Ferritina das criancas 193,6 (148,9) 110,7 (114,1) 70,4 (61,3) 45,4 (36,5) 32,6 (23,0) 31,2 (23,2) <0,001

(ng/mL)

Peso ao nascer (Kg) 3,32 (0,41) 3,22 (0,30) 3,24 (0,28) 3,23 (0,37) 3,18 (0,41) 3,24 (0,32) 0,653

P/I ao nascimentob 0,03 (0,85) -0,18 (0,69) -0,12 (0,58) -0,16 (0,78) -0,27 (0,87) 0,13 (0,72) 0,642

Peso atual (Kg) 4,24 (0,53) 5,38 (0,42) 6,45 (0,78) 7,08 (0,76) 7,33 (0,92) 8,13 (0,71) <0,001

P/I atualb -0,18 (0,83) 0,01 (0,64) 0,38 (0,93) 0,39 (0,78) 0,13 (0,99) 0,53 (0,81) 0,003

Ganho ponderal -0,22 (0,51) 0,18 (0,51) 0,51 (0,87) 0,55 (0,78) 0,40 (0,99) 0,66 (0,87) <0,001

proporcional0

Comprimento ao nascer 49,4 (2,2) 49,2 (1,3) 49,0 (1,6) 49,0 (1,9) 48,2 (1,8) 48,9 (1,5) 0,136

Comprimento atual (cm) 54,4 (1,7) 58,3 (1,6) 61,5 (2,2) 63,4 (2,4) 63,9 (2,3) 67,3 (1,7) <0,001

Idade materna (anos) 20,9 (5,5) 20,5 (5,5) 20,4 (5,3) 19,7 (4,9) 19,8 (4,9) 21,6 (5,7) 0,664

Escolaridade materna 8,8 (2,4) 8,1 (2,7) 8,5 (2,1) 8,3 (2,2) 8,1 (2,2) 8,5 (2,5) 0,836

(anos de estudo)

Uso de ferro na gestaçao 2,4 (2,3) 2,6 (2,0) 3,0 (2,4) 3,2 (2,3) 3,0 (2,3) 1,9 (1,9) 0,098

(m) (m) Pré-natal (número 6,8 (1,7) 6,4 (2,0) 6,7 (1,3) 6,4 (1,8) 7,0 (2,1) 6,8 (2,0) 0,752

de visitas)

x, média; DP, desvio-padrao; Hb, hemoglobina; g/dL, grama por decilitro; ng/mL, nanograma por mililitro; Kg, quilograma; cm, centímetro; m:, meses; P/I, relacao peso para idade. a Anova. b Escore-Z.

c Ganho ponderal proporcional em escore-Z corresponde a diferenca do escore-Z da relacao peso para idade entre o momento da coleta de dados e o nascimento das criancas.

variaram, respectivamente, de 12,9 a 13,3 g/dL e de 11,4 a 12,0g/dL.

Nas seis faixas etárias estudadas, as comparacoes das médias do nível de ferritina sérica (p< 0,001) e do ganho ponderal proporcional (p< 0,001) mostraram diferencas estatisticamente significantes entre as faixas etárias. Por outro lado, as características das maes e crianccas, nao intei-ramente sensíveis á diferenca de idade (peso e comprimento ao nascimento, idade e escolaridade materna, uso de ferro na gestacao e número de visitas de pré-natal), mostraram-se estatisticamente semelhantes (p>0,05).

A figura 1 apresenta os coeficientes de correlaccao de Pearson entre os níveis de Hb (g/dL) das maes e das criancas em cada faixa etária. Os coeficientes variaram entre 0,253, na faixa de tres meses, e 0,601, na faixa de cinco meses. Observa-se que o nível de Hb das maes esteve mais correlacionado com o de Hb das criancas nas faixas de quatro meses (r = 0,578) e cinco meses (r = 0,601).

Um modelo de regressao linear múltipla foi ajustado para cada uma das seis faixas etárias estudadas (tabela 2). Os coeficientes de regressao foram maiores nas faixas de quatro meses (p = 1,134) e cinco meses (p =0,845). Isso significa que para cada aumento de 1 g/dL de Hb materna estimou--se aumento de aproximadamente 1,1 e 0,8g/dL de Hb das crianccas nessas duas faixas etárias, respectivamente. Tais estimativas foram controladas nos modelos para tres

variáveis maternas (idade, uso de ferro na época coleta de dados e tempo de uso de ferro na gestaccao) e tres variá-veis das criancas (ganho ponderal, nível de ferritina sérica e sexo).

Discussao

As médias dos níveis de Hb das maes e de Hb e peso ao nascer das crianccas nas seis faixas etárias foram superiores a 12,5g/dL, 11,0g/dL e 3,0kg, respectivamente. Encontramos menores concentraccoes médias de ferritina sérica mes a mes, a partir do primeiro até o sexto mes, e as distribuicoes dos escores Z das relacoes P/I do nasci-mento e do momento da coleta de dados apresentaram-se normais.

Os maiores coeficientes de correlaccao entre os níveis de Hb das maes e das crianccas ocorreram nas faixas etárias de quatro e cinco meses. Os seis modelos de regressao linear resultaram em coeficientes de regressao positivos e com associacao estatisticamente significante nas faixas etárias de um, tres, quatro, cinco e seis meses, independentemente de tres características das maes (idade e suplementaccao de ferro na gestaccao e momento da coleta de dados) e tres características das criancas (ganho ponderal, nível de ferritina sérica e sexo).

1 mês (n = 40)

2 meses (n = 27)

1b 16 14 12 -10 -b

•« L

r = 0,324

Hb materna (g/dL)

3 meses (n = 39)

1b 16 14 12 10 b -

r = 0,2S3

Hb materna (g/dL)

S meses (n = 40)

1b 16 14 12 10 b> -

r = 0,601

Hb materna (g/dL)

1b 16 14 12 10 8

1b 16 14 12 10 b

• _ . »

1b 16 14 12 10 b

r = 0,339

13 14 1s

Hb materna (g/dL)

4 meses (n = 38)

r = 0,S7B

13 14 1s

Hb materna (g/dL)

6 meses (n = 37)

r = 0,3SS

13 14 1s

Hb materna (g/dL)

-Valores ajustados • Hb das crianças (g/dL)

Figura 1 Coeficientes de correlacâo de Pearson entre os n iveis de hemoglobina das mâes e das criancas (g/dL), de acordo com a faixa etária (2006-2008).

Tabela 2 Modelos de regressao linear entre os níveis de hemoglobina das maes e das criancas, de acordo com a faixa etária (2006-2008)

Nivel de hemoglobina das criancas (g/dL) Faixa etária ß (IC 95%) p-valor B

Nivel de hemoglobina das mâes (g/dL) 1m 0,735 (0,024; 1,447) 0,043 0,335

2m 1,135 (-0,067; 2,337) 0,063 0,422

3m 0,763 (0,060; 1,466) 0,034 0,368

4m 1,134 (0,447; 1,820) 0,002 0,520

5 m 0,845 (0,436; 1,255) <0,001 0,506

6m 0,568 (0,055; 1,080) 0,031 0,318

0, coeficiente de regressao; IC, intervalo de confianca; B, coeficiente beta padronizado; m, mes.

Modelos ajustados para idade materna, tempo de uso de ferro na gestacao, uso de ferro no momento da coleta de dados, ganho ponderal, n vel de ferritina e sexo das crianccas.

Inexistem evidências na literatura da associacâo entre níveis de hemoglobina materna e dos seus filhos após o nas-cimento em humanos. Os achados de estudos com animais têm contribuido de forma limitada com o entendimento dessa relaçcao entre humanos, pois a velocidade de cres-cimento de animais de experimentacâo é expressivamente maior quando comparados com humanos (p. ex., nas quatro primeiras semanas de vida o coelho aumenta seis vezes o seu peso corporal, enquanto que um humano aumenta somente um sexto do seu peso ao nascer no mesmo periodo). Além disso, a proporçâo entre o peso da prole e o peso materno é também muito maior nos animais de experimentaçâo quando comparados com humanos (p. ex., proporcâode 1:6 em ratos e de 1:16 em humanos).7

Estudo em humanos, que avaliou concentraçoes de ferro no leite materno, demonstrou queda das médias dos níveis de ferro durante o curso da lactacâo de 0,6 para 0,3 mg/litro, porém com grande variabilidade entre os valores encontrados, que potencialmente reflete a característica multifatorial de determinacâo da deficiência de ferro e sua concentracâo no leite materno.23 De fato, Kumar et al. (2008)24 encontraram menores níveis de ferro em leite de mâes com anemia grave, quando comparadas com o leite de mâes nâo anémicas. No entanto, a magnitude de efeito foi de 2,6 mmols/litro, ou seja, reducâo média de apenas 17% na concentracâo de ferro, o que potencialmente nâo acarreta diferencças no estado de ferro de seus filhos.

Domelloff et al. (2004),25 ao avaliar amostras de leite materno de 191 mâes coletadas aos nove meses pós-parto, nâo encontraram associaçâo entre os níveis de zinco, cobre e ferro corporal (hemoglobina, ferritina plasmática, receptores de transferrina e protoporfirina zinco) com os níveis desses micronutrientes no leite materno.

Ainda que possa haver relaçcâo entre a Hb das mâes e das criancas nos primeiros meses de vida,13 o tipo de alimentaçcâo infantil, principalmente o aleitamento materno exclusivo, tem sido pouco considerado na análise dos resultados dos estudos existentes. O estudo de Kilbride et al. (1999),12 que avaliou longitudinalmente crianças nos primei-ros 12 meses e considerou a prática alimentar nesse período, encontrou tempo de duracâo de aleitamento materno exclusivo de apenas 2,3 meses, o que prejudica a interpretacâo dos achados por nâo constituir o cenário ideal da nutriçcâo do lactente jovem.

O presente estudo encontrou correlaçcâo estatistica-mente significante entre os níveis de Hb das mâes e das crianças em cinco das seis faixas etárias analisadas, eviden-ciou que o estado de Hb materna, como um indicador de disponibilidade de ferro corporal, influencia o estado de Hb de criançcas nos seis primeiros meses de vida, mesmo com adequada reserva de ferro, adquirida por recém-nascidos a termo e eutróficos no fim da gestaçcâo.

Os grupos etários aqui constituídos apresentaram homogeneidade entre as características estudas, minimizaram erros de interpretaçcâo relacionados a fatores determinantes do nível sérico de Hb. Além disso, o ajuste na análise múltipla de variáveis das mâes e criancas, que potencialmente interferem na condicâo do ferro, reforca essa influéncia e, consequentemente, evidencia a relevância do aleitamento materno exclusivo no primeiro semestre de vida, mesmo em crianças com boas condicoes de estoques de ferro ao nascer.

Hay et al. (2007)26 concluíram que o nível de ferritina sérica no sangue de cordâo poderia ser fator preditor do estado do ferro nos primeiros dois anos de vida. Embora o tempo de clampeamento e o estado do ferro no sangue de cordâo umbilical possam influenciar a hemoglobina das criancças, a correlaçcâo entre os valores de ferritina no san-gue de cordâo e os da mâe do recém-nascido nâo tem sido demonstrada.12,24,27,28

Cabe mencionar que o estado do ferro no sangue de cordâo umbilical e seu tempo de clampeamento nâo foram considerados no presente estudo, uma vez que nâo dispu-semos desses dados e a avaliaçcâo iniciou com os valores de hemoglobina e ferritina a partir do 1° més de vida das crianças. Tal fato pode ter influenciado nos resultados aqui apresentados.

Por outro lado, a exclusâo das mâes e criançcas com doenças infecciosas por ocasiâo da coleta de dados afastou a possibilidade de essas condicoes interferirem nos resultados. Embora a proteína C reativa nâo tenha sido dosada, as mâes foram perguntadas sobre a presençca de infecçcoes recentes e anormalidades nos níveis de leucócitos circulantes foram verificadas.

Particularmente, a exclusâo da amostra estudada de sujeitos com antecedente de malária, uma vez que o presente estudo foi feito em uma zona endêmica da doençca, evitou a influéncia dessa infeccâono nível de Hb, que tem sido demonstrada em mulheres e lactentes.14

O presente estudo avalia somente mâes sem anemia e seus filhos em aleitamento materno exclusivo nos seis pri-meiros meses de vida, controla, no processo de seleçcâo amostral, efeitos da anemia materna e de diferentes regimes alimentares das criançcas na correlaçcâo entre níveis de Hb das mâes e de seus filhos. Tal característica inferencial é única em estudos com humanos.

Cabe ressaltar que os seis grupos etários aqui estudados foram compostos por binomios (mâe-filho) diferentes, nâo foi feito acompanhamento da populaçcâo, mas uma avaliaçcâo separada de seis faixas de idade distintas conforme o dese-nho de estudo adotado (transversal). Mesmo que os grupos tenham apresentado características semelhantes, o estudo longitudinal se aproximaria do ideal metodológico para atingir o objetivo aqui proposto. No entanto, é menos fac-tível pela necessidade da coleta repetida de sangue de criancças e de mâes hígidas, que é, seguramente, mais des-confortável e, consequentemente, resulta em mais perda amostral.

Nesse contexto, independentemente da característica multifatorial de determinacçâo da anemia na infância, esses achados permitem concluir que há correlacâo entre as Hb de mâe e seus filhos em aleitamento materno exclusivo no pri-meiro semestre de vida. Apesar da originalidade e da força metodológica desta pesquisa, estudos adicionais de acom-panhamento e idealmente controlados parecem necessários para confirmar os resultados aqui encontrados.

Por fim, recomendamos a adoçcâo de três estratégias para garantir o adequado nível de ferro corporal no início da vida: suplementacçâo efetiva de ferro as gestantes durante o pré-natal, clampeamento do cordâo em tempo oportuno (no mínimo após um minuto do nascimento) e incentivo contínuo a prática da amamentacâo exclusiva no primeiro semestre de vida, que, aliada às boas condiçoes de nascimento,

fornece ä crianca quantidade e qualidade de ferro suficiente para atender ä demanda do crescimento físico.24,29

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse. Agradecimentos

As maes que participaram do estudo, ä equipe do Programa de Apoio ao Aleitamento Materno Exclusivo (Proame) e aos responsáveis pela Unidade de Referencia Especializada Materno Infantil da Secretaria de Saúde Pública do Pará (Uremia-Sespa), onde o estudo foi feito.

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