Scholarly article on topic 'Tratamento do sangramento uterino anormal: uma análise sob a perspectiva dos custos no Sistema Único de Saúde e da medicina suplementar'

Tratamento do sangramento uterino anormal: uma análise sob a perspectiva dos custos no Sistema Único de Saúde e da medicina suplementar Academic research paper on "Educational sciences"

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Reprodução & Climatério
OECD Field of science
Keywords
{"Sangramento uterino anormal" / Histerectomia / "Dispositivos intrauterinos" / "Técnicas de ablação endometrial" / "Análise de custo" / "Abnormal uterine bleeding" / Hysterectomy / "Intrauterine devices" / "Endometrial ablation techniques" / "Costs evaluation"}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Agnaldo Lopes da Silva Filho, Ana Luiza Lunardi Rocha, Francisco de Assis Nunes Pereira, Rubens Lene Tavares, Márcia Cristina França Ferreira, et al.

Resumo Objetivos Comparar os custos diretos e indiretos do sistema intra‐uterino de liberação de levonorgestrel (SIU‐LNG), ablação endometrial com balão térmico (AEBT) e histerectomia no tratamento de mulheres com sangramento uterino anormal (SUA). Métodos Foram avaliadas retrospectivamente 88 pacientes tratadas para SUA pelo SIU‐LNG (n = 30), AEBT (n = 28) e histerectomia (n = 30). Foram considerados todos os procedimentos, consultas e exames envolvidos no tratamento das pacientes por um período de 5 anos, assim como os custos resultantes das falhas dos tratamentos utilizados. Foram estimados os custos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sistema de saúde suplementar. As diferenças entre os grupos foram avaliadas pelo teste do t de Student ou ANOVA. Resultados O custo do tratamento do SUA com AEBT foi significante mais elevado em comparação ao SIU‐LNG e histerectomia após um e cinco anos de seguimento, tanto no SUS quanto na medicina suplementar (p < 0,001). No SUS, o tratamento com o SIU‐LNG foi de 38,2% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$769,61 vs. R$2.012,21, p < 0,001) e de 45,2% após cinco anos (R$927,83 vs. R$2.052,21, p < 0,001). Na saúde suplementar essa diferença foi ainda mais expressiva. Nesse contexto, o custo do SIU‐LNG foi de 29,1% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$1.551,92 vs. R$5.324,74, p < 0,001) e de 37,4% após cinco anos (R$2.069,35 vs. R$5.538,74, p < 0,001). Conclusões O uso do SIU‐LNG resulta em custos diretos e indiretos menores do que a AEBT e histerectomia no tratamento do SUA. A custo‐efetividade do SIU‐LNG aliado à reversibilidade e por ser um procedimento ambulatorial reforçam o seu papel no tratamento de mulheres com SUA tanto na perspectiva do SUS quanto na saúde suplementar. Abstract Objectives To compare direct and indirect costs of the levonorgestrel‐releasing intrauterine system (LNG‐IUS), thermal balloon endometrial ablation (TBEA) and hysterectomy in the treatment of women with abnormal uterine bleeding (AUB). Methods 88 patients treated for AUB by LNG‐IUS (n = 30), TBEA (n = 28) and hysterectomy (n = 30) were retrospectively evaluated. All procedures, medical appointments and tests involved in the treatment of patients were considered for a period of five years, as well as all costs arising from failures of the treatments used. The costs for the Unified Health System (SUS) and the private health care system were estimated. Differences between groups were evaluated by the test t of Student or ANOVA. Results The cost of the treatment of AUB with TBEA was significantly higher versus LNG‐IUS and hysterectomy after a five‐year follow‐up in both SUS and private health care system (p <0.001). In SUS, the treatment with the LNG‐IUS represented 38.2% of the hysterectomy cost in the first year (R$ 769.61 vs. R$ 2,012.21, p <0.001) and 45.2% after five years (R$ 927.83 vs. R$ 2,052.21, p <0.001). As for the private health care system, this difference was even more significant. In this context, the cost of LNG‐IUS represented 29.1% of the hysterectomy cost in the first year (R$ 1,551.92 vs. R$ 5,324.74, p <0.001) and 37.4% after five years (R$ 2,069.35 vs. R$ 5,538.74, p <0.001). Conclusions The use of LNG‐IUS results in lower direct and indirect costs versus TBEA and hysterectomy in the treatment of women with AUB. The cost‐effectiveness of LNG‐IUS, together with the reversibility and also by this being an outpatient procedure, highlights its role in the treatment of women with AUB, both in SUS perspective as in private health care system's.

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Academic research paper on topic "Tratamento do sangramento uterino anormal: uma análise sob a perspectiva dos custos no Sistema Único de Saúde e da medicina suplementar"

Artigo original

Tratamento do sangramento uterino anormal: uma análise sob a perspectiva dos custos no Sistema Único de Saúde e da medicina suplementar

Agnaldo Lopes da Silva Filho *, Ana Luiza Lunardi Rocha, Francisco de Assis Nunes Pereira, Rubens Lene Tavares, Márcia Cristina Franca Ferreira, Rívia Mara Lamaita e Márcia Mendonca Carneiro

Departamento de Ginecología e Obstetricia, Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, MG, Brasil

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informaçoes sobre o artigo

resumo

Histórico do artigo:

Recebido em 1 de dezembro de 2015 Aceito em 22 de janeiro de 2016 On-line em 17 de março de 2016

Palavras-chave:

Sangramento uterino anormal Histerectomia Dispositivos intrauterinos Técnicas de ablacäo endometrial Análise de custo

Objetiuos:Comparar os custos diretos e indiretos do sistema intra-uterino de liberado de levonorgestrel (SIU-LNG), ablacäo endometrial com baläo térmico (AEBT) e histerectomia no tratamento de mulheres com sangramento uterino anormal (SUA).

Métodos:Foram avaliadas retrospectivamente 88 pacientes tratadas para SUA pelo SIU-LNG (n = 30), AEBT (n = 28) e histerectomia (n = 30). Foram considerados todos os procedimentos, consultas e exames envolvidos no tratamento das pacientes por um período de 5 anos, assim como os custos resultantes das falhas dos tratamentos utilizados. Foram estimados os custos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e sistema de saúde suplementar. As diferencias entre os grupos foram avaliadas pelo teste do t de Student ou ANOVA. Resultados:O custo do tratamento do SUA com AEBT foi significante mais elevado em comparacäo ao SIU-LNG e histerectomia após um e cinco anos de seguimento, tanto no SUS quanto na medicina suplementar (p < 0,001). No SUS, o tratamento com o SIU-LNG foi de 38,2% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$769,61 vs. R$2.012,21, p < 0,001) e de 45,2% após cinco anos (R$927,83 vs. R$2.052,21, p < 0,001). Na saúde suplementar essa diferencia foi ainda mais expressiva. Nesse contexto, o custo do SIU-LNG foi de 29,1% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$1.551,92 vs. R$5.324,74, p < 0,001) e de 37,4% após cinco anos (R$2.069,35 vs. R$5.538,74, p < 0,001).

Conclusoes: O uso do SIU-LNG resulta em custos diretos e indiretos menores do que a AEBT e histerectomia no tratamento do SUA. A custo-efetividade do SIU-LNG aliado a reversi-bilidade e por ser um procedimento ambulatorial reforcam o seu papel no tratamento de mulheres com SUA tanto na perspectiva do SUS quanto na saúde suplementar.

© 2016 Sociedade Brasileira de Reproducäo Humana. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Todos os direitos reservados.

* Autor para correspondencia. E-mail: agnaldo.ufmg@gmail.com (A.L. da Silva Filho). http://dx.doi.Org/10.1016/j.recli.2016.01.003

1413-2087/© 2016 Sociedade Brasileira de Reproducao Humana. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

Treatment of abnormal uterine bleeding: an analysis from the perspective of costs in the public health system and supplementary medicine

abstract

Keywords: Objectives: To compare direct and indirect costs of the levonorgestrel-releasing intrauterine

Abnormal uterine bleeding system (LNG-IUS), thermal balloon endometrial ablation (TBEA) and hysterectomy in the

Hysterectomy treatment of women with abnormal uterine bleeding (AUB).

Intrauterine devices Methods: 88 patients treated for AUB by LNG-IUS (n = 30), TBEA (n = 28) and hysterectomy

Endometrial ablation techniques (n = 30) were retrospectively evaluated. All procedures, medical appointments and tests

Costs evaluation involved in the treatment of patients were considered for a period of five years, as well as

all costs arising from failures of the treatments used. The costs for the Unified Health System (SUS) and the private health care system were estimated. Differences between groups were evaluated by the test t of Student or ANOVA.

ResuIts:The cost of the treatment of AUB with TBEA was significantly higher versus LNG-IUS and hysterectomy after a five-year follow-up in both SUS and private health care system (p <0.001). In SUS, the treatment with the LNG-IUS represented 38.2% of the hysterectomy cost in the first year (R$ 769.61 vs. R$ 2,012.21, p <0.001) and 45.2% after five years (R$ 927.83 vs. R$ 2,052.21, p <0.001). As for the private health care system, this difference was even more significant. In this context, the cost of LNG-IUS represented 29.1% of the hysterectomy cost in the first year (R$ 1,551.92 vs. R$ 5,324.74, p <0.001) and 37.4% after five years (R$ 2,069.35 vs. R$ 5,538.74, p <0.001).

Conclusions: The use of LNG-IUS results in lower direct and indirect costs versus TBEA and hysterectomy in the treatment of women with AUB. The cost-effectiveness of LNG-IUS, together with the reversibility and also by this being an outpatient procedure, highlights its role in the treatment of women with AUB, both in SUS perspective as in private health care system's.

© 2016 Sociedade Brasileira de Reproducao Humana. Published by Elsevier Editora Ltda.

All rights reserved.

Introdugáo

Sangramento uterino anormal (SUA) pode ser definido como um sangramento menstrual excessivo, que interfere na qua-lidade de vida física, social, emocional e/ou material de uma mulher. Pode ocorrer de forma isolada ou associado a outros sintomas.1 O SUA é uma condicao que afeta 22% das mulheres que menstruam e mais de 10 milhoes de americanas a cada ano, representa, dessa forma, um dos problemas mais comuns na clínica ginecológica.1-3 Estima-se que mulheres com SUA percam quatro semanas de trabalho por ano nos EUA devido ao sangramento, o que equivale a perda de U$ 1.692 por ano por paciente.4

A histerectomia é considerada o tratamento definitivo, mas pode associar-se a complicares e a maior tempo de recuperacao.5,6 As deficiencias do tratamento medicamentoso associadas a alta morbidade e o custo das histerectomias motivaram a busca por novas técnicas menos invasivas para o tratamento do SUA, como o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (SIU-LNG) e as técnicas de ablacao endometrial.7 Essas opcoes ofereceriam as vantagens potenciais de menor morbidade, recuperacao mais breve com retorno mais rápido as atividades habituais, menores custos e menos complicacoes graves.6,8

A maioria dos estudos de custo que comparam as técnicas de tratamento do SUA foi feita em países desenvolvidos, o

que dificulta extrapolar os resultados para países em desen-volvimento, devido as diferencas económicas.9-11 Além disso, diante da ocorrencia de falhas desses tratamentos opcionais, muitas vezes indica-se outro método ou mesmo a histerectomia, o que torna essencial uma avaliacao dos custos desses tratamentos que leve em consideracao o índice de falhas e complicares e a necessidade de tratamentos adicionais. Dessa forma, este estudo visa a comparar os custos diretos e indiretos estimados do SIU-LNG, da ablacao endometrial com balao térmico (AEBT) e da histerectomia no tratamento de mulheres com SUA na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS) e sistema de saúde suplementar.

Material e métodos

Foram avaliadas retrospectivamente 88 pacientes tratadas para SUA com SIU-LNG (n = 30), AEBT (n = 28) e histerectomia abdominal (n= 30). O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética e Pesquisa da UFMG, todas as participantes foram informados e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), de acordo com a Resolucao 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Durante 5 anos, enumeraram-se todos os procedimentos, consultas e exames envolvidos no tratamento das pacientes, desde a investigacao do sangramento até o seguimento, incluindo a determinacao da conduta, a feitura do tratamento e as complicacoes imediatas.

Custos associados à avaliacao clínica e aos exames complementares

Todas as pacientes com SUA foram submetidas à história clínica e ao exame físico completo. A propedêutica básica das pacientes com SUA incluiu citologia cervical, ultrassonogra-fia transvaginal, ß-hCG e hemograma, além de coagulograma, dosagem de TSH e biópsia endometrial, quando indicados. Na segunda consulta, de posse dos resultados dos exames, foi definido qual o tratamento indicado. As pacientes com proposta de SIU-LNG foram agendadas para a inserçâo do dispositivo, aquelas com indicacao para AEBT ou histerec-tomia receberam pedidos de exames pré-operatórios e risco cirúrgico. Para os grupos da AEBT e da histerectomia foi necessária uma terceira consulta, para verificacao dos exames pré-operatórios e agendamento do procedimento.

Custos diretos associados aos procedimentos

A determinacao dos custos do SUS foi feita por meio de levantamento dos valores de servicos hospitalares e de honorarios médicos pagos pelo SUS, obtidos no programa SIGTAP, versao 1.2.0909141204, disponível no endereco eletrônico http://sigtap.datasus.gov.br/. Os custos do sistema de saúde suplementar foram estimados pelo levantamento dos valores médios cobrados pelas três operadoras com maior número de usuários, incluindo os honorários médicos e custos hospitalares. Foram considerados os valores de mercado do SIU-LNG e o balao térmico.

Custos indiretos

Para avaliacao dos custos relacionados ao afastamento das atividades profissionais considerou-se o valor da renda men-sal média de todas as pacientes do estudo (R$ 1.026,30). O número de dias de afastamento foi de acordo com o protocolo da instituido, que determina 30 dias para histerectomia e um dia para inserçâo do SIU-LNG ou AEBT.

Foram consideradas falhas do SIU-LNG e da AEBT o aumento do sangramento em relacao aos níveis basais e/ou perdas menstruais consideradas inaceitáveis pelas pacientes. As pacientes que apresentaram falha foram submetidas à his-terectomia. Foram incluídos os custos diretos e indiretos do procedimento adicional.

Análise estatística

As fichas preenchidas foram revisadas, suas informacбes foram codificadas e digitadas no banco de dados do programa SPSS para Windows versao 1S.0 (SPSS Inc., Chicago, IL, EUA), no qual foram feitos os cálculos estatísticos posteriores. Foi avaliado o pressuposto de normalidade por meio do teste de Kolmogorov-Simirnov. As diferencas entre os grupos foram avaliadas pelo teste t de Student ou Anova. Considerou-se estatisticamente significativo o valor de p < 0,0S.

Resultados

A tabela 1 mostra os custos associados à avaliacao clínica, aos exames complementares e ao valor do procedimento do SIU-LNG, da AEBT ou da histerectomia para o tratamento

p < 0,001

p < 0,001

4.000 3.000 2.000 1.000 0

Saúde supIementar

ISIU-LNG □ AEBT «Histerectomia

Figura 1 - Comparacao dos custos diretos e indiretos do SIU-LNG, da AEBT e da histerectomia para o tratamento de mulheres com SUA após 1 ano e 5 anos de seguimento. SIU-LNG, sistema intrauterino de liberacao de levonorgestrel; AEBT, ablacao endometrial com balao térmico; SUA, sangramento uterino anormal. As diferencas entre os grupos foram avaliadas pelo teste t de Student ou Anova.

de mulheres com SUA. No grupo de pacientes submetidas à histerectomia ocorreram complicacбes maiores em quatro mulheres (13,3%), duas com hemorragia, uma com lesao de bexiga e uma com lesao ureteral, com necessidade de reimplante de ureter. O custo estimado dessas complicacбes no sistema suplementar foi de R$ S.S91,33.

O custo indireto durante o seguimento dessas mulheres está ilustrado na tabela 2. As pacientes do SIU-LNG fizeram consultas de controle com um mês, seis meses e 12 meses e depois anualmente. As pacientes da histerectomia fize-ram consultas de controle com um mês, 12 meses e depois anualmente. Citologia cervical e ultrassonografia transvaginal foram repetidos anualmente nas pacientes do SIU-LNG e da AEBT. Uma paciente do grupo do SIU-LNG e seis do grupo da AEBT foram submetidas à histerectomia devido à falha dos tratamentos iniciais.

Após o cálculo de todos os eventos ocorridos nos grupos, foram estimados os custos diretos e indiretos médios por paciente de cada grupo, após um ano e cinco anos de seguimento, na perspectiva do SUS e do sistema de saúde suplementar (fig. 1). O custo da AEBT foi significativamente mais elevado em comparacao com o SIU-LNG e histerectomia após um e cinco anos de seguimento, tanto no SUS quanto na medicina suplementar (p < 0,001).

No SUS o tratamento com o SIU-LNG foi de 3S,2% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$ 769,61 vs. R$ 2.012,21, p< 0,001) e se elevaram para 4S,2% após cinco anos de seguimento (R$ 927,S3 vs. R$ 2.0S2,21, p< 0,001). Na saúde suplementar essa diferenca foi ainda mais expressiva. Nesse contexto, o custo do SIU-LNG foi de 29,1% dos custos da histerectomia no primeiro ano (R$ 1.SS1,92 vs. R$ S.324,74, p <0,001) e de 37,4% após cinco anos (R$ 2.069,3S vs. R$ S.S3S,74, p < 0,001). O aumento do custo entre o primeiro e o quinto ano de seguimento foi devido aos exames de rotina feitos no grupo do SIU-LNG e pela falha terapêutica em uma paciente, que foi submetida à histerectomia.

Tabela 1 - Custos associados a avaliacao clínica, aos exames complementares e ao valor do procedimento do SIU-LNG, da AEBT ou da histerectomia para o tratamento de mulheres com SUA

Eventos Custos dos eventos SIU-LNG AEBT Histerectomia

(R$) (n = 30) (n = 28) (n = 30)

SUS Saúde suplementar

Consultas ginecológicas 10,00 53,50 30 28 30

Esfregago cervical 6,64 23,43 30 28 30

Ultrassonografia 24,20 55,10 30 28 30

Hemograma 4,11 8,06 30 28 30

RNI 2,73 5,00 30 28 30

TTPa 5,77 5,00 30 28 30

TSH 8,96 22,00 30 28 30

g-hCG 7,85 16,89 30 28 30

Coleta de amostra endometrial 18,33 52,39 30 28 30

Anatomopatológico da biopsia 24,00 97,77 30 28 30

Segunda consulta ginecológica 10,00 53,50 30 28 30

Insercao do SIU-LNG 0,00 158,10 30 0 0

SIU-LNG 500,00 550,00 30 0 0

Dilatacao cervical sob US 46,82 101,17 2 0 0

Exames pré-operatórios 42,13 95,51 0 28 30

Consulta para risco cirúrgico 10,00 53,50 0 28 30

Tipagem sanguínea 15,00 8,57 0 0 30

Terceira consulta ginecológica 10,00 53,50 0 0 30

Balao térmico 2.000,00 2.000,00 0 28 0

Ablacao endometrial 173,33 2.161,07 0 28 0

Histerectomia 634,03 3.258,28 0 0 30

Diárias de CTI 508,63 377,15 0 0 2

Anatomopatológico da peca cirúrgica 43,21 104,10 0 0 30

Ausencia do trabalho 1.026,30 1.026,30 0 0 30

Complicates imediatas

Hemorragia 458,39 656,95 0 0 2

Perfuracao de bexiga 483,31 1.675,71 0 0 1

Reimplantacao ureteral 629,54 3.558,67 0 0 1

SIU-LNG, sistema intrauterino de liberacao de levonorgestrel; AEBT, ablacao endometrial com balao térmico; SUA, sangramento uterino anormal.

Discussáo

A determinagao do custo de um tratamento é importante para a inclusao de novas tecnologias tanto no SUS quanto no sistema de saúde suplementar. Entretanto, os cálculos devem englobar nao apenas os custos do procedimento em si, mas

todos os requisitos necessários para sua feitura, assim como o tratamento de suas falhas e complicares. As estimativas de custo ou mesmo modelos matemáticos foram descritos para a avaliacao das opcoes terapéuticas do SUA.6'9,10

O custo do tratamento do SUA com SIU-LNG foi significante menor em comparacao com a AEBT e histerectomia após um e cinco anos de seguimento, tanto no SUS quanto

Tabela 2 - Custos indiretos durante o seguimento de mulheres tratadas para SUA pelo SIU-LNG, pela AEBT ou pela histerectomia

Eventos Custos dos eventos SIU-LNG AEBT Histerectomia

(R$) (n = 30) (n = 28) (n = 30)

SUS Saúde Até 1 ano 1 a 5 anos Até 1 ano 1 a 5 anos Até 1 ano 1 a 5 anos

suplementar

Consultas ginecológicas 10,00 53,50 90 120 84 104 60 120

Ultrassonografias 24,20 55,05 59 116 26 96 0 0

Esfrega^os cervicais 6,64 23,43 29 116 26 96 0 0

Remojo devido a outras causas 10,00 53,50 1 0 00 0 0

Exames pré-operatórios 42,13 95,51 1 0 24 0 0

Consulta para risco cirúrgico 10,00 53,50 1 0 24 0 0

Histerectomia 634,03 3.258,28 1 0 24 0 0

Anatomopatológico da peca cirúrgica 43,21 104,10 1 0 24 0 0

Auséncia do trabalho 1.026,30 1.026,30 1 0 24 0 0

SIU-LNG, sistema intrauterino de liberado de levonorgestrel; AEBT, ablafáo endometrial com balao térmico; SUA, sangramento uterino anormal.

na medicina suplementar. Esses achados sao concordantes com outros estudos de custo-efetividade, que indicam o SIU--LNG como melhor opcao inicial.12,13 Um estudo baseado em modelo matemático avaliou o SIU-LNG, contraceptivos orais ou progestagénios como primeira linha do tratamento de mulheres com SUA na Espanha.9 O SIU-LNG mostrou-se mais eficaz, com menor custo e associado a uma melhor qualidade de vida em comparacao com as outras terapias. Outro modelo matemático foi desenvolvido para avaliar o tratamento do SUA nos Estados Unidos.10 O inicio do tratamento das pacientes com SIU-LNG apresenta menor custo do que a histerectomia. Em comparacao com as técnicas de ablacao endometrial, o SIU-LNG também foi associado a menor necessidade de indicacoes de histerectomia. Outros estudos mostram menor custo do SIU-LNG em comparacao com AEBT no tratamento de mulheres com SUA.14,15

Os resultados encontrados para a AEBT no tratamento do SUA mostraram que os custos médios foram maiores do que os da histerectomia, tanto após um ou cinco anos. A AEBT também recorreu ao uso de leitos hospitalares e centro cirúr-gico, mas em menor quantidade do que a histerectomia. Na comparacao entre o SIU-LNG e a AEBT, os custos médios do SIU-LNG foram menores do que os da AEBT durante o mesmo período observado no estudo. O custo do balao térmico, sua eficácia no controle do sangramento e a necessidade de novas terapias foram responsáveis pelo custo mais elevado dessa opcao.

O aumento no custo médio do SIU-LNG e da AEBT entre um e cinco anos demonstra a ocorréncia de falhas em algumas pacientes, conforme já foi demonstrado por outros autores.16-18 Um estudo avaliou a qualidade de vida e o custo da histerectomia e do SIU-LNG em mulheres com SUA por 10 anos.19 O SIU-LNG manteve-se custo-efetivo mesmo após 46% das mulheres daquele estudo serem submetidas a histerecto-mia.

As mulheres tratadas por AEBT apresentaram mais falhas de tratamento e indicacao de histerectomia do que aque-las que usaram SIU-LNG. Essa diferenca na eficácia das duas técnicas teve repercussoes nos custos indiretos dos procedimentos avaliados. Na comparacao do SIU-LNG com histerectomia, a taxa de falha do SIU-LNG que levou a neces-sidade de histerectomia foi de 20% em um ano, 42% em cinco anos e 46% após 10 anos.20 Quando se compara a ablacao de endométrio com a histerectomia, o índice de falhas da ablacao endometrial que exigem alguma reintervencao em um a quatro anos varia de 16 a 42%, em até 29% das pacientes houve necessidade de histerectomia.21 Um estudo que comparou o SIU-LNG com a AEBT mostra uma taxa de falha após cinco anos de seguimento de 3,7 e 24%, respectivamente.22

O tratamento do SUA com o SIU-LNG e a AEBT apresenta vantagens em relacao a histerectomia por serem técnicas menos invasivas e permitirem a preservacao do útero e um retorno mais rápido ao trabalho, além de apresentar uma menor taxa de complicares.23 A histerectomia pode ainda estar associada a uma maior necessidade de outros procedi-mentos em longo prazo, como cirurgias para prolapso genital ou incontinencia urinária.24 Dessa forma, custos adicionais podem ocorrer além dos cinco anos de seguimento previstos neste estudo.

Um ponto forte do presente estudo é a estimativa nao apenas do custo do procedimento em si, mas a inclusao de todos os recursos necessários para o diagnóstico e a definicao da conduta, a feitura do procedimento, assim como o trata-mento das complicares e das falhas. No entanto, os custos de uma forma geral sao estimados e podem sofrer pequenas alteracoes regionais ou institucionais. Ressalta-se ainda a nao existencia do SIU-LNG e da AEBT na tabela de procedimentos do SUS, o que impossibilita um cálculo real dos custos envolvidos, notadamente no preco dos dispositivos.

O sangramento uterino anormal afeta aproximadamente um quarto das mulheres em idade reprodutiva, com impacto negativo em sua saúde, qualidade de vida e capacidade labo-rativa. Trata-se de condicao ginecológica comum que pode ser considerada um problema de saúde pública. Os resultados deste estudo permitem concluir que o uso do SIU-LNG resulta em custos diretos e indiretos menores do que a AEBT e a histerectomia no tratamento do SUA. A custo-efetividade do SIU-LNG aliado a reversibilidade e por ser um procedimento ambulatorial reforca o seu papel no tratamento de mulheres com SUA tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Novos estudos com avaliacao de maior número de pacientes e com outras metodologias de análise de custo sao necessários para confirmar esses dados.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse. referencias

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