Scholarly article on topic 'Associação entre Alinhamento do Joelho, Índice de Massa Corporal e Variáveis de Aptidão Física em Estudantes. Estudo Transversal'

Associação entre Alinhamento do Joelho, Índice de Massa Corporal e Variáveis de Aptidão Física em Estudantes. Estudo Transversal Academic research paper on "Educational sciences"

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Revista Brasileira de Ortopedia
OECD Field of science

Academic research paper on topic "Associação entre Alinhamento do Joelho, Índice de Massa Corporal e Variáveis de Aptidão Física em Estudantes. Estudo Transversal"

Artigo Original

Associaqäo entre Alinhamento do Joelho, Índice de Massa Corporal e Variáveis de Aptidäo Física em Estudantes. Estudo Transversal

Andréia Araújo Souza,1* Gerson Luis de Moraes Ferrari,2 Joäo Pedro da Silva Júnior,3 Leonardo José da Silva,4 Luis Carlos de Oliveira,5 Victor Keihan Rodrigues Matsudo6

Especialista em Adolescencia para Equipe Multidisciplinar; Membro do Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul (CELAFISCS) - Säo Caetano do Sul, SP, Brasil.

2Mestrado em Pediatria e Ciencias Aplicadas a Pediatria pela Universidade Federal de Säo Paulo, (2012); Membro do Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul (CELAFISCS) - Säo Caetano do Sul, SP, Brasil.

3Graduagäo em Educagäo Física pela Universidade Camilo Castelo Branco, Brasil (2006); Membro do Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul, Säo Caetano do Sul, SP, Brasil.

4Mestrado em Ciencias da Saúde pela Universidade Federal de Säo Paulo (2011); Professor de Educagäo Física do Instituto Israelita de Responsabilidade Social (Hospital Albert Einstein), Säo Paulo, SP, Brasil.

5Mestrado em Educagäo Física pela Universidade Säo Judas Tadeu (2006); Professor titular da Universidade Säo Judas Tadeu; Membro do Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul (CELAFISCS), Säo Caetano do Sul, SP, Brasil. 6Especializagäo em Medicina Esportiva pela Universidade de Säo Paulo, Brasil (1976); Livre Docente pela Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Trabalho feito no Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul (CELAFISCS), SP, Brasil. Todos os autores säo membros do Centro de Estudos do Laboratorio de Aptidäo Física de Säo Caetano do Sul (CELAFISCS).

RESUMO

Objetivo: Verificar associaçâo entre o mau alinhamento de joelhos (geno valgo) e variáveis de aptidao física em estudantes. Métodos: Foram analisados dados coletados entre 2000 a 2009. A amostra foi composta por 1.141 estudantes de ambos os sexos, de 6 a 18 anos. Para participar da pesquisa os estudantes deveriam atender os seguintes critérios: ter entre 6 e 18 anos e uma avaliaçâo completa da aptidao física, incluindo a medida de geno valgo. O valgismo foi determinado pela distancia intermaleolar, com régua em centímetros. Já para a classificaçâo do Índice de Massa Corporal (IMC) usaram-se as curvas de crescimento da Organizaçâo Mundial da Saúde e as variáveis de aptidao física analisadas (força de membros inferiores e superiores, agilidade, velocidade e flexibilidade) seguiram a padronizaçâo CELAFISCS. Resultados: No sexo masculino foi encontra uma prevalência de 23,2% de obesos, 44,4% com excesso de peso e 32,4% eutróficos. Entre o sexo feminino, 30,9% eram obesas, 39,5% com excesso de peso 39,5% e 20,6% eutróficas. Quando analisada a prevalência de valgismo de acordo com as classificaçôes do IMC, foi encontrada associaçâo positiva e significativa em ambos os sexos. Foi encontrada associaçâo entre geno valgo à força de membros superiores

*Autor para correspondencia: Rua Heloisa Pamplona, 269, sala 31. CEP 09520-320. Bairro Fundagao, Sao Caetano do Sul. Sao Paulo, Brasil. Tel: (55-11) 4229-8980 e 4229-9643. E-mail: celafiscs@celafiscs.org.br

ISSN/$-see front matter © 2013 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatología. Publicado pela Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados. doi: 10.1016/j.rbo.2011.10.001

INFORMAÇÔES SOBRE O ARTIGO

Histórico do artigo:

Recebido em 15 de setembro de 2011 Aprovado em 25 de outubro de 2011

Palavras-chave: Geno valgo Aptidao física Criança

apenas na análise bruta. As demais variáveis nao apresentaram associagäo. Conclusao: Houve associagäo positiva entre mau alinhamento dos joelhos, índice de massa corporal e aptidao física em estudantes.

© 2013 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Publicado pela Elsevier Editora

Ltda. Todos os direitos reservados.

Association between knee alignment, Body Mass Index and Physical Fitness Variables among Students. A Cross-sectional Study

ABSTRACT

Keywords: Genu Valgum Physical Fitness Child

Objective: To assess the association between malalignment of the knees (genu valgum) and variables of physical fitness among schoolchildren. Methods: We analyzed data collected between the years 2000 to 2009. The sample comprised 1,141 schoolchildren of both sexes aged 06 to 18 years. To participate in the research, the students must meet the following criteria: age between 6 and 18 years and a full assessment of physical fitness, including measurement of genu valgus in at least one of the semester assessments. Postural evaluation (valgus) was determined by the intermalleolar distance, in centimeter. Body Mass Index (BMI) determined through the growth curves of the World Health Organization. Physical fitness variables (strength of upper and lower limbs, agility, speed and flexibility), were taken according to CELAFISCS standardization. Results: Among male students it was found a prevalence of 23.2% obese, 44.4% overweight and 32.4% eutrophic. Among females, the values were: 30.9% obese, overweight 39.5% and 20.6% eutrophic. When analyzing the prevalence of valgus according to the BMI classifications it was, found a significant positive association in both sexes. Association was found between genu valgum and upper limbs strength only in crude analysis. The other variables, agility, speed and flexibility were not associated even when the analysis was adjusted. Conclusion: there was a positive association between malalignment of the knees, body mass index and physical fitness among schoolchildren.

© 2013 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Published by Elsevier Editora

Ltda. All rights reserved.

Introdujo

Dados mundiais demonstram o aumento da prevalencia de obesidade nao só entre a populagáo adulta, mas também entre jovens e adolescentes.1 Esse aumento, entre outras causas, está fortemente associado a dois principais fatores: baixos níveis de atividade física e aumento na ingestáo de alimentos altamente calóricos.2'3

A prática regular de atividade física pode influenciar de maneira positiva os níveis de aptidao física,4 mas alteragoes biomecánicas e/ou posturais, como o mau alinhamento dos joelhos, parecem ser uma das possíveis causas que poderiam limitar engajamento dos indivíduos em atividades físicas, pois, além de alteragoes locais próprias, podem acometer outras articulagoes e limitar a capacidade ao exercício.5

Um dos desvios que mais acometem criangas e jovens é o geno valgo. Esse desalinhamento do joelho é definido como o afastamento dos joelhos em relagáo ao eixo proximal do corpo, sendo mais prevalente entre meninas e em casos com graus elevados pode influenciar diretamente o desempenho em variáveis neuromotoras da aptidao física, como velocidade, agilidade, e também antropométricas, como adiposidade corporal.6

Existem algumas hipóteses sugerindo que indivíduos com excesso de peso e obesidade teriam maiores probabilidades de

desvios posturais (geno valgo).7'8 Por outro lado, outros autores sugerem que graus mais elevados de geno valgo poderiam oferecer implicaçoes para a manutençâo de um estilo de vida fisicamente ativo, com isso aumentando as chances de apresentarem peso acima do esperado.9

O objetivo do presente estudo foi analisar a associaçâo entre o geno valgo, índice de massa corporal e aptidâo física em estudantes da rede pública de ensino.

Métodos

O presente estudo faz parte do Projeto Misto-Longitudinal de Crescimento e Desenvolvimento de Ilhabela, desenvolvido pelo CELAFISCS desde 1978, que estuda o impacto do processo de crescimento e desenvolvimento nas variáveis de aptidâo física de crianças do municipio de Ilhabela (Sâo Paulo, Brasil).

Esse projeto faz uma avaliaçâo semestral, sempre em abril e outubro, incluindo medidas antropométricas, metabólicas, neuromotoras, nutricionais e mais recentemente do nivel de atividade física.

Para compor a amostra deste estudo, foi analisado um banco de dados com mais de 3.500 crianças e adolescentes de ambos os sexos que participaram das avaliaçoes entre 2000 e 2009. Dessas, 1.141 atenderam aos critérios de inclusâo adotados:

ter de 6 a 18 anos e uma avaliaçâo completa da aptidâo física, incluindo a medida de geno valgo. O projeto foi aprovado pelo Comité de Ética da Universidade Federal de Sâo Paulo, sob o protocolo 0056/10.

O desalinhamento do joelho (geno valgo) foi avaliado com os estudantes em posiçâo ortostática, com observaçâo no sentido póstero-anterior, usando uma régua graduada em centímetros, medindo a distância intermaleolar (DIM) em centímetros (cm) conforme preconizado por Heath e Staheli.10

A medida da massa corporal foi obtida mediante o uso de balança digital com precisâo de 100 gramas, com o indivíduo trajando o mínimo de roupas possível. A estatura foi determinada com o uso de estadiômetro em centímetros e calculada pela média de trés medidas. Para o cálculo do índice de massa corporal (IMC) foram usadas as duas medidas acima citadas, classificando os indivíduos em eutróficos, excesso de peso e obesos, a partir dos critérios propostos pela Organizaçâo Mundial da Saúde.11

A força de membros inferiores (MMII) foi obtida mediante o teste de impulsâo vertical sem auxílio dos membros superiores (cm), sendo feitas trés tentativas. Para aferiçâo da força de membros superiores (MMSS) foi usado o teste de preensâo manual com dinamómetro (kg). Já a variável agilidade foi mensurada pelo teste "shuttle run (segundos)" com duas tentativas e como teste de velocidade foi usada a corrida de 50 metros (segundos) com uma única tentativa. A flexibilidade foi estimada (cm) pelo teste de sentar e alcançar.12

Todas as medidas e testes seguiram a padronizaçâo do CELAFISCS13 e levaram em consideraçâo o melhor resultado de cada teste.

Os valores de reprodutibilidade e objetividade de cada medida feita entre os anos variaram de 0,96 a 0,99 para massa corporal, 0,97 a 0,99 para estatura, 0,51 a 0,97 para força de membros superiores, 0,62 a 0,92 para força de membros inferiores, 0,58 a 0,89 para agilidade, 0,61 a 0,91 para flexibilidade e 0,58 a 0,92 para a velocidade, respectivamente.

Análise estatística

Análises descritivas foram detalhadas por meio de números absolutos e proporçoes para dados categóricos. Análises bivariadas entre o nível de atividade física e variáveis independentes foram conduzidas com o uso dos testes de qui-quadrado para heterogeneidade (variáveis categóricas) e de tendéncia linear (variáveis ordinais). Para análise das variáveis de aptidâo física, foram criados "tercis" crescentes, por falta de critérios de classificaçâo das variáveis usadas no presente estudo.

Análises ajustadas para possíveis fatores de confusâo foram feitas por meio da regressâo de Poisson com ajuste robusto da variância,14 sendo que a seleçâo de variáveis foi conduzida pelo tipo "buttom-down".15 Foram mantidas no modelo final de análise as variáveis com valor p < 0,20. O nível de significância usado foi de p < 0,05. Todas as análises foram conduzidas por meio do pacote estatístico Stata versâo 10.0.

Resultados

Os 1.141 indivíduos que preencheram os critérios de inclusâo forneceram dados para o presente estudo. A idade média da amostra foi 11,16 ± 2,65 anos (meninos 11,25 ± 2,74 e meninas 11,09 ± 2,57) e em relaçâo ao IMC, a média foi de 18,17 ± 3,27 kg/m2 (meninos 17,92 ± 3,19 kg/m2 e meninas 18,37 ± 3,31 kg/m2).

Após ajuste para idade e sexo, meninas apresentaram prevaléncia de obesidade de 45% (IC 95% 1,21 - 1,74) maior se comparadas as eutróficas, enquanto que a prevaléncia entre os meninos foi de 34% (IC 95% 1,08 - 1,66) maior (Tabela 1).

A Tabela 2 apresenta a descriçâo da amostra para todas as variáveis independentes e sua associaçâo com o geno valgo. A prevaléncia de geno valgo encontrada foi de 56,6% (IC 95% 53,7 - 59,4). No sexo feminino a prevaléncia encontrada foi de 59,2% e entre o sexo masculino, de 53,6%.

Das meninas, 20,6% foram classificadas como eutróficas, 39,5% como excesso de peso e 30,9% como obesas. Entre os indivíduos do sexo masculino os valores encontrados foram 32,4% eutróficos, 44,4% com excesso de peso e 23,2% de obesos.

Quando analisadas as associaçoes com o grau de geno valgo, indivíduos que obtiveram melhor desempenho no teste de força de membros inferiores apresentaram menor prevaléncia de mau alinhamento dos joelhos (p < 0,001).

A Tabela 3 mostra as análises brutas e ajustadas da associaçâo entre o geno valgo e as variáveis independentes. Após o ajuste para as variáveis de confusâo, o geno valgo mostrou-se associado à idade e IMC, apresentando o grupo obeso uma prevaléncia 40% (IC 95% 1,22 -1,60) maior se comparado aos eutróficos.

Tabela 1 - Análise multivariada da associaqao entre o geno valgo e índice de massa corporal estratificada por sexo de estudantes do municipio de Ilhabela.

Variáveis RP Bruta p RP ajustada** p

(IC 95%) (IC 95%)

Meninos

IMC < 0,002 * 0,007 *

Eutróficos 1,0 1,0

Excesso de peso 1,17 (0,95 - 1,43) 1,15 (0,94 - 1,45)

Obesos 1,40 (1,13 - 1,17) 1,34 (1,08 - 1,66)

Meninas

IMC < 0,001 * < 0,001 *

Eutróficas 1,0

Excesso de peso 1,22 (1,02 - 1,47)

Obesas 1,48 (1,24 - 1,77)

* teste de Wald para heterogeneidade; "ajustada para idade

e sexo.

1,21 (1,01 -

1,46) 1,45 (1,21 -1,74)

Tabela 2 - Alinhamento do joelho segundo as variáveis independentes de estudantes da rede municipal de ensino do municipio de Ilhabela, Sao Paulo.

Variáveis N (%) Geno valgo (%) P

Idade 0,007 *

6 a 10 425 (37,2) 262 (40,6)

11 a 14 577 (50,6) 317 (49,1)

15 a 18 IMC 139 (12,2) 139 (12,2) <0,001

Normal 349 (30,9) 164 (25,59)

Excesso de peso 473 (41,8) 266 (41,50)

Obeso 309 (27,3) 211 (32,9)

Sexo 0,05

Feminino 613 (53,7) 363 (56,2)

Masculino 528 (46,3) 283 (43,8)

Força MMII <0,001

1o tercil 376 (33,8) 231 (37,0)

2o tercil 408 (36,7) 236 (37,8)

3o tercil 327 (29,4) 158 (25,3)

Força MMSS 0,08

1o tercil 382 (33,9) 226 (35,5)

2o tercil 371 (33,01) 218 (34,2)

3o tercil 371 (33,01) 193 (33)

Flexibilidade 0,85

1o tercil 375 (33,4) 213 (35)

2o tercil 422 (37,5) 242 (30)

3o tercil 327 (29,1) 181 (28,46)

Agilidade 0,44

1o tercil 377 (33,9) 209 (33,2)

2o tercil 388 (34,9) 230 (36,5)

3o tercil 346 (31,1) 191 (30,32)

Velocidade 0,12

1o tercil 384 (35,7) 202 (33,5)

2o tercil 347 (32,3) 195 (32,3)

3o tercil 343 (31,9) 206 (34,2)

*p < 0,05.

Tabela 3 - Análise multivariada da associaçao entre o geno valgo e variáveis independentes de estudantes do municipio de Ilhabela, SP.

Variáveis RP bruta (IC 95%) P RP ajustada (IC 95%) P

Idade*** <0,001 * 0,007 *

6 a 10 1,0 1,0

11 a 14 0,89 (0,80-0,99) 0,89 (0,80-0,99)

15 a 17 0,78 (0,65-0,94) 0,78 (0,65-095)

IMC** <0,001 * <0,001 *

Eutrófico 1,0 1,0

Excesso de peso 1,20 (1,04-1,37) 1,18 (1,03-1,36)

Obeso 1,45 (1,27-1,66) 1,40 (1,22-1,60)

Sexo**** 0,06* 0,06*

Feminino 1,0 1,0

Masculino 0,90 (0,81-1,00) 0,91 (0,82-1,00)

Força MMII** 0,09* 0,07*

1o tercil 1,0 1,0

2o tercil 1,00 (0,85-1,17) 1,03 (0,87-1,21)

3o tercil 0,84 (0,76-0,94) 0,90 (0,79-1,01)

Força MMSS** 0,05* 0,70*

1o tercil 1,0 1,0

2o tercil 0,99 (0,88-1,12) 1,08 (0,95-1,24)

3o tercil 0,88 (0,77-0,99) 1,03 (0,87-1,23)

Velocidade** 0,04* 0,84*

1o tercil 1,0 1,0

2o tercil 1,07 (0,93-1,22) 0,98 (0,86-1,15)

3o tercil 1,14 (1,01-1,30) 1,01 (0,87-1,18)

* teste de Wald para heterogeneidade; ** ajustada para idade e sexo; *** ajustada para sexo; **** ajustado para idade.

Foi encontrada associaçao entre geno valgo com força de membros superiores apenas na análise bruta. As demais variáveis, agilidade, velocidade, força de membros inferiores e flexibilidade, nao apresentaram associaçao mesmo quando a análise foi ajustada (Tabela 3).

A Fig. 1 apresenta a re^äo entre os graus de geno valgo (percentil) e do índice de massa corporal. A propo^äo de indivíduos classificados no percentil > 75 foi maior entre os obesos (p < 0,001). O índice de massa corporal mais baixo (eutróficos) apresentou associaçäo siginificativa com menor grau de geno valgo, ou seja, quanto maior o grau de valgo, maior a obesidade e, reciprocamente, quanto menor o valgismo, menor o grau de adiposidade.

F25 P50 P75

Geno ValflOi'crn

Id EutrbficD □ F di Fcid sr ОЪгю

Fig.1 - Associaçao entre graus de geno valgo e índice de massa corporal em estudantes, Ilhabela, SP.

Discussao

O Projeto Longitudinal de Crescimento, Desenvolvimento e Aptidáo Física de estudantes de Ilhabela propiciou o surgimento de uma linha original e importante de abordagem da postura que procura relacionar desvios posturais com desempenho motor, características antropométricas, neuromotoras, metabólicas e de atividade física. Os resultados encontrados no presente estudo mostraram associagáo significativa entre geno valgo e as variáveis de aptidáo física de estudantes de ambos os sexos de Ilhabela. Além do estudo atual, outros autores9,16117 também fizeram projetos de pesquisa com os estudantes de Ilhabela mostrando a relagáo da aptidáo física com a distáncia intermaleolar e intercondilar de estudantes de Ilhabela.

Estudo que analisou 274 estudantes de ambos os sexos, com idade de 7 a 18 anos, encontrou associagáo significativa entre os graus de geno valgo e variáveis da aptidáo física (massa corporal, agilidade e velocidade)9. No mesmo estudo, a prevalencia de geno valgo encontrada foi de 68,6% e os autores verificaram que aqueles jovens que apresentavam maiores graus de valgo tinham déficit de 10% em provas de velocidade.

Já Martinelli et al.18 encontraram uma prevalencia de 87% de geno valgo em criangas com excesso de peso de 5 a 9 anos de ambos os sexos. Os autores náo encontraram diferenga estatística entre os sexos. Para Gomes et al.,19 a prevalencia de geno varo e valgo variou ao longo das idades, tendo relagáo com as diferentes etapas do desenvolvimento.

Já para Cardoso et al.,5 Gomes et al.,19 MacMahon et al.20 e Arazi et al.,21 além de o alinhamento do joelho (valgo, varo ou neutro) variar com a idade em crianças normais, a prevaléncia do geno valgo é maior na infância, principalmente entre 2 e 6 anos, sendo que graus elevados de geno valgo podem oferecer implicaçoes para a manutençâo de um estilo de vida fisicamente ativo em crianças e adolescentes. Com isso aumentariam as chances de apresentarem peso acima do esperado, hipótese apoiada pelos achados do presente estudo.

Joâo et al.22 mediram a angulaçâo dos joelhos com o uso do goniômetro e a distância entre os maléolos com uma fita métrica, em um estudo feito com 79 crianças entre 7 e 10 anos. Os autores observaram que o grupo de obesos apresentou maior prevaléncia de joelho valgo nos dois métodos de avaliaçâo.

Um estudo de revisâo de literatura demonstrou que as deformidades em valgo e varo do joelho podem determinar disfunçoes nos membros inferiores que tém consequéncias importantes nas atividades da vida diária, como caminhar, sentar e levantar-se, subir e descer escadas.23,24

É de extrema relevância salientar que os resultados apresentados no presente estudo e de trabalhos feitos até o presente momento9,16,24,25 apenas mostram uma relaçâo entre a distância intermaleolar e intercondilar com a obesidade e com as variáveis de aptidâo física de crianças e adolescentes.

Para alguns autores,23,26 é evidenciado que adolescentes obesos tém alteraçoes ortopédicas localizadas, principalmente nos membros inferiores, como o geno valgo. Jannini et al.23 fizeram uma pesquisa transversal com adolescentes eutróficos e obesos. Os autores concluíram que a obesidade pode causar danos ao sistema osteoarticular no início da adolescéncia.

Para Calvete,27 a obesidade provoca sobrecargas mecânicas no aparelho locomotor, desalinhamento postural com anteriorizaçâo do centro de massa, levando a alteraçoes funcionais dos membros inferiores e a um aumento das necessidades mecânicas para adaptaçâo do novo esquema corporal. Yaniv et al.28 fizeram uma pesquisa com jovens atletas. Os autores verificaram maior alteraçâo postural nos atletas mais velhos do que nos mais jovens, podendo indicar que a ocorréncia de alteraçâo no alinhamento dos membros inferiores pode ser decorrente da prática esportiva. Porém os autores deixam claro que é necessário que sejam feitas mais pesquisas com diferentes métodos para obter uma visâo mais ampla a respeito da deformidade do eixo em funçâo da causa.

Para Matsudo6 e Garcia et al.,9 o geno valgo foi mais prevalente nas meninas, que pode ser nos casos mais leves fisiológico, mas que nos casos mais intensos e na adolescéncia tem implicaçâo direta na aptidâo antropométrica e neuromotora, particularmente na adiposidade e na corrida de 50 m.

Os autores consideram que o presente estudo tem algumas limitaçoes: falta de critério de classificaçâo do geno valgo, estudo de coorte transversal que nâo permite estabelecer uma relaçâo de causa-efeito, além de nâo ter controlado a maturaçâo biológica e a idade, fato importante em decorréncia de que desvios posturais de membros inferiores sofrem modificaçoes com o passar dos anos.

11. De Onis M, Onyango AW, Borghi E, Siyam A, Nishida C,

Conclusäo

Dentro das limitagöes de um estudo transversal, os presentes achados confirmam a hipótese de uma associagäo positiva entre mau alinhamento dos joelhos, índice de massa corporal e aptidäo física em estudantes. Säo necessárias mais pesquisas com delineamentos apropriados que possam evidenciar uma possível relagäo causa-efeito entre as variáveis analisadas no presente estudo.

Conflitos de interesse

Os autores declaram inexistencia de conflito de interesses na feitura deste trabalho.

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