Scholarly article on topic 'Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar'

Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar Academic research paper on "Educational sciences"

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{Obesidade / Peso / "Índice de massa corporal" / Gravidez / "Complicações na gravidez" / Obesity / "Body weight" / "Body mass index" / Pregnancy / "Pregnancy complications"}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Eva Gomes, Ana Lúcia Soares, Rui Campos

Resumo Objetivos Descrever os perfis de peso das mulheres grávidas, utentes da unidade de saúde familiar (USF), determinando a prevalência de grávidas obesas, com excesso de peso (EP), normopeso ou baixo peso antes da conceção e final da gravidez. Descrever as principais complicações em cada um dos grupos. População e métodos Estudo observacional, descritivo e transversal realizado na USF Nova Via. A população em estudo incluiu todas as grávidas cujo parto ocorreu entre 1 de março de 2010 e 31 de dezembro de 2010, com pelo menos 7 consultas de Saúde Materna na USF. Os dados foram colhidos em setembro de 2011 através da consulta do processo clínico, recorrendo aos programas informáticos SINUS® e SAM®. As variáveis estudadas foram a idade, número de gestações, paridade, existência de consulta de pré-conceção, IMC na última consulta antes da gravidez, aumento de peso durante a gestação, complicações na gravidez, peso ao nascimento do recém-nascido e prematuridade. Resultados Oitenta e oito grávidas cumpriam os critérios de inclusão: 22,7% com EP, 14,8% com obesidade e 1,1% com baixo peso. Na gravidez, 50% das primeiras e 30,8% das segundas aumentaram de peso mais do que o recomendado. As complicações foram mais comuns nas grávidas inicialmente obesas/EP (total 27,3%: 9,1% com diabetes gestacional, 9,1% com pré-eclâmpsia) do que nas inicialmente normoponderais (total 9,3%: 7,4% com diabetes gestacional). O número de cesarianas foi superior nas inicialmente obesas, bem como o número de partos pré-termo. Conclusão A prevalência de mulheres que eram obesas/EP ao engravidar é considerável, dessas, uma importante percentagem teve um ganho ponderal superior ao recomendado. Assim, como o controlo nutricional é difícil de obter, importa implementar medidas para o acompanhamento adequado, investindo nas consultas de pré-conceção, na educação para a saúde e, possivelmente, rastreando as mulheres de risco para um melhor seguimento e possível orientação para nutrição. Abstract Objectives To describe the weight profiles of pregnant women, users of the Family Health Unit (Unidade de Saúde Familiar – USF). To determine the prevalence of obese, overweighted, normal-weighted or underweighted pregnant women before conceiving and at the end of pregnancy. To describe the main complications of each group. Population and methods Observational descriptive cross-sectional study, carried out at USF Nova Via. The study population included all pregnant women whose delivery occurred between 1/3/2010 and 31/12/2010, with at least 7 Maternal Health consults at USF. Data was collected in 9/2011 by consulting clinical process, using the software SINUS® and SAM®. The studied variables were age, number of gestations and deliveries, presence of pre-conceiving. The Consultation, BMI at last visit before pregnancy, weight gain during pregnancy, pregnancy complications, newborn's birth weight and prematurity. Results 88 pregnant women fulfilled the inclusion criteria: 22.7% with overweight, 14.8% with obesity and 1.1% underweighted. During pregnancy, 50% of the initially overweighted and 30.8% of the initially obese gained weight more than recommended. Complications were more common in pregnant women initially overweighted/obese (total 27.3%: 9.1% with gestational diabetes, 9.1% with pre-eclampsia) than those initially normal-weighted (9.3% total: 7.4% with gestational diabetes). The number of caesarean sections and preterm births was higher in those initially obese. Conclusion The prevalence of women that get pregnant and are obese/overweight is considerable, and a significant proportion gain weight more than recommended. Therefore, as nutritional control is difficult to obtain, it is important to implement measures for proper follow-up, investing in pre-conceiving consults, in health education, and eventually screening the women at risk, for a better follow-up and eventual nutritional counseling.

Academic research paper on topic "Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar"

Revista Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo

www.elsevier.pt/rpedm

Artigo original

Obesidade e gravidez: conhecer para atuar precocemente? A realidade numa unidade de saúde familiar

Eva Gomes *, Ana Lucia Soares e Rui Campos

Unidade de Saúde Familiar (USF) Nova Via - ACES Espinho/Gaia, Vila Nova de Gaia, Portugal

INFORMADO SOBRE O ARTIGO

Historial do artigo: Recebido a 6 de junho de 2012 Aceite a 8 de agosto de 2012 On-line a 30 de julho de 2013

Palavras-chave:

Obesidade

Índice de massa corporal Gravidez

Complicacoes na gravidez

RESUMO

Keywords: Obesity Body weight Body mass index Pregnancy

Pregnancy complications

Objetivos: Descrever os perfis de peso das mulheres grávidas, utentes da unidade de saúde familiar (USF), determinando a prevalencia de grávidas obesas, com excesso de peso (EP), normopeso ou baixo peso antes da concecao e final da gravidez. Descrever as principais complicacoes em cada um dos grupos. Populafáo e métodos: Estudo observacional, descritivo e transversal realizado na USF Nova Via. Apopulacao em estudo incluiu todas as grávidas cujo parto ocorreu entre 1 de marco de 2010 e 31 de dezembro de 2010, com pelo menos 7 consultas de Saúde Materna na USF. Os dados foram colhidos em setembro de 2011 através da consulta do processo clínico, recorrendo aos programas informáticos SINUS® e SAM®. As variáveis estudadas foram a idade, número de gestacoes, paridade, existencia de consulta de pré-concecao, IMC na última consulta antes da gravidez, aumento de peso durante a gestacao, complicates na gravidez, peso ao nascimento do recém-nascido e prematuridade. Resultados: Oitenta e oito grávidas cumpriam os critérios de inclusao: 22,7% com EP, 14,8% com obesidade e 1,1% com baixo peso. Na gravidez, 50% das primeiras e 30,8% das segundas aumentaram de peso mais do que o recomendado. As complicates foram mais comuns nas grávidas inicialmente obesas/EP (total 27,3%: 9,1% com diabetes gestacional, 9,1% com pré-eclampsia) do que nas inicialmente normoponderais (total 9,3%: 7,4% com diabetes gestacional). O número de cesarianas foi superior nas inicialmente obesas, bem como o número de partos pré-termo.

Conclusao: A prevalencia de mulheres que eram obesas/EP ao engravidar é considerável, dessas, uma importante percentagem teve um ganho ponderal superior ao recomendado. Assim, como o controlo nutricional é difícil de obter, importa implementar medidas para o acompanhamento adequado, inves-tindo nas consultas de pré-concecao, na educacao para a saúde e, possivelmente, rastreando as mulheres de risco para um melhor seguimento e possível orientacao para nutricao.

© 2012 Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Publicado por Elsevier

España, S.L. Todos os direitos reservados.

Obesity and pregnancy: Learn to act early - Reality in a family health unit

ABSTRACT

Objectives: To describe the weight profiles of pregnant women, users of the Family Health Unit (Unidade de Saúde Familiar - USF). To determine the prevalence of obese, overweighted, normal-weighted or underweighted pregnant women before conceiving and at the end of pregnancy. To describe the main complications of each group.

Population and methods: Observational descriptive cross-sectional study, carried out at USF Nova Via. The study population included all pregnant women whose delivery occurred between 1/3/2010 and 31/12/2010, with at least 7 Maternal Health consults at USF. Data was collected in 9/2011 by consulting clinical process, using the software SINUS® and SAM®. The studied variables were age, number of gestations and deliveries, presence of pre-conceiving. The Consultation, BMI at last visit before pregnancy, weight gain during pregnancy, pregnancy complications, newborn's birth weight and prematurity. Results: 88 pregnant women fulfilled the inclusion criteria: 22.7% with overweight, 14.8% with obesity and 1.1% underweighted. During pregnancy, 50% of the initially overweighted and 30.8% of the initially obese gained weight more than recommended. Complications were more common in pregnant women initially overweighted/obese (total 27.3%: 9.1% with gestational diabetes, 9.1% with pre-eclampsia) than those initially normal-weighted (9.3% total: 7.4% with gestational diabetes). The number of caesarean sections and preterm births was higher in those initially obese.

* Autor para correspondencia. Correio eletrónico: eva.spgomes@gmail.com (E. Gomes).

1646-3439/$ - see front matter © 2012 Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Publicado por Elsevier España, S.L. Todos os direitos reservados. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpedm.2012.01.001

Conclusion: The prevalence of women that get pregnant and are obese/overweight is considerable, and a significant proportion gain weight more than recommended. Therefore, as nutritional control is difficult to obtain, it is important to implement measures for proper follow-up, investing in pre-conceiving consults, in health education, and eventually screening the women at risk, for a better follow-up and eventual nutritional counseling.

© 2012 Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Published by Elsevier España,

S.L. All rights reserved.

Introdufao

A prevalencia da obesidade tem vindo a aumentar ao longo dos anos, bem como as suas comorbilidades, constituindo um importante problema de saúde pública. Atinge toda a populado, embora

0 impacto nos mais jovens seja cada vez maior.

Atualmente estima-se que em Portugal 34,4% das mulhe-res tenha excesso de peso e 13,4% sejam obesas1. As mulheres obesas em idade fértil tem maior prevalencia de amenorreia e infertilidade2.

A obesidade pode ser desencadeada ou agravada pela gravidez3. Quando está presente na gravidez, a obesidade está definitivamente associada a um risco aumentado de desfechos adversos durante a gestacao, associando-se a maior risco de complicacoes maternas e perinatais, nomeadamente diabetes gestacional (DG), hipertensao arterial (HTA) induzida pela gravidez, pré-eclampsia, eclampsia, fenómenos tromboembólicos, infecoes urinárias, parto pré-termo, partos distócicos, cesarianas, malformacoes fetais, macrossomia fetal, morte fetal, hemorragia macica pós-parto, infecao puerperal, morte materna, entre outras4-6. No entanto, estas complicacoes e as suas consequencias podem ser prevenidas.

Está provado que as grávidas obesas e com excesso de peso (EP) devem ser encorajadas a perder peso antes de engravidar, reforcando a importancia das consultas pré-concecionais.Também durante a gestacao e no pós-parto a prevencao tem um importante papel, na medida em que pode ajudar a evitar as consequencias a longo prazo, estando provado que o ganho de peso adequado durante a gestacao está associado a um melhor desfecho materno e fetal.

Além das complicacoes maternas e perinatais, o excessivo aumento de peso materno também está associado a maior retencao de peso no pós-parto, bem como a maior risco de obesidade futura, acarretando desta forma problemas de saúde futuros para a mulher, nomeadamente alteracoes do metabolismo dos lípidos, HTA ou diabetes mellitus tipo 27.

O médico de familia tem assim um papel ativo e preponderante para a obtencao de ganhos em saúde através da implementacao e incentivo de medidas preventivas e de combate da obesidade.

Desta forma, o objetivo deste estudo foi determinar a prevalencia de grávidas obesas e com excesso de peso na Unidade de Saúde Familiar (USF) Nova Via, caracterizar as grávidas da USF Nova Via quanto ao seu perfil de peso e verificar as principais complicacoes ocorridas na gravidez e parto por perfil de peso.

Metodología

Estudo observacional, descritivo e transversal que decorreu entre junho e outubro de 2011 na USF Nova Via.

As grávidas inscritas na USF Nova Via, cujo parto ocorreu entre

1 de marico e 31 de dezembro de 2010 constituíram a populacao estudada.

Os critérios de inclusao foram: a) parto ocorrido entre 1 de marco de 2010 e 31 de dezembro de 2010; b) ter tido 7 ou mais consultas de Saúde Materna (SM) na USF durante a gravidez de que resultou o parto em questao; c) primeira consulta de SM até as 11 semanas e 6 dias de gestacao; d) última consulta de SM após as 35 semanas e 6 dias de gestacao (se gestacao de termo) ou 4 semanas antes

do parto (se parto pré-termo). Constituíram critérios de exclusao a indisponibilidade dos dados relativos a pelo menos um dos seguin-tes parametros: a) peso na primeira consulta de SM; b) peso na última consulta de SM.

Os dados foram obtidos a partir dos processos clínicos, cujas fontes foram os programas informáticos SAM - Sistema de Apoio ao Médico® v.10.0 (ficha de identificacao do utente, programa de SM, programa de saúde infantil e juvenil) e SINUS®.

Os dados foram recolhidos em setembro de 2011 e registados, pelos autores, numa base de dados eletrónica elaborada pelos mes-mos no software Excel Microsoft Office 2007®.

As variáveis em estudo foram:

a) idade - variável universal;

b) número de gestacoes - variável quantitativa discreta, definida como o número de gestacoes incluindo a gestacao de que resultou o parto entre marco e dezembro de 2010;

c) paridade - variável quantitativa discreta, definida como o número de partos prévios ao ocorrido entre marco e dezembro de 2010;

d) índice de massa corporal (IMC) na primeira consulta de SM - variável composta, definida pelo cálculo do rácio peso/altura2 (kg/m2) e classificada em 1) «obesidade» se 1MC> 30 kg/m2; 2) «EP» se 25 <1MC<30 kg/m2; 3) «normopeso» se 18,5 <1MC<25 kg/m2; 4) «baixo peso» se 1MC< 18,5 kg/m2;

e) aumento de peso na gestacao - variável composta, definida pela diferenca entre o peso aferido na última consulta de SM e o peso aferido na primeira consulta de SM (kg) e classificada em 1) «aumento de peso superior ao esperado»; 2) «aumento de peso dentro do esperado»; 3) «aumento de peso abaixo do esperado» conforme apresentado na tabela 1;

f) complicacoes na gravidez - variável qualitativa nominal, definida como as complicacoes ocorridas na gravidez/parto que podem estar relacionadas com o peso da grávida (foram colhidas todas as complicacoes ocorridas que cumprem a definicao de f) e obtiveram-se casos de diabetes gestacional, pré-eclampsia, hemorragias uterinas e alteracoes do líquido amniótico);

g) tipo de parto - variável qualitativa nominal, classificada em 1) eutócico; 2) cesariana; 3) ventosa; ou 4) fórceps;

h) peso ao nascimento do recém-nascido (RN) - variável quantitativa contínua, definida como o peso (gr) aferido ao nascimento e classificada em 1) «baixo peso» se peso < 2.500 gr; 2) «peso adequado» se peso entre > 2.500gr e <4.000 gr; 3) «peso elevado» se peso > 4.000 gr;

i) prematuridade - variável quantitativa contínua, definida pela idade gestacional (IG) ao nascimento (semanas + dias) e classificada em 1) «recém-nascido de termo» se IG > 37 semanas; 2) «recém-nascido pré-termo» se IG < 37 semanas.

Os dados recolhidos e registados em base de dados foram analisados utilizando o software Excel Microsoft Office® 2007.

As variáveis categorizadas sao apresentadas como frequencia (percentagem).

Resultados

Das 134 grávidas inscritas na USF Nova Via no período em estudo, 88 (65,7%) cumpriam os critérios de inclusao. Tinham 29,3

Tabela 1

Critérios de definiçao da variável «aumento de peso na gestaçao»*

IMC na 1.a consulta de SM Aumento de peso superior ao esperado Aumento de peso dentro do esperado Aumento de peso abaixo do esperado

«Obesidade» >9kg [5-9] kg <5 kg

«Excesso de peso» >11,5 kg [7-11,5] kg <7kg

«Normopeso» >16 kg [11,5-16] kg <11,5 kg

«Baixo peso» >18 kg [12,5-18] kg < 12,5 kg

* Fonte:8.

anos de idade média, uma média de 1,7 gestaçoes e uma média de 0,4 partos prévios.

Na primeira consulta de SM, a avaliaçao do IMC distribuiu-se de acordo com os resultados apresentados na figura 1, onde 14,8% das grávidas eram obesas e 22,7% tinham EP.

A avaliaçao da evoluçao do peso durante a gravidez, que foi feita tendo em conta o IMC aferido na primeira consulta de SM, mostrou que 50% (10) das grávidas inicialmente com EP e 30,8% (4) das inici-almente obesas aumentaram de peso mais do que o recomendado. Das grávidas inicialmente com normopeso apenas 7,8% (4) apresen-taram um aumento de peso superior ao recomendado. Os perfis de evolucao de peso verificados estao apresentados nas figuras 2 a 4.

Das grávidas com normopeso na 1.a consulta de SM (54), 3 tive-ram uma gravidez gemelar. Nestas gravidezes a evolucao ponderal rege-se por parámetros diferentes. Por serem apenas 3 grávidas, os autores optaram por excluí-las da avaliacao da evolucao de peso e da avaliacao das complicacoes da gravidez/parto.

A única grávida com baixo peso na 1.a consulta de SM evoluiu de peso de acordo com o recomendado para o seu IMC inicial.

Globalmente, as complicacoes observadas durante a gravidez foram mais comuns nas grávidas inicialmente obesas/EP (27,3%) do que nas inicialmente normoponderais (11,2%). A hemorragia do 1.° trimestre constituiu a única excecao, tendo sido ligeiramente mais frequente neste último grupo (0 versus 1,9%). Estes resultados sao apresentados de forma mais detalhada na figura 5.

1,1% (1)

IMC na 1.a consulta

■ Obesidade

□ Excesso de Peso

■ Normopeso

■ Baixo Peso

Aumento > 9 kg (mais do que esperado) | Aumento entre 5-9 kg (normal)

Aumento < 5 kg (abaixo do esperado)

Figura 2. Evolucao do peso nas grávidas com obesidade na 1.a consulta.

De salientar que, surpreendentemente, a percentagem de DG nas grávidas obesas/EP foi relativamente próxima das grávidas nor-moponderais.

Relativamente ao tipo de parto, os resultados estao apresentados na figura 6. Destaca-se que o número de cesarianas foi superior nas grávidas inicialmente obesas/EP.

Figura 1 toaliacao doIMC m primeira œraufta de SaMe IMa^ma. Figura 3. Evolucao do peso nas grávidas com excesso de peso na 1.a consulta.

Figura 4. Evolucao do peso nas grávidas com normopeso na 1.a consulta.

1,9% 1,9%

Diabetes Pre-eclampsia Hidrámnios Hemorragia Hemorragia Gestacional 3° trimestre 1° trimestre

Excesso de peso/obesidade

Normopeso

Figura 5. Complicacoes na gravidez de acordo com o IMC na 1.a consulta.

Relativamente ao número de partos pré-termo, a distribuicao segundo o peso da mae na 1.a consulta de SM e a sua evolucao ponderal durante a gravidez está descrita na tabela 2.

Relativamente ao peso ao nascimento dos recém-nascidos, a distribuicao segundo o peso da mae na primeira consulta de SM e a sua evolucao ponderal durante a gravidez foi a descrita na tabela 3 para os recém-nascidos com baixo peso e a descrita na tabela 4 para os recém-nascidos com peso elevado ao nascimento.

42,4%43,1% 42,4%

Parto Eutócico Cesariana

Ventosa

Forceps Tipo de Parto nao registado

i Excesso de peso/obesidade ■ Normopeso

Tabela 2

Número de partos pré-termo de acordo com o peso da mae na 1.a consulta de SM e a evolucao de peso na gravidez

IMC na 1.a Aumento de Aumento de Aumento de

consulta de SM peso superior peso dentro do peso abaixo do

ao esperado (n) esperado (n) esperado (n)

«Obesidade» 0 1 1

«Excesso de peso» 1 1 0

«Normopeso» 0 1 3

n: número de partos pré-termo.

Tabela 3

Número de recém-nascidos com baixo peso ao nascimento de acordo com o peso da

mäe na 1.a consulta de SM e a evolucao de peso na gravidez

IMC na 1.a Aumento de Aumento de Aumento de

consulta de SM peso superior peso dentro do peso abaixo do

ao esperado (n) esperado (n) esperado (n)

«Obesidade» 1 0 0

«Excesso de peso» 0 1 0

«Normopeso» 0 1 0

n: número de recém-nascidos.

Tabela 4

Número de recém-nascidos com peso elevado ao nascimento de acordo com o peso

da mäe na 1.a consulta de SM e a evolucäo de peso na gravidez

IMC na 1a Aumento de Aumento de Aumento de

Consulta de SM peso superior peso dentro do peso abaixo do

ao esperado (n) esperado (n) esperado (n)

«Obesidade» 0 1 1

«Excesso de peso» 1 0 0

«Normopeso» 0 0 2

n:- número de recém-nascidos.

Discussao

Figura 6. Tipo de parto de acordo com IMC na 1.a consulta.

Nesta amostra 14,8% das grávidas sao obesas e 22,7% tem EP. Noutros estudos9 foi encontrada uma prevalencia de obesidade nas grávidas que variou entre 6-28%, valores onde se encaixam os valores de obesidade encontrados na nossa populacao. Noutro estudo, Ducarme et al.10 encontraram 23,5% grávidas com EP e 7,5% de grávidas obesas, sendo a percentagem de grávidas obesas no estudo de Ducarme quase metade do valor obtido no nosso estudo. A per-centagem de grávidas com ganho ponderal superior ao esperado durante a gravidez foi superior nas mulheres com obesidade ou EP.

As complicacoes durante a gravidez foram mais comuns nas grávidas inicialmente obesas ou com EP. Nos Estados Unidos, a incidencia de DG em grávidas obesas está aumentada em relacao a restante populacao obstétrica, estando descritas incidencias de DG em grávidas obesas na ordem dos 6-12%, enquanto nas grávidas nao obesas a incidencia de DG ronda apenas os 2-4%9. Num estudo caso controlo portugues11 os autores verificaram uma incidencia de DG e de HTA superior no grupo de obesas, como o esperado e a semelhanca dos nossos resultados. No entanto, surpre-endentemente, a percentagem de diabetes gestacional nas grávidas obesas/EP foi semelhante a das grávidas normoponderais no nosso estudo. Uma vez que todas as grávidas com diagnóstico de DG sao referenciadas para seguimento da gravidez nos cuidados de saúde secundários, este facto pode ser explicado pelo facto de algumas mulheres optarem por ser duplamente vigiadas nos cuidados de saúde primários e secundários, podendo ter havido mais mulhe-res normoponderais a optarem por esta dupla vigilancia do que obesas/EP.

O número de cesarianas foi também superior no grupo de grávidas obesas/EP corroborando os resultados de uma meta-análise de Poobalan et al.12, que mostraram que a obesidade na gravidez

aumenta a probabilidade quer da cesariana eletiva quer da cesari-ana de emergencia.

O facto de nao terem sido encontrados outros estudos deste género efetuados nos cuidados de saúde primários e o facto da análise da evolucao ponderal ter sido feita por subgrupos, tendo em conta o peso inicial das grávidas, constituem 2 pontos fortes do presente estudo.

No entanto, o nosso estudo também tem limitacoes, nomeada-mente, o facto de apenas terem sido avaliadas grávidas vigiadas, o que pode ter levado a subvalorizacao das grávidas de alto risco, uma vez que estas foram referenciadas e seguidas a nível hospitalar; o facto de nao terem sido avaliadas variáveis sociodemográficas que possam ter alguma influencia nos resultados encontrados; e o facto de nao ter sido avaliado o grau de risco das grávidas, que pode ter influencia no aparecimento de complicares que possam nao ser devidas única e exclusivamente a obesidade.

Foram também identificados 3 possíveis vieses: um viés de selecao, uma vez que só foram consideradas as grávidas vigiadas; um viés de informacao, uma vez que os registos utilizados para a recolha de dados foram efetuados por diferentes médicos; e um viés de medicao, uma vez que as balancas utilizadas nao foram sempre as mesmas e podiam nao estar calibradas.

No futuro, investir na educacao para a saúde a fim de redu-zir a percentagem de populacao obesa e com EP é uma medida fundamental. Também deveremos investir nas consultas de pré-concecao para tentar incentivar as grávidas pertencentes a estes grupos a perder peso antes de engravidarem, explicando os riscos da obesidade/EP durante a gravidez e que a perda de peso pré-gestacional diminui a ocorrencia de complicares maternas durante a gestacao. Será também essencial aconselhar o ganho de peso adequado durante a gravidez, de acordo com o peso inicial das grávidas, criando objetivos quantificados desde o início. Uma avaliacao antropométrica adequada durante esta fase é, desta forma, imprescindível, tendo como objetivo nao só identificar grávidas com desvio ponderal no início da gestacao como também detetar ganhos de peso excessivos. Por último, deveremos investir na identificacao das mulheres de risco de maneira a proporcionar um melhor seguimento das mesmas, avaliando qualitativa e quan-titativamente a sua dieta e, se necessário, orientá-las para uma

consulta de nutricao, de forma a obterem uma melhor orientacao alimentar, adequada ao seu estado e ao seu peso no início da gravidez/na pré-concecao e que nao coloque em risco nem a saúde materna nem a fetal.

Conflitos de interese

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

Agradecimentos

Os autores agradecem à Dra. Ângela M. Teixeira, Assistente em Medicina Geral e Familiar na USF dos autores, pela disponibilidade e colaboracao em todas as fases deste trabalho.

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