Scholarly article on topic 'An Exploratory Study on the Perceived Motivations Underpinning Excessive Internet Use Among Adolescents and Young Adults'

An Exploratory Study on the Perceived Motivations Underpinning Excessive Internet Use Among Adolescents and Young Adults Academic research paper on "Educational sciences"

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Academic research paper on topic "An Exploratory Study on the Perceived Motivations Underpinning Excessive Internet Use Among Adolescents and Young Adults"

Psychology, Community & Health

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Empirical Articles

Estudo Exploratorio Sobre as Motivagóes Percebidas no uso Excessivo da Internet em Adolescentes e Jovens Adultos

An Exploratory Study on the Perceived Motivations Underpinning Excessive Internet Use Among Adolescents and Young Adults

Halley Pontes*a, Ivone Patraob

[a] International Gaming Research Unit, Nottingham Trent University, Nottingham, United Kingdom. [b] Psychology & Health Research Unit (UIPES), ISPA- Instituto Universitário, Lisbon, Portugal.

Resumo

Objetivo: Nao está claro na literatura se as pessoas que usam a internet excessivamente estao a maior parte do tempo envolvidas de uma forma generalizada ou se, de facto, o uso excessivo se encontra associado a atividades online específicas. O presente estudo teve como objetivo geral a avaliapao das mudanzas percebidas no comportamiento online face a cenários hipotéticos no contexto virtual. Método: A amostra foi constituida por 144 (idades: M = 21; DP = 11.94) utilizadores de internet. As atividades preferidas na internet, a sua indisponibilidade e as horas online foram avaliadas em concomitancia com a percepao da qualidade de vida geral, face a percepao subjetiva de dependencia da internet através de uma metodologia exploratória.

Resultados: Verificou-se uma tendencia para a preferencia de acesso móvel a internet e maior popularidade das atividades online de natureza social. Adicionalmente, a ausencia das aplicapoes favoritas reduziriam significativamente o tempo despendido online e cerca de um terpo dos utilizadores optariam por nao acederem mais a internet sem as aplicapoes e funpoes preferidas. Por fim, a percepao de qualidade de vida geral variou significativamente em funpao do número de anos de utilizapao da internet e da percepao subjectiva de dependencia da internet, que nao obstante, variou em funpao dos sexos.

Conclusao: O comportamiento online parece ser de natureza específica e nao generalizado tal como expresso pelas preferencias dos participantes. Limitapoes e implicapoes sao discutidas.

Palavras-Chave: online, preferencias, internet, dependencia

Abstract

Objective: It is not clear in the literature whether people who engage in excessive Internet use spend most of their time just surfing in general, or if the excessive behaviour is associated with other specific online functions or applications. In the present study, the possible outcomes in the perceived online behaviours using hypothetical scenarios where participants' favourite applications would not be accessible online were investigated.

Method: The sample comprised 144 Portuguese (age: M = 21; SD = 11.94) speakers Internet users recruited from online forums and communities. Preference for specific online content and its unavailability and time spent online were analysed along with perceived quality of life in relation to Internet addiction when self-diagnosed.

Results: A trend for preferring mobile Internet access was found while the unavailability of favourite applications seemed to significantly decrease time spent online. Moreover, nearly one third of the sample would not access the Internet anymore without their favourite applications. Perceived quality of life was found to vary significantly in relation to the amount of years online and Internet addiction self-diagnosis. Moreover, the internet addiction self-diagnosis was influenced by participants' sex.

Conclusion: Online behaviour appears to be more specific in nature rather than generalised. Limitations and implications of the present findings are further discussed.

Keywords: online, preferences, Internet, addiction

Psychology, Community & Health, 2014, Vol. 3(2), 90-102, doi:10.5964/pch.v3i2.93 Received: 2014-01-25. Accepted: 2014-05-14. Published (VoR): 2014-07-22.

Handling Editor: Pedro Alexandre Costa, Psychology & Health Research Unit (UIPES); ISPA - Instituto Universitário Lisbon, Portugal

•Corresponding author at: Nottingham Trent University Graduate School, Burton Street, NG1 4BU, Nottingham, United Kingdom. E-mail: halley.pontes2013@my.ntu.ac.uk

--1 This is an open access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License

Ifccj^'i^^J (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.

Introdugáo

Atualmente, o acesso por parte dos cidadaos aos novos meios de tecnología de informagao e comunicado constituem-se como condigoes substanciais para o desenvolvimento da contemporánea sociedade da informagao e do conhecimento. No caso específico da internet, o seu uso excessivo tem sido debatido ao longo da literatura psicológica desde a década de 1990, tendo sido identificadas uma série de consequéncias negativas associadas (Brenner, 1997; Greenfield, 1999; Griffiths, 1999; Young, 1998). Além disso, o uso excessivo quando acompa-nhado porsintomas obsessivos e/ou compulsivos (que, porventura, controlam o comportamento do individuo), foi designado de 'Dependéncia da internet' (Young, 1999a, 1999b).

Segundo os dados divulgados pela PORDATA (2013) relativamente á utilizagao da internet entre os estudantes portugueses do ensino básico, secundário e superior, o número de alunos que acedem á internet é maior em fungao do nivel de escolaridade, sendo que os números tém vindo a aumentar exponencialmente com o decorrer dos anos e o aumento da escolaridade. Em 2002, apenas 8.5% dos alunos do ensino básico, 56.9% dos alunos ensino do secundário, e 68.6% dos alunos do ensino superior utilizavam a internet (PORDATA, 2013). Em 2013, os números aumentaram exponencialmente sendo que atualmente, 43.1% dos alunos do ensino básico, 94% do ensino secundário e 95.3% do ensino superior utilizam a internet (PORDATA, 2013).

A internet representa um mundo virtual com vários ambientes e contextos únicos e/ou atividades que vao desde a consulta de e-mails, compras até ás apostas online. Segundo Griffiths e Szabo (2014), é incorreto, na maioria dos casos, afirmar que a dependéncia da internet (específica), quando baseada em certo ambiente ou aspeto particular, seja equivalente á dependéncia da internet (generalizada) per se, uma vez que esta última falha ao nao ter em conta o foco principal ou o objeto da dependéncia (e.g., apostas online, video gaming, redes sociais, compras, sexo, trabalho, etc.).

Griffiths (2000a) argumenta que deve ser feita a distingao entre as dependéncias na internet e a dependéncia da internet. Para este efeito, o autor cita o exemplo de um individuo dependente de apostas online e de um jogador de video games online; ambos escolhem o envolvimento no comportamento online escolhido, enfatizando que a internet é apenas o ambiente onde essas pessoas desempenham os comportamientos aditivos. Assim sendo, tanto o apostador como o jogador online descritos, apresentam dependéncias na internet ao invés de dependéncia da internet. Contudo, Griffiths (2000b, 2001) observa que alguns comportamientos realizados online (e.g., cybersex, cyber-stalking, etc.) só podem ocorrer na internet e nao fora desse contexto, uma vez que a internet é anónima, sem contactos face a face e desinibidora por natureza.

Apesar dos recentes debates e controvérsias (Petry & O'Brien, 2013; Pies, 2009) que rodeiam o conceito da dependéncia da internet, o seu abandono por completo poderia ser prematuro (Griffiths & Szabo, 2014). No contexto clínico, a dependéncia da internet pode vir a ser um diagnóstico útil, com algumas semelhangas ás perturbagoes relacionadas com o uso de substáncias que apresentam, muitas vezes, variados objetos de dependéncia, porém, sao geralmente aceites e designados por um termo funcional (i.e., mais geral) (Griffiths & Szabo, 2014).

Para melhor compreender como e o ao qué concretamente as pessoas de facto sao atraídas no ambiente virtual, torna-se necessário identificar as suas áreas ou ambientes online preferidos, e avaliar as mudangas esperadas ocorridas caso essas áreas de preferéncia sejam removidas ou se tornem indisponíveis (Griffiths & Szabo, 2014).

Desta forma, poder-se-ia observar a incidencia ou nao de mudanzas no comportamento online. Dois possíveis resultados poderiam ser esperados face a este cenário. Num primeiro momento, a remogao de um ambiente online específico poderia nao produzirqualquer mudanga ou alteragao em relagao aos padroes de utilizagao da internet, uma vez que os individuos emigrariam para outros ambientes online disponíveis. Por outro lado, a segunda possibilidade teria que ver com o menor envolvimento do individuo com a internet, uma vez que o seu ambiente online preferido nao estaria mais acessível (Griffiths & Szabo, 2014).

A segunda hipótese resultaria em um menor número de horas despendidas online. Esta hipótese é análoga aos efeitos (teóricos e práticos) esperados da proibigao de fumar cigarros em termos das taxas de prevalencia do consumo de tabaco nos Estados Unidos (U.S. Department of Health & Human Services [HHS], 2006).

A dependencia da internet está associada a problemas de saúde física a longo prazo (e.g., distensoes musculares, lombalgia) e psicossociais (isolamento, depressao, perturbagoes de ansiedade, perturbagoes do sono, insónias, dietas irregulares, problemas familiares, insucesso académico, problemas laborais) que interferem nao só na qualidade de vida do individuo como também em diversos níveis do seu ajustamento psicossocial (Flisher, 2010; Kuss, Griffiths, Karila, & Billieux, 2013; Murali & George, 2007).

De acordo com Morahan-Martin e Schumacher (2000), os sujeitos dependentes da internet referem como motivagoes para usarem a internet os seguintes aspetos e atividades: (i) encontrar novas pessoas, (ii) conteúdos adultos, (iii) suporte emocional, (iv) socializar com pessoas com os mesmos interesses, (v) jogar online, (vi) re-creagao e relaxar, (vii) apostas, (viii) passaro tempo, (ix) acompanharas últimas noticias.

Apesarde um vasto conjunto de literatura sugerir maior risco de dependencia da internet no sexo masculino do que no feminino (Durkee et al., 2012; Esen & Gündogdu, 2010; Ferraro, Caci, D'Amico, & Di Blasi, 2007; Johansson & Gotestam, 2004; Ko et al., 2006; Morrison & Gore, 2010; Yoo et al., 2004), as motivagoes para o uso da internet variam em fungao do sexo (Durkee et al., 2012). Por um lado, o sexo feminino procura socializar mais através do uso dos websites de redes sociais online, salas de chat, enquanto o sexo masculino tem preferencia por atividades relacionadas com jogos multi-users online ejogos single-user (Ak, Koruklu, & Yilmaz, 2013; Durkee et al., 2012), e consulta de jornais e revistas (Ak et al., 2013).

Pelo que foi exposto e dada a escassez de estudos no contexto da utilizagao da internet em Portugal que permita ter acesso ás motivagoes e subsequente comportamento online, o presente estudo tem como objetivo geral a avaliagao das mudangas percebidas no comportamento online face a cenários hipotéticos no contexto virtual numa amostra de jovens portugueses. Como objetivos específicos, pretende-se avaliar: (i) quais sao as tres atividades online preferidas dos utilizadores de internet; (ii) quais sao as mudangas esperadas a nível comporta-mental quando essas atividades online específicas nao podem ser acedidas; e, por fim, (iii) a percegao de qualidade de vida geral na experiencia de impossibilidade de acesso a atividades preferidas online, e (iv) as diferengas de sexo.

Método

Participantes

A amostra foi constituída por 144 participantes, com 21 anos de média de idade (DP = 11.94), com 49% do sexo masculino e 51% do sexo feminino. Em termos do estado relacional, 64% dos participantes reportaram estarem num relacionamento de compromisso.

As médias das idades dos participantes diferiram significativamente em fungao do sexo (f(142) = -2.595, p < .05), a magnitude do efeito observada segundo Cohen (1988) foi pequena (d = .44). Neste sentido, os participantes do sexo masculino eram mais novos (M = 19.03, DP = 10.59) comparativamente aos participantes do sexo femi-nino (n = 74), que apresentaram uma média de idades superior (M = 24.09, DP = 12.68).

Instrumentos

O instrumento de recolha de dados foi construido com base na investigado realizada por Griffiths e Szabo (2014).

Quanto á utilizagao da internet foi questionado se os participantes possuíam algum tipo de dispositivo móvel onde acediam á internet; qual o meio mais frequente de acesso á internet; quantidade de horas semanais despendidas na internet; e a duragao (em anos) do uso da internet. Foi, ainda, solicitado que indicassem tres (de 10 possíveis) conjuntos de fungoes mais acedidas na internet, entre elas: 1) jogos e/ou apostas online; 2) infor-magoes em geral e/ou noticias (incluindo desportivas e políticas); 3) administragao financeira (online banking, pagamentos de contas, etc.); 4) música e cultura em geral; 5) vídeos e filmes; 6) e-mail e chat; 7) procura de amigos e/ou romances; 8) shopping/compras online; 9) conteúdo adulto; 10) redes sociais online (facebook, twitter, etc.). A seguir, os participantes responderam "sim" ou "nao" á seguinte pergunta: "Se por razoes técnicas, as fungoes que mais costuma utilizar nao estivessem mais acessíveis, conectar-se-ia á mesma á internet?". Aos participantes que responderam "sim", era pedido seguidamente que indicassem o número horas semanais despendidas online sem essas mesmas funcionalidades. Os participantes que responderam "nao" á pergunta anterior eram direcionados automaticamente para as próximas perguntas: "Se o acesso á internet fosse limitado apenas a uma atividade, qual delas escolheria?". Sendo assim, era apresentado novamente o conjunto anterior de 10 opgoes possíveis de funcionalidades online.

Porfim, o questionário incluiu uma pergunta de percegao subjetiva de dependencia da internet, onde os participantes indicavam numa escala de tipo Likert com 5 pontos (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente) o seu grau de concordáncia com a seguinte afirmagao: "Considero-me dependente da internet?". A última pergunta do questionário solicitou aos participantes que respondessem numa escala analógica visual de 10 pontos (1 = pior a 10 = melhor) a sua posigao face á seguinte afirmagao: "Se o acesso á internet já nao fosse mais possível, a minha qualidade de vida seria:".

Procedimentos

Os participantes do estudo foram recrutados através da disseminagao da investigagao em fóruns e comunidades online específicas de língua portuguesa, onde eram redirecionados automaticamente para os questionários da investigagao através de um link.

A amostra foi recolhida através do método de amostragem por conveniencia tendo sido, por isso, escolhida a partir de um grupo de pessoas que se encontravam disponíveis e interessadas para participarem na investigagao, podendo ser qualquer pessoa capaz de entender as instrugoes necessárias ao preenchimento dos instrumentos e que fornegam o consentimento informado (Haslam & McGarty, 2003).

A autorizagao para a disseminagao da investigagao entre os utilizadores foi solicitada individualmente aos moderadores e gestores de cada fórum, onde o link foi divulgado. Adicionalmente, a dimensao ética e o cumprimento das normativas para a condugao de investigagao online foram seguidas rigorosamente (British Psychological Society, 2010), tendo sido obtido o consentimento informado de cada participante.

Análise Estatística

A análise estatística dos dados foi realizada com auxilio do software IBM SPSS Statistics, versao 22. Além do estudo descritivo da amostra no seu conjunto, para atingir os objetivos do presente estudo foram necessárias análises correlacionais entre as variáveis em estudo, cálculo dos respetivos coeficientes de determinagao para variáveis correlacionadas, comparagoes múltiplas de médias com o teste t de Student e análise da magnitude do efeito através do coeficiente d de Cohen para as diferengas observadas na amostra.

Resultados

A maioria dos participantes (77%) possuía algum tipo de dispositivo móvel do qual costumavam aceder á internet, para além do computadortradicional. Relativamente ao meio de acesso á internet mais frequente, 43.1% indicou preferir o acesso pelo computador portátil; 34% computadortradicional; 16.7% pelo telemóvel e apenas 4.9% através de tablets (ver Tabela 1).

A média de horas semanais de utilizagao da internet na amostra foi de 28 horas (DP = 25.82). Atendendo á va-riável sexo, as médias diferiram significativamente (t(142) = 2.626, p = .01), representando uma magnitude do efeito pequena (d = .44) (Cohen, 1988). Por conseguinte, o sexo contribuiu para 4.6% da variabilidade na carga horária semanal na internet. Além disso, os participantes do sexo masculino apresentaram maior carga horária semanal na internet (M = 34, DP = 26.68) comparativamente aos participantes do sexo feminino (M = 23; DP = 23.92).

Quanto á pergunta relativa á quantidade de anos que os participavam utilizavam a internet, a variável sexo teve um efeito estatisticamente significativo nos anos de utilizagao da internet, tal como reportado pelos participantes (t(142) = 2.320, p = .02), a média de utilizagao da internet reportada foi de 13 anos (DP = 4.63).

As tres fungoes preferidas na internet reportadas pelos participantes foram as redes sociais online, com 64.6% das escolhas; informagoes em geral e/ou noticias, com 64.6%; e e-mail e chat, com 61%. A maioria dos participantes (70.1%) indicou que acederiam á internet caso as suas aplicagoes favoritas nao estivessem mais acessíveis, sendo que quase um tergo dos participantes (29.9%) optaria por nao aceder mais á internet sem as suas aplicagoes favoritas.

Poroutro lado, em comparagao com a carga horária semanal de utilizagao da internet, os participantes esperariam utilizar a internet por menos horas (M = 17, DP = 19.56) caso nao pudessem mais aceder ás suas aplicagoes favoritas. Esta diferenga atingiu significáncia estatística (t(100) = -7.645, p < .001), com uma magnitude do efeito grande (d = 1.52). Observou-se também, que a indisponibilidade das aplicagoes contribuiu 36.9% para a variabilidade no acesso ou nao á internet.

Caso o acesso á internet fosse limitado apenas a uma atividade, a atividade mais escolhida pelos participantes seria a fungao de e-mail e chat (35.4%, n = 51). Em relagao á pergunta de percegao subjetiva de dependencia da internet, tal como ilustra a Tabela 1, mais de metade dos participantes (52.1%) concordaram com a afirmagao "Considero-me dependente da internet".

Tabela 1

Estatística Descritiva da Utilizaçâo da Internet; Perceçâo Subjetiva Dependência da internet, e Perceçâo da Qualidade de Vida Geral

Possui algum dispositivo móvel eletrónico com acesso à internet?

Sim 111 (77.0)

Nâo 33 (23.0)

Meio de utilizaçâo da internet mais frequente

Smartphone 24 (16.7)

Tablet 7 (4.9)

Computador de secretária 49 (34.0)

Computador portátil/Laptop 62 (43.1)

Outros dispositivos móveis 260 (25.9)

Funçôes (três) mais utilizadas na internet

Redes sociais online 93 (64.6)

Pesquisa de informaçoes em geral e/ou noticias 93 (64.6)

Serviços de e-mail e chat 89 (61.0) Caso o acesso à internet fosse limitado apenas a uma atividade favorita, qual escolherias?

Serviços de e-mail e chat 51 (35.4)

Pesquisa de Informaçoes em geral e/ou noticias 36 (25.0)

Redes sociais online 24(16.7)

Considero-me dependente da internet?

Discordo totalmente 14 (9.7)

Discordo 18(12.5)

Nâo concordo nem discordo 37 (25.7)

Concordo 48 (33.3)

Concordo totalmente 27 (18.8)

Se o acesso à internet já nâo fosse mais possível, a minha qualidade de vida seria? Escala de tipo Likert de 10 pontos

1 (pior) 8 (5.6)

2 4 (2.8)

3 14(9.7)

4 21 (14.6)

5 43 (29.9)

6 13(9.0)

7 13(9.0)

8 10(6.9)

9 5 (3.5)

10 (melhor)_13 (9.0)

Nesta questao existem diferengas significativas em fungao do sexo do participante (t(141.332) = 3.109, p = .002), sendo que a magnitude do efeito observada foi média (d = .52) (Cohen, 1988). Além disso, a variabilidade das respostas dadas na percegao subjetiva de dependencia da internet variou 6.3% (a2= 0.063) em fungao do sexo. Através da Figura 1 pode-se observar que os participantes do sexo masculino se consideram dependentes da internet com maiorfrequencia comparativamente aos participantes do sexo feminino.

Figura 1. Média das respostas, em funçâo do sexo, na perceçâo da dependência da internet.

Porfim, os resultados ilustraram uma correlaçâo estatisticamente significativa e negativa entre a perceçâo de qualidade de vida geral e os anos de utilizaçâo da internet (r = -.166, p = .047) (ver Tabela 2).

Tabela 2

Coeficientes de Correlaçâo Ró de Spearman Para as Variáveis Quantitativas

1 2 3 4 5 6

1. Idade

2. N° de horas semanais online -.089

3. Anos de utilizagao da internet .141 .274**

4. N° de horas semanais online sem aplicagoes favoritas .160 .684** .225*

5. Percegao subjetiva de dependencia -.215** .369** .238** .319**

6. Percegao de qualidade de vida geral sem internet .030 -.137 -.166* -.176 -.176*

*p < .05. **p < .01.

A percegao de qualidade de vida geral também se correlacionou significativa e negativamente com a percegao subjetiva de dependencia da internet (r = -.176, p = .034). Adicionalmente, o número de anos de utilizagao da internet contribuiu para 2.8% (r = .027) da variabilidade da percegao de qualidade de vida geral, sendo que a percegao subjetiva de dependencia porsua vez, contribuiu para 3.1% (r = .030) da variabilidade da percegao de qualidade de vida geral, concomitantemente. As diferengas na percegao de qualidade de vida geral nao diferiram significativamente em fungao do sexo (t(141.920) = -1.195, p = .23).

Discussao

O presente estudo avaliou as mudanzas percebidas em relagao á utilizagao da internet em fungao de cenários hipotéticos, onde as aplicagoes e fungoes preferidas nao estariam mais acessíveis aos utilizadores de internet da presente amostra. Em média, a maioria dos utilizadores de internet deste estudo possuíam algum tipo de dispositivo móvel de onde acediam á internet. Paralelamente, verificou-se também uma tendencia pela preferencia ao acesso online móvel em detrimento do acesso mais tradicional (e.g., computadorde secretária). Curiosamente, o acesso móvel á internet pelo telemóvel e tablets parece estar ainda em ascensao em termos da sua populari-dade, visto que estes meios sao os mais práticos e cómodos para navegar na internet.

Além disso, verificou-se que, em média, os utilizadores reportaram despender cerca de 29 horas semanais na internet há pelo menos 13 anos. Pela primeira vez, o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-5) (American Psychiatric Association [APA], 2013) decidiu incluir uma dependencia comportamental (i.e., behavioural addiction) como condigao que necessita de futuros estudos. Mais precisamente, a Internet Gaming Disorder, que é entendida como uma variante da dependencia da internet, mas que se relaciona com a dependencia aos videojogos online. Este salto qualitativo no paradigma do entendimento das dependencias através da sua extensao ao dominio comportamental (por oposigao á visao restrita da dependencia de substáncias) revela a importáncia dada pela comunidade científica aos fenómenos de dependencia comportamental descritos na literatura.

Curiosamente, os individuos com dependencia aos videojogos, despendem entre 8 a 10 horas por dia nos jogos, e pelo menos 30 horas por semana (APA, 2013), um número relativamente semelhante ao encontrado no presente estudo, o que chama a atengao para a necessidade de intervengao e prevengao.

Nao obstante, os utilizadores do sexo masculino apresentaram padroes comportamentais online de maior inten-sidade, expressos pelo maior número de horas na internet comparativamente aos utilizadores do sexo feminino. Assim, numa faixa da populagao mais jovem, o sexo masculino parece constituir um fatorde risco para o desenvolvimiento da dependencia da internet, evidencia que vai ao encontro de um conjunto amplo de estudos empíricos realizados (Esen & Gündogdu, 2010; Ko et al., 2006; Liberatore et al., 2011).

As tres fungoes online preferidas foram as redes sociais online em conjunto com a pesquisa de informagoes em geral e/ou noticias, e os servigos de e-mail e chat. As aplicagoes mais escolhidas sao sociais por natureza e permitem aos utilizadores comunicarem com outras pessoas, seja pela via assincrónica (e.g., e-mail) ou sincrónica (e.g., chat), salientando que a fungao relacional na internet parece ser bastante relevante e popular entre os seus utilizadores. Nao obstante, quando inquiridos sobre qual a aplicagao online a que acederiam caso só lhes fosse possível apenas uma, a mais escolhida foi os servigos de e-mail e chat, o que enfatiza ainda mais a dimensao social na prática da internet.

Além disso, sem essas aplicagoes, cerca de tres em cada 10 utilizadores optariam por nao aceder á internet. Estes resultados suportam, de um modo geral, a nogao de que o tempo despendido online nao é aleatório e/ou generalizado, uma vez que os utilizadores procuram estar envolvidos em comportamientos e atividades específicas (Griffiths & Szabo, 2014) em que, face á indisponibilidade das aplicagoes favoritas, o tempo despendido online reduzir-se-ia significativamente (i.e., 17 horas semanais), uma vez que outras atividades nao seriam procuradas forgosamente. De facto, a possibilidade de utilizagao das aplicagoes e fungoes online preferidas parece contribuir de um modo significativo para a escolha de aceder ou nao á internet sem essas aplicagoes.

Neste sentido, há uma procura de contacto social, de relacionamento com o outro, ainda que seja de forma virtual, o que pode indicar, á semelhanga de outro estudo, que o tempo despendido online facilita a proximidade emocional e concomitantemente um distanciamento social (Pontes, Griffiths, & Patrao, 2014).

Num estudo semelhante realizado no Reino Unido (Widyanto, Griffiths, & Brunsden, 2011), que contou com uma amostra de 225 utilizadores de internet (69 masculino e 156 feminino), verificou-se que os utilizadores que se consideraram como dependentes da internet através da avaliagao da percegao subjetiva, obtiveram scores mais elevados em testes estandardizados de avaliagao da dependencia da internet (i.e., IAT e IRPS), sendo que as tres medidas em conjunto se encontravam fortemente correlacionadas (i.e., validade concorrente), o que sugere um poder preditivo relativamente á percegao subjetiva de dependencia da internet enquanto medida. Conquanto, no presente estudo, verificou-se que os participantes que mais se consideraram dependentes da internet, eram (i) mais novos, (ii) do sexo masculino, (iii) despendiam mais horas na internet semanalmente, (iv) utilizavam-na por maior número de anos e (v) percecionaram a qualidade de vida geral como mais reduzida.

Estes resultados vao ao encontro de outros estudos que alertam para o facto dos adolescentes do sexo masculino (Durkee et al., 2012; Esen & Gündogdu, 2010; Ferraro et al., 2007; Johansson & Gotestam, 2004; Ko et al., 2006; Morrison & Gore, 2010; Yoo et al., 2004) estarem em maior risco de desenvolvimento da dependencia da internet por uma série de fatores bio-psicossociais. De facto, a adolescencia é um período do ciclo de vida crítico em termos de suscetibilidade ás dependencias em fungao dos fatores biológicos, psicológicos e sociais (Panayides & Walker, 2012).

Por outro lado, a percegao da qualidade de vida geral dos utilizadores de internet correlacionou-se de modo significativo e negativo com o número de anos de utilizagao da internet e com as medidas de percegao subjetiva de dependencia da internet. Embora os efeitos de variabilidade destas duas variáveis sobre a percegao de qualidade de vida geral nao tenha sido elevado, estes foram efeitos estatisticamente significativos.

Estes resultados sugerem que a percegao da qualidade de vida geral das pessoas pode ser alterada e ajustada em fungao do número de anos que as pessoas utilizam a internet. A este respeito, os beneficios da internet sao óbvios e uma mais-valia para qualquer sociedade e cidadao, desde que utilizada com moderagao e prudencia. Todavia, o facto de no presente estudo se ter verificado uma correlagao negativa entre a percegao de qualidade de vida geral e o número de anos de uso da internet, esta pode ser explicada parcialmente pelo facto dos utilizadores se sentirem mais dependentes da internet o que, por conseguinte, pode estar igualmente associado a uma menor percegao de qualidade de vida em fungao dos efeitos negativos inerentes á dependencia da internet, tra-duzidos pela maior incidencia de dependencia auto-percebida pelos participantes.

O presente estudo possui limitagoes gerais inerentes ao tipo de delineamento e metodologia exploratória, que se prendem com: i) a reduzida dimensao da amostra, o que por conseguinte favorece ii) a pouca representativi-dade dos utilizadores de internet como um todo, e porfim; iii) limitagoes inerentes aos enviesamentos clássicos dos questionários de auto-preenchimento (e.g. desejabilidade social, aleatoriedade, efeito de halo, etc.).

Apesardas limitagoes inerentes a qualquer metodologia que recorra a instrumentos de auto-preenchimento, a mesma, quando realizada no contexto online pode apresentar benefícios como maior abertura para responder por parte dos participantes (Joinson, 2001), maior desinibigao (Suler, 2004) e menor desejabilidade social e re-dugao de custos (Wood & Griffiths, 2007). Além disso, a investigagao online apresenta o mesmo tipo de validade

científica e empírica comparativamente aos estudos realizados tradicionalmente com papel e lápis (Gosling, Vazire, Srivastava, & John, 2004; Pettit, 2002).

Deste modo, os resultados do presente estudo deverao ser interpretados com precaugao, uma vez que nao possuem um caráter universal que permita inferencias causais (i.e., estudo correlacional). Além disso, o poder de validade externa do presente estudo pode ser incrementado com recurso a metodologias de avaliagao estandardizadas e devidamente validadas psicometricamente para a populagao em causa.

Em suma, embora os resultados do presente estudo sejam de natureza exploratória, estes sugerem que a atragao e/ou dependencia da internet a um (ou mais) comportamento(s) específico(s), pode ser uma concetualizagao frutífera para o melhor entendimiento e explicagao do comportamento humano nos ambientes virtuais. Adicional-mente, os dados fornecem suporte e evidencia empírica de que os futuros estudos sobre a dependencia da internet devem focar-se também em aplicagoes online específicas ao invés de se centrarem somente no uso da internet generalizado, nogao que vai ao encontro de outros estudos (e.g., Griffiths, 2000a).

Como nota para futuros estudos, sugere-se que se tente incluir uma amostra de maior dimensao por fim a corroborar, ou nao, os presentes resultados. Além disso, a inclusao de participantes com diagnóstico clínico de dependencia da internet poderá ajudar a melhor compreender a questao das dependencias na internet vs. dependencia da internet per se, explorando a sua relagao com outras variáveis, como seja o estado emocional, o isolamento social e emocional, o bem-estar subjetivo, a qualidade do sono, entre outras. Desta forma, pode-se ter resultados mais compreensivos sobre a extensao dos efeitos adversos da dependencia da internet na saúde mental.

Conflito de Interesses

Os autores declaram que nao existem quaisquer conflitos de interesse. Financiamento

Os autores nao tém financiamento a declarar. Agradecimentos

Os autores nao tem quaisquer apoios a declarar.

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