Scholarly article on topic 'Sistema de cotas na RBO'

Sistema de cotas na RBO Academic research paper on "Educational sciences"

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Revista Brasileira de Ortopedia
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Academic research paper on topic "Sistema de cotas na RBO"

Editorial

Sistema de cotas na RBO

A atualizagao é uma preocupagao constante na edigao de uma revista científica, mesmo que essa atualizagao nao seja na área específica da edigao. Analisando o momento social e académico, nao podemos desqualificar o sistema de cotas para a universidade como algo atual.

A ideia é facilitar o acesso ás melhores universidades públicas a individuos que por fatores considerados socialmente excludentes, como raga e cor, teriam maior dificuldade a esse acesso. É difícil compreender por que a raga ou a cor desqualificam pessoas, pois hoje o homem mais poderoso do mundo é de uma raga considerada excluida; outro aspecto difícil de compreender é por que esse acesso seria mais difícil a esses indivíduos, pois até onde sabemos nao há nenhum desnível intelectual entre esse grupo e o resto dos alunos que buscam vagas nas universidades de ponta.

Para dar continuidade ao nosso propósito, vamos aceitar esse raciocínio, que se origina de um partido político que hoje tem o domínio absoluto do poder no país.

Vamos tentar introduzir o sistema de cotas na RBO!!!

Os nossos critérios nao podem ser por raga e cor, pois nem temos acesso a esses níveis de identificagao dos nossos autores, pois isso nao afeta em nada a qualidade do trabalho científico.

Talvez nível socioeconómico. Como o nível socioeconómico poderia interferir na produgao de um trabalho científico? Como teríamos acesso ao nível socioeconómico dos autores? E dos coautores?

Nao, esse critério é impossível de ser validado, pois nao temos capacidade de identificá-lo e muito menos de julgá-lo, e esse item nao afeta em nada a qualidade do trabalho científico.

Talvez a distribuigao geográfica. Será que o fato de um autor produzir um trabalho no Norte do país torna o trabalho melhor ou pior do que aquele produzido no Sul?

Nao, esse critério nao se aplica, pois há servigos de ortopedia no Norte mais bem estruturados do que servigos do Sul do país, e vice-versa, portanto esse critério nao afetará em nada a qualidade do trabalho.

A única forma de introduzirmos o sistema de cotas da RBO é aceitando trabalhos de menor qualidade, pois esse é o único critério que nos interessa.

Qual percentual que aceitaríamos, 20, 30 ou 50%, como se propoe para as universidades?

Se aceitarmos 50%, teríamos metade da revista de qualidade inferior, estaríamos jogando fora um longo trabalho para melhoria da qualidade e desestimularíamos a produgao de trabalhos de boa qualidade.

Se aceitarmos 20 ou 30%, teríamos um quinto ou um tergo da revista de pior qualidade. O nosso índice de rejeigao atual é de 20%.

Inicialmente teria de pedir aos nossos editores e consultores certo grau de tolerancia para esses trabalhos. Nao sei como faria, pois os métodos usados para convencer pessoas a apoiar as suas ideias, que o partido que criou o sistema usou, acabaram dando cadeia para alguns dos convencedores. Como editor nao preciso me preocupar, pois os responsáveis pelas ideias do partido em questao, no que se refere a convencer pessoas, nem foram citados no processo que levou os convencedores á cadeia.

Como iriamos informar os nossos leitores?

No sistema de cotas da universidade será fácil de identificar, pois os indivíduos terao o estigma da raga ou da cor, o que por sinal é uma enorme injustiga, pois indivíduos que nao usaram o benefício do sistema de cotas e entraram nas universidades pela sua capacidade em uma disputa de igual para igual serao rotulados como beneficiados.

Precisamos identificar os trabalhos de má qualidade, senao seremos injustos com os autores dos trabalhos de boa qualidade. Identificaremos talvez com um subtítulo - Trabalho de qualidade inferior; ou com uma impressao diferente. Será que esses trabalhos assim identificados serao lidos ou citados?

Se nao forem lidos ou citados, os autores nao se estimularao a produzir mais e encerrarao a sua produgao científica nesse trabalho publicado como de má qualidade; ou evitarao ter esse tipo de título que poderá desqualificar trabalhos futuros.

doi: 10.1016/j.rbo.2012.03.001

Os autores que tiverem de fazer corregoes em seus trabalhos de boa qualidade para conseguir a publicagao se sentirao injustigados ao ve-los na mesma revista em que estao trabalhos de qualidade inferior.

Talvez fazer uma edigao só de trabalhos de qualidade inferior! Essa nao deve ser uma boa ideia, pois senao teriam feito nas universidades cursos só para cotistas.

É difícil nao usar o único critério de julgamento - a qualidade do trabalho, ou usá-lo parcialmente para estruturar uma revista científica. A criagao de critérios

paralelos, sejam geográficos, económicos ou sociais, nao é adequada quando se julga qualidade.

Acho melhor desistir da ideia de termos cotas na RBO. Nesse quesito vamos permanecer desatualizados, mas com qualidade.

Gilberto Luis Camanho Editor-chefe, Revista Brasileira de Ortopedia