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Flora vascular e perfil fisionômico de uma restinga no litoral sul de Pernambuco, Brasil Academic research paper on "Educational sciences"

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Acta Botanica Brasilica
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Academic research paper on topic "Flora vascular e perfil fisionômico de uma restinga no litoral sul de Pernambuco, Brasil"

Flora vascular e perfil fisionomico de uma restinga no litoral sul de

Pernambuco, Brasil1

Simone Santos Lira Silva2, Carmen Silvia Zickel3,5 e Luiz Antonio Cestaro4

Recebido em 15/05/2007. Aceito em 4/04/2008

RESUMO - (Flora vascular e perfil fisionomico de uma restinga no litoral sul de Pernambuco, Brasil). Este estudo apresenta um levantamento florístico e a caracterizagao dos diferentes tipos fisionomicos de uma restinga localizada no municipio de Tamandaré, em Pernambuco, além de analisar a similaridade de sua flora com outras restingas ao longo do litoral nordestino. Foram identificadas 104 espécies, distribuidas em 88 géneros e 54 familias. As familias que apresentaram um maior número de espécies foram Myrtaceae (sete), Fabaceae e Cyperaceae (seis) e Euphorbiaceae (cinco). A área apresentou trés tipos fisionomicos distintos: campo aberto nao inundável, fruticeto aberto nao inundável e floresta aberta nao inundável. O campo nao inundável é caracterizado pelas seguintes espécies mais representativas: Abildgaardia scirpoides Nees, Borreria verticillata (L.) G. Mey., Cuphea flava Spreng. e Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl.; enquanto o fruticeto aberto nao inundável com Abarema cochliacarpos (Gomes) Barneby & J.W. Grimes, Byrsonima gardneriana Juss., Byrsonima sericea DC., Croton sellowii Baill. e Stigmaphyllonparalias A. Juss. As espécies mais representativas da floresta nao inundável foram Andira nitida Mart. ex Benth., Manilkara salzmannii (A. DC.) H.J. Lam., Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill., Protium bahianum Daly e Saccoglotis mattogrossensis Malme. A análise de agrupamento mostrou que existem dois grupos florísticos distintos, um grupo formado pelas restingas de Pernambuco (Sirinhaém, Tamandaré e Paiva (Cabo de Santo Agostinho) e outro formado pelas restingas de Pernambuco e Alagoas (Boa Viagem - Recife e Maceió).

Palavras-chaves: fisionomia, florística, Nordeste do Brasil, vegetagao costeira

ABSTRACT - (Vascular flora and physiognomic profile of an area of restinga vegetation along the southern coast of Pernambuco State, Brazil). We performed floristic surveys and characterized contiguous but physiognomically different restinga vegetation in Tamandaré municipality, Pernambuco State, and compared these floras with other restinga areas along the northeastern coast of Brazil. A total of 104 species were identified, in 88 genera and 54 families. The families with the most species were: Myrtaceae (seven), Fabaceae and Cyperaceae (six), and Euphorbiaceae (five). The restinga area studied had three different physiognomic types: nonflooded open grassland, nonflooded open shrubland, and nonflooded open forest. The most characteristic species were as follows: open grassland -Abildgaardia scirpoides Nees, Borreria verticillata (L.) G. Mey., Cuphea flava Spreng, Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl.; open shrubland - Abarema cochliacarpos (Gomes) Barneby & J.W. Grimes, Byrsonima gardneriana Juss., Byrsonima sericea DC., Croton sellowii Baill., Stigmaphyllon paralias A. Juss.; and open forest - Andira nitida Mart. ex Benth., Manilkara salzmannii (A. DC.) H.J. Lam., Pera glabrata (Schott) Poepp. ex. Baill., Protium bahianum Daly, Saccoglotis mattogrossensis Malme. Cluster analysis showed two distinct floristic groups of restinga vegetation in northeastern Brazil - one formed by the restingas of Pernambuco (Sirinhaém, Tamandaré and Paiva (Cabo de Santo Agostinho)) and the other formed by the restingas of Pernambuco and Alagoas (Boa Viagem - Recife and Maceió).

Key words: physiognomy, floristics, northeastern Brazil, coastal vegetation

Introdujo

A faixa costeira brasileira, com aproximadamente 8500 km de extensao, abriga uma grande biodiversidade e um mosaico de ecossistemas de alta relevancia, basicamente em fungao das elevadas variedades climáticas e geomorfológicas (Ferreira 2001). Entre esses ecossistemas, as restingas, que recobrem a estreita faixa

continental de areias holocénicas de origem marinha (Fernandes 1998), ocupam cerca de 80% da costa (Lacerda et al. 1993) e englobam um conjunto de comunidades vegetais fisionomicamente distintas, sempre sob influéncia marinha e/ou flúvio-marinha (Sugiyama 1998).

No Brasil, a maior parte dos estudos com enfoque florístico, estrutural e/ou fitogeográfico envolvendo as

1 Parte da Dissertagao da primeira Autora, Programa de Pós-Graduagao em Botanica da Universidade Federal Rural de Pernambuco

2 Universidade Federal Rural de Pernambuco, Departamento de Biologia, Botanica, Av. Dom Manoel de Medeiros s.n., Dois Irmaos, 52171-900 Recife, PE, Brasil

3 Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Departamento de Geografia, CCHLA, Campus Universitário, 59078-970 Natal, RN, Brasil

4 Autor para correspondencia: zickelbr@yahoo.com

restingas concentra-se nas regiöes Sul e Sudeste, onde a diversidade se reflete na variedade de comunidades descritas: scrub de Clusia, scrub de Palmae, scrub de Ericaceae, floresta arenosa litoranea e floresta de restinga (Araujo & Henriques 1984; Sugiyama & Mantovani 1994; César & Monteiro 1995).

Na regiao Nordeste, embora a diversidade de comunidades de restinga também seja observada (Zickel et al. 2004), os trabalhos publicados sao mais escassos e concentram-se principalmente em levantamentos florísticos isolados (Andrade-Lima 1951; 1953; Esteves 1980; Freire 1990; Cabral-Freire & Monteiro 1993; Matias & Nunes 2001).

Particularmente para as restingas pernambucanas, o pioneirismo coube a Andrade-Lima (1951; 1953), com forte abordagem florística. Estudos mais recentes envolvendo levantamentos florísticos, descri^oes fisionömicas e estruturais e relates com o solo foram realizados por Sacramento et al. (2007), Cantarelli (dados nao publicados) e Zickel et al. (2007). Há necessidade, entretanto, de ampliar os estudos sobre as restingas, tendo em vista a escassez de conhecimentos sobre essas comunidades e a forte pressao da urbanizado sobre esses ambientes. É importante, também, verificar relates fitogeográficas entre essas comunidades, com vistas a aperfei^oar o sistema de classificado da vegetado de restinga e fornecer subsidios para a recuperado de áreas degradadas.

O trabalho tem como objetivos identificar, descrever fisionomicamente e levantar a diversidade da flora vascular das diferentes comunidades de restinga de Ariquindá no municipio de Tamandaré, em Pernambuco, associando-as com seu ambiente edáfico, além de indicar as rela^öes de similaridade com outras áreas de restinga do litoral do Nordeste.

Material e métodos

Área de estudo - A restinga de Ariquindá, com 41 ha, localiza-se no município de Tamandaré, litoral sul de Pernambuco (8°47'20"S e 35°06'45"W), a cerca de 110 km da cidade de Recife. A regiao costeira de Tamandaré apresenta aproximadamente 9 km de extensao, envolvendo a Baía de Tamandaré e as praias de Campas e dos Carneiros (Maida & Ferreira 1997). A restinga está assentada sobre os Terrados Marinhos Pleistocenicos, com altitudes de 3 a 9 m, que correspondem a depósitos de antigas praias, com idade em torno de 100.000 anos, formados durante a última transgressao marinha (CPRH 1998; Coutinho et al. 1998).

Essa restinga faz parte da Área de Protejo Ambiental (APA) de Guadalupe, criada através do Decreto Estadual

no 19635/97, visando assegurar a prote^ao e a conservado dos ecossistemas naturais, bem como o desenvolvimento sustentável da regiao (CPRH 1999).

No municipio de Tamandaré predomina o clima As', quente e úmido, de acordo com o sistema de classificado proposto por Koppen (1948). A precipitado pluviométrica média anual atinge cerca de 2.000 mm, com maior concentrado no periodo chuvoso, de maio a julho, sendo os meses mais secos os de outubro a dezembro (SUDENE 1990). A temperatura média anual é de 24 °C, variando entre a mínima de 18 °C e a máxima de 32 °C. Os ventos alisios de sudeste predominam durante a maior parte do ano, seguidos pelos alisios de nordeste (CPRH 1999).

Levantamento florístico - Para o levantamento da flora fanerogamica e a análise das diferentes fisionomias foram realizadas excursoes mensais para a área, no periodo de mar^o/2002 a agosto/2003, quando toda a área foi percorrida nas trilhas existentes e em caminhadas aleatorias.

O material foi processado seguindo a metodologia usual de Mori et al. (1989) e foi incorporado ao acervo do Herbário Dárdano de Andrade-Lima (IPA), da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária, e duplicatas enviadas ao Herbário Prof. Vasconcelos Sobrinho (PEUFR) da UFRPE. A identificado do material botanico foi realizada com bibliografias especializadas e através da comparado com material identificado nos herbários citados acima, além da colaborado de especialistas. Para a listagem das espécies de angiospermas adotou-se o sistema de classificado de Cronquist (1981).

Para a verificado e corredo de grafia das espécies foi utilizado o banco de dados do Missouri Botanical Garden, disponivel na Internet através do enderezo eletronico http://mobot.mobot.org e Brummitt & Powell (1992) para abreviado de autores.

Para a denominado dos diferentes tipos fisionomicos foi utilizada a proposta de classificado de Silva & Britez (2005). Nessa classificado utilizaram-se os termos "campo", caracterizado pela predominancia de plantas herbáceas eretas, cespitosas, reptantes e/ou rizomatosas, "fruticeto", predominando espécies arbustivas com alturas variadas e onde ocorrem elementos arbóreos isolados e "floresta", com predominancia de árvores e com tres estratos diferenciados. O grau de cobertura proporcionado pela projedo das copas da forma biológica do componente dominante caracteriza-se como "aberta", quando a cobertura encontra-se entre 10 e 60% e "fechada" quando superior a 60%. Quanto ao regime de inundado define-se como "nao inundável" quando o solo do local nao está sujeito a alagamentos extensivos por periodos prolongados.

As formas biológicas das espécies foram definidas com base na classificaçao proposta por Whittaker (1975): erva (ereta, bulbosa, reptante, rizomatosa, rosulada, cespitosa ou saprófita) - planta nâo lenhosa ou lenhosa apenas na base, geralmente com até 50 cm de altura; arbustiva (ereta, escandente, suculenta ou rosulada) - planta lenhosa, ramificada desde a base, raramente ultrapassando 4 m de altura; arbórea (ereta, rosulada) - planta lenhosa com caule único ou pouco ramificado, bem definido, geralmente com mais de 4 m de altura; trepadeira (herbácea, lenhosa) - desenvolve-se sobre outra planta, ou menos freqüente, sobre um substrato abiótico, com estruturas especializadas à fixaçâo ou volúveis; epífita (ereta, rosulada, pendente ou rizomatosa) - desenvolve-se sobre outra planta (forófito), nâo mantendo relaçoes nutricionais diretas; hemiepífita - planta que vive parcialmente sobre um forófito, mas mantém relaçoes nutricionais diretas com o solo.

Perfis fisionômicos - Para a caracterizaçâo dos perfis fisionômicos da vegetaçâo foram escolhidas as áreas mais representativas de cada fisionomia. Cada área foi demarcada com uma transecçâo paralela ao mar, de 50x2 m e o campo de 25x2 m. Para cada perfil foram marcados e identificados todos os indivíduos. A altura dos individuos foi estimada visualmente por comparaçâo com uma tesoura de poda alta de 5 m, para o fruticeto e a floresta e, com uma vara de 1,5 m para o campo. Os perfis foram desenhados utilizando-se o programa Corel Draw 5.0.

Relaçoes fitogeográficas - Para avaliar a similaridade florística entre a restinga de Arinquindá e outras áreas de restinga e também com a floresta atlántica próxima foram selecionadas nove áreas de restinga da regiao

Nordeste, uma do Sudeste (esta foi escolhida com o objetivo de verificar a influencia e comparar com as restingas do nordeste), um tabuleiro costeiro e duas áreas de floresta atlántica do Nordeste (Tab. 1). Os dados desses estudos foram utilizados para a montagem da matriz binária, apenas com as espécies lenhosas identificadas ao nível específico. A similaridade entre os levantamentos (Tab. 1) foi avaliada a partir do índice de similaridade de S0rensen (Krebs 1989) e da análise de agrupamento pelo método de associagao - WPGMA (Valentin 2000). Os parámetros foram calculados através do pacote FITOPAC (Shepherd 1995). Para testar a consistencia dos agrupamentos foi utilizado o método de permutado Monte Carlo (Manly 1997) com 2.000 replicagoes e a = 1%, através do programa RandMat versao 1.0. (Rosso 2003).

Solos - Os solos da restinga de Ariquindá foram classifi-cados segundo o sistema adotado pela EMBRAPA (1999). Para a realizado das análises química, granulométrica e sedimentológica do solo foram coletadas nove amostras aleatorias, sendo tres amostras para cada fisionomia, a uma profundidade de 20 cm, de acordo com as recomendares da EMBRAPA (1997).

As análises granulométricas e sedimentológicas foram realizadas no Laboratorio de Geologia e Geofísica Marinha da Universidade Federal de Pernambuco, de acordo com a metodologia de Suguio (1973). Para calcular os diversos parámetros estatísticos (média, desvio-padrao, curtose e assimetria), e classificar a textura das amostras, foi utilizado o Programa de Análise Granulométrica PANCOM (Toldo Jr. & Dorneles 1991).

As análises químicas das amostras foram realizadas no Laboratório de Fertilidade de Solos do Departamento de Solos da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Tabela 1. Estudos selecionados para a comparado da listagem florística da restinga de Ariquindá, município de Tamandaré, PE, Brasil, com outras listagens de dez restingas e duas de floresta atlántica, de outros locais, com localizado, formagao vegetacional e coordenadas. Legenda: (*) = Comparagao florística; (a) = Similaridade florística e NS = número de espécies amostradas.

Município Latitude Longitude Formagao NS Autores

Recife, Boa Viagem - PE *A 08° 04' 34° 55' Restinga 39 Andrade-Lima (1951)

Cabo de Santo Agostinho - PE *A 08° 17' 35° 02' Tabuleiro costeiro 55 Andrade-Lima (1953)

Jurubatiba - RJ A 22° 23' 41° 15' Restinga 181 Araujo et al. (1998)

Joao Pessoa, Mata do Buraquinho - PB A 07° 06' 34° 52' Floresta Atlántica 236 M.R.V.Barbosa, dados nao publicados

Sao Luís - MA *A 02° 30' 44° 16' Restinga 260 Cabral-Freire & Monteiro (1993)

Sirinhaém - PE *A 08° 35' 35° 06' Restinga 121 J.R.R. Cantarelli, dados nao publicados

Maceió - AL *A 09° 40' 35° 44' Restinga 63 Esteves (1980)

Jericoacoara - CE *A 02° 47' 40° 36' Restinga 87 Matias & Nunes (2001)

Mataraca - PB *A 06° 28' 34° 55' Restinga 147 Oliveira Filho & Carvalho (1993)

Piaçabuçu - AL *A 10° 18' 36° 17' Restinga 155 R.F.A. Rocha, dados nao publicados

Cabo de Santo Agostinho, Paiva - PE *A 08° 07' 35° 00' Restinga 115 Sacramento et al. 2007

Cabo de Santo Agostinho, 08° 18' 34° 58' Floresta Atlántica 119 Siqueira et al. (2001)

Mata do Zumbi - PE A

As variáveis do solo medidas foram o pH e os teores de Ca, Mg, P, K, Na, Al, H+Al, Zn, Cu, Mn, Fe, carbono orgánico (C.O.) e matéria organica (M.O.) seguindo protocolo da EMBRAPA (1997).

Análises estatisticas - Para comparar a riqueza das fisionomias presentes na área foi utilizado o teste G (Sokal & Rohlf 1995). Para comparar os parametros de solo das diferentes fisionomias foi utilizado o teste Kruskal-Wallis (Sokal & Rohlf 1995). Para os valores de V% (Saturado de Bases) e m% (Saturado por Aluminio) foi utilizado o teste G (Sokal & Rohlf 1995).

Resultados e discussao

Foram levantadas 104 espécies distribuidas em 88 géneros e 54 familias (Tab. 2). As familias que apresentaram maior riqueza especifica foram Myrtaceae, com sete espécies (6,73%), Fabaceae e Cyperaceae, com seis espécies cada (5,76% cada uma), Euphorbiaceae, com cinco espécies (4,81%), Malpighiaceae, Poaceae e Rubiaceae, com quatro espécies cada (3,45% cada uma delas), correspondendo a 34,63% do total. Estas encontram-se entre as dez familias com maior número de espécies citadas para outras restingas do Nordeste

Tabela 2. Familias e espécies da restinga de Ariquindá, municipio de Tamandaré, PE, Brasil, com suas respectivas formas biológicas (ArEr - arbórea ereta; ArbEr - arbustiva ereta; ArbEs - arbustiva escandente; ArbRo - arbustiva rosulada; ArbSu - arbustiva suculenta; SubEr - subarbusto ereto; EpEr - epífita ereta; HemEp - hemiepífita; HerbEr - herbácea ereta; HerbCe - herbácea cespitosa; HerbRe - herbácea reptante; HerbRo - herbácea rosulada; TreHerb - trepadeira herbácea; TreLen - trepadeira lenhosa) e tipo fisionomico (CA - Campo; FR - Fruticeto e FL - Floresta); * espécies listadas para a restinga de Ariquindá e que nao foram listadas nos outros trabalhos realizados em restingas e que constam da Tab. 1.

Família/Espécie Formas biológicas Coletor /No de coleta Tipo fisionomico

CA FR FL

ANACARDIACEAE Anacardium occidentale L. ArEr

Tapirira guianensis Aubl. ArEr

ANNONACEAE

Rollinia pickelii Diels* ArEr

APOCYNACEAE Hancornia speciosa Gomes ArEr

Himatanthus phagedaenicus (Mart.) Woodson* ArEr

AQUIFOLIACEAE

Ilex sp. ArbEs

ARACEAE

Anthurium affine Schott HerbEr

ARECACEAE

Bactris sp. ArbRo

Syagrus schizophylla (Mart.) Glassman ArbRo

ASCLEPIADACEAE

Ditassa crassifolia Decne. TrepHerb

ASTERACEAE

Elephantopus hirtiflorus DC.* HerbEr

Mikania obovata DC. TrepLen

Wedelia sp. ArbEr

BLECHNACEAE

Blechnum serrulatum Rich. HerbRo

BORAGINACEAE

Tournefortia candidula (Miers) I.M. Johnst. ArbEs

BROMELIACEAE

Aechmea tomentosa Mez* HerbRo

BURSERACEAE Protium bahianum Daly* ArEr

P. heptaphyllum (Aubl.) Marchand ArEr

CACTACEAE

Cereus fernambucensis Lem. ArbSu

CAESALPINIACEAE Chamaecrista flexuosa (L.) Greene* HerbEr

C. ramosa (Vogel) H.S. Irwin & Barneby SubEr

CAPPARACEAE

Capparis flexuosa (L.) L. ArbEr

CECROPIACEAE Cecropia sp. ArEr

S.S.Lira 433 S.S.Lira 593

S.S.Lira 611

S.S.Lira 588 S.S.Lira 495

S.S.Lira 490

S.S.Lira 578

S.S.Lira 525 A.Laurenio 1937

S.S.Lira 365

S.S.Lira 608 S.S.Lira 601 S.S.Lira 542

S.S.Lira 582

S.S.Lira 565

S.S.Lira 411

S.S.Lira 409 S.S.Lira 471

S.S.Lira 613

S.S.Lira 631 S.S.Lira 570

A.Laurenio 1933

S.S.Lira 645

continua

Tabela 2 (continuaçao)

Família/Espécie Formas biológicas Coletor /No de coleta Tipo fisionomico

CA FR FL

CELASTRACEAE

Maytenus distichophylla Mart. CHRYSOBALANACEAE Chrysobalanus icaco L. Couepia impressa Prance* CLUSIACEAE

Vismia guianensis (Aubl.) Pers. COMBRETACEAE

Conocarpus erectus L. CONVOLVULACEAE

Ipomoea pes-caprae (L.) Sweet CYPERACEAE Abildgaardia scirpoides Nees* Cyperus hermaphroditus (Jacq.) Standl.* Cyperus ligulares L. Fimbristylis diphylla (Retz.) Vahl* Rhynchospora riparia (Nees) Boeck. Scleria bracteata Cav.* DILLENIACEAE

Curatella americana L. Tetracera breyniana Schltdl. DIOSCOREACEAE

Dioscorea leptostachya Gardner* ERIOCAULACEAE Paepalanthus bifidus (Schrad.) Kunth Paepalanthus tortilis (Bong.) Körn. EUPHORBIACEAE

Chamaesyce hyssopifolia (L.) Small Croton klotzschii Müll. Arg. C. sellowii Baill.

Pera glabrata (Schott) Poepp. ex Baill. Microstachys corniculata (Vahl) Griseb. FABACEAE Andira nitida Mart. ex Benth. Centrosema brasilianum (L.) Benth. Clitoria laurifolia Poir.* Desmodium barbatum (L.) Benth. Stylosanthes guianensis Kunth S. viscosa (L.) Sw. HUMIRIACEAE Humiria balsamifera Aubl. var. balsamifera Sacoglottis mattogrossensis Malme LAURACEAE

Ocotea gardneri (Meisn.) Mez LYTHRACEAE

Cuphea flava Spreng. MALPIGHIACEAE Byrsonima gardneriana Juss. B. sericea DC. Byrsonima sp.

Stigmaphyllon paralias A. Juss. MALVACEAE Sida linifolia Cav.* Sida sp.

Urena lobata L. MELASTOMATACEAE Miconia cf. amoena Triana Pterolepis herincqniana Cogn.*

ArbEr ArEr

HerbRe

HerbCe HerbCe HerbCe HerbCe HerbCe HerbCe

ArEr ArbEr

TrepHerb

HerbCe HerbCe

HerbEr SubEr SubEr ArEr HerbEr

ArEr TrepHerb HerbEr HerbEr HerbEr HerbEr

ArEr ArEr

HerbEr

ArbEr ArEr ArEr SubEr

HerbEr HerbEr HerbEr

ArbEr HerbEr

S.S.Lira 511

A.Laurenio 1932 S.S.Lira 522

S.S.Lira 277

S.S.Lira 401

S.S.Lira 644

S.S.Lira 430 S.S.Lira 563 S.S.Lira 513 S.S.Lira 599 J.R.R.Cantarelli 606 S.S.Lira 492

S.S.Lira 552 S.S.Lira 566

S.S.Lira 375

S.S.Lira 390 S.S.Lira 632

S.S.Lira 519 S.S.Lira 528 S.S.Lira 557 S.S.Lira 416 S.S.Lira 368

S.S.Lira 464 S.S.Lira 360 S.S.Lira 518 S.S.Lira 575 S.S.Lira 541 S.S.Lira 488

S.S.Lira 423 S.S.Lira 415

S.S.Lira 591

S.S.Lira 530

S.S.Lira 339 S.S.Lira 481 S.S.Lira 545 S.S.Lira 484

S.S.Lira 622 S.S.Lira 621 A.C.Sacramento 906

S.S.Lira 476 S.S.Lira 502

X X X X X

X X X X X

X X X X

X X X X

continua

Tabela 2 (continuado)

Família/Espécie Formas biológicas Coletor /No de coleta Tipo fisionömico

CA FR FL

MIMOSACEAE

Abarema filamentosa (Benth.) Pittier ArEr

Inga capitata Desv. ArEr

Inga sp. ArEr MOLLUGINACEAE

Mollugo verticillata L. HerbRe MYRTACEAE

Campomanesia dichotoma (O. Berg) Mattos ArbEr

Marlierea aff. parviflora O. Berg* ArEr

M. aff. schottii (O. Berg) D. Legrand ArEr

Myrcia bergiana O. Berg ArEr

M. hirtiflora DC. ArEr

Myrcia sp. ArEr

M. rotundifolia (O. Berg) Kiaersk.* ArEr NYCTAGINACEAE

Guapira pernambucensis (Casar.) Lundell ArbEr OCHNACEAE

Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl. ArEr ORCHIDACEAE

Epidendrum cinnabarinum Salzm. ex Lindl. EpEr

Habenaria petalodes Lindl. HerbRo

Vanilla chamissonis Klotzsch HemEp PASSIFLORACEAE

Passiflora mucronata Lam. TrepLen PHYTOLACACEAE

Rivina sp. HerbEr POACEAE

Andropogon selloanus (Hack.) Hack. HerbCe

Eragrostis rufescens Schrad. ex Schult.* HerbCe

Paspalum arundinaceum Poir. HerbCe

Panicum laxum Sw.* HerbCe POLYGALACEAE

Polygala violacea Aubl.* HerbEr POLYGONACEAE

Coccoloba laevis Casar. * ArbEs

Coccoloba sp. ArbEr PTERIDACEAE

Acrosticum aureum Rich.* HerbCe RUBIACEAE

Borreria verticillata (L.) G. Mey. HerbEr

Guettarda platypoda DC. ArbEr

Salzmannia nitida DC.* ArbEs Staelia virgata (Link ex Roem. & Schult) K. Schum.* HerbEr SAPINDACEAE

Serjania salzmanniana Schltr.* TrepLen SAPOTACEAE

Manilkara salzmannii (A. DC.) H.J. Lam ArEr

Pouteria sp. ArEr SCROPHULARIACEAE

Stemodia pratensis (Aubl.) C.P. Cowan* HerbEr SIMAROUBACEAE

Simaba cuneata A. St.-Hil. & Tul.* ArEr SOLANACEAE

Solanum paludosum Moric. ArbEr

S. stipulaceum Roem. & Schult. ArbEr STERCULIACEAE

Waltheria indica L. HerbEr VERBENACEAE

Lantana camara L. ArbEr

Stachytarpheta cayennensis (Rich.) Vahl HerbEr

S.S.Lira 370 S.S.Lira 520 S.S.Lira 507

S.S.Lira 592

S.S.Lira 210 S.S.Lira 506 S.S.Lira 538 S.S.Lira 503 S.S.Lira 561 S.S.Lira 553 S.S.Lira 475

S.S.Lira 555

S.S.Lira 421

S.S.Lira 334 S.S.Lira 630 S.S.Lira 500

S.S.Lira 544

S.S.Lira 325

S.S.Lira 515 S.S.Lira 629 S.S.Lira 564 S.S.Lira 486

S.S.Lira 574

S.S.Lira 337 S.S.Lira 501

S.S.Lira 609

S.S.Lira 349 S.S.Lira 504 S.S.Lira 493 S.S.Lira 509

S.S.Lira 535

S.S.Lira 406 S.S.Lira 476

S.S.Lira 487

S.S.Lira 470

S.S.Lira 420 S.S.Lira 581

S.S.Lira 543

S.S.Lira 536 S.S.Lira 364

X X X X

X X X X X X

por Andrade-Lima (1951; 1979), Esteves (1980), Pinto et al. (1984), Oliveira Filho & Carvalho (1993), Cabral-Freire & Monteiro (1993) e Matias & Nunes (2001), indicando uma estreita rela^ao fitogeográfica entre elas, ao nível de familia. Corroborando estes dados, D.S.D. Araujo (dados nao publicados) comparou as 20 familias mais ricas em espécies da flora das restingas fluminenses com a floresta atlántica, cerrado e floresta amazónica, observando uma semelhan^a entre estes biomas, tendo as restingas 15 famílias em comum com a floresta atlántica, 14 com o cerrado e 12 com a floresta amazónica. Oito familias estao presentes em todos os quatro biomas (Leguminosae (sensu latu), Rubiaceae, Euphorbia-ceae, Melastomataceae, Bignoniaceae, Orchidaceae, Myrtaceae e Sapindaceae). A familia Myrtaceae também se destacou pela maior riqueza em espécies concentrada nas florestas da costa atlántica brasileira (Peixoto & Gentry 1990). Constitui assim um grupo muito importante, tanto florística quanto estruturalmente, nao apenas para as formajes arbustivas e arbóreas das planicies do Sul e Sudeste (Araujo & Henriques 1984; Sá 1992; 2002), como também do Nordeste, nas dunas (Freire 1990), e também em levantamentos realizados em floresta atlántica de terras baixas (Guedes & Santos 1998) e montanas (Ferraz & Rodal 2006).

A restinga de Ariquindá caracteriza-se por apresentar tres formajes fisionómicas abertas e nao inundáveis: campo, fruticeto e floresta, com a predomináncia da fisionomia fruticeto.

Na fisionomia campo (Fig. 1) foram reconhecidas 44 espécies, distribuidas em 38 géneros e 24 familias. Nesta fisionomia ocorreram 33 espécies exclusivas. As familias com maior riqueza de espécies foram Cyperaceae (cinco espécies), Fabaceae (cinco), Euphorbiaceae (quatro) e Poaceae (quatro). No campo foi observada uma predomináncia de formas biológicas herbáceas, num

total de 34 espécies (77,27%), das quais as eretas correspondem a 45,45%, as cespitosas a 25%, as reptantes a 4,54% e as rosuladas a 2,27%, seguidas pelas subarbustivas, representadas por quatro espécies (9,09%) e arbustivas por uma espécie (2,27%); as arbóreas estao representadas por trés espécies (6,82%) e as trepadeiras por duas espécies (4,55%). A altura das ervas eretas e cespitosas variou entre 20 e 90 cm, determinando a fisionomia da área, tanto em rela^ao ao número de espécies, quanto ao grande número de individuos. Segundo Lorenzi (1991), Borreria verticillata, Fimbristylis diphylla, Polygala violacea, Sida linifolia, Stachytarpheta cayennensis, Urena lobata e Waltheria indica, sao consideradas plantas daninhas, ocorrendo em beira de estradas e/ou terrenos baldios. Sua ocorréncia na área estudada pode ser devida ao fato de o campo estar próximo a uma rodovia. Já Chamaecrista flexuosa, Desmodium barbatum, Mollugo verticillata e Stylosanthes viscosa, encontradas na área sao consideradas ruderais, exóticas ou subespontáneas nas restingas fluminenses (D.S.D. Araujo, dados nao publicados). As espécies subarbustivas Chamaecrista ramosa, Croton klotzschii, Croton sellowii e Stigmaphyllon paralias, que também compoem esta fisionomia, ocorreram de forma isolada ou em pequenas moitas, sendo que Chamaecrista ramosa e Stigmaphyllon paralias tém maior representatividade, em rela^ao as duas espécies de Croton. Anacardium occidentale, Myrcia sp. e Curatella americana ocorrem sempre isoladamente. Curatella americana é característica do cerrado, ocorrendo do Paraná até a Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul e Sao Paulo (Lorenzi 1998; Rizzini 1992); sua presenta no Nordeste oriental está associada aos tabuleiros costeiros, que englobam as savanas cuja fisionomia e flora sao próximas dos cerrados do Brasil Central (Tavares 1964).

As - Abildgaardia scirpoides Ao - Anacardium occidentale Bv - Borreria verticillata Ch - Cyperus hermaphroditus Cl - Cyperus ligulares

Cf - Cuphea flava

Cr - Chamaecrista ramosa

Cs - Croton sellowii

Pl - Panicum laxum

Pa - Paspalum arundinaceum

Ph - Pterolepis herincqniana Rr - Rynchospora riparia Mc - Microstachys corniculata Sv - Staelia virgata

Figura 1. Perfil fisionómico do campo aberto nao inundável da restinga de Ariquindá, Tamandaré, PE, Brasil.

No fruticeto (Fig. 2) foram reconhecidas 52 espécies, distribuidas em 46 géneros e 34 familias. As familias Malpighiaceae (quatro espécies), Euphorbiaceae (quatro), Myrtaceae (trés) e Orchidaceae (trés) apresentaram maior riqueza especifica. Do total, 19 espécies foram observadas apenas nessa formagao. O fruticeto apresenta predominancia de formas biológicas arbustivas, representadas por 17 espécies (32,69%) sendo 13 eretas (25%), duas escandentes (3,84%), uma rosulada e uma suculenta (1,92%). As subarbustivas estao representadas por trés espécies (5,77%). As árvores estao presentes com 19 espécies (36,54%), as trepadeiras com seis espécies (11,52%), as herbáceas com cinco espécies (9,06%) e as epifitas e hemiepifitas com uma espécie cada, representando 1,92%. Byrsonima gardneriana é uma espécie representativa no fruticeto, com altura variando de 1-4 m, formando moitas, da borda para o interior desta vegetagao ou ocorrendo como arbusto isolado em toda extensao da mesma. Outra espécie comum foi Stigmaphyllon paralias, apresentando crescimento clonal (Pereira et al. 2004), e altura variando de 1-2 m, ocorrendo com maior expressividade no interior do fruticeto e na transigao fruticeto/campo. Essa espécie apresenta ampla distribuigao (cerrado, campos rupestres e caatinga), sendo também encontrada entre moitas da formagao de Clusia em Carapebus, RJ (Henriques et al. 1986). As espécies arbóreas restringem-se a pequenos agrupamentos ou individuos isolados com até 9 m de altura, sendo as espécies mais representativas Abarema filamentosa, Byrsonima sericea, Hancornia speciosa, Pera glabrata, Protium heptaphyllum e Simaba cuneata. As espécies herbáceas estao agrupadas, principalmente em locais sombreados, sendo representadas por Aechmea tomentosa, Habenaria

petalodes, ou estao isoladas, como Anthurium affine, Microstachys corniculata e Stachytarpheta cayennensis.

Na fisionomia floresta foram reconhecidas 48 espécies, distribuidas em 40 géneros e 30 familias. As familias que apresentaram maior número de espécies foram Myrtaceae (seis espécies), Euphorbiaceae (trés) e Malpighiaceae (trés). Do total, 15 espécies foram exclusivas nesta fisionomia. A floresta (Fig. 3) caracteriza-se por apresentar predominancia de formas biológicas arbóreas, com 27 espécies (56,25%) sendo todas eretas, seguidas pelas arbustivas, com 12 espécies (25%), subarbustivas e herbáceas, com trés espécies cada (6,24%), as trepadeiras com duas espécies (4,16%) e uma espécie hemiepifita (2,08%). Esta fisionomia apresenta trés estratos, sendo um estrato arbóreo-arbustivo denso com alturas de 0,7-4,0 m para os arbustos e 4,0-10,0 m para as árvores, e outro arbóreo com espécies atingindo alturas superiores a 11 m, como é o caso de Andira nitida, Manilkara salzmannii, Protium bahianum e Tapirira guianensis. Na formagao arbustiva, entre as espécies encontradas com maior representatividade, por vezes formando moitas ou isoladas, destacam-se Byrsonima gardneriana e Stigmaphyllon paralias. As trepadeiras foram ocasionais nesta fisionomia, representadas por Dioscorea leptostachya e Ditassa crassifolia. Como espécies exclusivas foram observadas Acrosticum aureum, Coccoloba laevis, Salzmannia nitida.

Na comparagao da riqueza de espécies entre os tipos fisionomicos encontrados na restinga de Ariquindá, constatou-se que nao houve diferenga significativa entre as fisionomias.

Na comparagao de formas biológicas, o campo apresentou diferenga significativa para as formas arbórea

An - Andira nitida

Ba - Bactris sp.

Bg - Byrsonima gardneriana

Bs - Byrsonima sericea

Ca - Campomanesia dichotoma

Cs - Croton sellowii

Gp - Guapira pernambucensis Hs - Harncornia speciosa Ma - Marlierea aff. schottii Md - Maytenus distichophylla Ms - Manilkara salzmannii

Og - Ocotea gardneri Ph - Protium heptaphyllum Sc - Simaba cuneata Sp - Stigmaphyllon paralias Tb - Tetracera breyniana

Figura 2. Perfil fisionomico do fruticeto aberto nao inundável da restinga de Ariquindá, Tamandaré, PE, Brasil.

Ac - Abarema cochliacarpos Ao - Anacardium occidentale Ao+Dc - Anacardium occidentale +

Ditassa crassifolia Bg - Byrsonima gardneriana Cs - Croton sellowii Gp - Guettarda platypoda

Ic - Inga capitata My - Myrcia sp. Mb - Myrcia bergiana Mh - Myrcia hirtiflora Mr - Myrcia rotundifolia Mp - Marlierea aff. parviflora Ms - Manilkara Salzmannii

Og - Ocotea gardneri Of - Ouratea fieldingiana Pb - Protium bahianum Sm - Saccoglotis mattogrossensis Sp - Stigmaphyllon paralias Ss - Syagrus schizophylla

Figura 3. Perfil fisionomico da floresta aberta nao inundável da restinga de Ariquindá, Tamandaré, PE, Brasil.

(G = 9,0553; g.l. = 1; p = 0,0026), arbustiva (G = 6,6169; g.l.=1; p = 0,0101) e herbácea (G = 16,9311; g.l.=1; p = <0,001) em relagao ao fruticeto; e para as formas arbórea (G = 15,6058; g.l. = 1; p = <0,001) e herbácea (G = 21,6953; g.l.=1; p = <0,001) em relagao a floresta. Contudo, nao foi observada diferenga de riqueza entre as formas arbórea, arbustiva e herbácea entre o fruticeto e a floresta. Araujo et al. (2004) comprovaram ser adequada a separagao entre os estratos arbustivos e herbáceos pelas formas de vida das espécies na restinga de Jurubatiba. O mesmo ocorreu em Sirinhaém (J.R.R.Cantarelli, dados nao publicados) para as fisionomias de campo e fruticeto, no Paiva (Sacramento et al. 2007) para fruticeto e floresta e na Ilha do Mel (Silva & Britez 2005) com as tres fisionomias. Nestes estudos, as formas de vida (herbácea, arbustiva e arbórea) foram imprescindíveis para a separagao e caracterizagao dessas fisionomias.

A listagem das 93 espécies identificadas foi comparada com as listagens constantes de trabalhos selecionados e realizados em oito áreas de restinga do Nordeste e um tabuleiro costeiro (Tab. 1), evidenciando que 18 espécies sao comuns para a maioria delas, como Anacardium occidentale, Andira nitida, Anthurium afine, Borreria verticillata, Cereus fernambucensis, Chrysobalanus icaco, Conocarpus erectus, Cupheaflava, Cyperus ligulares, Desmodium barbatum, Guapira pernambucensis, Guettarda platypoda, Ipomoea pes-caprae, Manilkara salzmannii, Solanum paludosum, Stigmaphyllon paralias, Stylosanthes viscosa e Vismia guianensis. Há 27 espécies listadas para a restinga de Ariquindá que nao foram mencionadas nos outros estudos analisados.

Na restinga de Ariquindá nao foram encontradas espécies endémicas, mas espécies que sao oriundas de outros ambientes adjacentes ou até mais distantes, como por exemplo Panicum laxum, Polygala violacea, Staelia virgata e Stemodia pratensis, que foram listadas para ambientes como o cerrado sensu lato por Ratter et al. (2003), Rollinia pickelii e Salzmannia nítida, citadas para a floresta atlántica de Joao Pessoa, por M.R.V. Barbosa (dados nao publicados) e Aechmea tomentosa, encontrada na floresta serrana de Pernambuco (Rodal & Nascimento 2002), o que poderia corroborar com Rambo (1954), que afirmou que o fator decisivo na formagao de novas espécies reside nas circunstáncias históricas especiais de uma área a ser povoada. Para Scarano (2002), a auséncia quase total de plantas endémicas nas planicies, a despeito das diferengas de pressao seletiva entre hábitats periféricos, deve-se a origem recente dessas planícies, nao havendo tempo suficiente para especiagao. Isto implica que as espécies da floresta atlántica foram capazes de colonizar as planícies geologicamente mais recentes, adaptando-se as condigoes extremas (e.g. vento constante, alta salinidade e a falta de nutrientes no solo). As espécies que nao foram detectadas para outros ecossistemas, até o momento, podem estar relacionadas tanto com a auséncia ou a baixa intensidade de coletas, quanto com a grande antropizagao causada nos ambientes adjacentes.

Similaridade florística - Para a análise de similaridade da área de estudo com as outras restingas do Nordeste brasileiro (Tab. 1) foram utilizados 877 táxons identificados em nível específico, excluídas as macrófitas aquáticas e hemiparasitas, para a padronizagao dos dados, pois alguns dos levantamentos florísticos analisados nao

consideraram esses hábitos. O número total de táxons por restinga variou de 35 a 199, variaçâo esta que reflete náo só a diferença entre áreas, como também a intensidade de coleta.

As relaçoes de similaridade entre as restingas levaram à separaçâo de dois grupos (Fig. 4). O primeiro é formado pelas restingas de Sirinhaém, Tamandaré e Paiva e o segundo pelas restingas de Maceió e Boa Viagem. Resultado similar também foi encontrado na restinga de Sirinhaém por Cantarelli (ver Zickel et al. 2004), ao comparar as restingas de Pernambuco com outras restingas do Nordeste, que encontrou dois grupos de similaridade, sendo um deles formado apenas pelas restingas de Pernambuco. O teste de Monte Carlo (Randmat 22% - S0rensen, = 1%) confirmou a formaçâo destes dois grupos. A proximidade geográfica, provavelmente, foi um dos fatores que contribuíram para o aumento da similaridade florística entre os grupos. Outras variáveis que poderiam contribuir para a formaçâo dos grupos estâo relacionadas a fatores como condiçoes climáticas semelhantes, mesmo tipo de solo, além da mesma formaçâo geológica (Terraços Pleistocênico -primeiro grupo).

Ao analisar e comparar o segundo grupo formado por Maceió e Boa Viagem verificou-se que foram realizadas apenas coletas na fisionomia campo das restingas (próximas ao mar), obtendo-se 18 espécies em comum. As restingas de Maceió, Piaçabuçu e Jericoacoara e as florestas atlánticas da Paraíba (mata

do Buraquinho) e Cabo de Santo Agostinho (mata do Zumbi) apresentaram uma baixa ligaçâo de similaridade. A dissimilaridade entre as áreas e seus conjuntos florísticos pode ser devida aos seguintes fatores: solos diferentes, altura do lençol freático, tipos fisionômicos distintos, intensidade de coletas, altitude, temperatura e precipitaçâo, entre outros (Sá 2002; Pereira & Araujo 2000; Zickel et al. 2004).

Para que se conheça melhor a relaçâo de similaridade florística entre as restingas nordestinas, em trabalhos futuros se faz necessário discriminar os tipos fisionômicos existentes, além de relacionar os conjuntos florísticos de cada uma destas fisionomias; ampliar os estudos básicos de flora para todos os estados do Nordeste, estabelecendo parámetros de diversidade, critérios de distribuiçâo ou simplesmente uma listagem de espécies características das restingas; e dados climáticos, geomorfológicos e edáficos por serem imprescindíveis para relacionar afinidades florísticas entre as restingas (Zickel et al. 2004).

Solos - Os solos da restinga de Ariquindá foram classificados como Neossolos Quartzarênicos Órticos, profundos e essencialmente arenosos, com teor de areia superior a 90% ao longo de todo o perfil (Tab. 3).

A análise sedimentológica dos solos indicou uma predomináncia de areia grossa moderadamente selecionada, cujas curvas de distribuiçâo de freqüéncia dos tamanhos de grâo apresentaram, respectivamente, assimetria positiva e negativa ou, entâo, simetria. Estes

Figura 4. Dendrograma de similaridade entre a restinga de Ariquindá, Tamandaré, PE, Brasil e outras áreas de restinga e floresta atlántica, acompanhado do teste de permutaçao Monte Carlo = 0.22 (com 2.000 replicaçoes, a = 1%), mostrando que acima deste valor as áreas säo consideradas similares.

Tabela 3. Caracteristicas fisicas e quimicas dos solos dos diferentes tipos fisionómicos encontrados na restinga de Ariquindá, municipio de Tamandaré, PE, Brasil. Os valores sao médias + desvio padrao de trés amostras de solo para cada tipo fisionómico encontrado na restinga. As médias para cada parámetro primário sao iguais com pelo menos 95% de confianza. CA = campo, FR = fruticeto, FL= floresta, valor Tp - capacidade de troca de cátions potencial, valor Te - capacidade de troca de cátions efetiva, valor S - soma de bases, valor V - porcentagem de saturagao de bases, ND - nao detectado.

Parámetros CA FR FL

areia (%) 94,96 ± 3,79 97,06 ± 0,98 96,81 ± 2,35

silte (%) 1,89 ± 1,14 0,55 ± 0,13 0,57 ± 0,38

argila (%) 3,13 ± 2,64 2,38 ± 0,96 3,01 ± 1,85

pH em água 5,1 ± 0,3 4,9 ± 0,2 4,8 ± 0,5

H+ + Al3+ (cmolc.dm-3) 23,40 ± 5,12 11,97 ± 3,99 19,80 ± 4,23

Al3+ (cmolc.dm-3) 0,38 ± 0,20 0,35 ± 0,05 0,57 ± 0,37

Ca2+ (cmolc.dm-3) 3,90 ± 3,29 2,23 ± 1,42 1,03 ± 0,64

(% do valor Tp) 13,3 14,9 4,6

(% do valor Te) 61,7 67,4 35,9

Mg2+ (cmolc.dm-3) 1,8 ± 0,46 1,03 ± 0,21 1,1 ± 0,36

(% do valor Tp) 6,1 6,9 5,0

(% do valor Te) 28,5 31,1 38,3

K+ (cmolc.dm-3) 0,08 ± 0,02 0,04 ± 0,02 0,07 ± 0,05

(% do valor Tp) 0,3 0,3 0,3

(% do valor Te) 1,3 1,2 2,4

Na+ (cmolc.dm-3) 0,15 ± 0,04 0,06 ± 0,03 0,11 ± 0,08

(% do valor Tp) 0,5 0,4 0,5

(% do valor Te) 2,4 1,8 3,8

Mn2+ (mg.dm-3 ) 0,90 ± 1,01 0,10 ± 0,17 0,57 ± 0,60

Cu+ (mg.dm-3 ) ND ND ND

Fe2+ (mg.dm-3 ) ND ND ND

Zn2+ (mg.dm-3 ) ND ND ND

PO43- (mg.dm-3 ) ND ND ND

carbono orgánico (g.kg-1) 25,10 ± 15,18 12,20 ± 10,76 16,57 ± 3,49

matéria orgánica (g.kg-1) 43,30 ± 26,21 21,07 ± 18,61 28,57 ± 6,16

valor S - soma de bases (cmolc.dm-3) 5,93 ± 3,76 3,37 ± 1,67 2,32 ± 0,22

valor Tp (cmolc.dm-3) 29,33 ± 7,92 15,33 ± 5,35 22,12 ± 4,36

valor Te (cmolc.dm-3) 6,32 ± 3,56 3,72 ± 1,62 2,88 ± 0,21

valor V - saturagao por bases (%) 19,32 ± 7,62 21,24 ± 5,77 10,69 ± 1,93

m - saturagao por aluminio (%) 8,31 ± 6,0 11,66 ± 7,8 19,20 ± 11,9

resultados indicam que a restinga estudada está assentada sobre um terrago marinho pleistocénico, o qual nao recebeu, durante a sua formagao, influéncia do Rio Ariquindá que passa ao lado da área, caracteristica que é confirmada a partir de observagoes do processo de génese costeira na regiao (V. Neumann, com. pess.). A origem marinha ou fluvial dos sedimentos litoráneos parece nao influenciar na composigao da vegetagao, uma vez que restingas com sedimentos fluviais, como a do Paiva e de Sirinhaém, sao relativamente semelhantes a restinga estudada (Fig. 4).

Solos essencialmente arenosos sujeitos a periodos de chuvas abundantes favorecem a lixiviagao, contribuindo para a escassez de nutrientes. Essa situagao é agravada pela dificuldade dos solos com baixa concentragao de argilas e de matéria orgánica reter cátions, reduzindo acentuadamente o pH. Essa situagao foi constatada para os solos da restinga de Ariquindá,

que se mostraram de forte a moderadamente ácidos e com baixa concentragao dos cátions Ca, Mg, Na e K, considerados de grande importáncia para os vegetais. Tal condigao determina uma muito baixa saturagao por bases e, conseqüentemente, muito baixa capacidade de troca efetiva de cátions (Tomé Jr. 1997). Cobre, ferro, zinco e fósforo apresentaram teores tao baixos que nao foram detectados nas análises laboratoriais de rotina. Os solos das trés áreas, portanto, foram considerados pouco férteis. Baixas concentragoes de nutrientes sao comuns nas restingas, com situagoes semelhantes tendo sido observadas nas restingas do Paiva, PE (Sacramento et al. 2007) e Sirinhaém, PE (J.R.R.Cantarelli, dados nao publicados).

A quantidade de matéria orgánica encontrada a 20 cm de profundidade nos solos da restinga estudada também é relativamente baixa (Tab. 3). Chama a atengao o fato de que a floresta e o fruticeto nao apresentaram

concentraçôes relevantes de matéria orgánica incorporada ao solo, visto que concentram quantidade destacada de serapilheira. A matéria orgánica tem um importante papel nos solos arenosos, melhorando a estrutura, aumentando a retençao de umidade e de cátions e dando sustentabilidade a uma maior diversidade microbiológica (Moniz 1975; Kiehl 1979). Seria de se esperar, portanto, uma maior concentraçao de matéria orgánica no solo dessas duas fisionomias, já que as mesmas sao bem mais exuberantes que o campo. É provável, portanto, que as atividades de decomposiçao e absorçao de nutrientes nessas fisionomias ocorram mais próximas da superficie, acima da camada amostrada, onde se encontra maior quantidade de matéria orgánica.

Os resultados das análises granulométricas e químicas revelaram que nao existem diferenças significativas entre as diferentes fisionomias para os teores de areia, de silte de argila e de nutrientes dos solos. Desta forma, considera-se que as fisionomias da restinga de Ariquindá nao sao determinadas pelas características do solo. Conclusses semelhantes foram obtidas por J.R.R. Cantarelli (dados nao publicados) para a restinga de Sirinhaém-PE, onde as características físicas e químicas dos solos nao auxiliam na separaçao entre fruticeto e floresta. Vários autores têm observado que o espectro biológico, ou seja, a proporçao de formas de vida da comunidade é o melhor parámetro para a separaçao das fitofisionomias (Silva & Britez 2005; Araujo et al. 2004; Sacramento et al. 2007).

Embora nao se tenha detectado variaçôes edáficas associadas aos diferentes tipos de restinga, é provável que outros fatores possam estar atuando na formaçao das fisionomias identificadas em Ariquindá, como a oscilaçao do lençol freático ou as variaçôes sucessionais naturais. No caso das variaçôes ecológicas, pode-se entender que o campo seria a porta de entrada para as espécies resistentes às condiçôes adversas da restinga, como sugerido por Scarano (2002), as quais, modificando o ambiente criariam condiçôes para a instalaçao do fruticeto e da floresta de restinga. Contudo, estas possibilidades necessitam de mais evidências que nao foram testadas neste estudo.

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