Scholarly article on topic 'Há relação entre custos hospitalares e tempo porta‐balão?'

Há relação entre custos hospitalares e tempo porta‐balão? Academic research paper on "Health sciences"

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OECD Field of science
Keywords
{"Custos hospitalares" / "Infarto do miocárdio" / "Intervenção coronária percutânea" / "Hospital costs" / "Myocardial infarction" / "Percutaneous coronary intervention"}

Abstract of research paper on Health sciences, author of scientific article — Marcus Vinicius de Freitas Moreira, Luciana Alves Ribeiro, Edson Elviro Alves, Fernando Carvalho Neuenschwander, Renato Rocha Rabelo, et al.

RESUMO Introdução O tempo porta‐balão (TPB) tornou‐se uma medida de desempenho e é foco de iniciativas de melhoria da qualidade assistencial. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre o TPB e seu impacto nos custos de internação hospitalar. Métodos Pacientes tratados com intervenção coronária percutânea primária, entre 2008 e 2013, foram divididos de acordo com o TPB < ou ≥ 90 minutos. Todos os custos registrados na alta hospitalar foram ajustados por meio do Índice de Variação de Custos Médico‐Hospitalares. Resultados Foram incluídos 141 pacientes, agrupados em TPB < 90 minutos (n=77) e TPB ≥ 90 minutos (n=64). Os TPB foram 64,0 ± 14,1 minutos e 133,8 ± 35,2 minutos, respectivamente. Não foram observadas diferenças nos desfechos clínicos entre os grupos. Os custos foram de R$ 34.883,24 ± 27.749,46, sendo o custo médio para TPB < 90 minutos de R$ 33.194,24 ± 27.387,61, e para TPB ≥ 90 minutos, de R$ 36.947,58 ± 28.267,80 (p =0,43). Os custos, segundo a artéria culpada, foram de R$ 29.588,53 ± 16.358,85 para a coronária direita; R$ 48.494,62 ± 44.015,04 para a circunflexa; e de R$ 34.016,96 ± 26.503,94 para a descendente anterior. Houve diferença entre os custos dos procedimentos relativos à artéria circunflexa comparados aos da coronária direita ou da descendente anterior (p =0,01), mas não houve diferença entre os custos relativos à coronária direita, comparados à descendente anterior (p =0,68). Conclusões Não houve diferença nos custos hospitalares, no âmbito da saúde suplementar, quando os grupos foram divididos de acordo com o TPB. Os desfechos clínicos foram semelhantes, e foi encontrada uma diferença de custos em pacientes com a artéria circunflexa culpada. ABSTRACT Background Door‐to‐balloon time (DBT) has become a measure of performance and is the focus in quality of care improvement initiatives. This study aimed to evaluate the association between DBT and its impact on hospital costs. Methods Patients treated with primary percutaneous coronary intervention between 2008 and 2013 were divided according to the DBT < or ≥ 90minutes. All costs recorded at hospital discharge were adjusted by the Medical‐Hospital Cost Variation Index. Results A total of 141 patients were included, grouped as DBT < 90minutes (n=77) and DBT ≥ 90minutes (n=64). DBT was 64.0 ± 14.1minutes and 133.8 ± 35.2minutes, respectively. There were no differences in clinical outcomes between the groups. The costs were R$ 34,883.24 ± 27,749.46, with the mean cost for DBT < 90minutes being R$ 33,194.24 ± 27,387.61 and the cost for DBT ≥ 90minutes R$ 36,947.58 ± 28,267.80 (p =0.43). The costs, according to the culprit artery, were R$ 29,588.53 ± 16,358.85 for the right coronary artery; R$ 48,494.62 ± 44,015.04 for the left circumflex artery; and R$ 34,016.96 ± 26,503.94 for the left anterior descending artery. There was a difference between the costs of procedures related to the left circumflex artery when compared to the right coronary or left anterior descending arteries (p =0.01), but there was no difference between the costs related to the right coronary, when compared to the left anterior descending artery (p =0.68). Conclusions There was no difference in hospital costs regarding the private health insurance, when the groups were divided according to the DBT. Clinical outcomes were similar and a difference in costs was found for patients with the circumflex artery as the culprit vessel.

Academic research paper on topic "Há relação entre custos hospitalares e tempo porta‐balão?"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(3):195-200

Artigo Original

Há relagao entre custos hospitalares e tempo porta-balao?

Marcus Vinicius de Freitas Moreira*, Luciana Alves Ribeiro, Edson Elviro Alves,

Fernando Carvalho Neuenschwander, Renato Rocha Rabelo, Ubirajara Lima Filho, Raimundo Antonio de Melo, Manoel Augusto Batista Esteves, Augusto Lima Filho, Ricardo Wang

Hospital Vera Cruz, Belo Horizonte, MG, Brasil

INFORMALES SOBRE O ARTIGO RESUMO

Introdufáo: O tempo porta-balao (TPB) tornou-se uma medida de desempenho e é foco de iniciativas de melhoria da qualidade assistencial. Este estudo teve como objetivo avaliar a relagao entre o TPB e seu impacto nos custos de internagao hospitalar.

Métodos: Pacientes tratados com intervengao coronária percutanea primária, entre 2008 e 2013, foram divididos de acordo com o TPB < ou > 90 minutos. Todos os custos registrados na alta hospitalar foram ajustados por meio do Índice de Variagao de Custos Médico-Hospitalares.

Resultados: Foram incluidos 141 pacientes, agrupados em TPB < 90 minutos (n = 77) e TPB > 90 minutos (n = 64). Os TPB foram 64,0 ± 14,1 minutos e 133,8 ± 35,2 minutos, respectivamente. Nao foram observadas diferengas nos desfechos clínicos entre os grupos. Os custos foram de R$ 34.883,24 ± 27.749,46, sendo o custo médio para TPB < 90 minutos de R$ 33.194,24 ± 27.387,61, e para TPB > 90 minutos, de R$ 36.947,58 ± 28.267,80 (p = 0,43). Os custos, segundo a artéria culpada, foram de R$ 29.588,53 ± 16.358,85 para a coronária direita; R$ 48.494,62 ± 44.015,04 para a circunflexa; e de R$ 34.016,96 ± 26.503,94 para a descendente anterior. Houve diferenga entre os custos dos procedimentos relativos a artéria circunflexa comparados aos da coronária direita ou da descendente anterior (p = 0,01), mas nao houve diferenga entre os custos relativos a coronária direita, comparados a descendente anterior (p = 0,68). Conclusoes: Nao houve diferenga nos custos hospitalares, no ámbito da saúde suplementar, quando os grupos foram divididos de acordo com o TPB. Os desfechos clínicos foram semelhantes, e foi encontrada uma diferenga de custos em pacientes com a artéria circunflexa culpada.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Histórico do artigo: Recebido em 1 de junho de 2015 Aceito em 25 de agosto de 2015

Palavras-chave: Custos hospitalares Infarto do miocardio Intervençâo coronária percutânea

Is there an association between hospital costs and door-to-balloon time?

ABSTRACT

Keywords: Background: Door-to-balloon time (DBT) has become a measure of performance and is the focus in quality

Hospital costs of care improvement initiatives. This study aimed to evaluate the association between DBT and its impact

My°cardial infarcti°n on hospital costs.

Percutane°us c°r°nary mterwntwn Methods: Patients treated with primary percutaneous coronary intervention between 2008 and 2013 were

divided according to the DBT < or > 90 minutes. All costs recorded at hospital discharge were adjusted by the Medical-Hospital Cost Variation Index.

Results: A total of 141 patients were included, grouped as DBT < 90 minutes (n = 77) and DBT > 90 minutes (n = 64). DBT was 64.0 ± 14.1 minutes and 133.8 ± 35.2 minutes, respectively. There were no differences in clinical outcomes between the groups. The costs were R$ 34,883.24 ± 27,749.46, with the mean cost for DBT < 90 minutes being R$ 33,194.24 ± 27,387.61 and the cost for DBT > 90 minutes R$ 36,947.58 ± 28,267.80 (p = 0.43). The costs, according to the culprit artery, were R$ 29,588.53 ± 16,358.85 for the right coronary artery; R$ 48,494.62 ± 44,015.04 for the left circumflex artery; and R$ 34,016.96 ± 26,503.94 for the left anterior descending artery. There was a difference between the costs of procedures related to the left circumflex artery when compared to the right coronary or left anterior descending arteries (p = 0.01), but there was no difference between the costs related to the right coronary, when compared to the left anterior descending artery (p = 0.68).

* Autor para correspondencia: Rua dos Timbiras, 3.172/901, Barro Preto, CEP: 30140-062, Belo Horizonte, MG, Brasil. E-mail: mmoreiramed@yahoo.com.br (M.V.F. Moreira).

A revisäo por pares é de responsabilidade da Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbci.2016.06.007

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Conclusions: There was no difference in hospital costs regarding the private health insurance, when the groups were divided according to the DBT. Clinical outcomes were similar and a difference in costs was found for patients with the circumflex artery as the culprit vessel.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introdujo

O tempo porta-balao (TPB) é um dos marcadores da qualidade assistencial e, de acordo com as diretrizes atuais, deve ser inferior a 90 minutos.1-3 Vários fatores clínicos e logísticos podem estar relacionados com TPB elevado.4-6 A diminuido do TPB propicia redu^ao da mortalidade em curto e médio prazos, bem como do tempo de internado hospitalar.78

Nos últimos anos, as despesas com cuidados de saúde tem aumentado mais rapidamente do que a taxa geral de inflado, tornan-do-se assim um onus a ser arcado, tanto pela instituido que realiza o atendimento, como pelos agentes que financiam os procedimen-tos. Controle de custos sem perda de qualidade, com gastos racionalizados e sem desperdicios, faz-se, assim, uma questao urgente.9

Apesar do efeito positivo da redu^ao do TPB na evolu^ao do paciente, o impacto nos custos relacionados com a assistencia em nosso meio ainda é pouco estudado. Por representar uma enfermi-dade de alta prevalencia e de grande influencia, em termos economicos, e de relevante morbidade e mortalidade,10 torna-se fundamental a compreensao dos custos associados ao manejo do paciente com infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST).

Este estudo teve como objetivo avaliar a relado entre o TPB e seu impacto nos custos de internado hospitalar.

Métodos

Local, delineamento e medidas institucionais

No principio de 2007, iniciou-se, no Hospital Vera Cruz, um hospital terciário que integra a saúde suplementar em Belo Horizonte (MG), um projeto de avalia^ao da qualidade de atendimento dos pacientes com infarto agudo do miocárdio, por meio da medida de vá-rios indicadores, entre eles o TPB.

Em posse desses indicadores, foram adotadas medidas para me-lhorar o TPB, como otimiza^ao do acolhimento dos pacientes pela enfermagem no pronto atendimento; viabiliza^ao da realizado do eletrocardiograma (ECG) de 12 derivares em até 10 minutos após o acolhimento; destacamento de um médico da equipe para atendi-mento prioritário de pacientes com dor precordial; e acionamento de toda a equipe, formada por enfermeiros e médicos (intervencionistas, anestesistas e cardiologistas), por meio de um código padro-nizado. Com a implantado dessas medidas, houve redu^ao progressiva do TPB.

Conforme determinado no programa de qualidade, os dados epidemiológicos e os tempos relacionados ao atendimento foram cole-tados e armazenados em um banco de dados da instituido.

Populado do estudo

Entre mar^o de 2008 e junho de 2013, 200 pacientes foram sub-metidos a intervengo coronária percutanea primária (ICPp). Foram excluidos desta análise pacientes transferidos de outras instituyes; nao diagnosticados no ECG inicial, mas que evoluíram para IAMCST em ECG subsequentes; previamente internados; em vigencia de pa-

rada cardiorrespiratória prolongada na unidade de emergencia; com elevado do ST sem evidencias de doen^a arterial coronariana (por exemplo: miocardite aguda, disturbio da repolariza^ao ventricular ou síndrome de Takotsubo); ou submetidos a tratamento estagiado na mesma internado.

O atendimento foi realizado seguindo a escala de plantao do labo-ratório de interven^ao cardiovascular, que dispoe de equipes médica e de enfermagem, em escala presencial e de sobreaviso, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Os pacientes incluidos no estudo foram divididos nos grupos TPB < 90 minutos e TPB > 90 minutos.

Procedimento

Os pacientes receberam dose de ataque de 300 mg de ácido ace-tilsalicílico, e 300 a 600 mg de clopidogrel. O uso de morfina, nitrato sublingual/endovenoso ou betabloqueador ficou a critério do médico plantonista. Todos os pacientes receberam heparina nao fracionada imediatamente antes da interven^ao (60 a 100 U/kg). Os pacientes foram conduzidos para a realizado da interven^ao assim que a sala de procedimentos estivesse disponível. Os procedimentos de ICPp foram realizados conforme descrito na literatura.11 Aspectos técnicos específicos, como via de acesso, administrado de fármacos, tipo de stent e tromboaspira^ao, ficaram a critério dos operadores. Após a ICPp, os pacientes foram encaminhados para a unidade coronaria-na e receberam tratamento conforme o protocolo institucional esta-belecido para IAMCST.

Coleta de dados

A coleta de dados foi realizada de duas formas. Primeiro, os tempos e os dados epidemiológicos foram coletados desde a entrada do paciente na instituido; segundo, os dados relacionados aos custos foram coletados por meio de revisao de prontuários e da fatura enviada pela instituido aos convenios. Esse registro foi aprovado pelo Comité de Ética em Pesquisa do hospital (CAE 46658215.5.0000.5135).

Análises angiográficas e definifdes

A morfologia das lesoes foi classificada conforme as defini^oes do American College of Cardiology/American Heart Association (ACC/ AHA).12 A análise angiográfica foi realizada por dois dos autores (RW e MABE), identificando a artéria culpada e considerando lesao significante aquela que provocasse obstru^ao da luz do vaso > 70% pelo método visual, para quantifica^ao do numero de artérias acometidas. A presenta de trombo a angiografia foi definida como interrup-do abrupta do fluxo do vaso, com reten^ao do contraste ou falha de enchimento em vaso patente (imagem negativa) sobre uma regiao estenótica ou adjacente.13

O sucesso do procedimento foi definido como obten^ao de su-cesso angiográfico (estenose residual < 30% com fluxo Throm-bolysis ¡n Myocardial Infarction - TIMI 3) e ausencia de eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos maiores, compre-endendo morte, reinfarto e cirurgia de revasculariza^ao miocár-dica de emergencia.

O TPB foi definido como o periodo entre o primeiro contato médico e a primeira insuflagao do balao; tempo de isquemia total foi definido entre o inicio dos síntomas e a primeira insuflagao do balao.

O tempo de internagao hospitalar foi contabilizado em dias, a partir do dia de admissao hospitalar (dia zero). Na análise do tempo de internagao, foram considerados somente os pacientes que recebe-ram alta para domicilio, excluindo-se os que foram a óbito durante o periodo de hospitalizagao.

Análise dos custos

Os custos hospitalares foram descritos na moeda nacional cor-rente (Real). Como foram registrados no momento da alta hospitalar, todos os custos incluidos na análise foram ajustados por meio do Índice de Variagao de Custos Médico-Hospitalares (VCMH/IESS).14 Os custos referiram-se a valores cobrados pela instituigao dos planos de saúde suplementar, que incluiam desde custos com assistencia médica, procedimentos, medicamentos, órteses e próteses, até diárias da unidade de terapia intensiva.

Todos os pacientes permaneceram internados conforme critério e julgamento do cardiologista assistente, de acordo com a prática clinica diária.

Análise estatística

Os dados coletados foram armazenados em planilha Excel® (Microsoft Corporation, Redmond, EUA) e, para sua análise, foi utilizado

o software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versao 9.0 (Chicago, EUA). As variáveis qualitativas foram apresentadas em número absoluto e frequência, e analisadas pelo teste qui quadrado ou pelo exato de Fisher. As variáveis quantitativas foram dispostas em média e desvio padrao, e analisadas por meio do teste t de Student. Todos os resultados foram considerados significativos para p < 0,05.

Resultados

Os 141 pacientes selecionados para a análise final (fig. 1) foram agrupados em TPB < 90 minutos (n = 77) e TPB > 90 minutos (n = 64). O TPB médio foi de 64,0 ± 14,1 minutos e 133,8 ± 35,2 minutos, respectivamente. Nao foram observadas diferenças significativas em relaçao às variáveis clínicas (tabela 1).

Na amostra total, o acesso para a ICPp foi feito por via femoral em 139 procedimentos (98,5%), enquanto a via radial foi utilizada nos demais. A artéria culpada em metade dos casos foi a descendente anterior (DA). Administrou-se um agente inibidor de glicoproteína Ilb/IIIa em 54,5% dos pacientes do grupo TBP < 90 minutos e em 56,4% dos pacientes do grupo > 90 minutos (p = 0,88). Foram implantados 151 stents coronários, sendo todos nao farmacológicos, com média de 1,1 ± 0,6 stent por paciente.

Ocorreu distúrbio de fluxo (no-reflow) após a recanalizaçao do vaso culpado em 4% dos pacientes do grupo TPB < 90 minutos e em 7,7% do grupo TPB > 90 minutos (p = 0,33) (tabela 2).

Pacientes atendidos com diagnóstico de IAMCST n = 200

21 pacientes excluidos da análise (10,5%)

Pacientes transferidos Pacientes internados Parada cardiorrespiratória prolongada

Pacientes com elevagao do segmento ST sem envidencias de doenga arterial coronariana

179 pacientes com IAM foram submetidos à ICPp

38 pacientes com tratamento estadiado na mesma internaçâo (19%)

Amostra final: 141 pacientes (70,5%)

Figura 1. Fluxo de selegao dos participantes para o estudo. IAMCST: infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST; ICPp: intervengao coronária percutanea primária.

Tabela 1

Características clínicas

Características TPB < 90 minutos TPB > 90 minutos Valor de p

(n = 77) (n = 64)

Idade, anos 60,4 ± 12,9 65,1 ± 13,4 0,04

Sexo masculino, n (%) 24 (31,2) 26 (40,6) 0,16

Diabetes melito, n (%) 15 (19,5) 16 (25,1) 0,28

Dislipidemia, n (%) 29 (37,7) 26 (40,6) 0,43

Tabagismo, n (%) 30 (39,1) 19 (29,7) 0,32

Hipertensao arterial, n (%) 44 (57,1) 43 (67,2) 0,15

Insuficiencia renal crónica, n (%) 5 (6,5) 4 (6,3) 0,62

Historia familiar de DAC, n (%) 16 (20,8) 12 (18,8) 0,46

Sedentarismo, n (%) 29 (37,7) 22 (34,4) 0,41

ICP prévia, n (%) 10 (13,1) 10 (15,6) 0,42

RM prévia, n (%) 1 (1,3) 4 (6,3) 0,12

Tempo porta-balao, minutos 65,0 ± 15,4 125,0 ± 33,9 < 0,01

Tempo de isquemia total, minutos 248,9 ± 168,5 386,0 ± 179,9 < 0,01

Tempo de internado, dias 9,4 ± 9,7 8,4 ± 6,6 0,54

Classifica^ao Killip-Kimball, n (%) I II 62 (80,5) 3 (3,9) 47 (73,4) 3 (4,7) 0,59

III/IV FEVE, % 12 (15,6) 43,3 ± 25,8 14 (21,9)

48,6 ± 23,9 0,21

Hemoglobina, g/dL 13,3 ± 1,4 12,9 ± 1,6 0,14

TPB: tempo porta-balao; DAC: doenga arterial coronária; ICP: intervengao coronária percutánea; RM: revascularizagao miocárdica cirúrgica; FEVE: fragao de ejegao do ventrículo esquerdo.

Tabela 2

Características angiográficas e do procedimiento

Características TPB < 90 minutos TPB > 90 minutos Valor de p

(n = 77) (n = 64)

Número de vasos acometidos, n (%) 0,02

1 36 (46,8) 21 (32,8)

2 30 (39) 21 (32,8)

3 11 (14,3) 22 (34,4)

Artéria culpada, n (%) 0,36

Descendente anterior 40 (51,9) 33 (51,6)

Circunflexa 14 (18,2) 9 (14,0)

Coronária direita 23 (29,9) 18 (28,1)

TCE 0 1 (1,6)

Enxerto de safena 0 3 (4,7)

Uso de glicoproteína Ilb/IIIa, n (%) 71,4 (55) 44 (68,8) 0,88

Tromboaspira^ao, n (%) 29 (37,7) 10 (15,6) 0,01

Diámetro dos stents, mm 2,7 ± 1,2 3,0 ± 1,1 0,19

Comprimento dos stents, mm 17,6 ± 8,9 16,1 ± 7,8 0,29

Fluxo TIMI pré, n (%) 0,39

0 53 (68,8) 12 (15,6) 44 (68,8) 5 (7,8)

2 4 (5,2) 6 (9,4)

3 8 (10,4) 9 (14,1)

Fluxo TIMI pos, n (%) 0,73

0 3 (3,9) 2 (3,1)

1 4 (5,2) 4 (6,3)

2 2 (2,6) 4 (6,3)

3 68 (88,3) 54 (84,4)

No-reflow, n (%) 4 (5,2) 6 (9,4) 0,26

TBP: tempo porta-balao; TCE: tronco de coronária esquerda; TIMI: Thrombolysis In Myocardial Infarction.

Nao houve diferenga significativa para a média do tempo de internado nem para os desfechos clínicos entre os grupos TPB < 90 minutos e TPB > 90 minutos (tabela 3).

A média geral dos custos dos procedimentos foi de R$ 34.883,24 ± 27.749,46, sendo o custo médio para TPB < 90 minutos de R$ 33.194,24 ± 27.387,61 e, para TPB > 90 minutos, de R$ 36.947,58 ± 28.267,80 (p = 0,43). A média de custos segundo a artéria comprometida foi de R$29.588,53 ± 16.358,85 para a coronária direita (CD), de R$ 48.494,62 ± 44.015,04 para a artéria circunflexa (Cx) e de R$ 34.016,96 ± 26.503,94 para a DA. Houve diferenga significativa entre os custos dos procedimentos relativos a Cx comparados aos da CD (p = 0,01) ou da

DA (p = 0,01), mas nao houve diferenga significativa entre os custos dos procedimentos relativos a CD comparados a DA (p = 0,68).

Discussao

O presente estudo nao evidenciou diferenga nos custos hospitalares em hospital privado quando os grupos analisados foram divididos com relagao ao TPB. Os grupos foram semelhantes quanto aos desfechos clínicos, e foi encontrada uma diferenga de custos em pacientes com artéria culpada no territorio da Cx.

Tabela 3

Evoluçâo clínica hospitalar

Desfechos TPB < 90 minutos TPB > 90 minutos Valor de p

(n = 77) (n = 64)

Óbito, n (%) 5 (6,5) 4 (6,3) 0,61

Reinfarto, n (%) 1 (1,3) 0 0,54

Revascularizaçao do vaso alvo, n (%) 6 (7,8) 3 (4,7) 0,52

Trombose de stent, n (%) 4 (5,2) 1 (1,6) 0,28

Choque cardiogênico, n (%) 3 (3,9) 5 (7,8) 0,26

Hemotransfusao, n (%) 3 (3,9) 1 (1,6) 0,38

Infecçao, n (%) 7 (9,1) 9 (14,1) 0,25

TBP: tempo porta-balào.

Os custos hospitalares verificados nesta análise sao compativeis com os relatados nas literaturas nacional e internacional.15-18 O aumento dos custos com saúde é, atualmente, cerca de duas vezes maior que o crescimento economico anual dos paises desenvolvidos.1920 No Brasil, o VCMH/IESS também tem sido superior ao Índice Nacional de Pregos ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2007. No acumulado de 2012, enquanto o VCMH/IESS atingiu 15,4%, a inflagao medida pelo IPCA, no mesmo periodo, foi de 5,4%.15

Em revisao sistemática, encontramos apenas um estudo que ava-liou os custos da implementagao de um programa de qualidade especificamente destinado a melhorar o atendimento de pacientes com IAMCST, no qual foi observada redugao dos custos com a melho-ra do TPB.21 Em nossa amostra, houve redugao, mas sem significancia estatistica.

Na subanálise do estudo HORIZONS-AMI, Prasad et al. de-monstraram que, embora o TPB seja um dos fatores preditores de injúria microvascular (avaliada por meio da resolugao do supra-desnivelamento do segmento ST e do blush miocárdico a angio-grafia), o tempo de isquemia total (tempo de inicio dos sintomas até a reperfusao) é mais importante. A partir de 2 horas de isquemia total, os pacientes com TPB < 90 minutos tinham taxa de resolugao da reperfusao microvascular semelhante a daqueles com tempo > 90 minutos. Como nossos pacientes tinham tempo médio de isquemia total > 2 horas, isso possivelmente explicaria o resultado negativo do estudo, em termos da redugao de desfechos clinicos no grupo TPB < 90 minutos.22

Em nossa casuistica, pacientes com TPB > 90 minutos, apesar de mais idosos, multiarteriais e com maior tempo de isquemia, nao apresentaram diferenga no tempo de internagao. Em conformidade com Pepe et al., na amostra em análise, o maior custo referiu-se ao tratamento invasivo (68%), tendo menores impactos as diárias hospitalares (10%) e os medicamentos (25%).23

A oclusao da Cx apresentou um custo mais elevado do que o da oclusao de DA e o de CD, podendo ser esse um achado ao acaso, pois o número total de pacientes na nossa amostra foi pequeno. Entretanto, a Cx é uma artéria cuja dificuldade diagnóstica é maior,2425 e que apresenta maior incidencia de complicagao mecanica pós-infarto (insuficiencia mitral),2627 o que poderia também explicar esse achado.

Este trabalho pretendeu chamar a atengao para as implicagoes do custo no atendimento ao paciente com infarto agudo do miocár-dio. Ainda que os profissionais de saúde nao sejam treinados para tomar decisoes levando em consideragao os custos, é essencial lembrar que os recursos, sejam do paciente ou da saúde suplemen-tar, sao restritos.

A grande limitagao do nosso estudo foi, provavelmente, o tama-nho da amostra (possivel erro do tipo 1). O aumento da amostra poderia demonstrar diferenga estatistica entre os grupos. Apesar de ser uma análise de caráter retrospectivo, seria antiético um estudo prospectivo para responder a essa questao, posto que o paciente seria exposto a risco no grupo com TPB > 90 minutos. O ponto forte de nosso estudo foi o fato de os médicos nao terem sido

influenciados pelos custos na tomada de decisao, refletindo, por-tanto, a prática clinica diária.

Conclusoes

Nao houve diferenga nos custos hospitalares quando os grupos foram divididos de acordo com o tempo porta-balao. Os desfechos clinicos foram semelhantes e foi encontrada uma diferenga de custos em pacientes com a artéria circunflexa culpada.

Fonte de financiamento

Nao há.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

Referencias

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