Scholarly article on topic 'Perfil clínico e resultados da intervenção coronária percutânea primária em pacientes jovens'

Perfil clínico e resultados da intervenção coronária percutânea primária em pacientes jovens Academic research paper on "Health sciences"

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{"Infarto do miocárdio" / "Intervenção coronária percutânea" / "Doença da artéria coronariana" / "Myocardial infarction" / "Percutaneous coronary intervention" / "Coronary artery disease"}

Abstract of research paper on Health sciences, author of scientific article — Ivan Petry Feijó, Márcia Moura Schmidt, Renato Budzyn David, João Maximiliano Pedron Martins, Karine Elisa Schmidt, et al.

Resumo Introdução A epidemiologia do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) tem se modificado nos últimos anos, com incidência maior em jovens. Nosso objetivo foi comparar o perfil clínico, laboratorial e angiográfico, e os desfechos clínicos em 30 dias de pacientes ≤ 40 anos àqueles > 40 anos submetidos à intervenção coronária percutânea primária (ICPp). Métodos Estudo de coorte prospectivo com pacientes consecutivos submetidos à ICPp entre 2009 e 2011. Resultados No período, 1.055 pacientes foram incluídos, sendo identificados 3,3% com ≤ 40 anos. Pacientes jovens eram mais frequentemente negros, tabagistas e com história familiar de doença coronária, e menos frequentemente hipertensos e dislipidêmicos. Nos pacientes ≤ 40 anos, a dosagem de leucócitos e da troponina ultrassensível na admissão foi maior, e a lipoproteína de alta densidade‐colesterol, menor. A artéria descendente anterior como vaso culpado e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo não foram diferentes entre os grupos. Apesar de o fluxo TIMI 3 pré ser similar, os jovens mostraram maior prevalência de blush miocárdico 3 pré‐procedimento. O tempo porta‐balão foi menor nos pacientes mais jovens (1,0 hora [0,8‐1,4 hora] vs. 1,3 hora [0,9‐1,7 hora]; p = 0,03). Em 30 dias, os pacientes ≤ 40 anos apresentaram mortalidade de 0% vs. 8,8% nos pacientes > 40 anos (p = 0,07). Conclusões Pacientes ≤ 40 anos com IAMCST e submetidos à ICPp apresentam diferenças nos perfis clínico, angiográfico e do procedimento quando comparados àqueles > 40 anos. Nesta análise, representativa da prática médica atual, a mortalidade em 30 dias desses pacientes foi muito baixa. Abstract Background The epidemiology of acute myocardial infarction with ST‐segment elevation (STEMI) has been modified in recent years, focusing on young people. Our goal was compare the clinical profile, laboratory, angiographic, and 30‐day clinical outcomes of patients ≤ 40 years with those > 40 years undergoing primary percutaneous coronary intervention (pPCI). Methods Prospective cohort study of consecutive patients undergoing pPCI between 2009 and 2011. Results A total of 1,055 patients were included, 3.3% of them ≤ 40 years. Young patients were more often black, smokers and with a family history of coronary artery disease, and less often hypertensive and dyslipidemic. In patients ≤ 40 years, leukocyte count and ultrasensitive troponin levels at admission were higher, and high density lipoprotein‐cholesterol, lower. The left anterior descending artery as a culprit vessel and left ventricular ejection fraction did not differ between groups. Although the TIMI 3 flow pre‐intervention was similar, young people showed higher prevalence of myocardial blush 3 pre‐procedure. The door‐to‐balloon time was lower in younger patients (1.0 hour [0.8‐1.4 hour] vs. 1.3 hour [0.9‐1.7 hour]; p = 0.03). At 30 days, patients ≤ 40 years had a mortality of 0% vs. 8.8% for patients > 40 years (p = 0.07). Conclusions Patients ≤ 40 years with STEMI and undergoing pPCI show differences in clinical, angiographic and procedural characteristics compared to those > 40 years. In this analysis, representative of the current medical practice, the 30‐day mortality of these patients was very low.

Similar topics of scientific paper in Health sciences , author of scholarly article — Ivan Petry Feijó, Márcia Moura Schmidt, Renato Budzyn David, João Maximiliano Pedron Martins, Karine Elisa Schmidt, et al.

Academic research paper on topic "Perfil clínico e resultados da intervenção coronária percutânea primária em pacientes jovens"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(1):48-51

Artigo Original

Perfil clínico e resultados da intervengo coronária percutanea primária em pacientes jovens

Ivan Petry Feijó, Márcia Moura Schmidt, Renato Budzyn David, Joäo Maximiliano Pedron Martins, Karine Elisa Schmidt, Carlos Antonio Mascia Gottschall, Alexandre Schaan de Quadros*

Instituto de Cardiología do Rio Grande do Sul, Fundafäo Universitaria de Cardiologia, Porto Alegre, RS, Brasil

INFORMALES SOBRE O ARTIGO

RESUMO

Histórico do artigo:

Recebido em 10 de novembro de 2014

Aceito em 1 de janeiro de 2015

Palavras-chave: Infarto do miocardio Intervençâo coronária percutânea Doença da artéria coronariana

Introdujo: A epidemiología do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) tem se modificado nos últimos anos, com incidencia maior em jovens. Nosso objetivo foi comparar o perfil clínico, laboratorial e angiográfico, e os desfechos clínicos em 30 dias de pacientes < 40 anos aqueles > 40 anos submetidos a intervengo coronária percutanea primária (ICPp). Métodos: Estudo de coorte prospectivo com pacientes consecutivos submetidos a ICPp entre 2009 e 2011. Resultados: No período, 1.055 pacientes foram incluidos, sendo identificados 3,3% com < 40 anos. Pacientes jovens eram mais frequentemente negros, tabagistas e com historia familiar de doenga coronária, e menos frequentemente hipertensos e dislipidemicos. Nos pacientes < 40 anos, a dosagem de leucocitos e da troponina ultrassensível na admissao foi maior, e a lipoproteína de alta densidade-colesterol, menor. A artéria descendente anterior como vaso culpado e a fragao de ejegao do ventrículo esquerdo nao foram diferentes entre os grupos. Apesar de o fluxo TIMI 3 pré ser similar, os jovens mostraram maior prevalencia de blush miocárdico 3 pré-procedimento. O tempo porta-balao foi menor nos pacientes mais jovens (1,0 hora [0,8-1,4 hora] vs. 1,3 hora [0,9-1,7 hora]; p = 0,03). Em 30 dias, os pacientes < 40 anos apresentaram mortalidade de 0% vs. 8,8% nos pacientes > 40 anos (p = 0,07).

Conclusoes: Pacientes < 40 anos com IAMCST e submetidos a ICPp apresentam diferengas nos perfis clínico, angiográfico e do procedimento quando comparados aqueles > 40 anos. Nesta análise, representativa da prática médica atual, a mortalidade em 30 dias desses pacientes foi muito baixa.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/Iicenses/by-nc-nd/4.0/).

Clinical profile and outcomes of primary percutaneous coronary intervention in young patients

Keywords:

Myocardial infarction Percutaneous coronary intervention Coronary artery disease

ABSTRACT

Background: The epidemiology of acute myocardial infarction with ST-segment elevation (STEMI) has been modified in recent years, focusing on young people. Our goal was compare the clinical profile, laboratory, angiographic, and 30-day clinical outcomes of patients < 40 years with those > 40 years undergoing primary percutaneous coronary intervention (pPCI).

Methods: Prospective cohort study of consecutive patients undergoing pPCI between 2009 and 2011. Results: A total of 1,055 patients were included, 3.3% of them < 40 years. Young patients were more often black, smokers and with a family history of coronary artery disease, and less often hypertensive and dyslipidemic. In patients < 40 years, leukocyte count and ultrasensitive troponin levels at admission were higher, and high density lipoprotein-cholesterol, lower. The left anterior descending artery as a culprit vessel and left ventricular ejection fraction did not differ between groups. Although the TIMI 3 flow pre-intervention was similar, young people showed higher prevalence of myocardial blush 3 pre-procedure. The door-to-balloon time was lower in younger patients (1.0 hour [0.8-1.4 hour] vs. 1.3 hour [0.9-1.7 hour]; p = 0.03). At 30 days, patients < 40 years had a mortality of 0% vs. 8.8% for patients > 40 years (p = 0.07).

* Autor para correspondencia: Avenida Princesa Isabel, 370, Santana, CEP: 90620-000, Porto Alegre, RS, Brasil. E-mail: alesq@terra.com.br (A.S. de Quadros).

A revisäo por pares é da responsabilidade Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. DOI http://dx.doi.org/10.1016yj.rbci.2015.01.006

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/Iicenses/by-nc-nd/4.0/).

Conclusions: Patients < 40 years with STEMI and undergoing pPCI show differences in clinical, angiographic and procedural characteristics compared to those > 40 years. In this analysis, representative of the current medical practice, the 30-day mortality of these patients was very low.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introdujo

As doen^as cardiovasculares representam a maior causa de mor-talidade no Brasil e no mundo. O infarto agudo do miocárdio (1AM) é a doen^a cardiovascular com maior mortalidade, e sua incidencia em pacientes jovens tem aumentado ao longo dos anos.1-3 Atualmente, a incidencia em pacientes com menos de 40 anos encontra-se em torno de 4 a 10%.4-7

Em vários estudos, observou-se que o infarto do miocárdio em pacientes jovens está mais frequentemente associado com tabagis-mo, historia familiar para doen^a arterial coronariana e dislipide-mia.4'5'78 No entanto, existem poucos estudos brasileiros avaliando essa questao.

O objetivo deste estudo foi avaliar as características clínicas e an-giográficas, e a evolu^ao clínica de pacientes jovens com 1AM com supradesnivelamento do segmento ST (1AMCST) e submetidos a intervengo coronária percutanea primária (ICPp) na prática clínica contemporánea.

Métodos

Pacientes

Todos os pacientes diagnosticados com IAM internados em nossa instituido no período de 1° de dezembro de 2009 a 31 de dezembro de 2011 foram prospectivamente avaliados. Os critérios de inclusao foram o diagnóstico clínico e eletrocardiográfico de IAM e a indicado de ICPp pelo médico assistente. Os critérios de exclusao foram At > 12 horas, idade < 18 anos e recusa em assinar o Termo de Consenti-mento Livre e Esclarecido.

IAMCST foi definido como a presenta de dor típica em repouso associada ao supradesnivelamento do segmento ST em duas derivares contíguas, de pelo menos 1 mm no plano frontal ou de 2 mm no plano horizontal, ou a presenta de dor típica em repouso em pacientes com um bloqueio de ramo esquerdo novo.

Os pacientes foram categorizados em dois grupos: pacientes < 40 anos ou controles (> 40 anos). Foram comparadas as características clínicas e os desfechos. O estudo foi aprovado pelo Comité de Ética da instituido.

Procedimento percutaneo

O Servido de Hemodinamica de nossa instituido funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, sendo realizados aproximadamente de 500 procedimentos de ICPp anualmente. As rotinas da instituido sao dose de ataque de ácido acetilsalicílico (300 mg) e de clopidogrel (300 a 600 mg) na admissao do paciente na emergencia e heparina 60 a 100 U/kg. Os procedimentos de ICPp sao realizados conforme descrito na literatura.9 Aspectos técnicos específicos, como via de acesso, administrado de fármacos, tipo de stent e tromboaspira^ao, ficam a critério dos operadores.

AvaliafSo clínica, laboratorial e angiográfica

A entrevista clínica foi realizada por investigadores treinados. Fo-ram coletados dados demográficos, fatores de risco para cardiopatia isquemica, historia médica pregressa e apresenta^ao clínica do

evento. A avalia^ao laboratorial foi realizada de acordo com o padrao da instituido e incluiu, entre outros, glicemia, fundo renal e marcadores de inflamado e de necrose miocárdica.

As avahares angiográficas foram realizadas pelo sistema eletro-nico digital do equipamento AXIOM Artis (Siemens, Munique, Ale-manha). O diámetro do vaso-alvo foi definido como a média dos diámetros proximal e distal a lesao, e a gravidade da estenose foi avaliada em duas proje^oes ortogonais, sendo considerada a mais grave, tanto antes quanto após o implante do stent. O comprimento da lesao foi medido "ombro a ombro", e lesoes longas foram consideradas únicas na presenta de segmento arterial normal < 10 mm entre elas. O fluxo coronário antes e após os procedimentos foi avaliado e descrito conforme os critérios de Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI). A perfusao miocárdica foi avaliada pelo blush mio-cárdico, conforme descrito previamente.10

Desfechos clínicos em 30 dias

O seguimento em 30 dias após o procedimento foi realizado por telefonemas, sendo registrados: ocorrencia de óbito, acidente vascular encefálico, reinfarto, necessidade de nova revasculariza^ao per-cutanea ou cirúrgica ou trombose do stent.

Análise estatística

Foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), versao 17.0, para Windows. As variáveis continuas foram apresentadas como média e desvio padrao e comparadas pelo teste t. As variáveis continuas com distribuido nao normal foram descritas como mediana e intervalo interquartil, e comparadas pelo teste de Mann-Whitney. As variáveis categóricas foram descritas como número absoluto e porcentual e comparadas pelo teste qui quadrado ou teste exato de Fisher, quando apropriado. Significancia estatistica foi definida por p bicaudal < 0,05.

Resultados

No período do estudo, 1.055 pacientes foram incluídos, sendo que 35 (3,3%) indivíduos tinham idade < 40 anos. A média de idade dos pacientes jovens foi de 34,1 ± 4,5 anos e 61,3 ± 11,1 anos naqueles com > 40 anos. A tabela 1 apresenta as características clínicas dos dois grupos de pacientes. Os pacientes < 40 anos eram mais frequen-temente da ra^a negra, tabagistas e com historia familiar positiva para doen^a arterial coronariana precoce. Por outro lado, os pacientes jovens eram menos frequentemente acometidos por hipertensao arterial ou dislipidemia, e tinham menores taxas de revasculariza-do percutanea prévia. A prevalencia de diabetes melito foi seme-lhante nos dois grupos. O tempo porta-balao foi menor nos pacientes < 40 anos (1,0 hora [0,8-1,4 hora] vs. 1,3 hora [0,9-1,7 hora]; p = 0,03).

A tabela 2 descreve as características laboratoriais de cada grupo. Nos pacientes < 40 anos, a dosagem de leucocitos e da troponina ul-trassensível na admissao foi maior, e a lipoproteína de alta densida-de-colesterol (HDL-c), menor. Nao houve diferen^a significativa nos demais marcadores de necrose miocárdica ou de inflamado entre os grupos.

Na tabela 3, é possível analisar as características angiográficas e do procedimento, observando-se que o acometimento de tres vasos;

Tabela 1

Características clínicas

Característica S 40 anos > 40 anos Valor de p

(n = 35) (n = 1.020)

Sexo feminino, n (%) 12 (34,3) 330 (32,4) 0,57

Raga negra, n (%) 7 (20,0) 87 (8,5) 0,02

Hipertensao arterial, n (%) 9 (25,7) 700 (6816) < 0,01

Dislipidemia, n (%) 6 (17,1) 369 (36,2) 0,04

Tabagismo atual, n (%) 24 (6816) 447 (43,8) < 0,01

Diabetes melito, n (%) 7 (20,0) 235 (23,0) 0,90

Historia familiar de DAC, n (%) 18 (51,4) 336 (32,9) < 0,01

Angina prévia, n (%) 8 (22,9) 422 (41,4) 0,07

Infarto do miocárdio prévio, n (%) 3 (816) 219 (21,5) 0,18

AVC prévio, n (%) 0 (0) 68 (6,7) 0,13

ICP prévia, n (%) 1 (2,9) 165 (l6,2) 0,05

RM prévia, n (%) 0 (0) 45 (4,4) 0,23

Insuficiencia renal crónica, n (%) 0 (0) 31 (3,0) 0,32

Infarto do miocardio anterior, n (%) 17 (48,6) 460 (45,1) 0,40

Uso crónico de AAS, n (%) 2 (5,7) 299 (29,3) < 0,01

Depuragao de creatinina, mL/min 125,4 i 40,4 81,5 i 33,2 < 0,01

índice de massa corporal, kg/m2 27,8 i 4,8 26,9 i 4,25 0,31

Circunferencia abdominal, cm 94,3 i 12,9 94,7 i 14,3 0,86

Pressao arterial sistólica, mmHg 131,0 i 27,8 134,8 i 30,4 0,46

Pressao arterial diastólica, mmHg 78,8 i 14,0 81,9 i 18,5 0,33

Frequencia cardíaca, bat/min 81,4 i 16,1 78,9 i 20,0 0,48

Delta t, h 4,0 (2,5- 6,4) 3,5 (1,6- 6) 0,27

Tempo porta-balao, hora 1,0 (0,8-1,4) 1,3 (0,9- 1,7) 0,03

DAC: doenga arterial coronária; AVC: acidente vascular cerebral; ICP: intervengo coronariana percutanea; RM: revascularizagao miocárdica cirúrgica; AAS: ácido acetilsalicílico; bat/min: batimentos/minuto.

Tabela 2

Características laboratoriais

HDL-c: lipoproteína de alta densidade-colesterol; PCR: proteína C-reativa; CK: creatina quinase; CK-MB: isoenzima MB da creatina quinase; US: ultrassensível.

Tabela 3

Características angiográficas e do procedimento

Tabela 4

Desfechos clínicos em 30 dias

Característica S 40 anos > 40 anos Valor de p

(n = 35) (n = 1.020)

Óbito, n (%) 0 (0) 95 (9,3) 0,07

Acidente vascular cerebral, n (%) 0 (0) 9 (0,8) 0,59

Reinfarto, n (%) 1 (2,9) 52 (5,1) 0,61

Revascularizaçâo de urgencia, n (%) 0 (0) 6 (0,6) 0,66

Trombose de stent, n (%) 0 (0) 28 (2,7) 0,34

a artéria descendente anterior como vaso culpado e a fraçâo de eje-çâo do ventrículo esquerdo nao foram diferentes entre os grupos. Apesar do fluxo TIMI-3 pré ser similar, os pacientes mais jovens mostraram maior prevaléncia de blush miocárdico 3 pré-procedi-mento. O diámetro de referencia foi semelhante, mas pacientes mais jovens mostraram lesoes mais curtas. A utilizaçâo de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa foi maior entre os jovens.

Na fase hospitalar, nâo observamos diferenças entre os grupos para a necessidade de ventilaçâo mecânica (8,6% vs. 9,3%; p = 0,98), insuficiencia renal aguda (5,7% vs. 4,1%, p = 0,54) ou sepse (2,9% vs. 3,6%, p = 0,88). Nenhum desfecho clínico, à exceçâo do reinfarto (2,9% vs. 5,1%, p = 0,61), ocorreu nos primeiros 30 dias nos pacientes < 40 anos (tabela 4).

Discussäo

No presente estudo, analisamos o perfil clínico, angiográfico e a evoluçâo clínica de pacientes com menos de 40 anos que apresenta-ram IAMCST em um centro terciário de cardiologia. Os pacientes jovens eram mais frequentemente negros, tabagistas, com historia familiar positiva para cardiopatia isquemica, mas nâo houve diferença na frequencia de diabetes melito. Os pacientes jovens apresentaram menos frequentemente outras comorbidades e comprometimento multiarterial, e observou-se tendencia a melhor evoluçâo clínica em 30 dias. No Brasil, existem poucos estudos contemporáneos analisan-do as características clínicas de pacientes jovens com IAM,1211 e acreditamos que os dados aqui apresentados podem contribuir para auxiliar na elaboraçâo de políticas públicas de saúde, bem como orientar campanhas de prevençâo.

Neste estudo, observamos uma alta prevalencia de tabagismo nos pacientes jovens com IAM (em torno de 70%), o que é concordante com relatos de outros estudos que incluíram pacientes com faixa etária semelhante. Essa associaçâo tem sido identificada na maioria dos estudos disponíveis até o momento, com prevalencia de 65 a 95%.512-18 O tabagismo desempenha um papel importante na genese, progressâo e instabilizaçâo das placas ateroscleróticas, e sua associaçâo particular com pacientes mais jovens é importante e merece ser melhor avaliada.

A frequencia significativamente maior de história familiar positiva para cardiopatia isquemica nos pacientes jovens analisados neste estudo é outro aspecto importante. A história familiar é também um fator de risco clássico para cardiopatia isquemica, e os dados apre-sentados em nosso estudo sâo também concordantes com outros relatos da literatura.19-21 A influencia de um fator genético e sua maior associaçâo nessa faixa etária sâo outros aspectos relevantes quando se analisam a fisiopatologia e os possíveis fatores predisponentes ao IAM em indivíduos com menos de 40 anos.

Os pacientes jovens eram mais frequentemente negros do que aqueles com mais de 40 anos. Esse achado nâo tem sido descrito em estudos prévios que avaliaram pacientes com IAMCST nessa faixa etária. A influencia de características genéticas ou associaçoes entre fatores socioeconómicos e culturais, a aderencia a medicaçoes e o estilo de vida poderiam explicar esses achados e merecem ser me-lhor avaliados em populaçoes brasileiras.

Característica S 40 anos > 40 anos Valor de p

(n = 35) (n = 1.020)

Lesao de DA, n (%) 16 (45,7) 444 (43,5) 0,26

Lesao em 3 vasos, n (%) 4 (11,4) 193 (18,9) 0,40

Fragao de ejegao, % 59,6 i 9,3 55,8 i 11,6 0,48

Fluxo TIMI 3, n (%)

Pré 8 (22,9) 226 (22,2) 0,52

Pós 27 (77,1) 903 (88,5) 0,07

Blush 3, n (%)

Pré 8 (22,9) 142 (13,9) 0,04

Pós 18 (51,4) 682 (66,9) 0,91

Diametro de referencia, mm 3,2 i 0,6 3,1 i 0,4 0,61

Diametro da estenose pré, % 92,5 i 20,2 97,3 i 7,4 0,21

Extensao da lesao, mm 14,8 i 3,8 17,8 i 8,6 < 0,01

Tromboaspiragao, n (%) 13 (37,1) 369 (36,2) 0,31

Glicoproteína IIb/IIIa, n (%) 13 (37,1) 285 (27,9) 0,03

Calibre do stent, mm 3,2 i 0,5 3,1 i 0,4 0,49

Comprimento do stent, mm 18,2 i 4,7 19,8 i 6,5 0,12

Pressao de liberagao, atm 13,8 i 2,3 14,2 i 2,5 0,46

Diametro da estenose pós, % 0,0 i 0,0 4,5 i 18,3 < 0,01

DA: descendente anterior.

Característica S 40 anos > 40 anos Valor de p

(n = 35) (n = 1.020)

Colesterol total, mg/dL 204,5 i 60,8 202,1 i 49,1 0,80

HDL-c, mg/dL 35,6 i 14,3 40,7 i 11,6 0,03

Triglicerídeos, mg/dL 120,0 (91,0- 259,5) 114,0 (75,0-177,0) 0,16

Creatinina, mg/dL 0,85 (0,7-1,1) 0,95 (0,8-1,1) 0,06

Glicemia, mg/dL 124,5 (111,5-177,5) 143,0 (119,0-184,0) 0,11

Hematócrito, % 41,0 i 4,3 40,6 i 4,8 0,64

Hemoglobina, g/dL 13,9 i 1,4 13,6 i 1,7 0,35

Plaquetas, mm3 290.840,0 i 127.872,2 250.909 i 75.569,3 0,13

Leucócitos, mm3 l6.0l8,li 6.493,0 12.708,2 i 4.355,4 < 0,01

Potássio, mEq/L 4,6 i 0,9 4,3 i 0,6 0,08

PCR, mg/dL 0,7 (0,26- 1,09) 0,45 (0,21-1,0) 0,20

Fibrinogen^, mg/dL 239,2 i 71,4 243,7 i 83,9 0,81

CK, U/L 258 (79-550) 130 (57-408) 0,06

CK-MB, ng/dL 18 (5-45) 11 (6- 30) 0,58

Troponina, ng/mL 0,30 (0,5-2,4) 0,40 (0,4-2,0) 0,93

Troponina US, ng/dL 1.424 (109-8.480) 215 (46-1.103) 0,02

O diagnóstico de dislipidemia foi menos frequente nos pacientes jovens, mas estes apresentaram HDL-c menor que os pacientes com mais de 40 anos. Kaukola et al.22 também demonstraram colesterol total similar em pacientes jovens e naqueles acima de 40 anos, mas HDL ligeiramente inferior nos pacientes jovens, com nível de trigli-cerídeos ligeiramente superior no mesmo grupo. Um baixo nível de HDL tem sido associado a IAM em pacientes jovens.23 Alguns estudos apontavam apenas colesterol alto como fator de risco,5172425 mas definir associaçao com os outros achados laboratoriais é essencial para prevenir doenças nessa faixa etária. A associaçao entre dislipidemia e IAM em idade precoce foi documentada em outros estudos.12

Em nosso estudo, a evoluçao clínica precoce dos pacientes jovens foi melhor do que aqueles com mais de 40 anos, embora sem signifi-cância estatística. Estes achados sao também concordantes com a maioria dos estudos da literatura, que apontaram para uma menor incidéncia de desfechos adversos em pacientes jovens, o que poderia ser decorrente de uma melhor capacidade de regeneraçao e de res-posta à injúria, e de uma menor associaçao com comorbidades.458

Conclusôes

A frequéncia de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento ST em pacientes com menos de 40 anos de idade é pequena, mas esses indivíduos apresentam características clínicas e laboratoriais e evoluçao clínica precoce distintas daqueles mais idosos. Estudos populacionais e com maior número de pacientes em nosso meio sao importantes para melhor entendimento desse problema, e para orientaçao de campanhas de prevençao e de saúde pública.

Fonte de financiamento

O auxílio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) é referente à bolsa de iniciaçao científica da autora Karine Elisa Schmidt.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

Referências

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