Scholarly article on topic '17.º Congresso de Pneumologia do Norte'

17.º Congresso de Pneumologia do Norte Academic research paper on "Educational sciences"

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Revista Portuguesa de Pneumologia
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Academic research paper on topic "17.º Congresso de Pneumologia do Norte"

Resumo dos posters (P) Abstracts of posters (P)

Resumos dos posters 17.° Congresso de Pneumologia do Norte

Abstracts of posters

17th Pneumology Congress of the North

Porto, 11 e 12 de Margo de 2010

Evolu^áo da tuberculose nos últimos 10 anos na ULSM

M Costa1, E Sousa2, V Alves3, N Rodrigues3, E Araújo3, H Ferreira3, C Lago3, H Beatriz4, F Joao5

2 U. Saúde Pública

3 Patologia Clínica

4 Servido Social

5 S. Pneumologia

Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Introdujo: A incidencia da Tuberculose (TB) é mais elevada nas zonas urbanas devido ao número, a aglomerado e as condi^oes sócio-económicas dos habitantes. O Grande Porto tem-se destacado com valores de TB superiores a média nacional. Entretanto Matosinhos, faz parte desse Grande Porto e apresentava nos finais da década de noventa uma incidencia próxima dos 100/100 000 hab. Objecti-vos: Avaliar a situado da TB na área da ULSM e procurar meios para inverter a situado.

Material e métodos: 1) Constituido de um grupo de tra-balho, com técnicos de várias áreas da saúde, tais como Pneumologia, Patologia Clínica, Saúde Pública, Servido Social, Medicina Geral e Familiar e Enfermagem, atribuindo--lhe fun^oes bem estruturadas e com continuidade; 2) me-lhorar as instalares do CDP e adquirir aparelhagem de imagiologia digital, ligada em rede informática entre as várias unidades (Fundos do 3.° Quadro Comunitário de Apoio 2001-2003); 3) ministrar formado aos Médicos de Familia e alertar, através de cartazes e folhetos, a populado residente, convidando-a a recorrer ao médico, perante determinados sintomas; 4) reforjar a equipa de enfermagem, para garantir

a TOD no CDP e domicilio; 5) efectuar rastreio precoce aos conviventes, as populares de risco e estabelecer parcerias com outras institutes.

Resultados: Ao fim de 10 anos de trabalho obtiveram-se os seguintes resultados: diminuido da incidencia da TB em cerca de 53%, da taxa de abandono em 8% e da proveniencia hospitalar de 11%. Aumento da confirmado de diagnóstico em 33%, da detec^ao de bacilíferos em 20% e da taxa de cura em 9%.

Conclusao: A estrutura^ao do trabalho e a sensibilizado dos profissionais foram, quanto a nós, a chave mestra para atingir os objectivos a que nos propusemos

Pneumonia obstrutiva - Caso clínico

A Norte1, F Gamboa1, AJ Ferreira1, A Marques1, C Leite1, CR Cordeiro1, C Paula2

1 Servido de Pneumologia (director: Dr. Mário Loureiro), Hospitais da Universidade de Coimbra

2 Servido de Medicina Interna, Hospital Distrital de Águeda

Introdujo: O lipoma endobronquico representa 0,1 a 0,5% de todas as neoplasias pulmonares. O quadro clínico depende da severidade da obstru^ao bronquica e da eventual lesao parenquimatosa pulmonar resultante.

Caso clínico: Os autores apresentam o caso de uma mulher de 85 anos, internada em Hospital Distrital por pneumonia a esquerda e enviada aos HUC para realizado de broncofi-broscopia (BF), solicitada devido a persistencia de tosse produtiva, de parámetros analíticos de infec^ao e de imagem radiológica de consolidado. A TC torácica apresentava desvio do mediastino e retrac^ao do hemitórax para a esquer-

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da, extensa consolidado a esquerda e adenopatias mediastí-nicas. A BF evidenciou lesao endobronquica no bronquio principal esquerdo (BPE), aparentemente pediculada e de superficie lisa, a condicionar obstru^ao, e abundantes secretes purulentas. As biopsias da lesao foram inconclusivas e a bacteriologia do aspirado bronquico foi positiva para S. aureus oxacilina resistente, pelo que foi instituida antibiote-rapia com vancomicina. Foi submetida a broncoscopia rígida com laserterapia sobre a lesao, com destacamento desta pelo pedículo. O diagnóstico histopatológico foi lipoma bronquico. Posteriormente, por persistencia de atelectasia a esquerda, realizou nova BF que mostrou tecido necrótico aderente a parede inferior do BPE a condicionar obstru^ao parcial e que se removeu. Ocorreu melhoria clínica e analítica. A BF de controlo apenas evidenciou pequena formado mamilonada no bronquio lobar superior esquerdo (eventual ponto de partida da anterior lesao).

Conclusao: Apesar de raro, o lipoma endobronquico é uma causa de obstru^ao bronquica. A broncoscopia é de fundamental importancia para o diagnóstico e terapéutica desta entidade, equacionando-se a cirurgia nos casos de dúvida diagnóstica, de dificuldades técnicas na broncoscopia, de crescimento extra-bronquico ou doen^a lipomatosa subpleural e na presenta de destruido pulmonar distalmente.

Papel da biología molecular para Mycobacterium tuberculosis num servido de pneumologia

R Rolo1, F Branca1, D Alves1, J Cruz1, L Ferreira1, J Cunha1 1 Servido de Pneumologia, Hospital de Braga

Objectivo: Avaliar a rentabilidade da PCR para Mycobacterium tuberculosis (PCR-Mt) e a sua contribuido para o diagnóstico de tuberculose pulmonar ou pleural, no Servido de Pneumologia nos últimos 2 anos.

Material e métodos: Análise retrospectiva de processos clínicos de doentes em que foi realizada PCR-Mt, na expectorado, aspirado bronquico (AB), lavado bronco-alveolar (LBA), líquido pleural (LP) e/ou material de biópsia, em 2008 e 2009. Resultados: A PCR-Mt foi realizada em 123 doentes, 84 (68,3%) do sexo masculino, com idade média de 57 anos. Dezanove (15%) dos doentes tinham antecedentes de TP. As principals indicares para a sua realizado foram: suspei-ta de TP em 49 (40%) casos, derrame pleural em estudo em 32 (26%), síndrome febril em 13 (11%), hemoptises em 12 (9%) e outros em 17 (14%).

Catorze (11,4%) doentes obtiveram PCR-Mt positivas: 6 na expectorado, 4 no LBA, 3 no AB e 1 no LP. Em 110 (89,4%) doentes, o resultado da PCR-Mt foi concordante com a cultura.

0 diagnóstico de tuberculose pulmonar ou pleural foi esta-belecido em 28 (22,8%) doentes: por exame directo em 5; por PCR-Mt em 8; através de histologia pleural em 2; por exame cultural em 10 doentes; e, em 3 casos, apenas por critérios clínicos. Em 7 doentes com baciloscopias negativas e em 16 que nao as fizeram, a PCR-Mt permitiu um diagnóstico precoce em 8 casos.

Registamos um único falso positivo (no LP de um doente com TP recente).

Combinando os vários produtos, a PCR-Mt teve uma sen-sibilidade de 46,4%, especificidade de 98,9%, um valor preditivo positivo de 92,9% e um valor preditivo negativo de 86,2%

Nos 9 doentes com tuberculose pleural a PCR-Mt no LP foi negativa.

Conclusao: Na nossa série a PCR-Mt estabeleceu ou con-firmou o diagnóstico precoce em quase metade dos doentes com TP. Um elevado número de falsos negativos no líquido pleural parece ter contribuído para uma sensibilidade mais baixa, comparando com publicares semelhantes. Palavras-chave: Tuberculose, PCR, Mycobacterium tuberculosis.

Nódulos pleurais múltiplos - Caso clínico

R Rolo1, D Alves1, J Cruz1, L Ferreira1, M Macedo1, J Cunha1

1 Servido de Pneumologia, Hospital de Braga

Caso clínico: Doente de 25 anos de idade, sexo masculino. Antecedentes de hipertensao arterial, dislipidemia, obesida-de mórbida, nefrectomia esquerda e esplenectomia aos 8 anos na sequéncia de acidente de via^ao.

Referenciado a consulta externa de Pneumologia, em Setem-bro de 2008, por apresentar numa TC torácica múltiplas lesÖes nodulares pleurais a esquerda, de dimensÖes variáveis, localizadas na pleura frénica, para-vertebral e marginal posterior. Eram lesÖes nao calcificadas, confluentes, associadas a espessamento pleural difuso, que sugeria a hipótese de tumores fibrosos.

O doente apresentava-se assintomático do ponto de vista respiratório, sem alterares ao exame objectivo. Hemograma e bioquímica, incluindo marcadores tumorais, eram normais. Realizou broncofibroscopia que nao revelou alterares. Na avalia^ao por PET-TC os nódulos pleurais nao apresentavam captado significativa para FDG. Perante o antecedente de esplenectomia e considerando a hipótese de esplenose intra-torácica, realizou cintigrafia com eritrócitos fragilizados — Tc99m, cujo resultado foi altamente sugestivo da presenta de ba^os acessórios, tendo sido orientado para cirurgia torácica.

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Submetido a toracotomia exploradora esquerda com exérese de 4 forma^öes nodulares, cujo exame anátomo-patológico confirmou o diagnóstico de esplenose intra-torácica. Comentarios finais: Esplenose define-se como auto--transplanta^ao heterotópica de fragmentos de tecido esplé-nico, após rotura da cápsula do ba^o. As localizares extra--peritoneais sao muito raras e incluem principalmente a intra-torácica, sendo que o intervalo entre a ocorréncia do traumatismo inicial e o diagnóstico de esplenose pode ser muito longo (entre 20 a 30 anos).

Perante o achado de nódulos pleurais, em doente com antecedentes de traumatismo abdominal, o diagnóstico de esple-nose intra-torácica deve ser considerado. Palavras-chave: Esplenose, nódulos pleurais, ba^o acessório.

Tuberculose digestiva - Um diagnóstico de suspei^äo

AI Loureiro1, CS Pinto1, A Antunes2, F Calvário3, A Carvalho2, R Duarte4

1 Pneumologia, CHTMAD, Centro Diagnóstico Pneumológico VN Gaia

2 Servido Pneumologia, CHGE, Centro Diagnóstico Pneumológico VN Gaia

3 Centro Diagnóstico Pneumológico VN Gaia

4 Servido Pneumologia, CHGE, Centro Diagnóstico Pneumológico VN Gaia, Centro de Referencia Regional para a Tuberculose Multiresistente da Regiao Saúde Norte

Na tuberculose digestiva, as manifestares clínicas e altera-^öes endoscópicas sao inespecíficas, dificultando o diagnóstico. A propósito desta patologia, os autores apresentam 2 casos clínicos.

Caso 1: Homem de 55 anos, com antecedentes familiares de neoplasia do cólon, que recorreu ao médico assistente por sintomas constitucionais com 2 meses de evolu^ao. Sem sintomas respiratórios. Foi submetido a colonoscopia que mostrou lesao vegetante e ulcerada no cólon direito, que foi biopsada e mostrou "granulomas nao necrotizantes, com pesquisa de BAAR negativa". Pedida TAC toraco-abdominal que evidenciou "lesöes de aparencia residual no LSE associa-das a opacidades fibronodulares que sugerem processo bacilar activo". Efectuadas colheitas de amostras de expectorado para pesquisa de Mycobacterium tuberculosis (Mt) que foram negativas. Realizou broncofibroscopia com lavado bronqui-co para pesquisa de Mt, tendo sido positivo em exame cultural. Iniciou tratamento específico com resoluto do quadro pulmonar e digestivo. Caso 2: Mulher de 30 anos, assinto-mática, seguida em consulta de Gastroenterologia por Do-en^a de Crohn. Faz rastreio de tuberculose, dado ser candi-data a terapéutica com anti-TNFa. Efectuou radiografía do

tórax que era normal, teste tuberculínico (técnica de two steps) e doseamento de IGRA que foram negativos. No entanto, por apresentar "abundantes granulomas" nas biop-sias efectuadas, sugeriu-se revisao das láminas com vista a pesquisa de BK. A pesquisa foi positiva, confirmando-se o diagnóstico de tuberculose intestinal. Iniciou tratamento específico com melhoria dos sintomas.

Estes casos alertam para a necessidade de um alto índice de suspei^ao para a obten^ao precoce do diagnóstico de tuberculose intestinal e para a importáncia do diagnóstico diferencial com outras patologias.

Deficiencia grave de alfal-antitripsina: Identificado e caracterizado dos doentes de um hospital central

M Sucena1, AP Vaz1, P Mota1, S Seixas2, V Hespanhol1

1 Servido de Pneumologia, Hospital de Sao Joao

2 Instituto de Patologia e Imunologia Molecular, Universidade do Porto

Introdujo: A deficiéncia de alfa1-antitripsina (AAT) é uma doen^a hereditária potencialmente fatal. Estima-se que 2 a 3% dos doentes com DPOC sejam portadores de deficiéncia grave de AAT. Em Portugal ainda nao existe um registo de doentes com défice de AAT, pelo que nao se conhece a ver-dadeira prevaléncia desta patologia.

Objectivos: Identificado e caracterizado dos doentes adultos com deficiéncia grave de AAT.

Material e métodos: Doentes adultos (> 18 anos), com deficiéncia grave de AAT (fenótipos PI*Z e PI* Nulo), diagnosticados entre os anos 2002 e 2009, e seguidos em consulta externa do H.S.Joao. Caracterizado dos doentes relativamente a dados demográficos, características clínicas, radiológicas, funcionais respiratórias, tratamentos efectuados e resultado. Resultados: Foram identificados 15 doentes com deficiéncia grave de AAT (fenótipo PI*Z) com uma idade média de 49.8±8.5 anos, 11 (73.3%) do sexo masculino. Do total de doentes, 1 é fumador e 7 nao fumadores. O intervalo entre o inicio dos sintomas e o diagnóstico foi em média de 5 anos. Os sintomas mais comuns a apresenta^ao foram dispneia (60%) e tosse (40%). O doseamento de AAT foi em média de 21.9±3.1 mg/dl. O enfisema pulmonar foi a alterado radiológica mais frequente (53.3%). Apenas 4 doentes nao apresentavam alterares funcionais respiratórias. Trés doen-tes encontram-se em tratamento semanal com inibidor humano da alfa1-proteinase e 2 foram submetidos a transplante pulmonar. Faleceram 2 doentes.

Comentarios: A deficiéncia de AAT continua a ser uma patologia subdiagnosticada, apesar da sua potencial gravidade, das recomendares internacionais existentes para o seu

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rastreio em determinados grupos de risco e da facilidade de obten^ao do diagnóstico. Tal como descrito na literatura, o diagnóstico de patologia pulmonar foi feito vários anos após o inicio dos sintomas. Este estudo permitiu a identificado de doentes que poderao vir a beneficiar de tratamento especifico para a sua patologia.

Carcinoma sarcomatoide do pulmao

CC Reis1, MJ Simoes1, H Garcez1, S Pinto1 1 Hospital Nossa Senhora do Rosário, EPE

I.M.T.C., sexo F, 49 anos, administrativa. Antecedentes de dislipidémia e tabagismo (40 U.M.A.)

Observada no SU por toracalgia esquerda, com irradiado ao ombro homolateral e parestesias do membro superior esquerdo, com 7 dias de evolu^ao.

A entrada colaborante e orientada. Pele e mucosas acianóticas. Eupneica em repouso. Normotensa, normocárdica e apiréti-ca. Auscultado pulmonar — murmurio vesicular mantido, sem ruidos adventicios. Restante observado normal. Telerradiografía do Tórax com hipotransparencia homogénea de limites bem definidos ocupando o 1/3 superior do campo pulmonar esquerdo.

Analiticamente VS, PCR e Fibrinogénio significativamente elevados, sem outras alterares. TC Torácico revela formado arredondada no apéx esquerdo de contornos regulares (7.5cm), homogénea, nao captante; amplo contacto pleural, nao invadindo estruturas vizinhas.

Internada no Servido de Pneumologia para estudo complementar.

Estudo analítico complementar com elevado do NSE; restantes marcadores tumorais normais. BFO revela discreto alargamento do esporao do B.L.S.E; bacteriologia, bacilos-copia e citologia do lavado bronquico, negativos. Realizada PATT cuja histologia mostrou "células de citoplasma vasto, eosinofílico, núcleos ovóides focalmente fusiformes com nucléolos proeminentes e bizarrias; ICQ positiva para AE1/AE3, CK7, Vimentina, negativa para CK903 - com-pativel com Carcinoma Sarcomatóide". Inicia quimioterapia e radioterapia com intuito paliativo.

Após RT apresenta dor esofágica e disfagia, tendo realizado Endoscopia Digestiva Alta — "ulcerado circunferencial do esófago (6 cm de extensao) e orificio de provável fístula". TC Torácico mostra fistula esófago-bronquica para a por^ao inicial do BPE (6mm). Colocada prótese esofágica metálica auto-expansivel, com alivio sintomático. Os autores propoem a exposi^ao deste caso atendendo a raridade histológica— Carcinoma Sarcomatoide — constituin-do 0.2% das neoplasias pulmonares primárias, e respectiva progressao clinica.

Linfangioma cístico do mediastino posterior

JF Cruz1, D Alves1, R Rolo1, C Melo1, L Iglesias1, J Cunha1 1 Servido de Pneumologia; Hospital de Braga

Introdu^ao: O linfangioma cistico é uma malforma^ao congénita benigna do sistema linfático, extremamente rara, que corresponde a cerca de 0,7 a 4,5% de todos os tumores do mediastino. É mais comum na populado pediátrica do que na idade adulta e ocorre mais frequentemente na regiao cervical e axilar, sendo rara a sua localizado isolada no mediastino.

Caso clínico: Os autores descrevem um caso de uma doen-te de 62 anos de idade, reformada, nao fumadora e sem doen^as prévias conhecidas. Referenciada para o servido de

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Pneumologia por achado em TC abdominopélvico, efectuado por queixas álgicas na regiao hipogástrica, de volumosa lesao cística com 11 cm de diámetro a nível do mediastino posterior. Doente assintomática do ponto de vista respiratorio, sem alteraçoes relevantes no exame físico. Avaliaçao analítica dentro da normalidade. Telerradiografia torácica a revelar uma hipotransparéncia na vertente para-mediastínica, de contornos regulares, na metade inferior de ambos os hemitoraces, de localizaçao posterior. Broncofibroscopia revelou sinais de compressao extrínseca no 1/3 inferior da traqueia. Foi efectuada RM torácica que revelou lesao cística, de paredes regulares, medindo 15x11x12 cm, localizada no mediastino posterior, inferiormente ao plano de origem da artéria pulmonar principal, à direita da aorta torácica descendente, entre esta e a coluna vertebral. Nos seus planos inferiores desvia anteriormente a veia cava inferior e insinua--se no hiato esofágico. A doente foi submetida a exérese em bloco de cisto do mediastino. O exame anatomopatológico revelou tratar-se de um linfangioma cístico. Conclusao: O linfangioma cístico do mediastino é uma entidade rara de crescimento lento, sendo habitualmente assintomática e diagnosticada através de um achado radiológico. O seu diagnóstico definitivo só é possível através de exame anatomopatológico e o tratamento indicado é a res-secçao cirúrgica completa.

Estenoses benignas da traqueia: opçoes terapéuticas

C Guimaraes1, C Lares1, I Sanches1, Y Martins1 1 Serviço Pneumologia, Centro Hospitalar Coimbra

Introduçao: A causa mais comum de estenose benigna da traqueia é a lesao pôs-intubaçâo prolongada e que ocorre em 1% a 2% dos doentes, exigindo cuidados que envolvem en-doscopias múltiplas, com ressecçao cirúrgica do segmento atingido e/ou técnicas endoscópicas como as dilataçoes endos-cópicas, laserterapia, colocaçao de próteses endotraqueais. Por vezes, é mesmo necessária a traqueostomia definitiva. Objectivos: Determinar qual a orientaçao terapéutica das estenoses benignas, quer recorrendo à broncoscopia de inter-vençao quer ao tratamento cirúrgico. Material e métodos: Foram revistas retrospectivamente as broncofibroscopias realizadas a doentes com estenose benigna da traqueia, no Servi-ço de Pneumologia do CHC, entre 1997 e 2009. Resultados: Foram incluídos 17 doentes, 10 (58,8%) do sexo masculino e idade média de 52,5 (± 18) anos. As condiçoes associadas à estenose traqueal foram: pos-intubaçao endotraqueal (N=11), pós-traqueostomia (N=3) e idiopática (N=3). Nove doentes foram orientados para cirurgia de ressecçao traqueal, dos quais 3 reestenosaram com necessidade de

realizado de dilatado instumental; em 2 destes doentes foi colocada prótese traqueal. Dois foram submetidos a dilatado instrumental e num caso seguiu-se a colocado imedia-ta de prótese traqueal; 1 doente foi submetido a dilatado com balao com posterior reestenose e necessidade de ressec-^ao cirúrgica.

Conclusoes: As complicares das vias aéreas associadas a intuba^ao endotraqueal sao raras mas tém um impacto importante na morbimortalidade do doente acometido. Apesar de ter sido avaliado um universo pequeno de doentes, as op^oes terapéuticas sao sobreponiveis a da bibliografía disponível, em que se recomenda para os casos de estenose benigna a ressec^ao cirúrgica como primeira linha de tratamento e broncoscopia de intervengo nos casos em que este procedimento nao é possivel. O mais importante é a rápida identificado dessa patologia para a realizado atempada de um tratamento correctivo.

Tuberculose disseminada com envolvimento do pulmao, cavum faríngeo e adenopatias cervicais - Quando nada acontece como se esperava.

FS Pires1, F Calvário2, A Carvalho3, R Duarte4

1 Pneumologia; Hospital de Sao Joao

2 CDP de Vila Nova de Gaia

3 CDP de Vila Nova de Gaia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

4 CDP de Vila Nova de Gaia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, Centro de Referéncia de TBMR da Regiao Norte, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Introdujo: A tuberculose (TB) das vias aéreas superiores é pouco frequente, sendo o envolvimento do cavum faríngeo raro ou subestimado, de diagnóstico acidental na maioria dos casos. Geralmente ocorre em simultáneo com outras formas de TB, nomeadamente TB ganglionar cervical. Caso clínico: Os autores descrevem o caso de uma doente do sexo feminino, 19 anos, com quadro de astenia e ema-grecimento com cerca de 2 meses de evolu^ao, e aparecimen-to de adenomegalia cervical esquerda acompanhado de febre vespertina com 2 dias de evolu^ao. O exame objectivo revelou ainda tumefac^ao do cavum faríngeo. O estudo realizado confirmou o diagnóstico de TB pulmonar com envolvi-mento do cavum faríngeo e ganglionar cervical. A serologia para o VIH foi negativa. Iniciou terapéutica antibacilar quádrupla (isoniazida, rifampicina, pirazinamida e etambu-tol). Apesar de boa evolu^ao bacteriológica, com negativa^ao das baciloscopias ao primeiro més, e bom estado geral, ocorreram ao longo do tempo dois episódios de recidiva das adenomegalias cervicais (aos 7 e 12 meses de tratamento)

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apesar de se manter o tratamento antibacilar (com confir-ma^ao da susceptibilidade aos fármacos administrados). Repetiram-se biopsias aspirativas dos ganglios, confirmando-se a presenta de BAAR positivos em exame directo (com culturas negativas). A segunda recidiva foi decidida a exérese do conglomerado adenopático. Completou 18 meses de tratamento antibacilar, sem reaparecimento de novas forma-^óes adenopáticas. Manteve-se em vigilancia durante os dois anos seguintes, estando actualmente assintomática. Conclusao: A TB do cavum faringeo tem boa resposta terapeutica na maioria dos casos. Apesar de nao estar rotineira-mente indicada a excisao ganglionar na TB ganglionar, esta pode ser necessária nos casos de recidiva de adenomegalias, apesar de uma terapeutica antibacilar adequada.

Alterares radiológicas e endoscópicas do envolvimento pulmonar por sarcoma de Kaposi em doentes VIH--positivo: revisao de 15 anos

C Ribeiro1, I Ladeira1, M Mota2, J Moura e Sá3, R Vieira2

1 Servido de Pneumologia; CHVNGaia

2 Unidade de Doen^as Infecciosas; CHVNGaia

3 Unidade de Broncologia— Servido de Pneumologia; CHVNGaia

Introdujo: O Sarcoma de Kaposi (SK) é a neoplasia mais frequentemente associada a infec^ao VIH. O SK pode envolver o parenquima, a via aérea, a pleura e os ganglios linfáticos intratorácicos. As lesóes tipicas violáceas ou vermelho-vivo sao encontradas na mucosa das vias aéreas inferiores ou, menos comumente, na via aérea superior. O atingimento pulmonar está habitualmente associado a doen^a cutánea, sendo a localizado pulmonar exclusiva considerada rara. O diagnóstico é feito pela citologia/histologia das lesóes ou mais habitualmente pelo aspecto macroscópico das lesóes tipicas na árvore traqueobronquica (sobretudo se apoiado por altera^óes radiológicas e/ou doen^a mucocutánea). Material e métodos: Revisao casuistica dos doentes com os diagnósticos de Infec^ao VIH e envolvimento pulmonar pelo SK seguidos na UDInfecciosas num periodo de 15 anos. Esta revisao baseia-se num universo de aproximadamente 1200 doentes VIH-positivo.

Revisao de aspectos radiológicos (TAC) e altera^óes endos-cópicas.

Resultados: Foram identificados 12 doentes com o diagnóstico de SK pulmonar, sendo que 2 destes apresentam atin-gimento pulmonar exclusivo.

A idade média de apresenta^ao foi de 33 anos e 16.7 % eram do sexo feminino. O diagnóstico de atingimento pulmonar pelo SK ocorreu em média 31,5 meses após o diagnóstico da infec^ao VIH.

Os aspectos tomográficos mais comuns foram o padrao nodular com distribuido peribroncovascular (77,8%) e a presenta de adenopatias intratorácicas (77,8%) sequidos do padrao em vidro despolido na proximidade das nódulos (66,7%) e o derrame pleural (33,3%) Dos 9 doentes que foram submetidos a broncoscopia, 7 (77,8%) apresentavam as características manchas vinosas na mucosa da via aérea, havendo também 2 doentes com massas vegetantes endobronquicas.

Conclusao: Apesar de raro, o atingimento pulmonar pelo SK deve constar no diagnóstico diferencial de lesoes pulmonares em doentes imunocomprometidos.

Longos sobreviventes no carcinoma pulmonar nao pequenas células: caracterizando e factores de prognóstico

V Martins1, L Rodrigues1, A Figueiredo1, F Barata1 1 Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Coimbra

Introdujo: O prognóstico do carcinoma do pulmao de nao pequenas células (CPNPC) em estádios avanzados é pobre. A evolu^ao da doen^a é heterogénea e um pequeno número de doentes sobrevive mais de 2 anos após o diagnóstico (longos sobreviventes).

Objectivo: Caracterizar nos doentes com CPNPC, em es-tádio IV, o subgrupo de doentes longos sobreviventes (LS). Métodos: Análise retrospectiva dos doentes com CPNPC, estádio IV, acompanhados em Pneumologia Oncológica no CHC EPE de Janeiro de 2002 a Dezembro de 2007. A análise estatística foi realizada no SPSS 16.0. Resultados: Foram incluidos 382 doentes, 72,5% do sexo masculino, 56,7% com adenocarcinoma, 61,4% com PS 0-1. Existiam 42 longos sobreviventes (11%) com tempo médio de sobrevida de.36 meses (max 95 meses). Na maio-ria, os LS eram nao fumadores (55%), com PS 1 (90%) sendo o adenocarcinoma o tipo histológico mais frequente (74 %). A maioria foi inicialmente tratada com poliquimiote-rapia com um platinio (86%) + fármaco de terceira gera^ao. Resposta parcial em 71%. Em 3 doentes (7%) foi realizada exérese de metástase cerebral única e radioterapia cerebral seguida de cirurgia pulmonar e quimioterapia adjuvante. Dos LS, 86% fizeram quimioterapia em 2.° linha. Ainda nos LS, 64% foram tratados com erlotinib em 2.a, 3.a ou 4.a linha.

Conclusao: Os longos sobreviventes representam 11% dos nossos doentes em estadio IV. Um bom performance status, adenocarcinoma, resposta parcial á quimioterapia inicial e terapéutica com erlotinib sao factores prognósticos relevantes.

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Nódulos pulmonares solitários malignos: características clínicas e achados radiológicos

D Alves1, D Alves1, JF Cruz1, R Rolo1, C Pacheco1, B Fernandes1, J Cunha1

1 Servido de Pneumologia; Escala — Hospital de Braga

Introdujo: 40 a 50% dos Nódulos Pulmonares Solitários (NPS) sao malignos, dependendo o seu estudo da probabi-lidade pré-teste de malignidade.

Métodos: Análise retrospectiva de doentes com NPS registados numa base de dados oncológica (1999-2008), analisando-se: sexo, idade, profissao, hábitos tabágicos, antecedentes, semiologia, performance status (PS) (escala de Zubrod), caracteristicas imagiológicas, método de diagnóstico, anatomopatologia, estadio patológico, tratamento e evolu^ao.

Resultados: Foram apurados 29 NPS, 18 (62,1%) do sexo masculino, idade média 56,7 ± 15,7 anos, a maioria com mais de 45 anos — 22 (75,9%). Em 8 (27,6%) havia risco pneumoconiogénico. 48,2% apresentavam hábitos tabágicos (activos/passados). Em 9 (31%) foi um achado imagiológico e 26 (89,7%) apresentava PS 0-1. Em 5 (16,7%) havia antecedentes de cancro. Todos eram supracentimétricos: 7 (24,1%) entre 1-2cm e 22 (75,9%) entre 2-3cm. 17 (58,6%) apresentavam contornos irregulares, todos com densidade de tecidos moles e sem calcificares. 15 (51,7%) localizavam--se nos lobos superiores e 15 (51,7%) a direita. O diagnóstico foi estabelecido por biópsia aspirativa transtorácica guiada por TC em 12 (41,4%), biópsia endobronquica em 9 (31%) e pós-cirurgia em 8 (27,6%). 18 (62,1%) eram Carinomas Pulmonares Nao de Células Pequenas (CPNCP) (11 adenocarcinomas e 7 carcinomas epidermóides), 6 (20,7%) carcinóides tipicos, 2 (6,9%) metástases solitárias (mama e cancro cólon), 1 carcinóide atipico, 1 carcinoma indiferenciado e 1 caso de plasmocitoma. O estadiamento patológico foi conseguido em 23 (79,3%) submetidos a ci-rurgia: 12 (41,4%) IA, 5 (17,2%) IB, 2 (6,9%) IIA, 1 (3,4%) IIB e 1 (3,4%) IIIA. A maioria, 22 (75,9%), encontra-se em follow-up, registando-se 7 (24,1%) falecidos com sobrevida média de 18,8 meses.

Conclusao: Os NPS malignos, a maioria CPNPC, estiveram associados a idade superior a 45 anos, diametro entre 2-3cm, contornos irregulares, densidade de tecidos moles e ausencia de calcificares.

Uso de espigoes de Watanabe no tratamento de pneumotórax secundário intratável - Caso clínico

A Oliveira1, S Neves1, J Gomes1, A Antunes1, J Almeida1, J Moura e Sá1

1 Unidade de Broncologia — Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar de V.N.Gaia/Espinho, EPE

Introdujo: O pneumotórax intratável é uma situa^ao clínica de difícil manejo. Nestes casos, a fuga gasosa normalmente persiste após drenagem pleural contínua e muitas vezes a cirurgia está contra-indicada devido ao estado clínico do doente ou as suas co-morbilidades. A broncoscopia revela--se um bom método no diagnóstico e tratamento das fístulas alvéolo e broncopleurais persistentes. O uso de espigoes de Watanabe foi descrito em 1991 por Watanabe, vindo a popularizar-se nos últimos anos como um dos métodos broncoscópicos mais eficazes no tratamento de fístulas alvéolo e broncopleurais persistentes.

Caso clínico: Homem de 79 anos, internado por fibrose pulmonar e enfisema com insuficiencia respiratória que, após realizado de broncofibroscopia (BF), desenvolve pneumotórax a direita. Introduzido dreno torácico com persistencia prolongada de fuga gasosa. Por nao apresentar condi^oes clínicas para cirurgia decidido tratamento por via endoscó-pica. Realizou nova BF tendo sido localizado o bronquio de origem da fístula (B5 direito) através da oclusao com balao (Olympus® B5-2C). Optou-se pela aplica^ao de cola biológica (HistoAcryl® — cianoacrilato), com aparente sucesso imediato, mas com recidiva de fuga gasosa após algumas horas, com novo aumento da cámara de pneumotórax. Colocados entao espigoes de Watanabe (dois espigoes de 6mm, nos subsegmentares do B5 direito) com recurso a broncoscopia rígida. De novo verificado sucesso imediato após o procedimento, desta vez mantido, com possibilidade de realizado de talcagem ao quarto dia e retirada do dreno seis dias após a broncoscopia. Posteriormente má evolu^ao clínica nao relacionada com o procedimento, com infec^ao urinária nosocomial grave e choque séptico, vindo a falecer 14 dias após a retirada do dreno torácico e sem recidiva de pneumotórax.

Conclusao: O bloqueio bronquico com espigoes de Watanabe revelou-se um método fácil, seguro e eficaz na resolu^ao de fístula alvéolo-pleural persistente.

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Níveis séricos de ácido úrico em doentes com síndroma de apneia obstrutiva do sono moderada a grave

PC Mota1, M Drummond2, JC Winck2, AC Santos3, J Almeida1, JA Marques2

1 Servido de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, EPE, Porto

2 Servido de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, EPE, Porto, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

3 Departamento de Higiene e Epidemiologia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Introdu^ao: A hipoxia intermitente subjacente a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) tem sido associada a eleva^ao do ácido úrico sérico (AUsérico). Contudo, a cau-salidade desta rela^ao ainda permanece por esclarecer. Objectivos: Determinar o nível basal de AUsérico em doentes com SAOS e possível rela^ao com a sua gravidade. Avaliar o efeito da terapéutica a longo prazo com Auto-adjusting Positive Airway Pressure (APAP) sobre o AUsérico. Material e métodos: Análise prospectiva de 87 doentes do sexo masculino com SAOS moderada a grave. A hiperurice-mia foi considerada para AUsérico > 7 mg/dL. O AUsérico foi avaliado no estado basal e após 6 meses de APAP (Grupo A: > 6h/noite de APAP; Grupo B: < 6h/noite de APAP). Constituíram critérios de exclusao: doen^as neoplásicas e/ou inflamatórias crónicas, e terapéutica com alopurinol. Resultados: A média de idades dos doentes foi 54,3 ± 10,4 anos e os valores médios de índice de massa corporal (IMC), escala de Epworth e índice de apneia-hipopneia (IAH) 33,4 ± 4,9 Kg/m2, 12,4 ± 5,5 e 50,9 ± 21,7/h, respectivamente. A prevaléncia de hiperuricemia foi de 34,5% e o AUsérico basal médio de 6,3 ± 1,6 mg/dL. O AUsérico basal correlacionou-se de forma positiva com o IMC (p=0,040), colesterol total (p=0,006) e colesterol LDL (p=0,022) e nao se associou com os índices de gravidade da SAOS avaliados (IAH, índice de dessatura^ao e satura^ao periférica de oxi-génio mínima).

Nao foi encontrada uma diferen^a significativa no AUsérico após 6 meses de APAP, contudo verificou-se uma redu^ao do seu valor no grupo A (6,1 ± 1,5 vs 5,9 ± 1,7 mg/dL; p=0,424), contrariamente ao grupo B (6,3 ± 1,6 vs 6,6 ± 1,8 mg/dL; p=0,336).

Conclusao: O AUsérico está associado a factores clínicos frequentes na SAOS, como a obesidade e a dislipidemia, e nao com a gravidade da própria síndrome. Nao foi observada uma redu^ao significativa do AUsérico com a terapéutica a longo prazo com APAP.

Wireless ventilatory monitoring system (Vitalmobile® AVM) for long-term mechanical ventilation: an in-flight pilot study

JC Winck1, J Belo3,MR Gonçalves1, N Silva2, G Belo3

1 Serviço de Pneumologia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

2 Linde Home Care, Portugal

3 Ultraponto, Lisboa

Introduction: We have previously shown that real time wireless oximetry (Vitalmobile®) to monitor patients on long-term mechanical ventilation (LTMV) improves the patient's quality of life and allows a better clinical follow-up.

Aims and methods: A new system, called Vitalmobile® AVM, was designed to enable real-time ventilatory readings simultaneously with oximetry of patients on LTMV. A portable oximeter (Nonin OEM) and a volume cycled ventilator (Elysée 150), both with Bluetooth technology were used. Tidal volume (Vt), Positive End-Expiratory Pressure (PEEP) and Inspiration/Expiration ratio (I/E) were continuously acquired by a cellular phone (CP) and automatically sent to the servers.

Results: We monitored a 50 year old quadriplegic post-polio male in transit and during a flight from Porto to Barcelona (approximately 1h50min duration). His Vital Capacity was 560ml (18%) and Maximal Insufflation Capacity was 1110ml (35%). He was on continuous non-invasive ventilation (tidal volume of 1600ml, Respiratory Rate 15 I/E 1:1.5, PEEP 3 cmH20) through a 15mm mouthpiece. During the flight, for security reasons the mobile phone was kept on «fly mode» (storing all the ventilator, oximetry and heart-rate data internally to be sent after landing). Oxygen saturation (SaO2) and ventilatory parameters were continuously displayed on the CP screen. During the flight average SaO2 was 97%, time under SaO2 90% was 1.6 min and the minimum SaO2 was 84% (ventilator disconnection during micturition). One hour before take off, mean ventilatory parameters were: inspiratory Vt 1485 ml, I/E 1.2, PEEP 2 cmH20; during the flight inspiratory Vt was 1566 I/E 1.3 PEEP 2cmH20. After landing, with the CP reconnected by roaming, data were sent to the web-site and graphically presented.

Conclusion: This novel wireless ventilatory monitoring system is feasible (even during flights and on a foreign country) and can maintain patient's mobility while supporting LTMV quality control.

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Índice de massa corporal e exacerbaçôes em doentes com DPOC

I Gonçalves1, S Xará2, R Lima3, M Guimaraes3, N Taveira3

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Espinho, EPE

2 Serviço de Nutriçao e Dietética, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Espinho, EPE

3 Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, Espinho, EPE

Introduçao: A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é considerada uma doença inflamatória sistémica com reper-cussoes pulmonares e extra-pulmonares e impacto significativo na qualidade de vida dos doentes. Uma das características desta doença é a perda de peso e reduçao da massa magra. Estudos recentes sugerem que um baixo índice de massa corporal (IMC) e a perda ponderal constituem factores de risco para a ocorrência de exacerbaçoes e mortalidade. Objectivos: Caracterizaçao de doentes com DPOC segundo o IMC e evoluçao ponderal; Determinar se a perda de peso constitui factor de risco para a ocorrência de exacerbaçoes durante o período de follow-up.

Métodos: Efectuou-se um estudo retrospectivo em que se incluiu um grupo de doentes com DPOC seguidos em ambulatório desde 2008.

Variáveis analisadas: idade, sexo, hábitos tabágicos, comor-bilidades, altura, peso (no momento inicial e após 1 ano) e gravidade da DPOC (GOLD). Durante o período do estudo foi registado o n.° e gravidade de exacerbaçoes. Resultados: Foram avaliados 41 doentes, 32 tf (78,0%) e 9 9 (22,0%), com uma média de idades de 69,7±9,5 anos. Três doentes (7,3%) em GOLD I, 6 (14,6%) em GOLD II, 11 (26,8%) em GOLD III e 21 (51,2%) em GOLD IV Três doentes (7,3%) apresentaram IMC baixo, 15 (36,6%) IMC normal e 10 doentes (24,4%) eram obesos. O IMC médio (kg/ m2) para os estadios GOLD foi: 25,8±5,0 para o I; 28,6±8,7 para o II; 29,0±14,0 para o III e 25,0±11,9 para o IV Em 18 doentes (43,9%) houve ao longo do período do estudo uma perda ponderal média de 4,1±5,5%. Nestes do-entes houve um maior número de exacerbaçoes. Verificou-se uma correlaçao estatisticamente significativa entre baixo IMC e ocorrência de exacerbaçoes.

Conclusoes: Este estudo está de acordo com outros dados da literatura que indicam o IMC baixo e a perda ponderal como determinantes na ocorrência de exacerbaçoes. Reforça a evidência da intervençao nutricional na gestao multifacto-rial da DPOC.

Impacto da PET/TC no estadiamento clínico do CPNPC - Concordancia com

0 estadiamento patológico

AP Vaz1, G Fernandes2, CS Moura2, P Bastos3, H Queiroga2, V Hespanhol2

1 Pneumologia; Hospital de Sao Joao

2 Servido de Pneumologia; Hospital de Sao Joao; Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

3 Servido de Cirurgia Cardiotorácica; Hospital de Sao Joao; Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Introdujo: A PET/TC surgiu, na última década, como uma técnica de imagem promissora no sentido de melhorar a acuidade do estadiamento do Cancro do Pulmao. Objectivos: Avaliar o impacto da inclusao da PET/TC na avalia^ao clínica dos doentes com CPNPC submetidos a tratamento cirúrgico.

Material e métodos: Estudaram-se retrospectivamente os doentes com CPNPC, seguidos na consulta de pneumologia oncológica, submetidos a cirurgia potencialmente curativa de Janeiro de 1999 a Julho 2009.

Resultados: Foram avaliados 150 doentes, 78% do sexo masculino, com uma idade mediana de 65 anos. Em 41% foi efectuada PET/TC. Foi realizada lobectomia em 82% dos doentes, pneumectomia em 13% e bilobectomia em 5%, acompanhadas de esvaziamento ganglionar do mediastino. O adenocarcinoma foi o tipo histológico mais frequente (64%). Em 51% dos casos o estadiamento clínico coincidiu com o patológico, em 40% verificou-se subida de estádio e em 9%, descida. As principais altera^oes ocorreram de T2N0c para T2N1p (20%) e de T1N0c para T2N0p (18%). A avalia^ao ganglionar foi a principal responsável pela alterado ao estadiamento. A concordáncia global obtida foi de 51% (k=0,364). Comparando o grupo de doentes que efec-tuou PET/TC, com o grupo que nao realizou este exame, em rela^ao ás modificares entre o estadiamento clínico e patológico, observou-se uma diferen^a estatisticamente significativa (p=0,003). A inclusao da PET/TC associou-se a uma diminuido em 37% das subidas de estádio, a um aumento em 12% das descidas e a um aumento em 25%, dos casos em que o estadiamento clínico coincidiu com o patológico. Globalmente estes resultados traduziram uma significativa melhoria da concordáncia entre o estadiamento clínico e o patológico no grupo de doentes que realizou PET/

TC (67%, k=0,574 vs 40%, k=0,229).

Conclusao: A inclusao da PET/TC na avalia^ao pré-cirúrgica

do CPNPC tornou o estadiamento clínico mais eficiente,

permitindo uma maior concordáncia com o estadiamento

patológico.

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Vol XVI Suplemento 2 Março 2010

Pneumonia em doentes H1N1--positivos

I Ladeira1, C Ribeiro2, D Valente3, M Mota, T Shiang2

1 Pneumologia, CHVNG/E

2 Servido de Pneumologia, CHVNG/E

3 Servido de Medicina Interna, CHVNG/E

O Plano de Contingéncia para Pandemia de Gripe do CHVNG/E teve como referéncia orientates internacionais e nacionais (OMS, CDC e DGS), sendo constituído por área de observado pediátrica e área de observado de adultos (idade superior a 17 anos), que funcionaram no período 7/ Setembro a 23/Dezembro/2009.

Metodología: Os autores apresentam uma revisao casuística de doentes adultos, com diagnósticos de Infec^ao pelo H1N1 (confirmado laboratorial por PCR) e pneumonia, analisando parámetros demográficos, analíticos, radiológicos e clínicos. Discussao resultados: De 491 doentes H1N1 -positivos, 37 apresentaram Pneumonia, 64.9% do sexo feminino. Os sintomas de apresenta^ao mais frequentes foram febre (83,8%), tosse (24%) e mialgias (19%). 25% nao tinham co-morbilidades associadas, 22% apresentavam patologia do foro respiratório, 8% diabéticos e 22% hipertensos. Do estudo analítico, médias dos valores de hemoglobina e leucócitos dentro dos parámetros da normalidade. A média da PCR foi 10.9 mg/dL (valor máximo 40,72 mg/dL). O padrao radiológico predominante foi o padrao alveolar, so-bretudo a direita; encontrou-se padrao compatível com ARDS em 3 doentes.

A apresenta^ao clínica variou de formas ligeiras a processos fulminantes (3 óbitos). Alguns doentes com recuperado total tiveram evolu^ao lenta com internamentos prolongados. 19 doentes apresentaram insuficiéncia respiratória e 6 neces-sitaram de ventilado mecánica.

91.7% dos doentes ficaram internados, o que pode ser explicado por uma atitude defensiva, de acordo com o media-tismo causado pela pandemia. A avalia^ao da gravidade das pneumonias nao foi, na maioria dos casos, baseada na aná-lise CURB 65, conforme recomendado. Todos os doentes iniciaram tratamento com oseltamivir e antibioterapia empírica, mas em apenas 4 (10.8%) foi possível encontrar um agente bacteriano associado (Strep. pneumoniae em 3). Apesar da superinfec^ao apenas 1 destes doentes teve inter-namento prolongado e todos evoluíram favoravelmente.

Revisao casuística dos doentes adultos internados com o vírus influenza A (H1N1)

C Ribeiro1, D Valente2, I Ladeira1, T Shiang1, M Mota2

1 Servido de Pneumologia; CHVNG

2 Servido de Medicina Interna; CHVNG

Introdujo: Durante o 2.° trimestre de 2009 verificou-se o aparecimento de um vírus influenza A (H1N1) com propagado a escala mundial. O pico de incidéncia no nosso País foi observado no 4.° trimestre/2009. Como parte do plano de contingéncia foi criado um Servido de atendimento exclusivo a estes doentes (Urgéncia/Internamento) que funcio-nou entre 7/Setembro e 23/Dezembro. Metodologia: Revisao casuística dos doentes internados com diagnóstico de Infec^ao pelo vírus Influenza A (H1N1), num universo de 491 doentes com H1N1-positivos, dos quais 212 eram adultos.

Resultados: Da populado estudada verificamos que 65 doentes ficaram internados (30.7%). A idade média foi de 44.5 anos, sendo que 31 doentes tinham entre 17 e 40 anos (47.7%), 25 entre 41 e 65 anos (38.5%) e 9 doentes com idade superior a 65 anos (13.8%). 52.3% eram do sexo fe-minino. As co-morbilidades mais comuns a asma (20; 30.8%), HTA (14; 21.5%), Tabagismo (10; 15.3%), DM (9; 13.85) e obesidade(7; 10.8%). 15 doentes (23.1%) nao apresentavam antecedentes patológicos. Alterares analíticas mais comuns foram a elevado da PCR (84.6%;média 13,89) da TGO (29.2%), da LDH (15.3%) e leucocitose (16.9%).

Os principais motivos de internamento foram: pneumonia (33;50.8%) [das quais 10 apresentam alterares radiológicas bilaterais], insuficiéncia respiratória (30;46.2%) e doen^a pulmonar crónica agudizada (14;21.5%).

3 grávidas (4.6%) ficaram em vigiláncia.

6 doentes necessitaram de ventilado mecánica (9,2%). 62 doentes fizeram terapéutica com oseltamivir (95.4%) e 83.1% (54) fizeram antibioterapia. A durado média de internamento foi de 6.6 dias. Verificamos 3 óbitos (4,6%). Conclusoes: Em comparado com publicares internacionais verificamos que a idade média dos nossos doentes é superior, semelhante prevaléncia de comorbilidades, menor percenta-gem de doentes internados em UCI ou com necessidade de ventilado mecánica e menor incidéncia de óbitos.

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Pneumonia eosinofílica crónica em doente VIH-positivo

I Ladeira1, C Ribeiro2, R Monteiro2, M Mota3, T Shiang2

1 Pneumologia; CHVNG/E

2 Servido de Pneumologia; CHVNG/E

3 Servido de Medicina Interna; CHVNG/E

A pneumonia eosinofílica crónica (PEC) é uma entidade rara de etiologia desconhecida, caracterizada por eosinofilia periférica,infiltrados pulmonares e boa resposta a corticote-rapia.

Metodologia: Os autores apresentam o caso de mulher de 52 anos, com asma extrínseca e infec^áo VIH (estadio A2). Admitida por broncospasmo e insuficiéncia respiratória tipo 1. Diplopia e cefaleias com 1 més de evolu^ao. Analiticamente, eosinofilia periférica marcada (62%), IgE aumentada; estudo bacteriológico, fúngico, BK e parasitológico negativos. Exames directo e cultural do LBA negativos, PPC e BK negativos, eosinofilia marcada (79%); exame citológico negativo para células neoplásicas, auséncia de eosinófilos. Imagiologicamen-te, infiltrados heterogéneos bilaterais no Rx tórax e múltiplas opacidades em vidro despolido dispersas com micronódulos de distribuido centrilobular na TC; RMN cerebral tinha focos bilaterais dispersos na substancia branca, pouco sugestivos de infec^ao ou encefalite aguda por VIH, possível ence-falite subaguda por VIH. Após instituido de corticoterapia, melhorou clínica e analíticamente, encontrando-se actualmente em esquema de desmame de corticóides. Discussao: O diagnóstico de PEC baseia-se em dados clíni cos,laboratoriais,sobretudo estudo do LBA, imagiológicos e exclusao de patologias associadas a eosinofilia.A biopsia pulmonar raramente é necessária para firmar o diagnóstico. O caso citado apresenta critérios clínicos,analíticos e ima-giológicos compatíveis com PEC; a auséncia de eosinofilos no LBA foi interpretada no contexto da corticoterapia já iniciada. O atingimento neurológico por leucoencefalopatia por VIH parece improvável, dado o estadio da doen^a e pode ser enquadrado no quadro de eosinofilia, nao sendo de excluir Síndrome de Churg-Strauss (SCS), pois atingimento extra-pulmonar (critério diagnóstico) necessitaria de confirmado por biopsia cerebral. O SCS e a PEC sao considerados por vários autores estadios diferentes da mesma entidade.

Epidemiologia e análise de sobrevida em doentes com cancro do pulmao - Unidade Pneumologia Oncológica CHVNGaia/Espinho EPE (10 Anos).

S Campainha1, A Antunes2, A Barroso3, B Seabra3, S Conde3, S Neves3, B Parente3

1 Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho EPE

2 Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho EPE

3 Unidade de Pneumologia Oncológica; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho

Introdujo: O cancro do pulmao é o terceiro mais frequente em Portugal, sendo a primeira causa de morte por cancro. A sobrevida global descrita aos 5 anos é de 13-15%. Métodos: Análise retrospectiva dos doentes que frequenta-ram a Unidade de Pneumologia Oncológica durante 10 anos (2000 — 2009). Tra^ou-se o perfil epidemiológico e avaliou--se a sobrevida por sexo, tipo histológico e estadio. Avalia^ao da evolu^ao destes parámetros ao longo dos anos. Resultados: O Quadro I faz a caracterizado global dos doentes. Cerca de 80% dos doentes pertenciam aos estadios IIIB e IV a data do diagnóstico.

O tipo histológico mais frequente foi o adenocarcinoma (40,2%), seguido do carcinoma epidermóide (25,2%), carcinoma pulmonar nao pequenas células (CPNPC) (18,8%), carcinoma pulmonar de pequenas células (CPPC) (12,4%), bronquíolo-alveolar (2%) e carcinoma de grandes células (1,4%). Nas mulheres o tipo histológico mais frequente foi o adeno-carcinoma (57,9%), seguido do CPNPC (19,5%), assumin-do os outros tipos expressao menos significativa. O tipo histológico mais frequente nos homens foi o adeno-carcinoma (36,6%), seguido do carcinoma epidermóide (28,3%), CPNPC (18,7%) e CPPC (13,4%). O Quadro II descreve a sobrevida aos 5 anos e mediana para os diferentes parámetros apresentados. Aos 5 anos a sobrevida global foi de 8,6%, sendo a sobrevida mediana global de 8,54 meses.

Conclusao: Observou-se uma sobrevida global aos 5 anos inferior a descrita na literatura; o estadio avanzado apresen-tado pela maioria dos doentes a data do diagnóstico pode explicar esta situado. O sexo feminino associou-se a maior sobrevida. Verificou-se um aumento relativo dos carcinomas epidermóides e CPPC nos últimos 3 anos. Sao necessários mais estudos epidemiológicos nacionais para enquadrar este trabalho na realidade portuguesa.

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Quadro I - Caracterizaçao global dos doentes (n = 1120)

Número (n) Percentagem (%)

Sexo feminino/masculino 190/930 17/83

Idade (média ± desvio padrao) 63,77 ± 11,96

Hábitos tabágicos 1040

Fumador 501 48,2

Ex-fumador 339 32,6

Nao fumador 200 19,2

Estado geral/Zubrod 1053

0 136 12,9

1 576 54,7

2 210 19,9

3 108 10,3

4 23 2,2

Perda ponderal/W 944

0 353 31,5

5 376 33,6

10 215 15,7

Quadro II - Sobrevida por estadio, sexo e tipo histológico

Parâmetro Sobrevida Sobrevida mediana aos 5 anos (%) (meses)

Estadio

Cis 100 -

IA 71,3 119,0

IB 33,1 25,4

IIA - -

IIB 18,5 12,1

IIIA 14,8 16,1

IIIB 6,4 10,4

IV 0,5 5,3

Tipo histológico

Adenocarcinoma 9,9 8,9

Bronquíolo-alveolar 31,7 31,2

CPPC 4,1 8,5

CPNPC 5,5 6,5

Epidermoide 9,1 9,9

Grandes Células - 9,8

Masculino 7,5 8,3

Feminino 13,9 10,5

DPOC - O real impacto clínico

F Viveiros1, A Loureiro2, A Antunes1, P Brinca3, M Guimaraes1, N Taveira1

1 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Gaia/Espinho

2 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

3 Departamento de Economia; Universidade de Estocolmo

A DPOC é uma condicionante física e social com repercus-sao importante no estado de saúde e qualidade de vida. Existem hoje questionários que quantificam a interferência destas determinantes no estado de saúde. Objectivo: Avaliar o impacto da DPOC na qualidade de vida e se a obstruçao ao fluxo aéreo e percepçao do estado de saúde se relacionam com o grau de dispneia. Material e métodos: A doentes DPOC foi aplicado o ques-tionário EQ-5D, que compreende uma escala descritiva com 5 dimensoes:mobilidade, cuidados pessoais,actividades habituais, dor/mal-estar e ansiedade/depressao, corresponden-do a cada uma um score de 1-3, que nao tem propriedades aritméticas. Inclui ainda uma escala visual analógica do pior (0) ao melhor (100) estado de saúde possível. Aplicou-se também a Escala MMRC (Modified Medical Research Council) para quantificar o grau de dispneia e registou-se o FEV1 pós-BD. Foi feita análise descritiva da populaçao e utilizada regressao linear nas correlaçoes entre as variáveis. Resultados: 61 doentes,5(8%) mulheres e 56(92%) homens. Idade média 65.8 (±8.7). Indice de massa corporal médio 26,96 (±4,7) e FEV1 médio 46,26%(±1,4). O valor médio na MMRC foi 2.57(±1,2). Relativamente ao questionário,o valor da moda em cada dimensao foi: 1 para a mobilidade, actividades habituais, dor/mal-estar e ansiedade/depressao, e 2 nos cuidados pessoais. O valor médio da escala visual foi 58.44 (±16,6) com moda de 50. Constatou-se nao existir correlaçao estatisticamente significativa entre o FEV1 e os resultados de ambos os braços do EQ-5D. Nao houve evi-dência de correlaçao positiva entre o valor de MMRC e as dimensoes do EQ-5D e verificou-se uma correlaçao negativa entre a variável MMRC e a escala visual analógica, em que uma reduçao de 0,03 unidades na MMRC está associa-da ao aumento de 1 unidade na escala (p=0.0005). Conclusao: este estudo suporta a percepçao clínica de que isoladamente a gravidade da dispneia,mais do que o nível de obstruçao brônquica,condiciona o estado geral de saúde e qualidade de vida.

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Aspectos endobronquicos da Aspergilose: a propósito de 2 casos

I Belchior, M Sucena, G Fernandes, A Magalhaes Servido de Pneumologia; Hospital de Sao Joao, EPE

O atingimento endobronquico por Aspergillus é um tipo de Aspergilose invasiva raro associado ou nao a lesöes do paren-quima pulmonar. Estes organismos habitualmente apenas causam doen^a em individuos imunodeprimidos ou com patologia estrutural pulmonar, mas há casos descritos em doentes imunocompetentes.

Apresentamos 2 casos de Aspergilose traqueobronquica (ATB): o primeiro tratava-se de um homem de 62 anos, fumador com diabetes Mellitus tipo 2, HIV negativo. Estava sob ventilado invasiva por choque séptico com ponto de partida renal e disfundo multiorganica O fungo foi isolado em secre^öes bron-quicas ao 9.° dia de internamento. A broncofibroscopia mostrou extensa destruido da mucosa da árvore bronquica desde a traqueia (foto) até aos bronquios segmentares, observando-se lesöes vegetantes e placas necróticas em cuja biopsia foram isolados A. jUmigatus e C. glabrata. A resposta ao tratamento foi favorável embora muito lenta, constatando-se ainda a presenta de lesöes endobronquicas e placas necróticas ao fim de 2 meses de tratamento com voriconazol; O segundo, um homem de 59 anos com linfoma de células Natural Killer leucemizado e pancitopenia que apresentou deteriorado progressiva da fundo respiratória. Nas imagens endoscópicas visualizaram-se lesöes vegetantes endobronquicas causadas por A. fumigatus (foto) confirmado na biopsia. Em ambos os casos os doentes apresen-taram secre^öes bronquicas hemáticas e radiologicamente alterares parenquimatosas sugestivas de patologia infecciosa com dissemina^ao endobronquica.

Fig. 2

Fig. 2

Em doentes com evidencia clínica e radiológica de infec^ao respiratória, em particular naqueles que nao resolvem com

0 tratamento habitual, a Aspergilose deve ser considerada no diagnóstico diferencial. Embora mais raramente, como no primeiro caso, também em doentes nao imunodeprimidos pode ocorrer patologia grave provocada por Aspergillus.

Broncologia pediátrica - 2 anos de experiencia de uma unidade de broncologia

J Gomes1, A Antunes2, A Oliveira2, S Neves2, J Almeida2, J Moura e Sá2

1 Pneumologia, Centro Hospitalar Gaia/Espinho, EPE

2 Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar Gaia/Espinho, EPE

Introdu^ao: A broncoscopia em idade pediátrica é um procedimento seguro que permite atitudes diagnósticas e terapéuticas. Está indicada sempre que a informado que se pretende obter nao possa ser alcanzada por métodos menos invasivos.

Material e métodos: Análise retrospectiva dos exames realizados em crianzas até aos 15 anos de idade (inclusive), de 1 de Janeiro de 2008 a 31 de Dezembro de 2009. Resultados: Foram realizados 238 exames em 184 crianzas: 73 em crianzas < 1 ano (dos quais 23 em crianzas <1 mes) e 165 exames em crianzas >1 ano e <15 anos. No ano de 2008 efectuaram-se 135 exames: 110 broncofibroscopias, 24 broncoscopias rígidas e 1 entubado guiada por fibros-

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Vol XVI Suplemento 2 Margo 2010

copia. Em 2009 realizaram-se 103 exames: 92 broncofibros-copias, 10 broncoscopias rígidas e 1 entubado guiada por fibroscopia. O principal motivo de realizado dos exames foi o estridor (cerca de 27,7%), seguido da suspeita de corpo estranho (16,3%), a pneumonia (15%), a atelectasia (13%), entre outros motivos variados. Foram encontrados corpos estranhos em 22 exames. A laringomalácia foi o achado endoscópico predominante (54 casos). Nos doentes em que foi enviado lavado bronquico para bacteriologia/ micobacteriologia houve identificado etiológica em 30% dos casos, sendo o Haemophilus influenzae o agente mais comum. Em 1 caso houve como complicado uma hemorragia > 200 ml.

Conclusao: A broncoscopia em idade pediátrica constitui um exame importante nao só para diagnóstico mas também como terapéutica. A broncoscopia rígida, que até 2007 era efectuada em todas crianzas referenciadas a esta Unidade, foi progressivamente substituída pela broncofibroscopia, reservando-se actualmente para atitudes terapéuticas ou de interven^ao.

Derrame pleural parapneumónico complicado: tratamento médico vs tratamento cirúrgico

C Lares dos Santos, C Guimaraes, L Fernandes, F Costa Servido de Peumologia, Centro Hospitalar de Coimbra, EPE

Introdujo: A maioria dos derrames pleurais parapneumó-nicos resolve com antibioterapia. No entanto alguns tornam--se complicados, exigindo procedimentos mais invasivos para a sua resolu^ao.

Objectivos: Caracterizar os doentes com derrame pleural parapneumónico complicado (DPPC) e avaliar o tipo de tratamento realizado, procurando diferen^as entre os grupos que possam indiciar uma abordagem exclusivamente médica ou a necessidade de tratamento cirúrgico. Doentes e métodos: Análise retrospectiva dos processos dos doentes internados no CHC, EPE com diagnóstico de DPPC, de 2005 a 2009. Colheram-se dados demográficos, clínicos, analíticos, imagiológicos, microbiológicos, características do líquido pleural, terapéutica instituída e evolu^ao clínica. Procedeu-se á análise estatística com o programa SPSS Vs 13.0.

Resultados: Identificaram-se 41 doentes, com média etária de 66,3±21,3 anos; 63,4% do sexo masculino. A maioria dos derrames ocupava menos de meio hemitórax, 65,9% eram septados. 63,4% foram abordados nas primeiras 24h após o diagnóstico. Os valores médios de pH, glicose e LDH, foram: 7,26±0,4; 4,21±2,74mmol/L; 4625,50±7168,03UI/L. Os exames microbiológicos permitiram a identificado do agen-

te causal em 12,2%. 46,3% foram submetidos a tratamento cirúrgico, 24,3% como op^ao inicial e 22,0% após terapéutica médica. Ocorreram 4 óbitos, em igual propor^ao nos grupos médico e cirúrgico. Os doentes submetidos a trata-mento médico tinham idades mais elevadas e internamentos de menor durado que os submetidos a cirurgia (p<0,05), nao se tendo registado diferen^as estatisticamente significativas entre os grupos nos restantes parametros analisados. Conclusoes: 46,3% dos doentes necessitaram de cirurgia para resolu^ao do DPPC. Os doentes submetidos a trata-mento médico eram mais idosos e tiveram internamentos mais curtos que os submetidos a tratamento cirúrgico. No que concerne aos restantes parametros analisados verificou--se a homogeneidade entre os grupos.

Rentabilidade e seguranza da biopsia pulmonar transbronquica

I Belchior, N Teixeira, I Neves, M Vanzeller, A Magalhaes Servido de Pneumologia; Hospital de Sao Joao, EPE

A biopsia pulmonar transbronquica (BPTB) é uma técnica de diagnóstico endoscópica utilizada sobretudo no estudo de doen^as pulmonares parenquimatosas difusas (DPPD), sendo as suas principais complicares a hemorragia e o pneumotórax. O diagnóstico definitivo depende da sua conjugado com aspectos clinico-radiológicos. Objectivo: determinar a rentabilidade e seguranza da BPTB para diagnóstico de várias patologias pulmonares. Método: Análise retrospectiva dos registos dos doentes que realizaram BPTB entre 2005 e 2009.

Resultados: Incluiram-se 122 doentes com média de idades de 47.7 anos. O lobo médio foi o local mais frequentemen-te biopsado (72%), seguido dos lobos inferiores. Concomi-tantemente foi efectuado lavado broncoalveolar em 100 exames, biopsia bronquica em 36 e aspirado transbronquico por agulha em 9. Obteve-se parénquima pulmonar em 68% das biopsias. Registaram-se 2 casos de pneumotórax, 7 casos de hemorragia, e 1 de paragem cardiaca revertida com suporte avanzado de vida.

Da análise dos registos clinicos conseguiu saber-se o diagnóstico definitivo em 81% dos casos, sendo a rentabilidade da BPTB de 20,2 %. Os diagnósticos mais frequentemente encontrados foram sarcoidose (45%) e neoplasia (17%). Em 8 (8%) só a BPTB foi indicativa do diagnóstico, obviando a necessidade de outros procedimentos invasivos. Comentario: O diagnóstico das DPPD implica frequente-mente a análise de tecido pulmonar, sendo por vezes neces-sário recorrer a biopsia cirúrgica. A BPTB, efectuada no momento da broncofibroscopia permite aumentar a renta-bilidade do procedimento, a rapidez diagnóstica e obviar a

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necessidade de mais procedimentos invasivos. Assim, de acordo com a suspeita clínica e avalia^ao radiológica, os casos que beneficiarao da realizado da BPTB devem ser criteriosamente seleccionados.

Diagnóstico e provas de esfor^o cardio-respiratórias - O próximo passo

A Castro1, C Silva2, B Seabra2, R Lima2, M Guimaraes2

1 Pneumologia; Centro Hospitalar Gaia-Espinho

2 Servi^ode Pneumologia, Unidade de Estudo Funcional Respiratório, Centro Hospitalar Gaia-Espinho

Introdujo: As provas de esfor^o cardio-respiratórias (PECR) tém tido um uso crescente na prática clínica, reflec-tindo a maior sensibilizado sobre as limitares dos exames cardio-respiratórios em repouso em estimar a performance durante o esfor^o e prognóstico da capacidade de exercício. Permitem uma avahado integrada da resposta do doente ao exercício, quantificar a resposta global bem como a contribuido e interac^ao de variáveis individuais. Objectivo: Caracterizar as PECR realizadas durante um período de 5 meses.

Material e métodos: Estudo retrospectivo de 62 doentes que realizaram PECR, entre Setembro de 2009 e Janeiro de 2010, no Centro Hospitalar Gaia-Espinho, em que foram avaliadas as seguintes variáveis: idade, sexo, hábitos tabágicos, antecedentes patológicos, motivo de realizado do exame; índice de massa corporal, FEV1; FEV1/FVC; gasimetria arterial; electrocardiograma, carga máxima, reserva cardíaca e venti-latória, consumo e pulso de oxigénio, limiar de anaerobiose, equivalente CO2 no limiar de anaerobiose; motivo de inter-rupdo da prova; resultado e tipo limitado. Resultados: Os 62 doentes incluídos apresentavam uma média de idades de 47,1 anos, 50% eram do sexo masculino e 50% do sexo feminino. A maioria era nao-fumador (56,4%) e apresentava excesso de peso (46,2%). Predomínio da patologia respiratória (54,9%) sobre a patologia cardíaca (16,1%), sendo a doen^a do interstício (25,8%) e a DPOC (12,9%) as mais prevalentes. Em 29% dos doentes verificou--se limitado da capacidade de exercício. A limitado venti-latória fez-se sentir em 39,3% dos doentes, e a limitado cardíaca e descondicionamento físico em 28,6% e 21,3, respectivamente.

Conclusao: As PECR fornecem uma medida objectiva da capacidade de exercício; identificam os mecanismos que li-mitam a toleráncia ao exercício e demonstram que nem sempre a limitado da capacidade de exercício é provocada pela doen^a previamente identificada.

Tumores carcinóides brônquicos:

0 que mudou?

J Gomes1, A Antunes2, S Conde2, S Neves2, B Seabra2, A Barroso2, B Parente2

1 Pneumologia; Centro Hospitalar Gaia/Espinho, EPE

2 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar Gaia/Espinho, EPE

Introduçao: Os tumores carcinóides típicos e atípicos fazem parte dos carcinomas neuroendócrinos do pulmao, e sao dentro destes o grupo que pior responde quer à quimioterapia quer à radioterapia, continuando a ser a cirurgia a terapéutica de exceléncia.

Material e métodos: Análise retrospectiva dos doentes seguidos na Unidade de Pneumologia Oncológica com o diagnóstico de tumor carcinóide típico ou atípico, tratados no serviço entre Janeiro de 2000 e Dezembro de 2009. Efectuada a comparaçao com séries anteriores do serviço (102 casos), com o objectivo de avaliar mais valias no trata-mento dos doentes.

Resultados: 21 doentes, dos quais 38% mulheres e 62% homens, com idade média de 50,3 anos (máximo — 75 anos, mínimo — 22 anos). Hábitos tabágicos: 2 fumadores, 4 ex--fumadores e 15 nao fumadores. Tipo histológico: 4 carcinóides atípicos (19%) e 17 carcinóides típicos (81%). A sobrevida global para os tumores carcinóides foi de 89% aos

3 anos e de 80% aos 5 anos. O cintilograma com octerótido foi efectuado em 8 doentes com diagnóstico de tumor car-cinóide, entre os quais 2 doentes com síndrome carcinóide (1 com carcinóide atípico e 1 com carcinóide típico), tendo estes realizado tratamento com lanreótido. Conclusao: Comparando esta série com a anterior do servi-ço, entre 1994 e 2000, verifica-se uma razao constante do número de casos/ano (2,1 novos casos/ano nesta série versus 2 novos casos/ano na série anterior), mas um aumento dos carcinóides atípicos (19% versus 12,5%). Houve uma me-lhoria da sobrevida global aos 5 anos (50% na série anterior versus 80 % nesta série), o que poderá justificar-se por um melhor estadiamento e consequente terapéutica, nomeada-mente quimioterapia, RT e outras terapeuticas adjuvantes realizadas actualmente, apesar da cirurgia continuar o "gold standard".

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Vol XVI Suplemento 2 Março 2010

Idade média Sexo H. tabágicos Estadio Tratamento Metastizagäo Sobrevida

C.Típico 52,2 10 H 13 n/ fuma IA-6 9 Lobectomias Hepática=2 3anos= 85%

n=17 7 M 4 (ex; fuma) IB-8 2 bilobectomias

II -3 3 pneumectomias 5anos=85%

2 Suporte

C.Atípico N= 4 42,5 3 H 1 M 2 n/ fuma 2 ex.fuma IA- 2 IB -2 4 Lobectomia 2 QT ajuv 2 RT Peritoneal=1 3anos=100% 5anos=100%

Mediastinite aguda

L Fernandes, C Ferreira, L Rodrigues, F Costa, F Barata Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar de Coimbra, EPE

Introdu^ao: Mediastinite aguda (MA) é um processo inflamatorio agudo do mediastino. É uma entidade rara, com várias etiologias. Representa normalmente uma urgencia com necessidade de abordagem e terapéutica imediatas e dirigidas.

Objectivo: Caracterizar os doentes com MA. Material e métodos: Estudo retrospectivo de doentes internados no Hospital Geral do CHC com diagnóstico de MA, desde 01/2000 até 12/2009. Avaliaram-se parámetros demográficos, clínicos, radiológicos, de tratamento e resultado. Resultados: Incluidos 7 doentes, 4 do sexo feminino, idade média de 46,3 anos. Dos factores de risco identificados salienta-se a diabetes (3/7). Os tipos de MA encontrados foram: descendente necrotizante — MDN (4/7) e por rutura esofágica (3/7). Os sintomas mais comuns foram a disfagia (3/7), dor cervical e dispneia (2/7 cada). Os sinais prevalen-tes foram taquicardia e febre (5/7 cada). O tempo médio entre inicio dos sintomas e tratamento foi 3 dias. O achado radiológico mais comum foi o derrame pleural, quer no Rx tórax (5/7), quer na Tomografia computorizada (5/6). Dos dados microbiológicos disponíveis observaram-se 3 culturas negativas (2 de pus mediastínico e 1 de líquido pleural) e 2 positivas para Streptococcus spp (1 de pus mediastínico e 1 de abcesso cervical). O tratamento combinado (antibiotera-pia e cirurgia) foi o mais utilizado (6/7). A limpeza cirúrgica por minitoracotomia (com videotoracoscópio) foi a principal op^ao (4/7) e a antibioterapia prevalente foi a combinada, com meropnem ou piperacilina/tazobactam (3/7). Seis do-entes apresentaram complicares, sendo o empiema a mais frequente (4/6). Registou-se 1 óbito.

Conclusao: A MDN foi a mais prevalente. A maioria dos doentes apresentou sinais de gravidade clínica e o tratata-mento combinado foi o mais usado. Verificou-se alta taxa de complicares (secundárias a mediastinite ou a cirurgia?). A mortalidade foi baixa, apesar do tempo relativamente longo entre ínicio dos sintomas e o tratamento.

Pandemia de gripe A(H1N1)v no Norte de Portugal - Epidemiología, apresenta^áo clínica e prognóstico dos casos durante a fase de conten^áo

AV Cardoso1, C Carvalho3, J Simoes2, H Gomes3, M Tavares4, I Carvalho5, J Sá3, JA Paiva6, AA Caldas7, L Santos8, A Sarmento8, T Guimaraes9, M Tavares8

1 Doen^as Infecciosas, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

2 Servido Patologia Clinica, Hospital Sao Joao

3 Servido de Doen^as Infecciosas, Hospital Sao Joao

4 Servido de Pediatria, Hospital Sao Joao

5 Servido de Urgéncia Pediátrica, Hospital Sao Joao

6 UAG Urgéncia e Cuidados Intensivos, Hospital S. Joao e FMUP

7 Servido de Pediatria, Hospital Sao Joao e FMUP

8 Servido de Doen^as Infecciosas, Hospital Sao Joao e FMUP

9 Servido de Patologia Clinica, Hospital Sao Joao e FMUP

Introdujo: O número crescente de casos de infec^ao pelo novo virus da gripe A(H1N1)v levou a OMS a declarar o inicio de uma pandemia de gripe a 11 de Junho de 2009. Entre Maio e Agosto de 2009 foram observados no Hospital de Sao Joao (HSJ) mais de 300 casos de gripe A laboratorialmente confirmados.

Objectivo: Descrever as caracteristicas epidemiológicas, clinicas e prognósticas destes primeiros casos. Métodos: Estudo observacional retrospectivo, incluindo doentes com RT-PCR positiva para virus da gripe A (H1N1) v, observados no HSJ, seleccionados através das Declara^oes de Casos e da base de dados do Servido de Patologia Clinica. Dos 401 casos identificados na regiao Norte, foram elegiveis para consulta ao processo clinico 325. Após exclusao de residentes no estrangeiro, auséncia de contacto telefónico ou cujo contacto correspondia a uma instituido, 253 participantes foram elegiveis para entrevista telefónica, que foi efectuada para 53,3%.

Resultados: A Fig. 1 apresenta a curva epidémica na regiao Norte, e a Fig. 2 a origem dos casos observados no HSJ. Dos 325 doentes, 58,8% eram homens e 79,4% apresenta-vam idades inferiores a 30 anos. Os sintomas observados

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foram febre (96,2%), tosse (83,7%), mialgias/artralgias (69,3%), cefaleias (44,5%), odinofagia (43,9%), rinorreia (35,4%) e sintomas gastrointestinais (22,9%). A maioria (83,3%) apresentou-se com doen^a ligeira, 10,8% foram internados (3 em UCI), 4,0% tinham critérios de pneumonia, e 0,7% evoluíram para ARDS. Foi prescrito oseltamivir a 30,2% dos doentes. As medidas de controlo da infec^ao foram geralmente cumpridas pelos doentes, no entanto 77,0% apontaram-nas como mais perturbadoras do que a própria doen^a.

Conclusao: A primeira onda pandémica de gripe A no Norte de Portugal ocorreu no verao com pico nas semanas 33-34, sendo sobretudo casos importados ou adquiridos no Algarve. Na maioria dos casos a infec^ao teve uma evolu^ao benigna com menos de 1% de casos graves e 0% de letalidade.

Fig. 1 - Curva epidémica dos casos confirmados de Gripe A (H1N1)v na Regiao Norte de Portugal (Maio-Agosto 2009)

. 2 - Origem dos casos confirmados de Gripe A (H1N1)v no Hospital de ) Joao (Maio-Agosto 2009)

Adultos internados num hospital central por tuberculose sem infecçâo HIV associada - características clínicas e padrâo de sensibilidade aos antibacilares

N Teixeira1, T Carvalho2, I Gomes1, JA Marques1

1 Serviço de Pneumologia; Hospital de Säo Joäo

2 Serviço de Patologia Clínica; Hospital de Säo Joäo

A tuberculose (TB) permanece uma causa de internamento importante.

Foi realizado um estudo retrospectivo, através da consulta de processos clínicos de doentes internados no Hospital de Säo Joäo EPE entre 2007 e 2009. Excluíram-se doentes com infecçâo VIH e sem teste de sensibilidade aos antibacilares (ATB). Analisaram-se: sexo, idade, apresentaçâo clínica, comorbilidades, alteraçoes analíticas e radiológicas, isolamento e teste de sensibilidade do Mycobacterium tuberculosis (MB) aos ATB 1.a linha, terapéutica, toxicidade, dura-çâo do internamento e destino.

Foram estudados 143 doentes entre 18 e 89 anos (média 53,7 anos), 101 (70,6%) do sexo masculino. Apresentavam TB pulmonar 101 (70,6%) doentes, 21 (14,7%) TB disseminada, 13 (9,1%) TB pleural, 3 (2,1%) TB renal, 3 (2,1%) espondilodiscite tuberculosa e 2 (1,4%) TB ganglionar. Estavam presentes comorbilidades em 107 doentes. As principais alteraçoes na radiografia tórax foram: infiltrado unilateral (27,3%) ou bilateral (16,8%), cavitaçâo (15,4%) e derrame pleural (11,9%). Isolou-se MB em secreçoes brônquicas em 88 casos, suco gástrico em 23, lavado bron-coalveolar em 17, lavado brônquico em 30, líquido pleural 9, pleura 8, urina 6 e outros produtos em 18 casos. Verificou--se sensibilidade a todos ATB de 1.a linha em 124 doentes (86,7%); 13 casos (9,1%) de monorresisténcia, 4 (2,8%) de polirresisténcia e 2 (1,4%) de multirresisténcia, 1 dos quais extensivamente resistente. A maior frequéncia de resisténcia ocorreu com estreptomicina (11,2%) e isoniazida (5,6%). Faleceram 16 doentes (11,2%), na quase totalidade com comorbilidades importantes. Os restantes tiveram alta para CDP, 67 também para consultas hospitalares. Concluímos que um número significativo de doentes apre-sentava comorbilidades, que a mortalidade foi preponderante neste grupo, que a TB pulmonar predominou como esperado e que o padräo de sensibilidade aos ATB näo foi significativamente diferente dos doentes de ambulatório.

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Pneumomediastino: a propósito de dois casos clínicos

M Fradinho1, C Cristóvao2, F Nogueira2

1 Pneumologia; Hospital de Egas Moniz — Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental

2 Servido de Pneumologia; Hospital de Egas Moniz — Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental

O pneumomediastino é uma entidade pouco frequente, podendo a sua etiologia ser espontanea (nao provocado por traumatismo, cirurgia ou outros procedimentos médicos), haver factores predisponentes, como doen^as pulmonares subjacentes, ou precipitantes, nomeadamente vómitos, drogas inaladas, tabaco. O pneumomediastino espontaneo corresponde a 1/1000 a 1/40 000 das admissoes no servido de urgéncia. Sendo raro em adultos, é mais frequente em jovens do sexo masculino. O seu prognóstico é favorável, sendo o tratamento terapéutica conservadora com oxigeno-terapia e repouso. Os autores descrevem dois casos clinicos de pneumomediastino com etiologia e forma de apresenta^ao distintas. Doente do sexo masculino, 24 anos, com história de consumo diário de haxixe inalado. Quatro dias antes do internamento, iniciou quadro clinico de dores abdominais, vómitos incoerciveis e diarreia. Ao exame objectivo apresentava-se desidratado, com epigastro e fossa iliaca es-querda dolorosos a palpa^ao e sinais de enfisema subcutáneo na regiao supra-esternal e escavado supra-clavicular esquerdo. Radiologicamente, pneumomediastino desde a base do pesco^o até aos pilares do diafragma. Doente do sexo femi-nino, 40 anos, com história de enfisema pulmonar, hábitos tabágicos, tuberculose pulmonar tratada, ex-toxicodependente em programa de metadona e com serologias positivas para VIH e hepatite C. Dois dias antes do internamento, iniciou quadro clinico de dificuldade respiratória associada a aumento do volume cervical, rubor facial e dor retroesternal tipo pleuritica. Ao exame objectivo, salientava-se enfisema subcutáneo na face anterior do tórax, regiao cervical e face e ausculta^ao pulmonar com diminuido global do murmúrio vesical e sibilos dispersos. Radiologicamente, extenso pneu-momediastino, enfisema subcutáneo e bolhas de enfisema. Em ambos os casos, verificou-se regressao do quadro clinico após terapéutica sintomática, oxigenoterapia e repouso.

Centro de referência regional de tuberculose multirresistente - 9 meses de actividade

A Antunes1, R Duarte2

1 Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE

2 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/ Espinho, EPE

A tuberculose multi-resistente (MDR-TB) é um problema de saúde pública com sérios desafios na sua abordagem. Em Portugal no ano de 2007, 1.5% de novos casos de tuberculose eram MDR-TB, metade destes tuberculose extensamente resistente (XDR-TB). Com o objectivo de melhorar a abordagem a estes doentes e orientar as intervençoes terapéuticas, em 2008 surge o Centro de Referencia Nacional e em Abril 2009 o Centro de Referencia Regional da Tuberculose Multi-Resistente (CRRTMR) da regiao norte. Objectivo: Apresentar os resultados de 9 meses de actividade do CRRTMR. Material e métodos:Consulta dos proces-sos referenciados entre Abril 2009 e Janeiro 2010 e análise estatística descritiva das características demográficas, clínico-patológicas e outcomes dos doentes.

Resultados: Referenciados 15 doentes, 9 do sexo masculino e 6 do sexo feminino. Média de idade 50.2 (±13.3)anos. Concelhos do Porto e Felgueiras responsáveis por 52% dos casos (26% cada). O factor de risco para MDR-TB mais prevalente foi a existencia de tratamento prévio, registado em 47% dos doentes. Manifestaçao exclusivamente pulmonar em 13 doentes, 1 caso de tuberculose pulmonar e peri-cárdica e 1 de tuberculose disseminada. O perfil de resistencia mais prevalente (40%) foi a resistencia à isoniazida, ri-fampicina e estreptomicina. XDR-TB em 20% dos doentes. Mediana do tempo de negativaçao 127.5 dias (média 611±1483). Em todos os doentes efectuada terapeutica individualizada de acordo com antibiograma de 1.a e 2.a linha com registo de toxicidade em 60% dos casos. A forma mais grave foi a acidose láctica, sendo a mais comum a hemato-lógica. Terapeutica com linezolide associada a maior proba-bilidade de toxicidade - OR 2.5 (IC 95% 0.2-2.5). À data do estudo, 53% pacientes tinham terapeutica em curso, 27% haviam completado o tratamento com sucesso e em 20% registada a morte (apenas 1 por tuberculose). Conclusáo: O CRRTMR possibilita uma abordagem sistematizada de todos os doentes com melhor manejo de possí-veis intercorrencias.

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Análise retrospectiva dos internamentos por pneumotórax num servido de pneumologia (2008 e 2009)

R Monteiro1, S Campainha2, M Vanzeller2, A Oliveira2, D Ferreira2, J Almeida2, MC Brito2

1 Pneumologia; CHVNG/E

2 Servido de Pneumologia; CHVNG/E

Introdujo: O pneumotórax, definido como presenta de ar no espado pleural, classifica-se em espontáneo ou traumático. O pneumotórax espontáneo ocorre sem uma causa aparente e subclassifica-se em primário ou secundário, de acordo com a ausencia ou presenta de doen^a pulmonar subjacente. O tabagismo aumenta significativamente o risco de pneumotórax espontáneo. As recorrencias sao frequentes: 23-52% para o pneumotórax primário e 40-80% para o pneumotórax secundário.

Objectivos: Caracterizar os doentes internados por pneumo-tórax espontáneo. Avaliar a dura^ao e evolu^ao dos internamentos. Analisar a rela^ao entre o tratamento e a recidiva. Método: Análise dos processos dos doentes internados no Ser-vi^o de Pneumologia com o diagnóstico de pneumotórax em 2008 e 2009. Os parámetros avaliados foram: idade, sexo, antecedentes, dura^ao do internamento, tratamento e recidiva. Resultados: Nos dois últimos anos foram internados 81 doentes por pneumotórax espontáneo, 73 do sexo masculino (90,1%). A média de idade foi de 32,0 anos e a dura^ao média do internamento de 6,4 dias. Em rela^ao aos hábitos tabágicos 68 doentes (86,1%) eram fumadores e, dentro destes, 12 consumiam outras drogas. Havia história prévia de pneumotórax em 33 (40,7%) dos casos. Foi efectuada drenagem torácica em 77 (95,1%) dos doentes: 24 (29,6%) foram posteriormente submetidos a talcagem por toracosco-pia e 2 (2,5%) a descortica^ao cirúrgica. Em 4 casos (4,9%) optou-se pelo tratamento conservador. No total houveram 22 (27,2%) recidivas: 2 em doentes tratados conservadora-mente (66,7%); 19 em doentes tratados com drenagem (36,5%) e 1 em doente tratado com talcagem (4,2%). Conclusoes: Confirma-se a maior frequencia de pneumo-tórax no sexo masculino e nos indivíduos com hábitos tabá-gicos. A frequencia global de recidivas está de acordo com a literatura, sendo muito inferior nos doentes submetidos a talcagem ou descortica^ao cirúrgica.

Fibrose pulmonar idiopática - Análise descritiva e avaliaçâo de factores de prognóstico

FS Pires1, A Morais1, N Melo1, C Damas1, JM Jesus2, R Cunha2, CS Moura3

1 Serviço de Pneumologia — Hospital de Säo Joäo

2 Serviço de Radiologia — Hospital de Säo Joäo

3 Serviço de Anatomia Patológica — Hospital de Säo Joäo

Introduçao: A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) caracterizare por um mau prognóstico e por uma evoluçao variável e imprevisível, tornando-se importante averiguar eventuais factores prognósticos.

Objectivo: Estudo de doentes com FPI e avaliaçao de factores de prognóstico.

Métodos: Análise retrospectiva de doentes com FPI, sua caracterizaçao clínica, funcional e imagiológica na altura do diagnóstico e avaliaçao de factores prognósticos. A análise estatística usou a regressäo de Cox para modelos univariados e multivariados, usando o método forward para a selecçâo das variáveis.

Resultados: Incluídos 67 doentes com média de idades de 68,2±10,2 anos. O diagnóstico foi efectuado pelos critérios ERS/ATS em 64,2%, tendo 35,8% realizado biopsia pulmonar cirúrgica. O tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico foi de 15,8 meses, sendo a dispneia e a tosse os sintomas mais comuns. A restriçâo foi predominante

(CVF- 74,4±21,3%; CPT- 70,8±16,4%), assim como a diminuiçâo da capacidade de difusäo (DLCO- 44,9±16,5%) e uma limitaçäo no exercício traduzida em 354±149 metros e numa SatO2 mínima de 81,3±7,4% na prova da marcha de 6 minutos. A avaliaçäo imagiológica pelo "Composite Physiologic Index" foi em média de 10,8. A celularidade diferencial no LBA revelou uma neutrofilia em 69,4% (11,6±10,9%). A evoluçäo foi predominantemente uma deterioraçäo lenta e progressiva em 68,6%, 14,9% tiveram exacerbaçäo aguda e 13,4% uma evoluçäo rapidamente progressiva. A sobrevida mediana foi de 26 meses. Os parámetros funcionais CPT (p=0.015), CVF (p=0.012), DLCO (p=0.041), paO2 (p=0.001), o n.° de metros percorridos na prova da marcha (p=0.019) e a neutrofilia no LBA (p=0.005) relacionaram-se de forma estatisticamente significativa com a sobrevida.

Conclusoes: Neste grupo de doentes observamos uma sobrevida curta de acordo com o descrito na literatura. Foram igualmente detectados parámetros funcionais e do LBA que poderäo identificar doentes com pior prognóstico.

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DQB1*06 como marcador de cronicidade em doentes com sarcoidose e eritema nodoso como apresenta^äo clínica.

A Morais, N Melo, B Lima, H Alves, R Gon^alves, S Tafulo

Introdu^ao: O eritema nodoso (EN) como forma de apre-senta^ao de sarcoidose associa-se a um bom prognóstico, habitualmente com regressao espontánea da doen^a. No entanto encontram-se identificados alguns casos com evolu-$äo crónica, tendo sido descrito em popula^öes nórdicas que estes geralmente näo apresentam o alelo DRB1*03 que se encontra associado a esta forma de doen^a. Objectivo: Avalia^äo de alelos da classe II do HLA que possam estar associados a evolu^äo para uma forma crónica em doentes com sarcoidose e EN.

Materiais e métodos: Incluídos 34 doentes de idade média 32,3 ± 9,6 anos, dos quais 70,6% säo do sexo feminino. A evolu^äo crónica considerada após 2 anos de evolu^äo foi detectada em 8 (23,5%) doentes. A genotipagem para os loci HLA-DRB1* e DQB1* foi realizada por PCR-SSP Os ha-plótipos DRB1*-DQB1* foram estimados com recurso ao algoritmo de Expectation-Maximization. As frequéncias alé-licas e haplotipicas foram determinadas por contagem directa, usando-se o teste %2 (ou o teste exacto de Fisher quando apropriado) na comparado entre doentes que evoluíram para regressäo e os que evoluíram para a cronicidade. Resultados: Apesar da frequéncia diminuída do alelo DRB1*03 no grupo de doentes com regressäo (12,5% vs 34,6%), a diferen^a näo é estatisticamente significativa (p=0,09; RR=0,34). Verifica-se no entanto o aumento estatisticamente significativo da frequéncia de DQB1*06 nos doentes com doen^a crónica (50% vs 11,5%; p<0,01; RR=3,86; IC a 95%=]1,76;8,45[). O haplótipo DRB1*03--DQB1*02 tém a sua frequéncia diminuída naqueles que evoluem para a cronicidade (12,5% vs 34,6%), näo sendo esta diferen^a estatisticamente significativa. Conclusoes: Nesta amostra de doentes do Norte de Portugal com sarcoidose associada a EN, o alelo DQB1*06 parece identificar doentes com risco aumentado de desenvolverem doen^a crónica. Quando estudadas as frequéncias haplotípi-cas verificamos que o haplótipo DRB1*03-DQB1*02 parece ter um efeito protector para a cronicidade.

Gripe H1N1 2009 - A casuística do CHVNGaia

DMR Valente1, I Ladeira2, C Ribeiro2, M Mota1, T Shiang2

1 Serviço de Medicina Interna, Centro Hospital de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE

2 Serviço de Pneumologia, Centro Hospital de Vila Nova de Gaia/ Espinho, EPE

Introduçâo: Infecçoes pelo vírus influenza causam epidemias anuais e esporadicamente pandemias com a morte de milhoes de pessoas, como as ocorridas no século passado. A emergencia de novas estirpes virais coloca constantes desafios às políticas de Saúde Pública e comunidade científica. Recen-temente a emergencia da estirpe H1N1 obrigou a WHO a sinalizar alerta fase 6, a 11/06/09 com 30 000 casos de in-fecçao ao longo de 74 países. O estudo da populaçao afectada e da evoluçao clínica permite-nos inferir se os meios técnicos disponíveis foram adequados e adoptar medidas no sentido de melhorar a nossa resposta face a uma pandemia. Material e métodos: Os autores apresentam uma casuística dos doentes com gripe A, confirmada laboratorialmente por PCR, admitidos no SU Gripe, do Hospital alvo do estudo, no período de 07/09/09 a 23/12/09. O objectivo é mostrar as características demográficas, clínica, alteraçoes analíticas, co-morbilidades, gravidade da infecçao e terapeutica efectuada nos doentes H1N1 positivos.

Discussáo: Do universo de doentes que acederam ao SU Gripe, 491 foram H1N1 positivos, sendo a maioria do sexo feminino (51,1%). A idade média dos positivos foi 20,99 A. Dos indivíduos positivos 33,40% tiveram contacto com casos de gripe. Cerca de 26,68% dirigiram-se ao SU Gripe, 9,98% enviados pelo C. Saúde e 1,02% utilizaram a Linha Saúde 24. Dos sintomas a febre foi o mais comum, presente em 81,6% dos doentes. Até aos 5 A, os dois sintomas mais frequentes foram tosse (83,33%) e rinorreia (71,30%), a partir dos 20 A foram tosse (83,33%) e mialgias (77,45%). Cerca de 57,43% dos doentes tinham co-morbilidades as-sociadas. Dos H1N1 positivos, 42,77% colheram estudo analítico, sendo as alteraçoes mais comuns a elevaçâo da PCR (86,19%) e TGO (29,05%). Foram internados 106 casos, destes 8 em unidade de cuidados intensivos. A mortalidade total no período do estudo foi 0,61%.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Cancro pulmonar de nao-pequenas células - Correlates clínico-patológicas com o estado mutacional do EGFR

A Antunes1, J Gomes3, C Lima2, S Conde3, A Barroso3, JC Machado4, B Parente3

1 Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE.

2 Grupo de Estudos do Cancro do Pulmao

3 Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, EPE.

4 Instituto de Imunologia e Patologia Molecular da Universidade do Porto

O EGFR é um receptor transmembranar com actividade tirosina cinase (TK) que inicia uma via celular proliferative A presenta de muta^oes activadoras no dominio TK (exoes 18-21) pode levar a activa^ao desta via na ausencia de ligando. Estas muta^oes ocorrem em 10-15% do cancro do pulmao de nao-pequenas células (CPNPC), estando descrita maior frequencia no sexo feminino, nao-fumadores e em adenocarcinomas.

Objectivo: Avaliar a frequencia de muta^oes no gene EGFR numa amostra de doentes com CPNPC e a existencia de correlato entre a muta^ao e algumas características clínico-patológicas: sexo, idade ao diagnóstico, tabagismo, histologia do tumor.

Material e métodos: Sequencia^ao do EGFR em amostras citológicas ou histológicas de tumor em pacientes com CPNPC diagnosticados de 01-01-2006 até 31-12-2009. Análise estatística multivariada para averiguar correlato entre o estado mutacional do gene e as variáveis clínico-patológicas já referidas.

Resultados: Sequencia^ao feita em 129 doentes. 66% sexo masculino e 34% sexo feminino. Média de idade 64.2 (±12.02) anos. 37% nao-fumadores, 33% ex-fumadores e 30% fumadores. O tipo histológico predominante foi o adenocarcinoma representando 49.6%. Maioria dos doentes com estadio IV e IIIB ao diagnóstico — 43.2% e 37.9%, respectivamente. Detectadas muta^oes em 22 doentes, correspondentes a taxa de muta^ao de 17.1%. A taxa de muta^ao foi superior no sexo feminino (29.5%), nos nao-fumadores (29%) e no adenocar-cinoma (25%). A regressao multivariada relevou correlato positiva entre o sexo feminino e o tipo histológico adenocar-cinoma com o estado mutado do EGFR, e correlato negativa entre o tabagismo e o EGFR mutado. Nenhuma das cor-rela^oes mostrou significancia estatística. Conclusao: A amostra revelou taxa de muta^ao ligeiramen-te superior a descrita na literatura, talvez pelo tamanho es-casso. A correlato positiva com o sexo feminino e histologia adenocarcinoma e a correlato negativa com o tabagismo estao de acordo com estudos já realizados.

E se a desabituaçâo tabágica fizesse parte da estratégia de eliminaçâo da tuberculose?

C Pinto1, FS Pires2, A Carvalho3, R Duarte4

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, Centro de Diagnóstico Pneumológico de V. N. Gaia

2 Serviço de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, Porto, Centro de Diagnóstico Pneumologico de V. N. Gaia

3 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia--Espinho, Centro de Diagnóstico Pneumologico de V. N. Gaia

4 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia--Espinho, Centro de Diagnóstico Pneumologico de V. N. Gaia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Introduçao: Estudos internacionais têm demonstrado que o consumo de tabaco constitui um factor de risco indepen-dente para o desenvolvimento de tuberculose (TB). De acordo com os dados da organizaçao Mundial de Saúde, 35% dos portugueses sao fumadores. A confirmaçao da associaçao tabaco/tuberculose poderá justificar a introduçao de estraté-gias de desabituaçao tabágica entre os contactos de doentes com tuberculose.

Objectivo: Os autores pretendem avaliar o papel do tabaco como factor de risco no desenvolvimento de tuberculose activa em contactos de doentes com tuberculose pulmonar. Material e métodos: Foi realizado um estudo caso controlo com 50 casos (doentes com tuberculose activa confirmada bacteriológica ou histologicamente) e 50 contro-los (contactos de doentes com tuberculose bacilífera, saudáveis). Os hábitos tabágicos foram pesquisados por inquérito. Foi avaliada análise univariada e multivariada. O odds ratio foi ajustado para a idade, sexo, estrato sócio--económico, co-morbilidades, história de emigraçao, uti-lizaçao de drogas e infecçao por vírus de imunodeficiência humana.

Resultados: O odds ratio bruto da associaçao entre tabaco e tuberculose foi de 4,461 (IC 95%:1,754-11,346). O odds ratio ajustado para os outros factores de risco pesquisados para tuberculose foi de 2,098 (IC 95%:0,825-5,337). Hou-ve uma relaçao dose-resposta entre carga tabágica (unidades--maço-ano) e o risco de tuberculose activa (OR 4,028; IC 95%: 1,188-13,661).

Conclusoes: Existe uma associaçao positiva entre os hábitos tabágicos e tuberculose na populaçao estudada. Os autores questionam se a desabituaçao tabágica nao deverá fazer parte da estratégia da abordagem da tuberculose.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA S 21

Vol XVI Suplemento 2 Março 2010

Estado mutational do egfr e resposta aos inibidores da tirosina cinase (TKI) no cancro pulmonar de näo-pequenas células

A Antunes1, J Gomes2, C Lima3, S Conde2, A Barroso2, JC Machado4, B Párente2

1 Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE.

2 Servido de Pneumologia; Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, EPE.

3 Grupo de Estudos do Cancro do Pulmao

4 Instituto de Imunologia e Patologia Molecular da Universidade do Porto

A descoberta de muta^öes no dominio Tirosina Cinase do EGFR e a sua associa^ao com a resposta aos TKI, nomeada-mente ao Erlotinib, no CPNPC despertou o interesse no uso do estudo mutacional deste gene como marcador preditivo de resposta aos TKI.

Objectivo: Avaliar a resposta (controlo da doen^a e sobrevi-da)de doentes com CPNPC ao tratamento com erlotinib em fun^ao do estado mutacional do EGFR. Metodologia: Sequencia^ao do EGFR em material de bióp-sia ou citologia aspirativa em doentes com CPNPC. Pacientes em estadio IIIB ou IV, Performance Status 0-3 e progres-sao da doen^a após pelo menos uma linha de quimioterapia foram tratados com erlotinib 150mg/dia até a morte ou progressao da doen^a. Comparada a resposta ao erlotinib — controlo da doen^a, sobrevida global e sobrevida pós inicio do erlotinib — entre doentes com mutado e EGFR nativo,

de 01-01-2006 a 31-12-2009.

Resultados: 56 doentes a quem foi feita sequencia^áo do EGFR efectuaram terapéutica com erlotinib, 26 do sexo feminino e 30 do sexo masculino. 50% pacientes nao-fumadores, 27% ex--fumadores e 23% fumadores. Adenocarcinoma em 55% dos pacientes, carcinoma epidermóide e CPNPC em 21%. Taxa de mutado do EGFR de 30% (17 doentes). Após o inicio do erlotinib 29 doentes apresentaram doen^a progressiva, e em 27 houve controlo da doen^a. Nos 17 doentes mutados, 59% apresentaram doen^a estacionaria e 41% progrediram. Nos 39 doentes com EGFR nativo, 57% apresentaram doen^a progressiva e 43% atingiram controlo da doen^a. EGFR mutado asso-ciado a controlo da doen^a - OR 1,8(IC95%0,6-5,8). Em 45 doentes com doen^a avanzada ab initio a mediana da sobrevida global nos mutados versus EGFR nativo é de 29,8 versus 23,7 meses (p>0,05) e nos mesmos grupos a mediana da sobrevida pós-inicio de erlotinib é 14,6 versus 4,4 meses (p=0.05). Conclusao: O EGFR mutado esteve associado a maior probabilidade de controlo da doen^a. Neste estudo, EGFR mutado esteve também associado a maior sobrevida, resultados nem sempre uniformes na literatura.

Neutropenia febril em doentes com cancro do pulmáo

PC Mota1, FS Pires1, C Damas1, V Hespanhol2

1 Servido de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, EPE, Porto

2 Servido de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, EPE, Porto; Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Introdujo: A neutropenia febril (NF) é uma complicado associada a quimioterapia (QT) citostática com morbilidade e mortalidade importantes.

Objectivos: Estudar as caracteristicas clinicas e evolu^ao dos doentes com cancro do pulmao (CP) internados por NF no Servido de Pneumologia do Hospital de Sao Joao. Material e métodos: Estudo retrospectivo de todos os do-entes com CP admitidos por NF (contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 1 x 109/l e temperatura > 38.°C (> 1 hora)) no periodo de 2003 a 2008. Avaliadas caracteristicas demográficas, clinicas, terapéutica e evolu^ao. Resultados: Foram incluidos 44 doentes; idade mediana 68,0 anos; 72,7% do sexo masculino; 70,5% com comorbi-lidades; 75,0% com CP nao pequenas células. A NF ocorreu mais frequentemente com QT de 1.a linha (75,0%) e nos 1.°/2.° ciclos (56,8%). Sintomas respiratórios foram observados em 16 (36,4%) doentes e mucosite em 12 (27,3%). A CAN basal mediana foi 0, 24 x 109/l. Foi obtida identificado microbiológica em 8 (18,2%) casos. A todos os doen-tes foi instituida antibioterapia (monoterapia: 50,0%) e em 40 (90,9%) factores de crescimento granulocitários. Na maioria, a apirexia (72,7%) e a recuperado da CAN (61,4%) foram atingidas antes do 3.° dia de internamento. O tempo mediano de internamento foi de 8 dias. A mortalidade foi de 27,3% (12/44), estando significativamente associada ao 1.° ciclo de QT (p=0,035). A sépsis/choque séptico foi a principal causa de morte. Nos 32 doentes que sobreviveram, o tempo de internamento correlacionou-se positivamente com a presenta de hipotensao (p=0,023) e a realizado de radioterapia (RT) prévia (p=0,036) e negativamente com o número de dias pós-QT (p=0,041).

Conclusao: A NF constituiu uma complicado precoce da QT. A mortalidade por NF foi elevada, sendo mais frequente após o 1.° ciclo de QT. A hipotensao, a realizado de RT prévia e a precocidade da instalado da NF associaram-se significativamente a internamentos prolongados.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA

Implicaçoes terapéuticas da presença de lobo da ázigos em doente com adenocarcinoma do pulmâo

C Pinto1, N Santos2, D Cunha3, J Cunha3, J Miranda2, L Vouga2

1 Serviço de Pneumologia, Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro

2 Serviço Cirúrgia Cardio-Torácica, Centro Hospitalar de V. N. Gaia-Espinho

3 Serviço de Pneumologia, Hospital de Säo Marcos, Braga

O lobo da ázigos (LA) é uma variante anatómica que surge em menos de 5% dos indivíduos e resulta do desenvolvimen-to anómalo do brônquio lobar superior direito. Na sua maioria näo tem implicaçoes clínicas.

Desde que foi descrito pela primeira vez um tumor no LA, em 1969, apenas houve referencia na literatura médica internacional a mais 2 casos. Embora se trate de uma situaçäo rara, um tumor com esta localizaçäo pode trazer implicaçoes adicionais na sua abordagem.

Os autores descrevem o caso de um homem de 56 anos, fumador, sem antecedentes patológicos de relevo que em Julho de 2009 fez uma radiografia de tórax de rotina onde era visível uma hipotransparência de limites mal definidos no lobo superior (LS) do pulmäo direito. Do estudo complementar salienta-se a presença, na tomografia computo-rizada (TC) de tórax, de massa de 6,5cm no LS direito, com aparente invasäo da veia ázigos, a qual delimitava o LA. Foi submetido a biópsia transtorácica cuja histologia foi com-patível com adenocarcinoma. A broncofibroscopia, TC abdominal, tomografia de emissäo de positroes (PET) e ressonáncia magnética (RM) cerebral näo identificaram lesoes secundárias. A RM do tórax sugeria invasäo da pleura parietal e alteraçäo de sinal da gordura adjacente. Realizou dois ciclos de quimioterapia neo-adjuvante com carbopla-tina e navelbina. Em Setembro de 2009, mantinha aparente invasäo da veia ázigos e era questionável o envolvimento da veia cava. Foi proposta resse^äo cirúrgica com eventual colocaçäo de prótese vascular. Na cirurgia, verificou-se que massa envolvia a veia ázigos mas näo a invadia. Foi subme-tido a lobectomia superior direita e a histologia demonstrou adenocarcimoma bem diferenciado, sem sinais de invasäo vascular ou pleural.

Os autores descrevem este caso porque, embora o tumor näo tivesse origem no LA, a presença desta variaçäo anatómica, habitualmente näo patológica, acabou por ser determinante na defin^äo da estratégia terapéutica.

Gravidade da asma: atopia e comorbilidades

F Viveiros1, I Gonçalves1, A Antunes1, P Brinca2, R Lima1, R Duarte1, A Carvalho1

1 Serviço de Pneumologia; Centro Hospitalar de Gaia/Espinho

2 Departamento de Economia; Universidade de Estocolmo

A prevalencia da doença alérgica tem aumentado nos últimos anos.A asma e rinite sao as mais prevalentes em Portugal e,tendo estas uma base multifactorial,a atopia é o factor de risco mais importante para o seu desenvolvimento. Objectivo: avaliar a mono/polissensibilizaçao e comorbili-dades como factores de risco para a gravidade da doença alérgica e os determinantes da resposta terapeutica. Material e métodos: Na populaçao de doentes seguidos em consulta de asma,foram seleccionados aqueles com asma e/ou rinite alérgicas confirmadas por testes cutáneos e IgE específica. Foram revistos 60 processos clínicos e analisados dados relativos à idade de inicio da doença, manifestaçöes, perfil atópico, gravidade, terapéutica, co-morbilidades e limitaçao funcional. Feita análise descriti-va da amostra e utilizada regressao logística nas corre^öes entre as variáveis.

Resultados: 43 doentes,16(37%) homens e 27(63%) mulheres, idade média 31,7 (±13,3) e idade média de início dos sintomas de 14,6(±14).Destes, 91% tinham asma e 93% rinite. A maioria (58%) eram monossensibilizados, 42% polissensibilizados e 40% tinham comorbilidades. A 65% dos doentes foi instituída imunoterapia específica (IE). Nao foi encontrada correlaçao entre as diferentes manifestaçöes ou a idade de inicio e a gravidade da doença. Verificou-se que o sexo feminino e as comorbilidades sao factores de risco para maior gravidade da asma e/ou rinite (p=0,02) e que, a polissensibilizaçao, embora sem signifi-cáncia estatística (p=0,2), está também associada a doença alérgica mais grave. A instituiçao IE correlacionou-se com uma reduçao estatisticamente significativa da gravidade (p=0,007) e reduçao do tratamento ao longo do curso da doença (p=0,02).

Comentario: O estudo suporta os dados da literatura, a doença alérgica é mais grave entre as mulheres e a IE é um dos determinantes para melhor controlo da doença alérgica. Tanto a polissensibilizaçao como a presença de comorbilida-des sao factores de risco para doença grave.

REVISTA PORTUGUESA DE PNEUMOLOGIA S 23

Vol XVI Suplemento 2 Março 2010

Servo ventilaçâo adaptativa -Experiência de um serviço

A Marinho1, S Ferreira2, ES Clara1, M Drummond3, M Gonçalves3, JC Winck3

1 Laboratorio de Estudo do Sono do Serviço de Pneumologia, Hospital de Sao Joao, Porto

2 Serviço de Medicina, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Hospital de Sao Joao, Porto

3 Laboratorio de Estudo do Sono do Serviço de Pneumologia, Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Hospital de Sao Joao, Porto

Introduçao: A servo ventilaçao adaptativa (SVA) tem-se demonstrado eficaz no tratamento das apneias centrais, nomeadamente com Cheyne-Stokes (CS). Objectivo: Descrever a experiencia com a SVA no Hospital de Sao Joao.

Métodos: Descriçao retrospectiva dos doentes adaptados a SVA, com base na consulta dos processos clínicos. Resultados: Desde 2006 foram adaptados a SVA 22 doentes; todos homens, idade média 68 anos, 68% com insuficiência cardíaca (IC). O score de sonolência de Epworth foi 9.7 +/- 5.6, o IMC 28.2 +/- 4.3 e o FEV1 88 +/- 16.5%.

Na avaliaçao inicial todos fizeram estudo cardio-respiratório do sono e 32% fizeram também polissonografia (PSG); o índice de apneia-hipopneia (IAH) inicial foi 51.5 +/— 23.4/h (central 18,2 +/— 23). A partir da PSG basal/split-night, consideramos os seguintes padroes: obstrutivo em 50% (8 com centrais e CS, 2 com CS, 1 puro), misto em 23% (com CS) e central em 18%; nao classificável em 9%. O tratamento inicial foi, em 91%, a pressao positiva continua nas vias aéreas, modo automático.

Na sequência de suspeita/confirmaçao de apneias centrais e/ ou CS (36%), ou após constataçao de IAH residual elevado (64%), foi programada adaptaçao a SVA. Após adaptaçao nocturna, houve reaferiçao diurna em 3 casos; 3 foram afe-ridos apenas em regime diurno.

Em 16 doentes podemos averiguar a aderência a SVA (75% com BiPAP Auto SV e 25% com Auto Set CS). Os restantes perderam seguimento ou ficaram com outros modos ventilatórios. Verificou-se aumento da aderência com SVA, sem significado estatístico.

O IAH residual foi francamente reduzido com a SVA (19.5 +/— 10,3 para 5.7 +/— 3,8 /h, p=0.001). Constatamos grande aceitaçao/ maior conforto com SVA. Conclusao: A SVA foi eficaz na correcçao dos eventos de apneia central. A suspeita de CS e o IAH residual elevado devem alertar para a necessidade de investigaçao e eventual instituiçao de SVA.Verificamos complexidade da patologia respiratória do sono nesta populaçao, com elevada prevalên-cia de IC.

Monoterapia com vinorrelbina oral no doente idoso com CPNPC doen^a avanzada

A Antunes1, J Gomes2, C Lima3, A Barroso2, S Conde2, S Neves2, B Parente2

1 Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, EPE

2 Servido de Pneumologia, Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, EPE.

3 Grupo de Estudos do Cancro do Pulmao

Cerca de 30% de novos casos de cancro do pulmao surgem em individuos com mais de 70 anos. De todas as terapéuticas a oferecer ao doente idoso com CPNPC, a quimioterapia (QT) é a mais controversa, relacionada com a ideia de limitado beneficio associado a aumento de toxicidade. No sentido de reduzir a toxicidade tem sido investigada a QT em monoterapia no idoso. A vinorrelbina oral foi o 1.° fármaco em monoterapia aprovado.

Objectivo: Avaliar a resposta — controlo da doen^a e sobrevida global — a vinorrelbina oral no doente idoso com CP-NPC. Avaliar a toxicidade do fármaco. Material e métodos: Doentes com CPNPC estadio IIIB/ IV, idade >70 anos e Performance Status (PS) 0-2 foram tratados com ciclos de vinorrelbina oral 3/3semanas. Fármaco administrado na dose 60mg/m2 ao dia 1 e 8 de cada ciclo. Avalia^ao da resposta ao tratamento — controlo da doen^a ou doen^a progressiva — a 3.a e 6.a faixa de QT e sobrevida global em todos os doentes com inten^ao de tratar. Estudo ocorrido de 01-01-2006 a 31-12-2009. Resultados: 64doentes, 67% do sexo masculino e 33% do sexo feminino. Média de idades 76.6 (±4.68) anos. Diagnóstico de adenocarcicoma em 39%, epidermóide 42% e CPNPC 19%. 53% doentes em estadio IIIB e 47% em estadio IV. Atingido controlo da doen^a, avaliado a 3.a faixa, em 58% dos doentes, progressao em 42% dos casos. Estadio IIIB associado a maior probabilidade de controlo da doen^a — OR 5.6 (IC95% 1.8-16.6). Sobrevida mediana global de 4.7 meses. Comparando as sobrevidas em fun^ao do estadio (IIIBvsIV) observadas medianas de 6.4 versus 2.8 (p=0.02). Melhor PS associado a maior sobrevida — 5.3 versus 3.3 meses (p=0.01). 28% dos doentes apresentaram toxicidade hematológica, sendo esta a mais frequente. Des-tes, 11(17%) apresentaram neutropenia grau IV. Conclusao: A terapéutica oral no doente idoso, atendendo aos resultados obtidos e a comodidade na administrado deve ser equacionada. No doente idoso, o PS e o estadio influenciam fortemente a resposta a terapéutica e a sobrevida global.

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