Scholarly article on topic 'Factors associated with low consumption of fruits and vegetables by preschoolers of low socio‐economic level'

Factors associated with low consumption of fruits and vegetables by preschoolers of low socio‐economic level Academic research paper on "Educational sciences"

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OECD Field of science
Keywords
{Preschooler / "Food consumption" / Fruits / Vegetables / Pré‐escolar / "Consumo de alimentos" / Frutas / Verduras}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Julia L. Valmórbida, Márcia R. Vitolo

Abstract Objective To evaluate factors associated with low consumption of fruits and vegetables among preschoolers from families treated at basic health centers in Porto Alegre, RS, Brazil. Methods This was a cohort study nested in a randomized field trial. Data collection was performed through structured questionnaires to obtain demographic and dietary data, combined with two 24‐hour recalls in the age groups 12–16 months and again at 2–3 years of age. Data on the consumption of one daily serving of fruits (80g) and vegetables (60g) were evaluated, as well as consumption of non‐recommended foods such as candy, chocolate, and soft drinks. Statistical analyses were performed using Poisson regression with robust estimation. Results A total of 388 children aged 2‐3 years were evaluated; of these, 58% and 87.4% did not consume one daily serving of fruits and vegetables, respectively. The following factors were negatively associated with fruit consumption: family income higher than four minimum wages, (p=0.024), lower paternal educational level (p=0.03), and lower fruit consumption at 12–16 months (p=0.002). Factors negatively associated with the consumption of vegetables were low paternal educational level (p=0.033) and consumption of high‐sugar content beverages at 12–16 months (p=0.014). Conclusion This study demonstrated a high prevalence of children who consumed less than one daily serving of fruit and vegetables; early feeding practices, parental education, and family income were associated with this process. Resumo Objetivo Avaliar os fatores associados ao baixo consumo de frutas e verduras entre pré‐escolares de famílias usuárias da rede básica de saúde de Porto Alegre, RS, Brasil. Métodos Estudo de coorte aninhado a ensaio de campo randomizado. A coleta de dados foi feita por meio de questionários estruturados para obtenção de dados dietéticos e sociodemográficos, além de dois recordatórios de 24 horas nas faixas etárias de 12–16 meses e novamente aos 2‐3 anos de idade. Foram avaliados os dados de consumo de uma porção diária de frutas (80g) e verduras (60g), além de consumo de alimentos não recomendados, como balas, chocolates e refrigerantes. As análises estatísticas foram feitas por regressão de Poisson com estimativa robusta. Resultados Foram avaliadas 388 crianças de 2‐3 anos, destas 58% e 87,4% não consumiram uma porção de frutas e verduras, respectivamente. Os fatores que se mostraram negativamente associados ao consumo de frutas foram: renda familiar superior a 4 salários mínimos, (p=0,024), menor escolaridade paterna (p=0,03) e menor consumo de frutas aos 12–16 meses (p=0,002). Os fatores negativamente associados à ingestão de verduras foram a menor escolaridade paterna (p=0,033) e consumo de refrigerante aos 12–16 meses (p=0.014). Conclusão Os resultados deste estudo mostraram alta prevalência de crianças que consumiram menos de uma porção de frutas e verduras ao dia e sugerem que práticas alimentares precoces, escolaridade paterna e renda estão associadas a esse processo.

Academic research paper on topic "Factors associated with low consumption of fruits and vegetables by preschoolers of low socio‐economic level"

J Pediatr (Rio J). 2014;90(5):464-471

Jornal de

Pediatría

www.jped.com.br

ORIGINAL ARTICLE

Factors associated with low consumption of fruits and vegetables by preschoolers of low socio-economic

level' ,"

Julia L. Valmörbida3'* e Märcia R. Vitolob

CrossMark

a Núcleo de Pesquisa em Nutricao, Universidade Federal de Ciencias da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, RS, Brasil b Departamento de Nutricao, Universidade Federal de Ciencias da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Porto Alegre, RS, Brasil

Recebido em 8 de outubro de 2013; aceito em 19 de fevereiro de 2014

KEYWORDS

Preschooler; Food consumption; Fruits; Vegetables

Abstract

Objective: To evaluate factors associated with low consumption of fruits and vegetables among preschoolers from families treated at basic health centers in Porto Alegre, RS, Brazil. Methods: This was a cohort study nested in a randomized field trial. Data collection was performed through structured questionnaires to obtain demographic and dietary data, combined with two 24-hour recalls in the age groups 12-16 months and again at 2-3 years of age. Data on the consumption of one daily serving of fruits (80 g) and vegetables (60g) were evaluated, as well as consumption of non-recommended foods such as candy, chocolate, and soft drinks. Statistical analyses were performed using Poisson regression with robust estimation. Results: A total of 388 children aged 2-3 years were evaluated; of these, 58% and 87.4% did not consume one daily serving of fruits and vegetables, respectively. The following factors were negatively associated with fruit consumption: family income higher than four minimum wages, (p = 0.024), lower paternal educational level (p = 0.03), and lower fruit consumption at 12-16 months (p = 0.002). Factors negatively associated with the consumption of vegetables were low paternal educational level (p = 0.033) and consumption of high-sugar content beverages at 12-16 months (p = 0.014).

Conclusion: This study demonstrated a high prevalence of children who consumed less than one daily serving of fruit and vegetables; early feeding practices, parental education, and family income were associated with this process.

© 2014 Sociedade Brasileira de Pediatria. Published by Elsevier Editora Ltda.

Este e um artigo Open Access sob a licen9a de CC BY-NC-ND

DOI se refere ao artigo: http://dx.doi.Org/10.1016/j.jped.2014.02.002

* Como citar este artigo: Valmórbida JL, Vitolo MR. Factors associated with low consumption of fruits and vegetables by preschoolers of low socio-economic level. J Pediatr (Rio J). 2014;90:464-71.

** Estudo conduzido no Núcleo de Pesquisa em Nutricao (NUPEN) da Universidade Federal de Ciencias da Saude de Porto Alegre (UFCSPA).

* Autor para correspondencia.

E-mail: juliavalmorbida@yahoo.com.br (J.L. Valmórbida).

2255-5536/© 2014 Sociedade Brasileira de Pediatria. Publicado por Elsevier Editora Ltda.Este é um artigo Open Access sob a licenya de cc by-nc-nd

Fatores associados ao baixo consumo de frutas e verduras entre pré-escolares de baixo nível socioeconómico

Resumo

Objetivo: Avaliar os fatores associados ao baixo consumo de frutas e verduras entre pré--escolares de familias usuárias da rede básica de saúde de Porto Alegre, RS, Brasil. Métodos: Estudo de coorte aninhado a ensaio de campo randomizado. A coleta de dados foi feita por meio de questionários estruturados para obtencao de dados dietéticos e sociodemográ-ficos, além de dois recordatorios de 24 horas nas faixas etárias de 12-16 meses e novamente aos 2-3 anos de idade. Foram avaliados os dados de consumo de uma porcao diária de frutas (80 g) e verduras (60 g), além de consumo de alimentos nao recomendados, como balas, chocolates e refrigerantes. As análises estatisticas foram feitas por regressao de Poisson com estimativa robusta.

Resultados: Foram avaliadas 388 criancas de 2-3 anos, destas 58% e 87,4% nao consumiram uma porcao de frutas e verduras, respectivamente. Os fatores que se mostraram negativamente associados ao consumo de frutas foram: renda familiar superior a 4 salários mínimos, (p = 0,024), menor escolaridade paterna (p = 0,03) e menor consumo de frutas aos 12-16 meses (p = 0,002). Os fatores negativamente associados a ingestao de verduras foram a menor escolaridade paterna (p = 0,033) e consumo de refrigerante aos 12-16 meses (p = 0.014).

Conclusao: Os resultados deste estudo mostraram alta prevalencia de criancas que consumiram menos de uma porcao de frutas e verduras ao dia e sugerem que práticas alimentares precoces, escolaridade paterna e renda estao associadas a esse processo. © 2014 Sociedade Brasileira de Pediatria. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Este é um artigo Open Access sob a licen9a de CC BY-NC-ND

PALAVRAS-CHAVE

Pré-escolar; Consumo de alimentos; Frutas; Verduras

Introducao

A alimentacao nos primeiros anos de vida exerce papel fundamental no crescimento e desenvolvimento infantil,1 e a introduccao adequada de alimentos solidos é extremamente importante, pois pode afetar a aceitaccao dos alimentos no futuro.2 Dentre as políticas de alimentacao e nutricao, o incentivo ao consumo de frutas e verduras destaca-se entre as diretrizes de promocao á alimentacao saudável,3,4 pois o consumo insuficiente de frutas e verduras foi considerado um dos principais fatores responsáveis pela carga global de doencas dos individuos em todo o mundo.5

As criancas em idade pré-escolar caracterizam-se por apresentarem maiores necessidades de micronutrientes quando comparadas com as necessidades energéticas.6 Esse aspecto, somado ás evidencias que os pré-escolares estao consumindo dietas ricas em gordura saturada e accúcar e pobre em fibra alimentar,6,7 torna esse grupo etário vulnerável ao desenvolvimento de obesidade e deficiencia de micronutrientes.6 Além disso, foi demonstrado que as crianccas preferem os alimentos de maior densidade energética, principalmente pelas consequencias fisiologicas positivas que eles proporcionam relacionadas á saciedade e garantia do aporte de energia,8 podendo, assim, prejudicar o consumo de verduras e frutas.

Diante das evidencias anteriormente comentadas, de que a qualidade da alimentacao consumida por criancas é fundamental para a promoccao de saúde e prevenccao de doenccas cronicas nao transmissíveis, os objetivos do presente estudo foram avaliar o consumo de frutas e verduras de criancas de baixo nivel socioeconómico e os fatores maternos e familiares envolvidos nesse processo.

Método

O estudo constituiu-se de coorte aninhada a ensaio de campo randomizado, que ocorreu entre abril de 2008 e maio de 2012, com maes e crianccas acompanhadas desde os seis meses aos 2-3 anos de idade. A fase de recrutamento ocor-reu durante o terceiro trimestre da gestaccao, em unidades de saúde das oito áreas distritais de Porto Alegre, Brasil. Em todas as fases, a equipe de coleta de dados foi composta por aproximadamente vinte membros, nutricionistas e academicos de nutriccao, previamente capacitados. As equipes foram distribuidas de acordo com a regiao distrital, sendo a coleta realizada sempre por, no mínimo, dois membros da equipe.

O tamanho amostral considerou o objetivo do ensaio de campo randomizado, de que uma intervencao realizada com profissionais da rede básica de saúde aumentaria as taxas de aleitamento materno. A intervencao consistiu em atualizacao sobre o guia alimentar ''10 passos para uma alimentacao saudável para criancas menores de 2 anos''3 para todos os profissionais que atuavam nas unidades de saúde selecionadas, além do fornecimento de materiais educativos baseados no guia, a serem entregues para todas as maes em fase de pré-natal e puericultura. Considerou-se, para cálculo amostral, poder de 90%, nivel de confianca de 95% e coeficiente de correlacao de cluster de 1,5, que deter-minou avaliacao de 300 pares de mae-bebe em cada grupo. Considerando previsao de perdas de 20%, estimou-se o recrutamento de 720 individuos para que o número amostral fosse atingido.

As gestantes foram identificadas, convidadas a participar do estudo e orientadas quanto aos procedimentos. Após

a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, responderam ao questionário, informando dados de idade, escolaridade (anos de estudo), ocupacäo (remunerada ou näo), paridade, situacäo conjugal e renda familiar (em número de salários mínimos, equivalente a R$477,40 no ano de 2008), data provável do parto, endereco e contato telefónico. Gestantes com HIV foram excluidas do estudo porque o aleitamento materno é contraindicado nessa situacäo.

As fases posteriores de coletas de dados foram realizadas por visitas domiciliares às criancas, quando com idades entre seis e nove meses, 12 e 16 meses e dois e três anos. Foram aplicados questionários estruturados e dois recordatorios de 24 horas em cada uma das etapas, com as mäes ou o principal cuidador. Os recordatorios de 24 horas foram realizados para qualquer dia da semana ou final de semana, tendo sido padronizado que o mesmo näo seria realizado em dias consecutivos para a mesma criança. Os cálculos nutricionais foram realizados no programa Dietwin Profissional® (Porto Alegre, Brasil), que tem como principal base a Tabela Bra-sileira de Composiçâo de Alimentos,9 sendo utilizada média dos dois dias.

Os dados sociodemográficos foram obtidos no recruta-mento e näo foram repetidos nas outras etapas.

Coleta de dados: 6-9 meses

Foram obtidos os dados referentes ao aleitamento materno exclusivo (tempo que a criança recebeu apenas leite materno, excluindo água, chá, líquidos ou qualquer outro alimento).

Coleta de dados: 12-16 meses

Os consumos de frutas e verduras na faixa etária de 12-16 meses foram avaliados por meio de questionário especifico, o qual continha perguntas referentes ao consumo de frutas e verduras na ultima semana.

As mäes ou cuidadores responderam às perguntas ''Quantas vezes na última semana seu filho consumiu frutas?'' e ''Quantas vezes na última semana seu filho consumiu verduras?''. Dessa forma, obtivemos a frequência de consumo de frutas e verduras aos 12-16 meses de idade

Foi calculado o percentual energético proveniente de alimentos näo recomendados, por meio dos recordatorios de 24 horas. Segundo orientacäo do Ministério da Saúde,3 os alimentos considerados näo recomendados para consumo de criancas menores de dois anos foram: balas, pirulitos, chocolates, biscoitos recheados, gelatinas, queijos petit suisse, achocolatados, embutidos, salgadinhos, refrigerantes, sucos artificiais e acúcares adicionados.

Durante a aplicacäo do questionário, as mäes também informaram aos pesquisadores se seus filhos haviam consumido os alimentos acima citados no mês anterior. Com essa informacäo, foi obtido o número de tipos diferentes de alimentos näo recomendados que as criançcas tinham consumido. Esse dado foi utilizado para agrupar as criançcas conforme o consumo de alimentos näo recomendados, clas-sificando aquelas que haviam consumido menos de quatro alimentos e aquelas que haviam consumido quatro tipos ou mais. Näo foi considerado, nesse grupo, o consumo de refrigerantes e sucos artificiais, pois essa informaçäo gerou a

criaçcâo de um grupo adicional referente ao consumo de bebidas açcucaradas.

Coleta de dados: 2-3 anos

Foi realizada a avaliacao antropométrica da mae, com afericao de peso e estatura para cálculo de indice de massa corporal (IMC). O estado nutricional materno foi considerado adequado quando IMC < 25kg/m2, e como excesso de peso quando > 25kg/m2, segundo classificacao da Organizacao Mundial de Saúde.5

As variáveis dietéticas referentes ao consumo de frutas e verduras aos 2-3 anos foram calculadas por meio dos dados dos recordatórios de 24 horas. Foi verificada a quantidade (em gramas) de frutas e verduras ingeridas e, com esse dado, averiguou-se se houve consumo de pelo menos uma porccao de cada categoria de alimentos. Foi considerada a porcao de frutas equivalente a 80 g, e para a de verduras, de 60 g.3 As recomendares para o consumo de frutas e verduras sao de tres porcoes diárias de cada grupo alimentar.3 Para o cálculo da ingestao de frutas, o consumo de sucos naturais nao foi considerado, e para o consumo de verduras foi considerada a ingestao de legumes, hortalicas e conteúdo sólido de sopas. Batata nao foi considerada como pertencente ao grupo de vegetais, pois a mesma é tradicionalmente alocada nos grupo de alimentos ricos em carboidratos, de acordo com os guias alimentares brasileiros.3,4

Análises estatísticas

Os dados foram submetidos à dupla digitacâo no programa SPSS, versâo 16.0 (Chicago, USA) e validados no programa Epi-Info® versâo 6.4 (Atlanta, USA). As análises estatísticas foram realizadas no software SPSS 16.0. Análises de frequên-cia foram realizadas para descricâo das variáveis categóricas e média e desvio-padrâo para variáveis contínuas. As variáveis contínuas foram testadas quanto à normalidade da sua distribuiçcâo pelo teste de Kolmogorov-Smirnov e, quando a distribuiçcâo nâo se mostrou normal, foram apresentadas por mediana e intervalo interquartil.

O efeito da associacâo entre variáveis e desfecho e ter consumido ou nâo pelo menos uma porcâo de cada categoria foi examinado em análise bivariada por meio de regressâo de Poisson, com estimativa robusta para ajuste de variâncias. As variáveis que evidenciaram associacâo com nível de significância estatística inferior ou igual a 20% (p < 0,20) foram incluídas nas análises multivariadas. A magnitude da associacâo entre os fatores investigados e a prática alimentar foi estimada por meio de razoes de prevalência e intervalos de confianca (IC 95%) em regressâo de Poisson robusta bivariada e multivari-ada.

O estudo foi aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e obteve aprovacâo do Comitê de Ética da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. As criancas com situacoes clínicas desfavoráveis foram encaminhadas aos servicos de saúde.

Figura 1 Fluxograma das coletas de dados.

Resultados

A figura 1 representa o fluxograma da coleta de dados referente ao presente estudo, detalhando as perdas, recusas e exclusoes ocorridas em cada fase. Destaca-se que 149 familias (20,8%) nao foram localizadas para dar seguimento ao estudo, considerando-se todas as fases da coleta de dados. Além disso, 87 criancas (12%) necessitaram ser excluidas das análises por nao terem recordatorios de 24 h aos 12-16 meses e/ou aos 3-4 anos.

Dentre as criancas avaliadas, a distribuicao entre os géneros se deu de forma homogénea, sendo 51,8% (n = 201) das crianccas do sexo masculino. A caracterizaccao da amostra, quanto aos dados maternos e familiares, está descrita na tabela 1.

As prevaléncias de crianccas com idade entre dois e trés anos que nao consumiram uma porccao de frutas ou uma porccao de verduras, considerando-se o consumo médio obtido por dois recordatorios de 24 horas, foi de 58,0% (n = 225) e 87,4% (n = 340), respectivamente. A mediana de consumo de frutas e verduras ao dia entre as crianccas foi de 55g (0-130g) e 5g (0-30g), respectivamente. Ao se ava-liar quantas crianccas consumiram as trés porccoes de frutas e verduras recomendadas em pelo menos um dos inquéri-tos alimentares, observou-se que somente 35 criancas (9%)

Tabela 1 Descriçao da amostra

Idade materna

< 20 anos 81 (20,7%)

> 20 anos 307 (79,2%)

Escolaridade materna

< 8 anos 185 (47,6%)

> 8 anos 203 (52,4%)

Escolaridade paterna

< 8 anos 176 (45,7%)

> 8 anos 212 (54,2%)

Renda familiar

< 4 salários mínimos 309 (79,6%)

> 4 salários mínimos 79 (20,3%)

Ocupacao materna

Remunerada 131 (44,7%)

Nao Remunerada 257 (66,2%)

Ocupacao paterna

Remunerada 351 (90,4%)

Nao Remunerada 37 (9,5%)

Tempo de aleitamento materno exclusivo

< 4 meses 295 (75,9%)

> 4 meses 93 (23,9%)

Mae com excesso de peso

Nao 150 (38,7%)

Sim 238 (61,2%)

Número de filhos

Filho Único 174 (44,5%)

Mais de 1 214 (55,4%)

alcancaram essa recomendacao para frutas e uma (0,2%) para verduras.

As maes que, ao responderem ao questionário na coleta de 12-16 meses, afirmaram oferecer frutas e verduras diariamente aos seus filhos representaram 50,4% e 42,4% da amostra, respectivamente.

O consumo energético dos alimentos nao recomendados aos 12-16 meses foi de, em média, 13,61% do valor energético total, sendo que para 9,2% das criancas esses alimentos representaram mais de 30% do consumo energético. As maes que relataram ter oferecido refrigerantes ou sucos artificiais e no mínimo trés tipos diferentes de alimentos nao recomendados no més anterior á coleta de 12 -16 meses cor-responderam a 83,3% e 68,3% da amostra, respectivamente.

Na tabela 2 sao apresentadas as variáveis associadas ao consumo de frutas aos 2-3 anos. Nao houve associacao significativa em relacao a género, número de filhos, ocupacao materna e paterna, tempo de aleitamento materno exclusivo, estado nutricional e escolaridade materna. Dentre as variáveis dietéticas, o consumo precoce de bebidas e alimentos accucarados, assim como o percentual energético provindo de alimentos nao recomendados ingeridos aos 1216 meses, nao se mostrou associado ao desfecho.

Em relacao á renda, as criancas cujas familias possuíam renda superior a quatro salários mínimos apresentaram pro-babilidade 19% maior de nao consumir uma porccao de frutas

Tabela 2 Fatores associados ao baixo consumo de frutas entre chancas de 2-3 anos

Razáo de prevalencia bruta (IC95%)a Valor de p Razao de prevalencia ajustada (IC95%)b Valor de p

Grupo Controle Intervencáo 1,078 (0,9101 1,276) 0,385 1,088 (0,955-1,13) 1 0,443

Genero Feminino Masculino 1,085 (0,9171 1,284) 0,344 - -

Número de filhos Dois ou mais Um 1,101 (0,9261 1,309) 0,276 - -

Ocupacao materna Nao remunerada Remunerada 1,011 (0,8451 1,210) 0,906 - -

Ocupacao paterna Nao remunerada Remunerada 1,047 (0,7951 1,397) 0,743 - -

Renda familiar < 4 Salários mínimos > 4 Salários mínimos 0,851 (0,7051 1,026) 0,090 0,803 (0,664-0,971) 1 0,024

Anos de estudo materno Anos de estudo paterno 1,013 (0,9810,973 (0,994- ■1,047) 1,002) 0,431 0,065 0,961 (0,928-0.997) 0,03

Mae com excesso de peso Sim Nao 1,031 (0,8581 1,239) 0,745 - -

Tempo de aleitamento materno exclusivo < 4 meses > 4 meses 1,021 (0,8361 1,247) 0,838 - -

Consumo de bebidas acucaradas aos 12-16 meses Consumiu no mes anterior 1,094 (0,856-Nao consumiu no mes anterior 1 1,399) 0,473 - -

Consumo de alimentos ricos em acúcar aos 12-16 meses (4 ou mais tipos)c Nao consumiu no mes anterior 1,082 (0,892-1,312) Consumiu no mes anterior 1 0,424 - -

Consumo semanal de frutas aos 12-16 meses Percentual energético de alimentos nao recomendados aos 12-16 meses 0,941 (0,911-0,972) 1,001 (0,994-1,009) < 0,001 0,698 0,950 (0,919-0,982) 0,002

IC, intervalo de confianca. a Qui-quadrado de Pearson.

b Regressáo de Poisson realizada com variáveis que apresentaram p < 0,20 na análise bruta. c Alimentos avaliados: suco artificial, bolacha recheada, refrigerante, bala, salgadinho e gelatina.

ao dia. O maior nível de escolaridade paterna se mostrou associado ao consumo de frutas, sendo que, cada ano a mais de estudo influenciou em aproximadamente 4% a probabili-dade de a chanca consumir a poncáo de frutas. Além disso, a frequencia semanal de consumo de frutas aos 12 meses mostrou associacáo positiva ao seu consumo aos 2-3 anos, sendo que cada dia que a máe ofereceu frutas a seu filho levou a um aumento de 5% na probabilidade de a crianca consumi-las em idade pré-escolar.

A tabela 3 descreve as variáveis associadas ao consumo de verduras aos 2-3 anos. Destaca-se o nível de escolaridade

paterno, em que cada ano de estudo repercutiu no aumento de quase 2% na probabilidade de consumir uma porccáo de verduras ou mais ao dia e o consumo de bebidas accucaradas aos 12-16 meses, que aumentou em mais de 15% a probabi-lidade de a criancca náo consumir a porccáo de verduras.

Discussáo

Este estudo mostrou que 87% das chancas avaliadas con-sumiram menos de uma porccáo de verduras, e 58% náo consumiram uma porccáo de frutas ao dia. Dados similares

Tabela 3 Fatores associados ao baixo consumo de verduras entre criancas de 2-3 anos

Razâo de prevalência bruta (IC95%)a Valor de p Razâo de prevalência ajustada (IC95%)b Valor de p

Grupo Controle Intervencao 1,019 (0,945-1,099) 1 0,621 1,035 (0,936-1,087) 1 0,654

Genero Feminino Masculino 1,044 (0,968-1,126) 1 0,267 - -

Número de filhos Dois ou mais Um 1,014 (0,939-1,095) 1 0,725 - -

Ocupacäo Materna Nao Remunerada Remunerada 1,031 (0,949-1,120) 1 0,467 - -

Ocupacäo Paterna Nao Remunerada Remunerada 1,092 (0,998-1,194) 1 0,055 1,042 (0,943-1,151) 1 0,416

Renda familiar < 4 Salários Mínimos > 4 Salários Mínimos 1,019 (0,924-1,124) 1 0,708 - -

Escolaridade materna (anos de estudo) Escolaridade paterna (anos de estudo) 0,983 (0,969-0,997) 0,979 (0,965-0,992) 0,020 0,002 1,001 (0,983-1,019) 0,982 (0,965-0,998) 0,916 0,033

Mäe com excesso de peso Sim Nao 1,016 (0,932-1,107) 1 0,716 - -

Tempo de Aleitamento materno Exclusivo < 4 meses > 4 meses 1,058 (0,958-1,169) 1 0,262 - -

Consumo de bebidas acucaradas aos 12-16 meses Consumiu no mes anterior Nao Consumiu no Mes anterior 1,204 (1,038-1,397) 1 0,014 1,155 (1,100-1,333) 1 0,048

Consumo de alimentos ricos em acúcar aos 12-16 meses (4 ou mais tipos)c Nao Consumiu no Mes anterior 1,028 (0,941-1,123) Consumiu no mes anterior 1 0,538 - -

Consumo semanal de verduras aos 12-16 meses Percentual energético de alimentos nao recomendados aos 12-16 meses 0,983 (0,969-0,998) 1,003 (0,965-1,012) 0,023 0,244 0,990 (0,975-1,005) 0,205

IC, intervalo de confianza. a Qui-quadrado de Pearson.

b Regressao de Poisson realizada com variáveis que apresentaram p < 0,20 na análise bruta. c Alimentos avaliados: suco artificial, bolacha recheada, refrigerante, bala, salgadinho e gelatina.

foram observados em estudo nacional realizado com criançcas entre seis e 59 meses de idade, no qual foi observada baixa prevalência de consumo de frutas e verduras. Os autores observaram que menos de 50% das criancças consu-miram frutas diariamente, e somente 12% consumiram verduras folhosas.10 Há evidências de que o padrâo alimentar estabelecido nos primeiros anos irá permanecer ao longo da vida,11,12 pois a exposicâo precoce a determinados alimentos ou sabores atua fortemente em sua aceitacçâo em curto e longo prazos.13 Os achados do presente estudo vâo ao encontro dessas evidências, com a observacçâo de que o consumo

de frutas aos 12 meses de idade se mostrou associado ao consumo aos 2-3 anos. Ressalta-se que as recomendares para frutas e verduras sâo de três porcoes diárias, ou seja, 240g e 180 g, respectivamente. O percentual de crianças que atingiu essas recomendacçoes nâo foi suficiente para que as análises deste estudo fossem feitas com essa proposta.

Outro dado observado foi a associaçcâo entre ingestâo de refrigerantes e de outras bebidas açcucaradas no primeiro ano de vida e menor consumo de verduras aos 2-3 anos. O consumo dessas bebidas, especialmente o de refrigerantes, tem aumentado de maneira ascendente entre as criancas,14

e alguns estudos associaram o consumo de bebidas ricas em acúcar ao aumento de peso e adiposidade15 e outras comorbidades, como o aumento da glicemia entre criançcas e adultos.15,16 Beauchamp e Moran17 demonstraram que criançcas apresentam preferências inatas ao sabor doce, e que a ingestâo precoce de líquidos açucarados pode estimular ainda mais essa preferência. Somando-se a isso, Skinner11 observou que, enquanto os alimentos doces estâo entre os preferidos das criançcas, os alimentos menos apreciados sâo os vegetais. Dessa forma, o estímulo das preferências inatas ao doce, com a oferta de refrigerantes e sucos artificiais, somado ao baixo consumo de vegetais nos primeiros anos de vida, pode afetar de forma negativa o desenvolvimento do comportamento alimentar.18

Fatores socioeconómicos e familiares estâo diretamente relacionados ao desenvolvimento das práticas alimentares dos pré-escolares.19 Apesar de a escolaridade materna ser a variável mais estudada e de forte influência nos desfechos de saúde e nutricâo,20 no presente estudo, foi a baixa escolaridade paterna que se associou ao menor consumo de frutas e verduras. Há evidências de que a baixa escolaridade dos pais está relacionada ao menor entendi-mento das necessidades de saúde, menor cuidado com a saúde dos filhos,21 interferindo também no conhecimento e entendimento das recomendacçoes e das necessidades nutricionais.19,22 Dessa forma, assim como neste estudo, outros pesquisadores observaram que pais com baixa escolaridade oferecem menos frutas e verduras a seus

filhos.23,24

Os resultados deste estudo mostraram que criançcas per-tencentes às famílias de maior renda apresentaram menor probabilidade de consumir frutas. No entanto, é importante ressaltar que a nossa amostra foi composta somente por famílias de baixa condiçcâo socioeconómica, e que a comparaçcâo entre os diferentes extratos de renda se deu somente nesse universo. Dessa forma, uma hipótese para o resultado encontrado é que, neste grupo populacio-nal, entre as famílias com melhor renda esteja ocorrendo substituicçâo das frutas ofertadas às criançcas por alimentos processados, com maior densidade energética, decorrente do maior poder de compra25 e da maior capacidade de aquisicâo desses alimentos.14 Pesquisa de alcance nacional observou que o aumento do consumo de alimentos com alta densidade energética pode estar associado à reduçcâo do consumo dos alimentos tradicionais na dieta dos brasileiros.14 Observou-se, também, que padroes alimentares caracterizados por alta ingestâo de doces, refrigerantes e lanches sâo mais frequentes em populaçcoes com maior poder de compra.14,26 Estudos realizados em outros países em desenvolvimento observaram resultados similares, relacionando padroes alimentares altamente energéticos a famílias de maior renda.27,28

Este estudo apresenta limitacçoes a serem comentadas. O baixo nível socioeconómico da populaçcâo estudada nâo permite extrapolar os resultados para outros grupos populacionais, os quais provavelmente teriam outros fatores determinantes dos desfechos aqui estudados. Entretanto, essa populaçcâo usuária das unidades de saúde do Sistema Único de Saúde apresenta maior vulnerabilidade biológica e social, quando comparada com populacçâo de melhor condicçâo socioeconómica, que requer vigilância e estratégias efetivas de promoçcâo à saúde. Outra limitaçcâo a

ser considerada é que as criançcas avaliadas participaram de um ensaio de campo randomizado, e a intervencçâo realizada pode ter tido influência nos resultados. No entanto, minimizando os efeitos da intervençcâo, a variável grupo foi incluída na regressâo com a finalidade de servir como controle para seu efeito e nâo se mostrou associada aos desfechos. Vale ressaltar, ainda, que nâo foi possível avaliar os fatores asso-ciados ao consumo insuficiente de verduras e frutas, pois mais de 90% das criançcas nâo consumiram as três porçcoes recomendadas.

Os resultados deste estudo permitem concluir que alta prevalência de criancças de 2-3 anos atendidas em unidades de saúde e que ingerem menos de uma porçâo de frutas e verduras por dia sugere que a baixa escolari-dade paterna e práticas alimentares no primeiro ano de vida estâo envolvidas nesse processo. Assim, faz se urgente uma implementacçâo efetiva, por profissionais de saúde, de práticas alimentares saudáveis no âmbito da puericultura, pois foi demonstrado, por meio de ensaio de campo randomizado,29,30 que mâes de baixo poder aquisitivo melho-ram a qualidade da alimentaçcâo oferecida a seus filhos por meio de aconselhamento dietético.

Financiamento

Fundacçâo de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS).

Conflitos de interesse

Os autores declaram nâo haver conflitos de interesse.

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