Scholarly article on topic 'Prevalência de dor lombar inespecífica e fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS'

Prevalência de dor lombar inespecífica e fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS Academic research paper on "Educational sciences"

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Revista Brasileira de Ortopedia
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Academic research paper on topic "Prevalência de dor lombar inespecífica e fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS"

REVISTA BRASILEIRA DE ORTOPEDIA

www.rbo.org.br

Artigo Original

Prevalência de dor lombar inespecífica e fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS^

CrossMark

Susane Graup *, Mauren Lucia de Araujo Bergmann e Gabriel Gustavo Bergmann

Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Uruguaiana, RS, Brasil

informaqoes sobre o artigo

Histórico do artigo: Recebido em 15 de agosto de 2013 Aceito em 5 de setembro de 2013 On-line em 20 de junho de 2014

Palavras-chave: Dor lombar Adolescente Sexo

Índice de massa corporal

resumo

Objetiuo:Identificar a prevalência de dor lombar inespecífica e os fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS.

Métodos:Estudo transversal de base escolar, feito com adolescentes de 10 a 17 anos matriculados no turno diurno das redes municipal e estadual de ensino de Uruguaiana/RS. Foram avaliados 1.455 adolescentes. O procedimento de coleta dos dados ocorreu em duas etapas. Inicialmente foi aplicado um questionário sobre indicadores sociodemográficos, compor-tamentos e hábitos da rotina diária e histórico de dor lombar inespecífica. Posteriormente foram avaliadas as medidas de estatura, massa corporal, flexibilidade e força/resistência abdominal. Para a análise dos dados foram usados os métodos univariado, bivariado e multivariável e foi considerado nível de significancia de 5% para todos os testes. ResuItados:A prevalência de dor lombar nos adolescentes avaliados foi de 16,1%. Por sexo, o masculino apresentou uma prevalência de 10,5% e o feminino, de 21,6%. As variáveis sexo, índice de massa corporal, força/resistência abdominal e nível de atividade física apresen-taram associacao estatisticamente significativa com a dor lombar inespecífica. Na análise ajustada o sexo (OR = 2,36; p < 0,001), a idade (OR = 1,14; p < 0,001) e o índice de massa corporal (OR = 1,44; p = 0,029) mantiveram significancia no modelo final.

ConcIusoes:Adolescentes do sexo feminino que apresentaram idades mais elevadas e esta-vam com sobrepeso ou obesidade têm mais chances de desenvolver dor lombar inespecífica. © 2014 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatología. Publicado por Elsevier Editora

Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND

Prevalence of nonspecific lumbar pain and associated factors among adolescents in Uruguaiana, state of Rio Grande do Sul

abstract

Keywords: Objective: To identify the prevalence of nonspecific lumbar pain and associated factors

Lumbar pain among adolescents in Uruguaiana, state of Rio Grande do Sul.

Adolescent Methods:This was a cross-sectional school-based study conducted among adolescents aged

Sex 10 to 17 years who were enrolled in the day shift of the municipal and state educational sys-

Body mass index tems of Uruguaiana. This study evaluated 1455 adolescents. The data-gathering procedures

* Trabalho desenvolvido na Cadeira de Educacao Física, Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Uruguaiana, RS, Brasil.

* Autor para correspondencia.

E-mails: susanegraup@unipampa.edu.br, susigraup@gmail.com (S. Graup). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2013.09.005

0102-3616 © 2014 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Este é um artigo Open Access sob a licen?a de CC BY-NC-ND

rev bras ortop. 2014;49(6):661-667

involved two stages. Firstly, a questionnaire on sociodemographic indicators, behavioral patterns and habits of the daily routine and history of nonspecific lumbar pain was applied. Subsequently, height, body mass, flexibility and abdominal strength/resistance measurements were evaluated. To analyze the data, univariate, bivariate and multivariable methods were used and the significance level was taken to be 5% for all the tests. ResuIts:The prevalence of lumbar pain among the adolescents evaluated was 16.1%. Grouped according to sex, the prevalence among males was 10.5% and among females, 21.6%. The variables of sex, body mass index, abdominal strength/resistance and physical activity level presented statistically significant associations with nonspecific lumbar pain. In the adjusted analysis, sex (OR = 2.36; p<0.001), age (OR=1.14; p<0.001) and body mass index (OR = 1.44; p = 0.029) maintained significance in the final model.

ConcIusions:Female adolescents of older age and who presented overweight or obesity had higher chances of developing nonspecific lumbar pain.

© 2014 Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Published by Elsevier Editora

Ltda. Este e um artigo Open Access sob a licen?a de CC BY-NC-ND

Introdugáo

A dor lombar inespecífica é considerada um dos principáis problemas de saúde nos países industrializados1 e aumentou consideravelmente nas últimas décadas entre os adolescentes.2 Os casos mais precoces de dor lombar nao específica ocorrem na faixa dos 11 aos 12 anos, com um aumento gradativo de aproximadamente 10% ao ano, até atingir cerca de 50% dos adolescentes aos 18 anos.3 Essa problemática é ainda mais significativa quando se perpetua na idade adulta.4

A etiologia da dor lombar é difícil de ser identificada pelo fato de se manifestar sob várias condicoes5 e apresentar mui-tas vezes um caráter multifatorial.6 Dentre outras causas, as dores na lombar apresentam associacao com o estilo de vida do indivíduo, no qual o excesso de peso,7-9 o sedentarismo8,9 e a permanencia prolongada em determinadas posicoes7,10 se apresentam como fatores desencadeantes do problema.

Nesse contexto, um estudo feito com escolares de Floria-nópolis/SC mostrou que 25,5% dos adolescentes que sentiam dor lombar apontaram como fator desencadeante do quadro álgico a permanencia na posicao sentada por longos períodos.10 Além disso, adolescentes que ocupam seus tempos em atividades que permitam diversidade de postura apresentam uma probabilidade 2,3 vezes menor de desenvolver dores lombares em relacao a seus pares sedentários.11

Por outro lado, níveis elevados de atividades físicas estao associados positivamente com o aparecimento de dor lombar nao específica.3,4,7 No entanto, essa associacao deve ser ana-lisada com cautela, pois a prática de atividade física contínua e bem orientada contribui para uma melhor postura e menor incidencia de dores lombares.

É importante ressaltar que a dor lombar nao se trata especificamente de uma patologia, e sim de um sintoma que pode estar relacionado a uma doenca,12 que com o passar do tempo pode resultar em uma desordem musculoesquelética degenerativa2,7 capaz de reduzir a aptidao para o trabalho.13 Dessa forma, conhecer a etiologia da dor lombar e os fatores associados em adolescentes pode ajudar a prevenir e entender o problema em adultos.14

O presente estudo teve por objetivo analisar a prevalén-cia de dor lombar nao específica e os fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS.

Método

Estudo transversal de base escolar, feito com adolescentes de 10 a 17 anos matriculados no turno diurno das redes de ensino municipal e estadual de Uruguaiana/RS. Faz parte de um macroprojeto desenvolvido em 2011, intitulado "Atividade física habitual e fatores associados em escolares de Uruguaiana/RS", que foi aprovado pelo comité de ética em pesquisa da instituicao (protocolo 042/2010) e seguiu as orientales de Resolucao 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

A populacao do estudo, de acordo com as informales do Censo Escolar da Educacao Básica de 2010,15 correspondeu a 15.210 adolescentes na faixa etária determinada. Para o cálculo amostral foram adotados os seguintes procedimentos: prevaléncia de 50%, pois o macroprojeto abordaria múltiplos desfechos; intervalo de confianca de 95% (95%IC); erro amostral de 3%; efeito de delineamento (deff) igual a 1,5; e acréscimo de mais 15% para suprir possíveis perdas e recusas. Com a adocao desses critérios foi estimada a necessidade de avaliar 1.398 escolares. O critério de amostragem adotado foi probabi-lístico por conglomerados, no qual cada escola foi considerada um. Todas as escolas públicas do município participaram do sorteio e tiveram as mesmas chances de participar de acordo com o número de alunos matriculados na faixa de 10 a 17 anos. Para alcancar o número de adolescentes estimados houve a necessidade de sortear 10 escolas (nove urbanas - sete esta-duais e duas municipais - e uma rural). Todos os escolares entre 10 e 17 anos das 10 escolas sorteadas foram convidados a participar. Participaram da composicao da amostra apenas aqueles que apresentaram o termo de consentimento livre e esclarecido assinado por um responsável e que manifestaram vontade de participar.

O procedimento de coleta dos dados ocorreu em duas etapas. Inicialmente foi aplicado um questionário estruturado em blocos com todos os indivíduos que compuseram a amostra. O questionário continha questôes relativas a: a) indicadores

sociodemográficos; b) comportamentos e hábitos da rotina diária (incluindo atividade física); e c) histórico de dor lombar inespecífica. Na segunda etapa foram tomadas medidas antropométricas e motoras. Os dados foram coletados por um grupo de avaliadores (docentes e discentes/bolsistas da instituto na qual o estudo foi feito) treinados. O período de coleta de dados foi de maio a novembro de 2011.

A dor lombar inespecífica (variável dependente) foi estimada com a adaptacao do instrumento proposto por Sjoile et al.16 Os adolescentes respondiam a seguinte questao: "Você já teve dor ou desconforto nas costas na regiao lombar (ao lado da questao havia uma figura que indicava a localizacao da regiao lombar)?" As respostas possíveis eram: nunca; poucas vezes; muitas vezes e sempre. Para as análises as categorias "nunca" e "poucas vezes" foram agrupas e consideradas como "sem dor lombar" e as categorias "muitas vezes" e "sempre" foram agrupadas e consideradas como "dor lombar".

As variáveis que compuseram os indicadores sociodemo-gráficos foram: a) o nível socioeconómico (conforme o Critério de Classificacao Económica Brasil17 - dividido em cinco níveis, de A a E); b) o sexo (masculino ou feminino); e c) a idade (anos completos).

Os indicadores comportamentais e de hábito da rotina diária foram: a) tempo em atividades sedentárias, usado com televisao, jogos eletrónicos e computador (< 3 horas ou >3 horas); e b) nível de atividade física habitual (questionário para atividades físicas para criancas e adolescentes - Physical Activity Questionnaire for Older Children (PAQ-C)18 and Adolescents (PAQ-A).19 O PAQ-C/PAQ-A usa nove questöes com cinco possibilidades de respostas. Cada resposta recebe uma pontuacao que vai de 1 a 5. Dessa forma cada questionário tem um escore final (pontuacao). Para a classificacao da atividade física os indivíduos foram divididos em tercis: "menos ativos" (tercil 1), "intermediários" (tercil 2) e "mais ativos" (tercil 3).

As medidas antropométricas e motoras avaliadas foram: estatura, massa corporal, flexibilidade e força/resistência abdominal. A medida de massa corporal foi feita com o auxílio de uma balanca digital de marca Plenna® (Plenna, Sao Paulo, Brasil) com capacidade para 150 kg e precisao de 100 g. A estatura foi medida em centímetros, com uma casa decimal, com auxílio de uma trena métrica fixada na parede. Os indivíduos foram posicionados de acordo com o plano de Frankfurt, com um esquadro sobre a cabeca. As duas medidas antropométricas foram feitas de acordo com procedimentos-padrao.20 O índice de massa corporal (IMC) foi obtido por meio do cálculo da divisao da massa corporal em quilogramas pela estatura em metros ao quadrado e foi categorizado em "peso normal" e "excesso de peso" (as categorias sobrepeso e obesidade agrupadas), conforme a proposta de Cole et al.21

A flexibilidade e a força/resistência abdominal foram medidas pelo teste de sentar e alcancar (sit and reach) e pelo número de abdominais feitos em um minuto (sit ups), respectivamente. O procedimento de medida seguiu as recomendares do Projeto Esporte Brasil (Proesp).22 Com o uso de pontos de corte específicos por sexo e idade, a flexibilidade e a força/resistência abdominal foram classificadas em "abaixo do recomendado" e "recomendada".

Para a análise dos dados foram usados os métodos univa-riado, bivariado e multivariável. Na análise univariada foram usadas as frequências absolutas e relativas (proporçôes) em

Figura 1 - Modelo hierarquizado de fatores associados à dor lombar inespecífica em adolescentes.

cada uma das variáveis estudadas, seguidas pelo cálculo do intervalo de confianca de 95% (95%IC). Para a análise bivariada foram usados os testes qui-quadrado para heterogeneidade e qui-quadrado para tendência linear. Nessa análise, cada variável independente foi associada à variável dependente dicotomizada ("sem dor lombar" e "dor lombar"). Ainda para a análise bivariada, o teste t de Student para amostras inde-pendentes foi usado para testar a diferenca entre as médias de idade do grupo que apresentou dor lombar e do grupo sem dor lombar.

Na análise multivariável foi usada a regressao logística binária. A dor lombar inespecífica foi dicotomizada como desfecho. A entrada de cada uma das variáveis independentes nessa análise ocorreu conforme o modelo teórico hierarqui-zado construído (fig. 1). O modelo teórico adotado considerou três blocos de determinacao causal (proximal, intermediário e distal). No primeiro bloco (indicador sociodemográfico) foram incluídos o nível socioeconómico, a idade e o sexo. No bloco intermediário (indicadores de estilo de vida) foram incluídos o comportamento sedentário e a atividade física. No último nível (indicadores antropométricos e motores) foram incluídos o índice de massa corporal, a flexibilidade e a força/resistência muscular. O modelo multivariável final considerou como fato-res associados à dor lombar inespecífica (dor lombar) as variáveis independentes que apresentaram valor de p<0,05.

Resultados

Para as análises foram coletados os dados de 1.455 adolescentes. Para o cálculo das prevalências de dor lombar foram considerados 1,377 indivíduos que preencheram todas as informacóes necessárias.

Tabela 1 - Distribuicao da frequência dos adolescentes

segundo as variáveis analisadas, Uruguaiana, 2012

Variável n % (95% IC)

Masculino 714 49,1 (46,5-51,7)

Feminino 741 50,9 (48,3-53,5)

Idade (anos)

10 79 5,4 (4,2-6,6)

11 209 14,4 (12,6-16,2)

12 205 14,1 (12,3-15,9)

13 232 15,9 (14,0-17,8)

14 211 14,5 (12,7-16,3)

15 221 15,2 (13,3-17,0)

16 174 12,0 (10,3-13,7)

17 124 8,5 (7,1-9,9)

Total 1.455 XX: 13,56; DP: 2,02

Níuel socioeconómico

Classe B 263 20,6 (18,4-22,8)

Classe C 817 63,9 (61,3-66,5)

Classe D/E 198 15,5 (13,5-17,5)

Normal 1004 73,3 (70,9-75,6)

Excesso de peso 359 26,7 (24,4-29,0)

Forca/resistência abdominal

Recomendado 976 72,6 (70,2-75,0)

Abaixo do recomendado 369 27,4 (25,0-29,8)

Flexibilidade

Recomendado 913 66,9 (64,4-69,4)

Abaixo do recomendado 451 33,1 (30,6-35,6)

Tempo em atividades sedentárias

< 3 horas 521 35,8 (33,3-38,3)

> 3 horas 934 64,2 (61,7-66,7)

Nível de atividade física

Mais ativos 453 33,2 (30,7-35,6)

Intermediários 453 33,2 (30,7-35,7)

Menos ativos 458 33,6 (31,2-36,2)

n, número amostral; %, proporçao da amostra; 95% IC, intervalo de confiança de 95%; XX, média; DP, desvio padrao.

Tabela 2 - Resultados da análise de qui-quadrado entre a ocorrência de dor lombar (sim/nao) e as variáveis categóricas estudadas em adolescentes de Uruguaiana/RS, 2011

Variável Dor lombar p

Sim % (95% IC) Nao % (95% IC)

Sexo Masculino Feminino 10.5 (8,2-12,7) 21.6 (18,6-24,6) 89,5 (87,2-91,7) 78,4 (75,4-81,4) <0,001

Nível socioeconómico Classe B Classe C Classe D/E 19,7 (14,9-24,5) 15,2 (12,7-17,7) 16,7 (11,5-21,9) 80,3 (75,4-85,1) 84,8 (82,3-87,7) 83,3 (78,1-88,5) 0,292

IMC Normal Excesso de peso 14,5 (12,3-16,7) 20,3 (16,1-24,5) 85,5 (83,3-87,7) 79,7 (75,5-83,9) 0,009

Forca/resistência abdominal Recomendado Abaixo do recomendado 14,5 (12,3-16,7) 19,3 (15,3-23,3) 85,5 (83,3-87,7) 80,7 (76,7-84,7) 0,026

Flexibilidade Recomendado Abaixo do recomendado 15,8 (13,4-18,2) 16,2 (12,8-19,6) 84,2 (81,8-86,6) 83,2 (79,7-86,7) 0,473

Tempo em atividades sedentárias < 3 horas > 3 horas 14,7 (11,6-17,7) 16,9 (14,5-19,3) 85,3 (82,2-88,3) 83,1 (80,7-85,5) 0,168

Nível de atividade física Mais ativos Intermediários Menos ativos 14,1 (10,9-17,3) 14,3 (11,0-17,6) 19,7 (16-23,4) 85,9 (82,7-89,1) 85,7 (82,4-90,0) 80,3 (76,4-84,0) 0,024

%, proporçao da amostra; 95% IC, intervalo de confiança de 95%; p, nível de significancia.

A prevalência de dor lombar nos adolescentes avaliados foi de 16,1%. Por sexo, o grupo masculino apresentou uma prevalência de 10,5% (n= 71) e o feminino de 21,6% (n= 151).

A distribuicao de frequência das variáveis analisadas está apresentada na tabela 1. Nesse sentido, é possível observar que 26,7% dos avaliados apresentam excesso de peso e que 64,2% passam mais de três horas por dia em atividades seden-tárias.

Os resultados do teste qui-quadrado indicaram que apenas as variáveis sexo, IMC, força/resistência abdominal e nível de atividade física apresentaram associaçao estatisticamente significativa com a dor lombar inespecífica (p < 0,05), conforme mostra a tabela 2. Com relaçao à idade, o teste t indicou que adolescentes que relataram dor lombar tinham média de idade superior àqueles que relataram nao sentir dor lombar (t=-3,61; p<0,05).

As análises de regressao logística binária, nos valores de odds ratio (OR) bruta, confirmam os resultados das análises do teste qui-quadrado. Ao ser analisados em conjunto (OR ajustada), sexo, idade e IMC mantiveram significancia no modelo.

Vale destacar que os resultados da análise de regressao logística binária ajustada indicaram que os adolescentes do sexo feminino apresentaram, aproximadamente, 2,3 vezes mais chance de ter dor lombar do que seus pares. Em relacao à idade, é possível observar que a cada ano que passa a chance de dor lombar aumenta em 14% (tabela 3).

Discussâo

A dor lombar nao específica em adolescentes tem sido o foco de diversos estudos, por causa da elevadas prevalências encontradas na literatura e pelo caráter multifatorial da sua etiologia.4'6'7'11'23-29

Nesse contexto, os resultados mostraram que a prevalência de dor lombar nao específica nos adolescentes de Uruguaiana (16,1%) foi inferior aos valores apresentados na literatura, que variam de 20% a 60%, aproximadamente.4'7'10'28'29

No entanto, esse resultado precisa ser analisado com atencao, pois os aspectos socioculturais, ambientais e genéticos da realidade analisada devem ser levados em consideracao, o que dificulta a extrapolacao dos resultados

Tabela 3 - Razäo de Odds bruta e ajustada para dor lombar (sim/näo) e os fatores associados em adolescentes de Uruguaiana/RS, 2011

Variável n (%) Regressao logística binária

OR bruta (95% IC) p OR ajustada (95% IC) p

Sexo Masculino Feminino 67S (49,4) 699 (50,6) 1 2,36 (1,74-3,20) <0,001 1 2,36 (1,71-3,26) <0,001

Idade 1377 (100) 1,14 (1,06-1,22) <0,001 1,14 (1,06-1,22) <0,001

IMC Normal Excesso de peso 945 (73,3) 345 (26,7) 1 1,50 (1,09-2,06) 0,012 1 1,44 (1,03-2,02) 0,029

F/R abdominal Recomendado Abaixo do recomendado 929 (72,7) 34S (27,3) 1 1,40 (1,02-1,93) 0,040 1 1,1S (0,S3-1,69) 0,30052

Níuel de atividade física Mais ativos Intermediários Menos ativos 439 (33,1) 447 (33,7) 441 (33,2) 1 1,01 (0,69-1,4S) 1,49 (1,04-2,12) 0,945 0,02S 1 0,76 (0,50-1,14) 0,91 (0,60-1,3S) 0,1S2 0,65S

n, número amostral; %, proporgao da amostra; 95%IC, intervalo de confianza de 95%; OR, odds ratio (razao de chances); p, nível de significancia; F/R abdominal, Forca/resisténcia abdominal.

para diferentes contextos.30 Também Masiero et al.25 comen-tam que as diferentes conclusбes sobre as prevalências de dor lombar podem estar relacionadas ao desenho do estudo, à seleçao amostral, ao instrumento usado para a medida e à área geográfica, entre outros fatores.

O sexo tem sido apontado como um dos fatores associados à dor lombar nao específica,25'2S'29'31'32 o que vai ao encontro dos resultados do presente estudo, os quais apontam que o sexo feminino é mais acometido pelos quadros álgicos e apre-senta cerca de 2,4 vezes mais chance de apresentar dor lombar do que o masculino.

O fato de o sexo feminino apresentar maior prevalência de dor pode ser explicado por questбes culturais, nas quais as mulheres podem demonstrar mais seus sentimentos,2S bem como pelas características anatomofuncionais específicas, tais como menor adaptaçao ao esforço físico extenuante e articulacбes mais frágeis.33 Cabe ressaltar que as diferenças entre os sexos podem estar ligadas a sistemas endógenos de modulaçao da dor que contribuem para maior sensibilidade e maior prevalência de diversas condi^es dolo-rosas entre as mulheres.34 Além disso, a percepçao da dor pode ser afetada por alteraçбes hormonais induzidas pela puberdade.7

A associacao entre a idade e a dor lombar tem se mostrado positiva, indica aumento da prevalência de acordo com o aumento da idade e permite especular que a lombalgia na infância é preditora de lombalgia na vida adulta.27,31

Nesse sentido, um estudo feito com escolares de Bauru/SP também verificou associacao entre a dor lombar e a idade2S e reforçou os achados do presente estudo, no qual se destaca um aumento significativo na prevalência relacionado ao avanco da idade.

O aumento da prevalência de acordo com a idade pode ser resultado do acúmulo da sobrecarga sobre a coluna vertebral, ocasionado, entre outros fatores, pelo transporte de mochilas

e outros objetos pesados e pela permanência por longos períodos na posiçao sentada.31

Na consideraçao do nível socioeconómico, nao foi encontrada associacao dessa variável com a dor lombar. Nesse sentindo, é necessário analisar essa variável com prudência, pois o nível socioeconómico está relacionado com diversos outros fatores e pode servir como uma variável de confu-sao no caso de associaçбes significativas com a dor lombar.35 Nao obstante, um estudo feito com a populaçao de Salva-dor/BA também nao encontrou associaçao significativa entre a dor lombar e o nível socioeconómico dos sujeitos avaliados.36 Em estudantes de Londrina/PR, igualmente nao foi verificada associaçao entre a dor no dorso e a classe socioeconómica.37 O IMC também apresentou associaçao significativa com os quadros de dor lombar nos adolescentes avaliados e corrobo-rou os resultados da metanálise apresentada por Shiri et al.3S sobre a associaçao da dor lombar com a obesidade. Eles con-cluíram que tanto o sobrepeso quanto a obesidade aumentam o risco de dor lombar e sugerem ainda que a associaçao entre excesso de peso ou obesidade e a prevalência de dor lombar sao mais fortes para as mulheres do que para os homens.

Nesse contexto, a obesidade tem um impacto negativo na saúde osteoarticular de crianças, pois promove alteracбes biomecánicas na coluna lombar e desencadeia significativamente maiores frequências de dor lombar em obesos.39

No entanto, o estudo de Jannini et al.32 que analisa dores musculoesqueléticas em adolescentes nao encontrou maior prevalência de dor lombar entre obesos do que entre os eutró-ficos. Mesmo assim, as dores nas costas sao as manifestaçбes dolorosas mais frequentes entre crianças e adolescentes obesos e atingem aproximadamente 39% dos indivíduos.40

Estudos de revisao apontam que a dor nas costas em crianças e adolescentes pode estar associada, entre outros fatores, com a postura sentada, os desvios posturais e ainda a fraqueza dos músculos abdominais.7,41 No presente estudo, a

dor lombar esteve associada com a forca/resistência abdominal, o que corrobora essa informac;ao.

Também o estudo de Jones et al.6 encontrou diferenças significativas na resistência abdominal de adolescentes com dor lombar quando comparados com adolescentes sem dor. No entanto, Balagué, Troussier e Salminen7 evidenciam que a dor lombar em idade escolar nao pode simplesmente ser atribuída à fraqueza muscular. Isso porque parece existir uma correlac;ao entre o encurtamento dos músculos posteriores da coxa e a dor lombar. Essa informac;ao é reforc; ada pelo estudo de Feldman et al.,35 que avaliaram adolescentes e encontraram associaçao entre dor lombar e encurtamento nos músculos isquiotibiais e no quadríceps femoral.

No presente estudo nao foi identificada associaçao entre a flexibilidade lombar e a ocorrência de lombalgia. Esse resultado pode estar associado ao fato de nao existir um consenso em relac;ao aos valores adequados para a protec;ao contra os casos de dor lombar.7,41 Nesse contexto, um estudo identificou que apenas valores intermediários de flexibilidade do tronco apresentavam-se como protetores para o aparecimento da dor lombar, pois valores que indicam hipomobilidade e hipermo-bilidade foram preditores para o aparecimento do problema.5

Contudo, essa falta de consonância nas informaçбes pode estar relacionada com o grupo estudado, pois as diferenc;as morfológicas entre os sexos podem afetar os resultados. Sendo assim, o fato de as mulheres apresentarem maiores índices de flexibilidade e menores valores de resistência abdominal pode ser determinante na ocorrência de maiores prevalências de dor lombar no sexo feminino.6

O tempo em atividades sedentárias nao apresentou relacao com os quadros de dor lombar nos indivíduos avaliados. Esse resultado difere do encontrado no estudo com escolares de Bauru/SP, no qual foi evidenciado que os indivíduos que permaneciam por mais de duas horas diárias assistindo a tele-visao apresentaram 86% mais chances de terem dor lombar.28 No entanto, é necessário considerar que a associac;ao entre o tempo em atividades sedentárias e a dor lombar nao está bem definida em estudante, o que evidencia a carência de estudos.41

Um estudo feito na Itália por Masiero et al.25 com adolescentes de 13 a 15 anos encontrou associac;ao entre a dor lombar nao específica e o sexo feminino, o histórico familiar e o sedentarismo. Resultado semelhante foi encontrado por Noll et al.,29 ao analisarem fatores associados com dores nas costas em adolescentes.

Com relac;ao à associac;ao entre o nível de atividade física e a dor lombar, na análise bruta os adolescentes menos ati-vos tinham mais chances de apresentar dor lombar. Porém, quando a análise é ajustada para as variáveis sociode-mográficas, a associac;ao deixa de apresentar significância estatística.

Esses resultados vao ao encontro de informaçбes dispo-níveis na literatura que indicam nao haver consistência nos resultados de associaçao entre atividade física e dor lombar. Resultados que informam que níveis mais baixos de atividade física estao associados à dor lombar em adolescentes11,24 e que a prática de atividades físicas vigorosas também pode aumentar a chance de dor lombar em adolescentes31 estao disponíveis na literatura e indicam que mais estudos sobre a associac;ao entre essas variáveis precisam ser feitos.

Os resultados do presente estudo demonstram evidencias que contribuem para a melhor compreensao da dor lombar em adolescentes. No entanto, é preciso considerar algumas limitacöes. Como é de base escolar, os resultados nao podem ser generalizados para todos os adolescentes da cidade. Ape-sar de terem sido encontradas associacöes significativas entre a dor lombar e algumas variáveis independentes, nao é pos-sível estabelecer causalidade por tratar-se de um estudo transversal.

Conclusôes

Com relac;ao aos fatores associados com a dor lombar, o modelo ajustado indicou que o sexo, a idade e o IMC sao os fatores preditores dos casos de lombalgia, ou seja, ser do sexo feminino, apresentar idade mais elevada e estar com sobrepeso ou obesidade aumentam a chance de apresentar dor lombar inespecífica nos adolescentes de Uruguaiana/RS.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse. refer ê ncias

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