Scholarly article on topic 'Treinamento de força versus hidroginástica: uma análise transversal comparativa da densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa'

Treinamento de força versus hidroginástica: uma análise transversal comparativa da densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa Academic research paper on "Educational sciences"

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Academic journal
Revista Brasileira de Reumatologia
OECD Field of science
Keywords
{"Treinamento de força" / Hidroginástica / "Densidade óssea" / Pós-menopausa / "Strength training" / "Aquatic weight-bearing exercises" / "Bone density" / Postmenopause}

Abstract of research paper on Educational sciences, author of scientific article — Sandor Balsamo, Licia Maria Henrique da Mota, Frederico Santos de Santana, Dahan da Cunha Nascimento, Lídia Mara Aguiar Bezerra, et al.

Resumo Introdução Há um grande número de estudos mostrando que o treinamento de força tem um efeito positivo sobre a densidade mineral óssea (DMO). Porém, existem poucos estudos comparando a DMO entre praticantes de hidroginástica e treinamento de força. Objetivo: Comparar, em uma análise transversal, a DMO de mulheres praticantes de treinamento de força com mulheres praticantes de hidroginástica, na pós-menopausa. Métodos A amostra foi composta de 63 mulheres, divididas em três grupos: treinamento de força (FORÇA: n=15; 51,4±2,7 anos), hidroginástica (HIDRO: n=22; 54,5±3,3 anos) e controles não treinadas (CONTROLE: n=26; 52,0±3,3 anos). Todas as voluntárias estavam em terapia de reposição hormonal há no mínimo um ano. Os grupos FORÇA e HIDRO treinavam há pelo menos um ano antes do início do estudo (média de anos de treinamento – FORÇA: 4,5±2,0; HIDRO: 4,2±2,2). Resultados O grupo FORÇA apresentou maior DMO de corpo total, colo femoral e coluna lombar L2-L4 quando comparado ao grupo-controle (todos P<0,05). O grupo HIDRO apresentou maior DMO no corpo total, quadril total e coluna lombar L2-L4 quando comparado ao grupo-controle (todos P<0,05). Entretanto, não foram observadas diferenças entre os grupos FORÇA e HIDRO em nenhum dos sítios avaliados. Conclusões Estes achados sugerem que não apenas o treinamento de força, mas também a hidroginástica podem ser estratégias não farmacológicas para prevenção da perda de DMO em mulheres na pós-menopausa. Abstract Introduction Many studies have shown that resistance training has a positive effect on bone mineral density (BMD). However, few studies have compared the BMD of individuals undergoing resistance training and those training aquatic weight-bearing exercises. Objective To compare, in a cross-sectional study, the BMD of postmenopausal women undergoing resistance training and postmenopausal women training aquatic weight-bearing exercises. Methods The sample comprised 63 women divided into the following three groups: resistance training (STRENGTH: n=15; 51.4±2.7 years); aquatic weight-bearing exercises (WATER: n=22; 54.5±3.3 years); and non-trained controls (CONTROL: n=26; 52.0±3.3 years). All volunteers were on hormone replacement therapy for at least one year. The STRENGTH and WATER groups were training for at least one year prior to study beginning (mean years of training – STRENGTH: 4.5±2.0; WATER: 4.2±2.2). Results The STRENGTH group had higher BMD of total body, femoral neck, lumbar spine L2-L4 as compared with the CONTROL group (all P<0.05). The WATER group had higher BMD of total body, total hip, lumbar spine L2-L4 as compared with the CONTROL group (all P<0.05). However, no difference was observed between the STRENGTH and WATER groups regarding the sites assessed. Conclusions Those findings suggest that not only the resistance training, but also aquatic weight-bearing exercises might be a non-pharmacological strategy to prevent BMD loss in postmenopausal women.

Academic research paper on topic "Treinamento de força versus hidroginástica: uma análise transversal comparativa da densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa"

REVISTA BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA

ELSEVIER

www.reumatologia.com.br

SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA

Artigo original

Treinamento de força versus hidroginástica: uma análise transversal comparativa da densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa

Sandor Balsamoa'b'c'*, Licia Maria Henrique da Motaa, Frederico Santos de Santanaa'b'c, Dahan da Cunha Nascimentoc'd, Lídia Mara Aguiar Bezerrae, Denise Osti Coscrato Balsamoc, Joâo Lindolfo Cunha Borgef Ana Patricia de Paulag, Martim Bottaroe

aPrograma de Pâs-Graduaçâo em Ciencias Médicas, Faculdade de Medicina, Universidade de Brasilia (UnB), Brasilia, DF, Brasil b Departamento de Educaçao Fisica, Centro Universitário Euro-Americano (UNIEURO), Brasilia, DF, Brasil cGrupo de Estudo e Pesquisa em Exercicio de Força e Saúde (GEPEEFS), Brasilia, DF, Brasil

dPrograma de Pâs-Graduaçao em Educaçao Fisica, Faculdade de Educaçao Fisica, Universidade Católica de Brasilia (UCB), Brasilia, DF, Brasil eFaculdade de Educaçao Fisica, Universidade de Brasilia (UnB), Brasilia, DF, Brasil f Departamento de Medicina, Universidade Católica de Brasilia (UCB), Brasilia, DF, Brasil

gPrograma de Pâs-Graduaçao em Ciências para Saúde, Fundaçao de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (FEPECS/SESDF), Ministério da Saúde, Brasilia, DF, Brasil

INFORMAÇÔES RESUMO

Histórico do artigo: Introduçao: Há um grande número de estudos mostrando que o treinamento de força tem

Recebido em 7 de janeiro de 2012 um efeito positivo sobre a densidade mineral óssea (DMO). Porém, existem poucos estudos

Aceito em 13 de dezembro de 2012 comparando a DMO entre praticantes de hidroginástica e treinamento de força.

Palavras-chave: Treinamento de força Hidroginástica Densidade óssea Pós-menopausa

Objetivo: Comparar, em uma análise transversal, a DMO de mulheres praticantes de treinamento de força com mulheres praticantes de hidroginástica, na pós-menopausa.

Métodos: A amostra foi composta de 63 mulheres, divididas em três grupos: treinamento de força (FORÇA: n = 15; 51,4 ± 2,7 anos), hidroginástica (HIDRO: n = 22; 54,5 ± 3,3 anos) e controles nao treinadas (CONTROLE: n = 26; 52,0 ± 3,3 anos). Todas as voluntárias estavam em terapia de reposiçao hormonal há no mínimo um ano. Os grupos FORÇA e HIDRO treinavam há pelo menos um ano antes do inicio do estudo (média de anos de treinamento - FORÇA: 4,5 ± 2,0; HIDRO: 4,2 ± 2,2).

Resultados: O grupo FORÇA apresentou maior DMO de corpo total, colo femoral e coluna lombar L2-L4 quando comparado ao grupo-controle (todos P < 0,05). O grupo HIDRO apresentou maior DMO no corpo total, quadril total e coluna lombar L2-L4 quando comparado ao grupo-controle (todos P < 0,05). Entretanto, nao foram observadas diferenças entre os grupos FORÇA e HIDRO em nenhum dos sítios avaliados.

Conclusoes: Estes achados sugerem que nao apenas o treinamento de força, mas também a hidroginástica podem ser estratégias nao farmacológicas para prevençao da perda de DMO em mulheres na pós-menopausa.

© 2013 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

* Autor para correspondencia. E-mail: sandorbalsamo@gmail.com (S. Balsamo) 0482-5004/$ - see front matter. © 2013 Elsevier Editora Ltda. Todos os direitos reservados.

Resistance training versus weight-bearing aquatic exercise: a cross-sectional analysis of bone mineral density in postmenopausal women

ABSTRACT

Keywords: Introduction: Many studies have shown that resistance training has a positive effect on bone

Strength training mineral density (BMD). However, few studies have compared the BMD of individuals under-

Aquatic weight-bearing exercises going resistance training and those training aquatic weight-bearing exercises.

Bone density Objective: To compare, in a cross-sectional study, the BMD of postmenopausal women un-

Postmenopause dergoing resistance training and postmenopausal women training aquatic weight-bearing

exercises.

Methods: The sample comprised 63 women divided into the following three groups: resistance training (STRENGTH: n = 15; 51.4 ± 2.7 years); aquatic weight-bearing exercises (WATER: n = 22; 54.5 ± 3.3 years); and non-trained controls (CONTROL: n = 26; 52.0 ± 3.3 years). All volunteers were on hormone replacement therapy for at least one year. The STRENGTH and WATER groups were training for at least one year prior to study beginning (mean years of training - STRENGTH: 4.5 ± 2.0; WATER: 4.2 ± 2.2).

Results: The STRENGTH group had higher BMD of total body, femoral neck, lumbar spine L2-L4 as compared with the CONTROL group (all P < 0.05). The WATER group had higher BMD of total body, total hip, lumbar spine L2-L4 as compared with the CONTROL group (all P < 0.05). However, no difference was observed between the STRENGTH and WATER groups regarding the sites assessed.

Conclusions: Those findings suggest that not only the resistance training, but also aquatic weight-bearing exercises might be a non-pharmacological strategy to prevent BMD loss in postmenopausal women.

© 2013 Elsevier Editora Ltda. All rights reserved.

Introduçâo

Há evidencia crescente de que a prática de exercício contribua para a prevençao e tratamento da osteoporose devido ao efei-to osteogênico do estímulo mecánico no tecido ósseo.1-3 Foi sugerido que as atividades que requerem maiores cargas com menor número de repetiçoes resultem em aumento da densi-dade mineral óssea (DMO).4 Estudos transversais mostraram que indivíduos praticantes de treinamento de força apresen-taram maior DMO do que inativos.56 As recomendaçoes de especialistas7 e os estudos prospectivos8 ou meta-análises9 mostraram o aumento ou preservaçao da DMO naqueles in-divíduos.

Por outro lado, a prática de hidroginástica foi associada com uma melhora dos condicionamentos neuromuscular e funcional10 e da saúde cardiometabólica,11 sendo recomendada para idosos menor capacidade funcional, pois é segura.1012 Entretanto, nos últimos 20 anos, poucos estudos investigaram a DMO em praticantes de hidroginástica.13-16 A literatura nao é clara quanto a existencia de associaçao entre hidroginástica e DMO. A maioria dos estudos obteve resultados conflitantes, que variaram da piora14 à melhora da saúde óssea.15 Além disso, até o momento, nenhum estudo analisou comparativamente a DMO de mulheres na pós-menopausa praticantes de treinamento de força com a DMO de mulheres na pós-me-nopausa praticantes de hidroginástica, o que constitui a nova abordagem deste estudo.

Este estudo teve por objetivo verificar, comparativamente, a DMO de mulheres praticantes de treinamento de força, praticantes de hidroginástica e mulheres nao treinadas — todas na pós-menopausa. Foi levantada a hipótese de que as

mulheres na pós-menopausa praticantes de hidroginástica teriam DMO similar à de mulheres na pós-menopausa pra-ticantes de treinamento de força, e ambos os grupos teriam maior DMO do que o grupo controle nao treinado.

Materiais e métodos

Participantes

Este projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comité de Ética em Pesquisa Institucional da Universidade Católica de Brasí-lia, segundo as políticas institucionais e a Declaraçao de Hel-sinki.17 Todas as participantes eram de Brasilia, tendo sido re-crutadas por meio de correio eletrônico, panfletos e cartazes distribuídos na cidade de Brasília. Durante o estudo, um único reumatologista analisou de maneira 'cega' os prontuários médicos e conduziu as entrevistas estruturadas com 95 mulhe-res. As voluntárias constituíram trés grupos: treinamento de força (FORÇA); hidroginástica (HIDRO); e controle nao treinadas (CONTROLE).

Criterios de inclusâo

Os critérios de inclusao foram os seguintes: a) todas as participantes deveriam estar na menopausa há pelo menos um ano; b) todas as participantes deveriam usar terapia de reposiçao hormonal (TRH) exclusivamente com estrogénio; c) a inclusao nos grupos FORÇA e HIDRO exigia o treinamento mínimo por pelo menos um ano antes do estudo; d) a inclusao no grupo CONTROLE exigia a nao prática de atividades físicas regulares

por pelo menos seis meses antes do estudo. Utilizou-se um questionário com as trés perguntas seguintes para identificar o tipo de exercício, sua regularidade, frequéncia, intensidade e duraçao: 1) Que tipo de exercício vocé pratica regularmente durante uma semana?; 2) Qual a frequéncia desse exercício durante uma semana?; e 3) Qual a duraçao média em minutos de uma única sessao de exercícios físicos?

Criterios de exclusâo

Todas as participantes com as seguintes características fo-ram excluídas: a) uso de medicamento ou tratamento que afete o metabolismo ósseo, exceto suplementaçao de cálcio e TRH; b) tabagismo; c) índice de massa corporal (IMC) < 18 kg/ m2 ou > 30 kg/m2 (obesidade); d) doença que afete o metabolismo ósseo ou a força (hipotireoidismo/fibromialgia/artrite reumatoide).

Os grupos de treinamento de força e de hidroginástica

O grupo FORÇA realizava treinamento de força tradicional pelo menos trés dias nao consecutivos por semana, supervisionado por treinador de educaçao física, durando cada ses-sao cerca de 60 minutos. O programa consistiu em uma série de 10 a 15 repetiçoes de cada exercício (incluindo leg press, extensao de joelho, flexao de joelho, supino plano sentado, remada sentada/voador dorsal, rosca bíceps e exercício de core). O grupo HIDRO treinava pelo menos trés dias nao consecutivos por semana (1 hora cada sessao) com treinador de educa-çao física certificado pela Aquatic Exercise Association (AEA). O objetivo era atingir uma frequéncia cardíaca de 60%-80% da máxima durante a sessao, sendo exercitados os grandes grupos musculares com movimentos de empurrar e puxar, pu-los e deslocamentos. Nao foi possível controlar exatamente quantas sessoes de t reinamento os grupos FORÇA e HIDRO realizaram no(s) último(s) ano(s).

Procedimentos

As participantes elegíveis para o estudo compareceram ao la-boratório na mesma hora (às 8 e às 12 horas). Tinham que observar as seguintes recomendaçoes antes da visita ao labora-tório: evitar a prática de atividades intensas; evitar a ingestao de cafeína ou derivados do álcool nas 24 horas anteriores ao teste; e tomar a última refeiçao (inclusive água) antes do teste com antecedéncia de pelo menos duas horas. Todos os testes foram avaliados pelo mesmo examinador 'às cegas'.

Medidas antropométricas

Para a avaliaçao de peso, altura e IMC, pediu-se aos participantes que removessem seus sapatos e qualquer peso que pudesse interferir nas medidas. Para avaliar a altura, a participante deveria estar descalça, com os calcanhares e tronco encostados na parede, e cabeça no plano de Frankfurt. O peso corporal com a participante usando o mínimo de roupas foi medido com aproximaçao de 100 g em balança de precisao (Filizola ID-1500, Brasil), tendo a altura sido medida com apro-ximaçao de 5 mm em estadiômetro de parede (Sanny Standard ES 2030, Brasil).

Densitometria óssea

As DMOs de corpo inteiro, coluna lombar L2-L4, colo femoral, quadril total e antebraço - 33% rádio, rádio ultradistal, e rádio total - foram medidas usando-se absorciometria com raio-X de dupla energia (DPX-L; Lunar Radiation Corporation, Madison, Wisconsin, EUA), sendo as cintilografias analisadas com um programa versäo 3.6. Antes dos testes, os aparelhos foram calibrados de acordo com as recomendaçoes do fabricante, tendo um só examinador realizado todos os exames.

Análise estatística

Os valores säo apresentados como média e erro padräo. Utili-zou-se um modelo de análise de covariância (ANCOVA) para um fator, com a medida de DMO como variável dependente, sendo idade, massa muscular total, massa gordurosa e per-centagem de gordura corporal as covariáveis. A correçâo de Bonferroni foi usada para ajustar as comparaçoes pré-espe-cificadas, tendo-se adotado na análise o nível de significado de 5%. O coeficiente de variaçâo (CV) foi usado para calcular a variaçâo intraparticipante (CV% = [DP/média] x 100). Para identificar as diferenças percentuais entre os grupos de vo-luntárias com osteoporose, osteopenia e escores normais, de acordo com ISCD (2005), o teste de Kruskal-Wallis foi aplicado, usando-se o teste Mann-Whitney com correçâo de Bonferroni, considerando-se um nível de significância de P < 0,012. Os dados foram analisados usando-se SAS para Windows.

Resultados

A amostra deste estudo foi constituída por 63 mulheres me-nopausadas saudáveis, das quais 32 foram excluídas devido a: hipotireoidismo (n = 4); fibromialgia (n = 3); IMC < 18 kg/ m2 (n = 3) ou IMC > 30 kg/m2 (n = 14); tabagismo (n = 4); e uso de medicamento ou tratamento que interfere no metabolismo ósseo (n = 4). Essas 63 mulheres foram assim distribuídas: grupo FORÇA, 15 mulheres; grupo HIDRO, 22 mulheres; e grupo CONTROLE, 26 mulheres. Tanto no grupo FORÇA quanto no grupo HIDRO, 90% das participantes treinaram regularmente no ano anterior ao estudo na Associaçao Crista de Moços (ACM).

As principais características dos trés grupos (FORÇA, HI-DRO e CONTROLE) sao mostradas na Tabela 1. Nao houve di-ferenças significativas entre os grupos quanto a IMC, TRH (a dose de estrogénio variou de 0,3 a 2,5 mg em todos os grupos), e duraçao da menopausa em anos. O tempo de treinamento (anos) nos grupos FORÇA e HIDRO nao diferiu (P > 0,05). O grupo HIDRO teve idade superior em relaçao aos grupos de FORÇA e CONTROLE.

O resultado da variável dependente DMO no grupo FORÇA foi significativamente maior do que no grupo CONTROLE para corpo total (5,73%), coluna lombar L2-L4 (16,40%) e colo femoral (8,73%) (P < 0,05). Nao foi observada diferença significativa nos demais sítios (quadril total, rádio total, rádio ultradistal e 33% rádio). O grupo HIDRO também mostrou uma DMO significativamente maior do que o grupo CONTROLE para cor-po total (6,50%), coluna lombar L2-L4 (17,69%) e quadril total (9,52%) (P < 0,05). Nao foi observada diferença significativa nos

Tabela 1 - Características dos grupos de treinamento de força (FORÇA), de hidroginástica (HIDRO) e controle nâo treinado (CONTROLE) (média ± DP).

Variáveis FORÇA HIDRO CONTROLE

(n = 15) (n = 22) (n = 26)

Idade (anos) 51,4 ± 2,7 54,5 ± 3,3* 52,0 ± 3,4

IMC (kg/m2) 24,0 ± 2,7 24,7 ± 2,7 24,0 ± 3,4

Tempo de 3,3 ± 2,6 5,1 ± 2,5 3,5 ± 2,8

menopausa (anos)

TRH (anos) 3,0 ± 1,7 3,8 ± 2,5 4,0 ± 2,8

Tempo de 4,5 ± 2,0 4,2 ± 2,2 —

treinamento (anos)

*P < 0,05 significativamente maior do que os grupos FORÇA e CONTROLE.

IMC, índice de massa corporal; TRH, terapia de reposiçao hormonal; DP, desvio padrao.

demais sitios (colo femoral, rádio total, rádio ultradistal e 33% rádio) (Tabela 2).

Os grupos FORÇA e HIDRO nao diferiram quanto à DMO de corpo total nem de todos os sitios testados (coluna lombar L2-L4; colo femoral; quadril total; rádio total; rádio ultradistal; e 33% rádio) (P > 0,05) (Tabela 2).

O número de participantes com osteopenia na coluna lombar L2-L4 (T-escore de DMO) foi maior no grupo CONTROLE do que no grupo FORÇA (P < 0,05). Nao foi detectada diferença significativa para outras variáveis (P > 0,05). Outros detalhes do percentual de voluntárias com osteoporose, osteopenia e normais sao apresentados na Tabela 3.

Discussao

Este estudo teve por objetivo comparar a DMO de mulheres menopausadas há pelo menos um ano, treinando pelo perío-

do mínimo de um ano, e em uso de TRH. Comparou-se o grupo FORÇA, que realizava treinamento de força, com o grupo HIDRO, que praticava hidroginástica, e ainda os dois grupos com controles que nao treinavam. Aventou-se a hipótese de que mulheres menopausadas que praticavam hidroginásti-ca teriam DMO similar àquela de mulheres menopausadas que realizavam treinamento de força, e as participantes dos dois grupos teriam DMO maior do que a do grupo CONTROLE. Nossa hipótese foi confirmada, nao havendo diferença significativa entre os grupos HIDRO e FORÇA quanto à DMO no corpo total e em nenhum dos sítios avaliados. Este estudo ainda confirma a hipótese inicial de que, comparado ao grupo CONTROLE, o grupo HIDRO apresentou maior DMO na coluna lombar L2-L4, quadril total e corpo total. Além disso, o grupo FORÇA apresentou maior DMO na coluna lombar L2-L4, colo femoral e corpo total em comparaçao ao grupo CONTROLE. Ainda, o grupo CONTROLE apresentou um percentual significativamente maior de participantes com osteopenia na coluna lombar L2-L4 (T-escore) do que o grupo FORÇA.

Os critérios de exclusao do presente estudo determina-ram um mínimo de viés e/ou potenciais fatores de confu-sao que pudessem influenciar os resultados da DMO, tais como o fato de todas as participantes serem menopausadas em uso de TRH e terem semelhantes características físicas, como IMC, composiçao corporal, peso, altura e condiçoes clínicas. Além disso, nenhuma participante era fumante nem tinha doença coexistente que afetasse a DMO, e as participantes dos grupos FORÇA e HIDRO estavam em treinamento por pelo menos um ano antes do estudo. Nossa abordagem nova revelou que as mulheres menopausadas que pratica-vam hidroginástica tinham DMO similar à das mulheres menopausadas que realizavam treinamento de força. Uma singularidade do nosso estudo é o fato de nao ser um estudo de intervençao, sendo essa informaçao relevante uma vez que, em um estudo transversal, diferentes esportes e

Tabela 2 - Valores de densidade mineral óssea (DMO) para os grupos de treinamento de força (FORÇA), de hidroginástica (HIDRO) e controle nao treinado (CONTROLE).

Sítio de DMO (g/cm2) Grupos* P+

FORÇA (n = 15) HIDRO (n = 22) CONTROLE FORÇA vs. HIDRO vs. FORÇA vs.

(n = 26) CONTROLE CONTROLE HIDRO

Corpo total 1,221 ± 0,022 1,232 ± 0,012 1,153 ± 0,014 0,0163* 0,0019* 1,0000

CV% 6,2 4,0 5,7

Coluna lombar L2-L4 1,283 ± 0,169 1,294 ± 0,112 1,07 ± 0,03 0,0001* < 0,0001* 1,0000

CV% 12,6 8,6 9,5

Colo femoral 1,020 ± 0,142 0,982 ± 0,075 0,934 ± 0,023 0,0374* 0,4725 0,6273

CV% 13,2 7,6 8,1

Quadril total 1,046 ± 0,119 1,049 ± 0,089 0,947 ± 0,085 0,1172 0,0276* 1,0000

CV% 11,1 8,5 13,5

Rádio total 0,550 ± 0,032 0,550 ± 0,025 0,518 ± 0,038 0,9856 0,2460 1,0000

CV% 7,7 5,5 10,5

Rádio ultradistal 0,385 ± 0,038 0,368 ± 0,026 0,345 ± 0,034 0,0821 0,1384 1,0000

CV% 13,9 8,3 13,3

33% Rádio 0,693 ± 0,045 0,692 ± 0,029 0,653 ± 0,049 0,8371 0,2403 1,0000

CV% 8,0 4,9 10,6

Valores expressos como média ± erro padrao. + Os valores de P para comparaçao entre os grupos foram calculados usando ANCOVA (com idade, massa muscular total, massa gorda e percentagem de gordura corporal como covariáveis). Correçao de Bonferroni foi usada para ajustar comparaçôes pré-especificadas. * P < 0,05 em relaçao ao grupo CONTROLE.

CV%, coeficiente de variaçao percentual (CV% = [DP/média] x 100).

Tabela 3 - Percentual de voluntárias com osteoporose, osteopenia e escores normais de acordo com a ISCD 2005.

(International Society for Clinical Densitometry - The ISCDs official position s - updated 2005 - Washington).

Variável (T-escore) FORÇA, n(%) HIDRO, n(%) CONTROLE, n(%)

T-escore: coluna lombar L2-L4 Normal 1S (1ОО) 21 (9S) 14 (S4)

Osteopenia О (О) 1 (S) 9 (3S)*

Osteoporose О (О) О (О) 3 (11)

T-escore: colo femoral Normal 14 (9S) 22 (1ОО) 21 (81)

Osteopenia 1 (S) О (О) 4 (1S)

Osteoporose О (О) О (О) 1 (4)

T-escore: quadril total Normal 14 (9S) 22 (1ОО) 19 (73)

Osteopenia 1 (S) О (О) б (23)

Osteoporose О (О) О (О) 1 (4)

T-escore: rádio ultradistal Normal 13 (87) 17 (77) 14 (S4)

Osteopenia 2 (13) S (23) 7 (27)

Osteoporose О (О) О (О) S (19)

T-escore: 33% rádio Normal 13 (87) 2О (91) 1S (S8)

Osteopenia 2 (13) 2 (9) 1О (38)

Osteoporose О (О) О (О) 1 (4)

T-escore: rádio total Normal 13 (87) 21 (9S) 19 (73)

Osteopenia 2(13) 1 (S) б (23)

Osteoporose О (О) О (О) 1 (4)

* O grupo CONTROLE apresentou uma percentagem significativamente maior de participantes com osteopenia em comparaçao ao grupo FORÇA.

modalidades podem ser comparados. Além disso, respostas osteogênicas estäo associadas com cargas intensas e espe-cificas,4,8 mas näo com baixa intensidade e/ou curto periodo de interve^äo.8 Estudos prévios com exercicio aquático haviam investigado um curto periodo de interve^äo para a modu^äo óssea1S com baixa intensidade14 em mulheres osteopênicas.14 No presente estudo, comparou-se a DMO de corpo total e em sitios diferentes do grupo FORÇA com a DMO do grupo HIDRO, e a DMO dos dois grupos com a do grupo CONTROLE.

Alguns estudos prospectivos apresentaram resultados similares ao comparar com o grupo FORÇA e grupo CONTROLE quanto à DMO de corpo total,18 quadril total7 e colo femoral.8 Kelley et al.9 realizaram meta-análise para avaliar a DMO da coluna L2-L4. A maioria desses estudos envolveu protocolos de alta intensidade, explicando a eficiência do estimulo nas células ósseas progenitoras. É possivel que, no presente estudo, näo tenha sido identificada significativa diferença entre os grupos FORÇA e HIDRO porque os dois métodos de trei-namento sejam suficientemente positivos para estimular a DMO. Além disso, nos sitios envolvendo o rádio, nossos resultados diferiram daqueles da meta-análise de Kelley et al.,9 embora tenham disso semelhantes aos de Bassey et al.19 Ao que parece, é necessário um estimulo mais intenso para me-lhorar a resposta osteogênica do sitio 'rádio'.4

Este é o primeiro estudo a relatar que o grupo HIDRO apre-sentou uma maior DMO de corpo total em comparaçäo ao grupo CONTROLE. O grupo HIDRO ainda apresentou maior DMO na coluna e quadril total em comparaçäo ao grupo CONTROLE. Nossos resultados estäo de acordo com os de Tsukahara et al.16 e Rotstein et al.1S ao demonstrar que o grupo HIDRO também apresentava DMO da coluna e quadril total semelhante à dos controles. Littrell e Snow (em resumo de comunicaçäo) relataram que, em estudo de curta dura-çäo (6 meses), o treinamento aquático preservou a DMO em mulheres menopausadas em todos os sitios, mostrando que esse tipo de treinamento é útil para a manute^äo da massa óssea, enquanto que, em grupo controle, a DMO diminuid2"

Os resultados do presente estudo estäo de acordo com os do estudo experimental de Bravo et al.,14 que näo mostrou diferença significativa na DMO do colo femoral em mulheres osteopênicas após um ano de atividade fisica aquática similar à do grupo HIDRO. Rotstein et al.1S näo encontraram diferença significativa na DMO do colo femoral de mulheres menopausadas saudáveis após apenas sete meses de trei-namento. É importante lembrar que a DXA fornece uma medida estática da DMO, näo refletindo, consequentemente, a atividade metabólica. Ay e Yurtkur1321 estudaram a atividade hormonal óssea anabólica (IGF-1 e calcitonina) e catabólica (paratormônio, PTH), e analisaram a DMO usando ultrassom em mulheres menopausadas após um programa de treina-mento aquático. Os resultados mostraram niveis elevados de calcitonina e IGF-1, melhora dos valores ultrassonográ-ficos e red^äo do PTH no grupo experimental, enquanto o oposto ocorreu no grupo controle. Portanto, pode-se afirmar que o treinamento aquático afeta positivamente o metabolismo ósseo.

Este é o primeiro estudo a comparar a DMO do rádio do grupo HIDRO ao do grupo CONTROLE. Os resultados sugerem que essa estratégia de exercicio fornece pouco estimulo à regiäo do antebraço, e talvez os exercicios de flexäo e exten-säo do punho, e preensäo palmar näo sejam eficientes para melhorar a DMO nesse sitio.

Quanto à DMO em todos os sitios avaliados, näo foram observadas diferenças significativas entre os grupos FORÇA e HIDRO. Recentemente, o estudo de Tolomio et al.12 näo en-controu diferenças significativas no colo femoral de mulheres menopausadas com osteoporose. O protocolo experimental consistiu em um programa de exercicios combinados na água e no solo. Uma combinaçäo de exercicios de treinamento de força e aquáticos com carga foi realizada em duas sessoes por semana durante 11 meses.

A maioria dos estudos associa DMO com exercicio de força devido ao seu efeito especifico e localizado na massa corporal.4^ Entretanto, no presente estudo, ainda que significativamente mais idoso que o grupo FORÇA (3 anos), o grupo

HIDRO näo apresentou valores mais baixos de DMO nos sítios avaliados do que o grupo FORÇA.

O presente estudo apresentou limitaçoes. Seu desenho näo foi experimental uma vez que os investigadores näo alocaram as participantes nos grupos. As participantes escolheram fa-zer exercício (FORÇA/HIDRO) ou näo, sendo entäo observadas pelos investigadores. A interve^äo näo foi predefinida pelos pesquisadores. Deve-se considerar incluir entre as limitaçoes o efeito de atividades físicas anteriores, especialmente durante o período de aquis^äo de massa óssea (até atingir a massa óssea de pico). Concluindo, os achados relatados fornecem nova evidência de que a realizaçäo de hidroginástica produz um estímulo para o desenvolvimento muscular e fornece mo-vimento contínuo dos membros contra a resistencia da água. Tais resultados têm importantes implicaçoes práticas, suge-rindo que näo apenas o treinamento de força, mas também a hidroginástica poderia ser uma estratégia näo farmacológica para a preve^äo de perda de DMO em mulheres menopausadas. Essa informaçäo também é importante para profissionais envolvidos com cuidados de saúde e exercício físico, uma vez que exercícios aquáticos säo muito populares em centros de saúde e tendem a oferecer pouco risco. No entanto, pesquisa adicional se faz necessária para embasar essa modalidade de exercício. Nossos achados sugerem que a hidroginástica pos-sa estimular o desenvolvimento muscular.

Conflitos de interesse

Os autores declaram a inexistência de conflitos de interesse. REFERÊNCIAS

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