Scholarly article on topic 'Impacto do uso prévio de estatinas nos resultados da intervenção coronária percutânea na síndrome coronariana aguda'

Impacto do uso prévio de estatinas nos resultados da intervenção coronária percutânea na síndrome coronariana aguda Academic research paper on "Health sciences"

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{"Síndrome coronariana aguda" / "Intervenção coronária percutânea" / "Resultado de tratamento" / Estatinas / "Acute coronary syndrome" / "Percutaneous coronary intervention" / "Treatment outcome" / Statins}

Abstract of research paper on Health sciences, author of scientific article — Marcelo José de Carvalho Cantarelli, Silvio Gioppato, Hélio José Castello, Rosaly Gonçalves, Evandro Karlo Pracchia Ribeiro, et al.

Resumo Introdução O uso de estatinas previamente à intervenção coronária percutânea (ICP) tem reduzido eventos cardíacos na evolução de curto e longo prazos. Avaliamos o impacto do uso prévio de estatinas nos resultados hospitalares da ICP em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA). Métodos: Análise retrospectiva de registro multicêntrico com 6.288 pacientes submetidos consecutivamente à ICP. Destes, 35% tinham SCA e foram avaliados de acordo com a utilização (Grupo 1, n = 1.203) ou não (Grupo 2, n = 999) de estatinas. Resultados O Grupo 1 mostrou maior prevalência de dislipidemia, infarto agudo do miocárdio (IAM) prévio, procedimentos de revascularização prévios, insuficiência renal crônica, acometimento multiarterial, lesões em bifurcação uso de stents farmacológicos. O Grupo 2 mostrou maior número de ICPs primária e de resgate, classe funcional Killip III/IV, lesões tipo B2/C, trombos, oclusões totais, fluxo TIMI pré 0/1, presença de circulação colateral, uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa e de cateteres de aspiração. O sucesso da ICP foi maior no Grupo 1 (95,1% vs. 92,5%; p = 0,01), e a ocorrência de eventos cardíacos e cerebrovasculares adversos maiores (ECCAM) (3,7% vs. 5,7%; p = 0,04) foi mais frequente no Grupo 2. Apesar da não utilização de estatina ter apresentado associação com ECCAM na análise univariada, foram preditores independentes de ECCAM hospitalares apenas o IAM em Killip III/IV e a cirurgia de revascularização prévia. Conclusões Pacientes com SCA submetidos à ICP e que estavam em uso prévio de estatinas apresentaram melhores resultados clínicos hospitalares, mas a utilização desses fármacos não foi preditora independente de ECCAM. Abstract Background The use of statins prior to percutaneous coronary intervention (PCI) has reduced cardiac events in both short and long‐term follow‐up. This study assessed the impact of prior statin use on in‐hospital PCI outcomes in patients with acute coronary syndrome (ACS). Methods Retrospective analysis of a multicenter registry of 6,288 consecutive patients undergoing PCI. Of these, 35% had ACS and were evaluated according to statin use (Group 1, n = 1,203) or no use (Group 2, n = 999). Results Group 1 showed higher prevalence of dyslipidemia, acute myocardial infarction (AMI), previous coronary artery bypass graft, chronic renal failure, multivessel involvement, bifurcation lesions, and use of drug‐eluting stents. Group 2 showed more primary and rescue PCIs, Killip functional class III/IV, B2/C lesions, thrombi, total occlusions, pre‐procedural TIMI 0/1 flow, presence of collateral circulation, and use of glycoprotein IIb/IIIa inhibitors and aspiration catheters. PCI success was higher in Group 1 (95.1% vs. 92.5%; p = 0.01), and the occurrence of major adverse cerebrovascular and cardiac events (MACCE) (3.7% vs. 5.7%) was more frequent in Group 2. Although the non‐use of statins showed an association with MACCE in the univariate analysis, independent predictors of in‐hospital MACCE were limited to AMI in Killip III/IV and prior coronary artery bypass graft. Conclusions ACS patients undergoing PCI who previously used statins had better in‐hospital clinical outcomes; however, statin use was not an independent predictor of MACCE.

Similar topics of scientific paper in Health sciences , author of scholarly article — Marcelo José de Carvalho Cantarelli, Silvio Gioppato, Hélio José Castello, Rosaly Gonçalves, Evandro Karlo Pracchia Ribeiro, et al.

Academic research paper on topic "Impacto do uso prévio de estatinas nos resultados da intervenção coronária percutânea na síndrome coronariana aguda"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(2):108-113

Artigo Original

Impacto do uso prévio de estatinas nos resultados da intervengo coronária percutanea na síndrome coronariana aguda

Marcelo José de Carvalho Cantarellia*, Silvio Gioppatob, Hélio José Castello Jr.c, Rosaly Gongalvesd, Evandro Karlo Pracchia Ribeiroc, Joao Batista de Freitas Guimaraesa, Ednelson Cunha Navarroe, Danilo Maksudd, Julio Cesar Francisco Vardia

a Hospital Bandeirantes, Sao Paulo, SP, Brasil b Hospital Vera Cruz, Campiñas, SP, Brasil c Hospital Leforte, Sao Paulo, SP, Brasil

d Hospital Rede D'Or Sao Luiz Anália Franco, Sao Paulo, SP, Brasil e Hospital Regional do Vale do Paraíba, Taubaté, SP, Brasil

INFORMAÇÔES SOBRE O ARTIGO RESUMO

Introdufao: O uso de estatinas previamente a intervengo coronária percutanea (ICP) tem reduzido eventos cardíacos na evolugao de curto e longo prazos. Avaliamos o impacto do uso prévio de estatinas nos resultados hospitalares da ICP em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA). Métodos: Análise retrospectiva de registro multicéntrico com 6.288 pacientes submetidos consecutivamente a ICP. Destes, 35% tinham SCA e foram avaliados de acordo com a utilizagao (Grupo 1, n = 1.203) ou nao (Grupo 2, n = 999) de estatinas.

Resultados: O Grupo 1 mostrou maior prevaléncia de dislipidemia, infarto agudo do miocárdio (IAM) prévio, procedimentos de revascularizagao prévios, insuficiéncia renal crónica, acometimento multiarterial, lesoes em bifurcagao uso de stents farmacológicos. O Grupo 2 mostrou maior número de ICPs primária e de resgate, classe funcional Killip III/IV, lesoes tipo B2/C, trombos, oclusoes totais, fluxo TIMI pré 0/1, presenga de circulagao colateral, uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa e de cateteres de aspiragao. O sucesso da ICP foi maior no Grupo 1 (95,1% vs. 92,5%; p = 0,01), e a ocorréncia de eventos cardíacos e cerebrovasculares adversos maiores (ECCAM) (3,7% vs. 5,7%; p = 0,04) foi mais frequente no Grupo 2. Apesar da nao utilizagao de estatina ter apresentado associagao com ECCAM na análise univariada, foram preditores independentes de ECCAM hospitalares apenas o IAM em Killip III/IV e a cirurgia de revascularizagao prévia. Conclusoes: Pacientes com SCA submetidos a ICP e que estavam em uso prévio de estatinas apresentaram melhores resultados clínicos hospitalares, mas a utilizagao desses fármacos nao foi preditora independente de ECCAM.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda.

Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Impact of prior statin use on percutaneous coronary intervention outcomes in acute coronary syndrome

ABSTRACT

Background: The use of statins prior to percutaneous coronary intervention (PCI) has reduced cardiac events in both short and long-term follow-up. This study assessed the impact of prior statin use on inhospital PCI outcomes in patients with acute coronary syndrome (ACS).

Methods: Retrospective analysis of a multicenter registry of 6,288 consecutive patients undergoing PCI. Of these, 35% had ACS and were evaluated according to statin use (Group 1, n = 1,203) or no use (Group 2, n = 999). Results: Group 1 showed higher prevalence of dyslipidemia, acute myocardial infarction (AMI), previous coronary artery bypass graft, chronic renal failure, multivessel involvement, bifurcation lesions, and use of drug-eluting stents. Group 2 showed more primary and rescue PCIs, Killip functional class III/IV, B2/C lesions, thrombi, total occlusions, pre-procedural TIMI 0/1 flow, presence of collateral circulation, and use of glycoprotein IIb/IIIa inhibitors and aspiration catheters. PCI success was higher in Group 1 (95.1% vs. 92.5%; p = 0.01), and the occurrence of major adverse cerebrovascular and cardiac events (MACCE) (3.7% vs.

* Autor para correspondencia: Serviço de Hemodinâmica, Rua Baräo de Iguape, 209, 2 andar, bloco C, Liberdade, CEP: 01507-000, Säo Paulo, SP, Brasil. E-mail: marcelojccantarelli@gmail.com (M.J.C. Cantarelli).

A revisäo por pares é da responsabilidade Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbci.2015.12.008

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licença de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Histórico do artigo:

Recebido em 24 de janeiro de 2015

Aceito em 25 de março de 2015

Palavras-chave: Síndrome coronariana aguda Intervençâo coronária percutânea Resultado de tratamento Estatinas

Keywords:

Acute coronary syndrome Percutaneous coronary intervention Treatment outcome Statins

5.7%) was more frequent in Group 2. Although the non-use of statins showed an association with MACCE in the univariate analysis, independent predictors of in-hospital MACCE were limited to AMI in Killip III/IV and prior coronary artery bypass graft.

Conclusions: ACS patients undergoing PCI who previously used statins had better in-hospital clinical outcomes; however, statin use was not an independent predictor of MACCE.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introdujo

Com os avanzos tecnológicos, a intervengo coronária percutanea (ICP) se tornou a abordagem terapéutica mais utilizada no tratamento da doen^a arterial coronária (DAC). Apesar de restaurar o fluxo mio-cárdico, a ICP carrega consigo um risco potencial de dano miocárdico, o qual está associado com aumento da morbimortalidade por eventos cardíacos tardios.1-3 Muitas estratégias terapéuticas tém sido propostas para limitar a ocorréncia e a extensao do dano miocárdico peripro-cedimento, contudo, a injuria miocárdica ainda permanece como a complicado mais frequente da ICP.4-6 Desse modo, entender os mecanismos e encontrar terapias adjuntas que aperfei^oem a protejo miocárdica ainda sao desafios para a Cardiologia moderna.

Cada vez mais se tem demonstrado que as estatinas tém a^oes pleiotrópicas com efeito benéfico no sistema cardiovascular, que vao muito além do simples controle dos níveis de colesterol. Esses efeitos incluem melhora da fundo endotelial por meio do aumento nos níveis e na bioatividade do óxido nítrico, efeito anti-inflamatório, efei-to antioxidante e estabilizado da placa.78

Com base em tais achados, tem-se imaginado que o uso das estatinas poderia estar associado a diminuido do infarto agudo do miocárdio (1AM) periprocedimento, reduzindo a liberado de marcadores de necrose miocárdica durante a ICP por meio de seus efeitos pleiotrópicos sobre a microcircula^ao. Vários estudos randomizados tém demonstrado a diminuido do 1AM periprocedimento com o uso de doses elevadas de estatinas antes da ICP, e alguns deles documentaram redu^ao de eventos cardíacos adversos maiores.9-13 A melhora de fluxo coronário e a redu^ao de mortalidade foram também relatadas em pacientes que faziam uso crónico de estatinas e foram submetidos a ICP primária.14-17 Nao há, entretanto, em nosso meio, registros com grande numero de pacientes ava-liando se o uso prévio de estatinas pode ter impacto nos eventos cardiovasculares e cerebrovasculares adversos maiores (ECCAM) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) submetidos a ICP.

Neste estudo retrospectivo observacional, objetivamos analisar o impacto do uso prévio de estatinas nos resultados hospitalares da ICP em pacientes com SCA.

Métodos

Populado

No período de agosto de 2006 a outubro de 2012, 6.288 pacientes consecutivos foram submetidos a ICP nos centros que compoem o Registro Angiocardio (Hospital Bandeirantes, Hospital Rede D'Or Sao Luiz Anália Franco e Hospital Leforte, em Sao Paulo; Hospital Vera Cruz, em Campinas; e Hospital Regional do Vale do Paraíba, em Taubaté, todos no Estado de Sao Paulo). Desses pacientes, 2.202 (35%) tinham o diagnóstico de SCA e foram avaliados de acordo com a utilizado (Grupo 1, n = 1.203) ou nao (Grupo 2, n = 999) de estatinas.

Os dados foram coletados de forma prospectiva e armazenados em um banco de dados informatizado disponível via online em todos os centros que participam do registro.

O objetivo primário foi comparar as taxas de ECCAM hospitalares entre os dois grupos, bem como avaliar os preditores independentes desses eventos.

Medicado

Foi considerado uso prévio de estatina a utilizado anterior a internado por SCA, independente do tipo, da dose e do tempo de administrado. Todos os pacientes, independentes do uso prévio ou nao, receberam, na fase hospitalar, sinvastatina, rosuvastatina ou atorvastatina, de acordo com os protocolos assistenciais das entidades hospitalares que integram o Registro Angiocardio.

Procedimento

As intervenís foram realizadas, em sua maioria, por via femoral, sendo utilizada a via radial nos demais. A técnica e a escolha do material, durante o procedimento, ficaram a cargo dos operadores, assim como a avalia^ao da necessidade do uso de inibidores da glico-proteína Ilb/IIIa. Foi utilizada heparina nao fracionada no início do procedimento na dose de 70 U/kg a 100 U/kg, exceto nos pacientes que já estavam em uso de heparina de baixo peso molecular.

Todos os pacientes receberam terapia antiplaquetária combinada com ácido acetilsalicílico (AAS), nas doses de ataque de 300 mg e de manutendo de 100 a 200 mg/dia, e clopidogrel, nas doses de ataque de 300 ou 600 mg, e de manutendo, de 75 mg/dia. Os introdutores femorais foram retirados 4 horas após o início da hepariniza^ao. Os introdutores radiais foram retirados imediatamente após o término do procedimento.

As dosagens do marcador de necrose miocárdica CK-MB ativida-de consideradas para a análise nesse registro foram realizadas imediatamente antes do procedimento e 12 horas após o mesmo.

Análise angiográfica e definifdes

As análises foram realizadas em pelo menos duas proje^oes orto-gonais, por operadores experientes, com uso de angiografia quanti-tativa digital. Neste estudo, foram utilizados os mesmos critérios angiográficos constantes no banco de dados da Central Nacional de Interven^oes Cardiovasculares (CENIC) da Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). O tipo de lesao foi classificado conforme os critérios do American College of Cardiology e da American Heart Association (ACC/AHA).18 Para a determinado do fluxo coronário pré e pós-procedimento, foi utilizada a classificado Thrombolysis in Myocardial Infarction (TIMI).19 Suces-so do procedimento foi definido como obten^ao de sucesso angio-gráfico (estenose residual < 30%, com fluxo TIMI 3) e auséncia de ECCAM, compreendendo óbito de qualquer causa, (re)infarto periprocedimento, acidente vascular cerebral (AVC) e cirurgia de revas-cularizado miocárdica de emergéncia.20

O (re)infarto periprocedimento foi definido pelo reaparecimento de dor típica, com presenta de alterares eletrocardiográficas (su-pradesnivelamento do segmento ST ou ondas Q patológicas) e/ou

evidencia angiográfica de oclusao do vaso alvo. Os resultados da CK-MB pós-lCP nao foram considerados nessa definido. A cirurgia de revascularizagao miocárdica de emergencia foi qualificada como aquela realizada imediatamente após a ICP.

Análise estatística

Os dados armazenados em banco de dados com base Oracle foram plotados em planilhas Excel e analisados em programa estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS Inc, Chicago, EUA), versao 15.0. As variáveis continuas foram expressas em média ± desvio pa-drao, e as variáveis categóricas, em números absolutos e porcentuais. As associates entre as variáveis continuas foram avaliadas pelo teste t de Student e pelos testes nao paramétricos (Mann-Whitney e Wilco-xon) para distribuigao nao normal (CK-MB pré e pós-lCP). Associates entre as variáveis categóricas foram avaliadas pelos testes qui quadra-

Tabela 1

Características clínicas

do, teste exato de Fisher ou razao de verossimilhanga, quando apro-priado. Foi adotado nível de significancia de valor de p < 0,05. Modelos de regressao logística simples e múltipla foram aplicados para identificar preditores de ECCAM.

Resultados

As características clínicas estao representadas na tabela 1. O Grupo 1 mostrou maior prevalência de dislipidemia, 1AM prévio, cirurgia de revascularizaçao miocárdica prévia, ICP prévia e insuficiência renal crónica. Já o Grupo 2 mostrou maior número de pacientes com 1AM com supradesnivelamento do segmento ST (1AMCST) e em classe funcional mais avançada (Killip III e IV).

Do ponto de vista angiográfico (tabela 2), os pacientes que usaram estatinas tinham maior acometimento multiarterial e lesoes em

Características Grupo 1 Grupo 2 Valor de p

(n = 1.203) (n = 999)

Idade, anos 61,1 ± 11,9 60,9 ± 13,2 0,72

Sexo masculino, n (%) 804 (66,8) 679 (68,0) 0,60

Tabagismo, n (%) 390 (32,4) 288 (28,8) 0,08

Hipertensao arterial, n (%) 869 (72,2) 695 (69,6) 0,18

Dislipidemia, n (%) 409 (34,0) 236 (23,6) < 0,01

Diabetes, n (%) 342 (28,4) 249 (24,9) 0,07

IAM prévio, n (%) 178 (14,8) 102 (10,2) < 0,01

Cirurgia de revascularizagao prévia, n (%) 114 (9,5) 64 (6,4) 0,01

Insuficiencia renal crónica, n (%) 44 (3,7) 20 (2,0) 0,03

Acidente vascular cerebral prévio, n (%) 41 (3,4) 25 (2,5) 0,26

ICP prévia, n (%) 228 (19,0) 154 (15,4) 0,03

Quadro clínico, n (%) < 0,01

Angina pós-infarto 456 (37,9) 168 (16,8)

IAMCST 220 (18,3) 560 (56,1)

SCASST 527 (43,8) 271 (27,1)

Killip, n (%) < 0,01

I 175 (79,6) 409 (73,0)

II 35 (15,9) 74 (13,2)

III 3 (1,4) 20 (3,6)

IV 7 (3,2) 57 (10,2)

Características Grupo 1 (n = 1.203/ 1.569 vasos/ 1.718 lesoes) Grupo 2 (n = 999/ 1.249 vasos /1.378 lesoes) Valor de p

Extensao da doenga coronária, n (%) 0,01

Uniarterial 875 (72,7) 781 (78,2)

Biarterial 269 (22,4) 172 (17,2)

Triarterial 59 (4,8) 46 (4,6)

Vasos tratados, n (%) 0,01

Coronária direita 472 (30,1) 425 (34,0)

Circunflexa 374 (23,8) 238 (19,1)

Descendente anterior 661 (42,1) 545 (43,6)

Enxertos 52 (3,3) 32 (2,6)

Tronco de coronária esquerda 10 (0,6) 9 (0,7)

Lesoes tipo B2/C, n (%) 979 (63,2) 817 (69,2) < 0,01

Lesoes calcificadas, n (%) 660 (38,5) 646 (46,9) < 0,01

Lesoes trombóticas, n (%) 240 (14,0) 385 (28,0) < 0,01

Lesoes longas (> 20 mm), n (%) 222 (13,0) 156 (11,3) 0,19

Bifurcagoes, n (%) 147 (8,6) 84 (6,1) 0,01

Oclusoes totais, n (%) 290 (16,9) 532 (38,6) < 0,01

Disfungao ventricular esquerda, n (%) 94 (49,7) 74 (60,7) 0,08

Fluxo TIMI pré, n (%) < 0,01

0/1 325 (19,0) 596 (43,3)

2/3 1.389 (81,0) 781 (56,7)

Circulagao colateral, n (%) 325 (18,9) 322 (23,4) < 0,01

TIMI: Thrombolysis in Myocardial Infarction.

IAM: infarto agudo do miocárdio; ICP: intervençâo coronária percutânea; IAMCST: infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST; SCASST: síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST.

Tabela 2

Características angiográficas

bifurcado. Os pacientes do Grupo 2 apresentavam mais lesoes tipo B2/C, lesoes com trombos e calcificadas, oclusoes, maior prevaléncia de fluxo TIMI pré-ICP 0/1 e a presenta de circulado colateral.

Quanto as características do procedimento (tabela 3), o Grupo 1 utilizou-se de mais stents farmacológicos, com maior rela^ao stent/ paciente enquanto o Grupo 2 mostrou maior numero de intervenís coronárias na fase aguda do infarto (primária ou resgate), maior uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa e de cateteres de aspirado de trombos. Os valores de CK-MB atividade pós-procedimento foram maiores que os valores pré-ICP nos dois grupos, entretanto o Grupo 1 apresentou valores menores que os do Grupo 2. O sucesso do procedimento foi maior no Grupo 1 (95,1% vs. 92,5%; p = 0,01)

A tabela 4 indica os desfechos clínicos na fase hospitalar. A ocor-réncia de ECCAM (3,7% vs. 5,7%; p = 0,04) e óbito (1,4% vs. 3,2%; p < 0,01) foram mais frequentes em Grupo 2.

Na análise univariada, as variáveis idade, lesoes calcificadas, lesoes longas, lesoes trombóticas, cirurgia de revasculariza^ao mio-cárdica prévia, presenta de circulado colateral, ICP primária, uso de inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, TIMI pré 0/1, Killip III e IV, e a nao

utilizado de estatinas apresentaram rela^ao significativa com a ocorréncia de ECCAM. Na análise multivariada (tabela 5), apenas a presenta de IAM em Killip III/IV (odds ratio - OR 6,33; intervalo de confianza de 95% - IC 95% 3,45-11,45; p < 0,01) e de cirurgia de revas-culariza^ao prévia (OR 4,06; IC 95% 1,47-10,05; p < 0,01) foram as va-riáveis que melhor explicaram a ocorréncia de ECCAM hospitalares.

Discussao

A importancia das estatinas na prevengo cardiovascular primária e secundária advém de seus efeitos hipolipemiantes, com redu^ao mais significativa da lipoproteína de baixa densidade-colesterol (LDL-C) e pleiotrópicos com melhora da fun^ao endotelial, a^ao anti-inflamatória e antioxidante, levando a estabilizado da placa aterosclerótica - esta ultima demonstrada como redu^ao do volume de placa aterosclerótica ao ultrassom intracoronário no estudo REVERSAL.7,8,21 Recentemente, Komukai et al. demonstraram, por meio de tomografia de coeréncia ótica, o aumento da espessura da capa fibrótica da placa aterosclerótica e a

Tabela 3

Características dos procedimentos

Características Grupo 1 Grupo 2 Valor de p

(n = 1.203/ 1.569 vasos/ 1.718 lesoes) (n = 999/ 1.249 vasos /1.378 lesoes)

Vasos tratados/paciente 1,3 ± 0,6 1,3 ± 0,6 < 0,01

Rela^ao stent/paciente 1,3 ± 0,7 1,1 ± 0,7 < 0,01

Uso de stent, n (%) 1.419 (90,4) 1.068 (85,5) < 0,01

Stents farmacológicos 284 (20,0) 139 (13,0) < 0,01

Diámetro dos stents, mm 3,00 ± 0,48 3,05 ± 0,51 < 0,01

Comprimento dos stents, mm 19,1 ± 7,1 19,7 ± 6,9 0,06

Tipos de intervengo, n (%) < 0,01

ICP primária 137 (11,4) 413 (41,3)

ICP de resgate 59 (4,9) 131 (13,1)

Inibidores da glicoproteína IIb/IIIa, n (%) 144 (12,0) 175 (17,5) < 0,01

CK-MB pré-ICP, U/L 34,5±84,4 66,9±137,8 < 0,01

CK-MB 12 horas pós-ICP, U/L 35,5±92,5 85,2±153,6 < 0,01

Tromboaspira^ao, n (%) 51 (4,5) 101 (11,4) < 0,01

Fluxo TIMI pós, n (%) < 0,01

0/1 34 (2,1) 70 (5,3)

2/3 1.589 (97,9) 1.241 (94,7)

Grau de estenose, %

Pré 85,76 ± 12,69 90,22 ± 12,83 < 0,01

Pós 3,64 ± 15,74 7,21 ± 23,01 < 0,01

Sucesso do procedimento, n (%) 1.144 (95,1) 924 (92,5) 0,01

ICP: intervengo coronária percutánea; TIMI: Thrombolysis in Myocardial Infarction.

Tabela 4

Desfechos clínicos na fase hospitalar

Características Grupo 1 Grupo 2 Valor de p

(n = 1.203) (n = 999)

ECCAM, n (%) 45 (3,7) 57 (5,7) 0,04

Óbito hospitalar, n (%) 17 (1,4) 32 (3,2) < 0,01

Cirurgia de revasculariza^ao de emergencia, n (%) 1 (0,1) 1 (0,1) > 0,99

Acidente vascular cerebral, n (%) 2 (0,2) 2 (0,2) > 0,99

(Re)infarto agudo do miocárdio, n (%) 31 (2,6%) 27 (2,7%) 0,96

ECCAM: eventos cardíacos e cerebrovasculares adversos maiores.

Tabela 5

Preditores independentes de eventos cardíacos e cerebrovasculares adversos maiores

Fatores OR IC 95% Valor de p

Cirurgia de revasculariza^ao prévia Killip III-IV 4,06 6,33 1,47-0,05 3,45-11,45 < 0,01 < 0,01

OR: odds ratio; IC 95%: intervalo de confianza de 95%.

redugao de arco lipídico e de macrófagos após tratamento com atorvas-tatina (mais significativo com a dose de 20 mg), contribuindo para o entendimento fisiopatológico desse processo.22

Apesar dessas evidencias, em nosso registro, entretanto, quase metade dos pacientes (45,3%) nao fazia uso prévio de estatinas, a des-peito da presenga de dislipidemia e diabetes em quase um quarto deles, revelando provável falha da prevengao cardiovascular primária em nosso meio. O maior número de pacientes com lAM nesse grupo sugere a possível tradugao clínica da ausencia do efeito protetor cardiovascular da estatina, além da evidencia de que muitos deles ini-ciam a prevengao (dessa vez, secundária) apenas após ter apresentado um evento cardiovascular importante. Os pacientes que faziam uso prévio de estatina, apesar de serem mais complexos, do ponto de vista clínico, pela maior frequencia de antecedentes de lAM, cirurgia de re-vascularizagao miocárdica, ICP e insuficiencia renal crónica, evidenciando a prescrigao de estatinas como prevengao secundária, apresentaram-se com uma manifestagao clínica mais favorável, predominando, nesse grupo, a SCA sem supradesnivelamento do segmento ST e a menor ocorrencia de repercussao hemodinamica grave (Killip Ill e IV) naqueles que se apresentaram com lAMCST.

Outro aspecto a destacar é que, apesar do grupo que fez uso pré-vio de estatina apresentar maior incidencia de doenga multiarterial, lesoes mais complexas (lesoes tipos B2 e C, calcificadas, com trombos, oclusoes totais e fluxo TIMl 0/1) foram significativamente mais frequentes no grupo que nao estava em uso de estatina. Devido a natureza do estudo, nao podemos inferir que tais achados estao di-retamente relacionados a um efeito protetor das estatinas, mas pode servir como um gerador de hipótese.

Evidencias recentes mostram que doses altas de estatinas acentu-am seus efeitos pleiotrópicos cardiovasculares benéficos, os quais sao independentes do efeito redutor nos níveis de colesterol, já que este se dá apenas com tratamento de longo prazo.2324 Os estudos AR-MYDA (Atorvastatin for Reduction of Myocardial Damage during Angioplasty), ARMYDA-ACS (Atorvastatin for Reduction of Myocardial Damage during Angioplasty-Acute Coronary Syndromes), ARMYDA--RECAPTURE e NAPLES ll (Novel Approaches for Preventing or Limiting Events II), que avaliaram os efeitos agudos da atorvastatina nas lCPs, demonstraram que o pré-tratamento com atorvastatina reduz significativamente a ocorrencia de lAM periprocedimento.9102526 Este, apesar de se traduzir muitas vezes apenas pela elevagao dos marcadores de necrose miocárdica pós-lCP, relaciona-se com taxas aumentadas de eventos cardíacos adversos maiores no seguimen-to.2728 Em nosso registro, ocorreu aumento dos valores médios de CK-MB pós-lCP nos dois grupos, sendo que os pacientes que fizeram uso prévio de estatinas apresentaram valores pré e pós-lCP significativamente menores que o outro grupo, o que pode significar um efei-to cardiovascular protetor da medicagao. Os valores basais mais elevados no grupo que nao utilizou estatina podem ainda ser conse-quencia do maior número de pacientes com quadro de lAMCST.

A redugao de eventos cardiovasculares adversos maiores após a lCP com a utilizagao de estatinas foi bem demonstrada em estudos randomizados em pacientes selecionados sem o uso prévio da medi-cagao estudada.910121325 No entanto, nos estudos ROMA ll11 e ARMY-DA-RECAPTURE,26 foram considerados pacientes que faziam uso cronico de estatina para uma recarga com doses elevadas de atorvastatina ou rosuvastatina no dia do procedimento. Curiosamente, apesar da demonstragao nesses dois estudos do efeito benéfico significativo da droga estudada sobre a redugao dos eventos cardiovasculares adversos maiores, eles nao foram tao evidentes quanto aos relatados em outras publicagoes. Esse fato evidenciaria que o uso prévio de estatina poderia exercer algum efeito protetor sobre os resultados da lCP. Corroborando essa hipótese, estudos com pacientes com lAMCST tem sugerido que o uso prévio crónico de estatinas pode melhorar o fluxo coronário e estar associado com uma menor mortalidade de curto prazo (30 dias).14-17

Em nosso registro com pacientes com SCA, o índice de sucesso do procedimento foi significativamente maior no grupo com uso prévio de estatina bem como a ocorrencia de fluxo TIMI 2 ou 3, o que resultou numa menor ocorrencia de eventos clínicos nesse grupo, reforgando a hipótese de que podem existir efeitos protetores cardiovasculares das estatinas utilizadas cronicamente sobre os resultados hospitalares da ICP. Apesar da nao utilizagao prévia de estatina ter apresentado rela-gao significativa com a ocorrencia de ECCAM na análise univariada, em nosso registro, foi preditor independente de ECCAM hospitalares apenas a presenga de IAMCST em Killip III/IV e de cirurgia de revascu-larizagao prévia.

Limitafdes do estudo

Podem ser consideradas limitagoes do presente estudo a análi-se retrospectiva dos dados, a ausencia de seguimento tardio, a nao inclusao das alteragoes dos marcadores de necrose miocárdica no diagnóstico de (re)infarto periprocedimento, a utilizagao da CK-MB atividade em detrimento da CK-MB massa ou troponina, e a ausencia de padronizagao das doses, tipos e tempo de uso das estatinas.

Conclusoes

Pacientes com síndrome coronariana aguda submetidos a inter-vengao coronária percutanea e que estavam em uso prévio de estati-nas apresentaram melhores resultados clínicos. No entanto, a utilizagao desses fármacos nao foi preditora independente de eventos cardíacos e cerebrovasculares maiores hospitalares.

Fonte de financiamento

Nao há.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

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