Scholarly article on topic 'Perfil clínico e angiográfico de pacientes jovens submetidos à intervenção coronária percutânea primária'

Perfil clínico e angiográfico de pacientes jovens submetidos à intervenção coronária percutânea primária Academic research paper on "Health sciences"

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{"Infarto do miocárdio" / "Adulto jovem" / Angioplastia / "Myocardial infarction" / "Young adult" / Angioplasty}

Abstract of research paper on Health sciences, author of scientific article — Pedro Beraldo de Andrade, Fábio Salerno Rinaldi, Igor Ribeiro de Castro Bienert, Robson Alves Barbosa, Marcos Henriques Bergonso, et al.

Resumo Introdução O atual declínio observado na taxa de mortalidade entre pacientes com infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST pode ser atribuído não apenas a maior utilização de estratégias de reperfusão, mas também a uma mudança no perfil demográfico dessa população, notadamente à redução em sua média de idade. Métodos Foram analisados retrospectivamente todos os pacientes submetidos à intervenção coronária percutânea primária no período de abril de 2010 a dezembro de 2014. O objetivo primário foi a caracterização dos fatores de risco mais prevalentes, a natureza angiográfica das lesões, os aspectos técnicos do procedimento e a evolução clínica hospitalar de pacientes jovens, com idade ≤ 45 anos, comparando‐os àqueles com idade > 45 anos. Resultados Dentre 489 pacientes com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, 54 tinham idade ≤ 45 anos e 435, idade > 45 anos. Pacientes jovens exibiram maior prevalência de tabagismo e obesidade, enquanto pacientes > 45 anos eram mais propensos a apresentar hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito, dislipidemia e infarto do miocárdio antigo. Intervenção coronária percutânea primária em jovens associou‐se ao uso de menor quantidade de cateteres‐guia, menor tempo de fluoroscopia e maior porcentual de implante direto de stent. Pacientes jovens exibiram boa evolução hospitalar, com reduzida taxa de eventos cardíacos adversos (3,7% vs. 9,2%; p = 0,30). Conclusões Pacientes com idade ≤ 45 anos representaram aproximadamente 10% dos casos de infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST e exibiram elevada prevalência de fatores de risco modificáveis. Abstract Background The current decline observed in mortality rate among patients with ST‐segment elevation acute myocardial infarction can be attributed not only to the increased use of reperfusion strategies, but also to a change in the demographic profile of this population, notably the reduction in mean age. Methods We retrospectively reviewed all patients undergoing primary percutaneous coronary intervention in the period from April 2010 to December 2014. The primary objective was the characterization of the most prevalent risk factors, the angiographic nature of the lesions, the technical aspects of the procedure, and in‐hospital clinical outcomes in patients aged ≤ 45 years, comparing them to those aged > 45 years. Results Among 489 patients with acute myocardial infarction, 54 were ≤ 45 years, and 435 were > 45 years. Young patients exhibited a higher prevalence of smoking and obesity, while patients > 45 years were more likely to have hypertension, diabetes mellitus, dyslipidemia, and previous myocardial infarction. Primary percutaneous coronary intervention in young patients was associated with the use of fewer guide catheters, shorter fluoroscopy time, and higher percentage of direct stent implantation. Young patients exhibited good in‐hospital outcomes, with lower rate of adverse cardiac events (3.7% vs. 9.2%; p = 0.30). Conclusions Patients aged ≤ 45 years accounted for approximately 10% of cases of ST‐segment elevation acute myocardial infarction and exhibited high prevalence of modifiable risk factors.

Academic research paper on topic "Perfil clínico e angiográfico de pacientes jovens submetidos à intervenção coronária percutânea primária"

Rev Bras Cardiol Invasiva. 2015;23(2):91-95

Artigo Original

Perfil clínico e angiográfico de pacientes jovens submetidos à intervençao coronária percutânea primária

Pedro Beraldo de Andradea*, Fábio Salerno Rinaldia, Igor Ribeiro de Castro Bienerta, Robson Alves Barbosaa, Marcos Henriques Bergonsoa, Milena Paiva Brasil de Matosa, Mara Flávia Mamedio de Souzaa, Ederlon Ferreira Nogueirab, Sérgio Kreimerc, Vinícius Cardozo Estevesc, Marden André Tebetc, Luiz Alberto Piva e Mattosc, André Labrunieb

a Irmandade da Santa Casa de Misericordia de Marília, Marília, SP, Brasil b Hospital do Coraçao de Londrina, Londrina, PR, Brasil c Rede D'Or Sao Luiz, Sao Paulo, SP, Brasil

INFORMAÇÔES SOBRE O ARTIGO

RESUMO

Histórico do artigo:

Recebido em 23 de fevereiro de 2015

Aceito em 30 de abril de 2015

Palavras-chave: Infarto do miocardio Adulto jovem Angioplastia

Introdugao: O atual declínio observado na taxa de mortalidade entre pacientes com infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST pode ser atribuido nao apenas a maior utilizado de estratégias de reperfusao, mas também a uma mudanza no perfil demográfico dessa populado, notadamente a redugao em sua média de idade.

Métodos: Foram analisados retrospectivamente todos os pacientes submetidos a intervengao coronária percutanea primária no período de abril de 2010 a dezembro de 2014. O objetivo primário foi a caracterizagao dos fatores de risco mais prevalentes, a natureza angiográfica das lesoes, os aspectos técnicos do procedimento e a evolugao clínica hospitalar de pacientes jovens, com idade < 45 anos, comparando-os aqueles com idade > 45 anos.

Resultados: Dentre 489 pacientes com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, 54 tinham idade < 45 anos e 435, idade > 45 anos. Pacientes jovens exibiram maior prevaléncia de tabagismo e obesidade, enquanto pacientes > 45 anos eram mais propensos a apresentar hipertensao arterial sistémica, diabetes melito, dislipidemia e infarto do miocárdio antigo. Intervengao coronária percutanea primária em jovens associou-se ao uso de menor quantidade de cateteres-guia, menor tempo de fluoroscopia e maior porcentual de implante direto de stent. Pacientes jovens exibiram boa evolugao hospitalar, com reduzida taxa de eventos cardíacos adversos (3,7% vs. 9,2%; p = 0,30).

Conclusoes: Pacientes com idade < 45 anos representaram aproximadamente 10% dos casos de infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST e exibiram elevada prevaléncia de fatores de risco modificáveis.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licenga de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Clinical and angiographic profile of young patients undergoing primary percutaneous coronary intervention

ABSTRACT

Keywords: Background: The current decline observed in mortality rate among patients with ST-segment elevation

Myocardial infarction acute myocardial infarction can be attributed not only to the increased use of reperfusion strategies, but

Young adult also to a change in the demographic profile of this population, notably the reduction in mean age.

Angi°plasty Methods: We retrospectively reviewed all patients undergoing primary percutaneous coronary intervention

in the period from April 2010 to December 2014. The primary objective was the characterization of the most prevalent risk factors, the angiographic nature of the lesions, the technical aspects of the procedure, and in-hospital clinical outcomes in patients aged < 45 years, comparing them to those aged > 45 years. Results: Among 489 patients with acute myocardial infarction, 54 were < 45 years, and 435 were > 45 years. Young patients exhibited a higher prevalence of smoking and obesity, while patients > 45 years were more likely to have hypertension, diabetes mellitus, dyslipidemia, and previous myocardial infarction. Primary percutaneous coronary intervention in young patients was associated with the use of fewer guide

* Autor para correspondencia: Avenida Vicente Ferreira, 828, Jardim Maria Izabel, CEP: 17515-900, Marília, SP, Brasil. E-mail: pedroberaldo@gmail.com (P.B. de Andrade).

A revisäo por pares é da responsabilidade Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. http://dx.doi.org/10.1016/j.rbci.2015.12.005

0104-1843/© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiologia Intervencionista. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este é um artigo Open Access sob a licen^a de CC BY-NC-ND (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

catheters, shorter fluoroscopy time, and higher percentage of direct stent implantation. Young patients exhibited good in-hospital outcomes, with lower rate of adverse cardiac events (3.7% vs. 9.2%; p = 0.30). Conclusions: Patients aged < 45 years accounted for approximately 10% of cases of ST-segment elevation acute myocardial infarction and exhibited high prevalence of modifiable risk factors.

© 2015 Sociedade Brasileira de Hemodinamica e Cardiología Intervencionista. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY-NC-ND license (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introdujo

Dados do Instituto Nacional de Saúde e de agencias governamen-tais norte-americanas apontam que a doen^a aterosclerótica coro-nária foi responsável por uma em cada sete mortes no país em 2011.1 Estima-se que, a cada ano, 635 mil americanos serao hospitalizados por síndrome coronária aguda. Embora a mortalidade hospitalar por infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCST) tenha apresentado uma queda significativa de 11,5%, em 1990, para 8,0%, em 2006, pode-se atribuir essa redu^ao nao apenas aos avanzos na farmacoterapia clínica e a estratégias de reperfusao, notadamente a intervengo coronária percutanea (ICP) primária, mas também a mudanzas no perfil demográfico dos pacientes.

Dentre essas mudanzas, destaca-se o declínio da média de idade dos pacientes acometidos por IAMCST. Revisao de quatro registros franceses envolvendo 6.707 indivíduos aponta uma diminuido média de 66,2 para 63,3 anos no decorrer de 15 anos.2 No Brasil, dados da Central Nacional de Intervenís Cardiovasculares (CENIC), englobando 20.004 procedimentos no quinquenio de 2006 a 2010, registram uma média de idade de 60,8 anos entre pacientes infartados.3

A evolu^ao hospitalar e tardia de pacientes jovens com coronario-patia estável em nosso meio foi recentemente caracterizada, atestan-do-se um bom prognóstico a longo prazo.45 Entretanto, informales clínicas e angiográficas acerca dessa populado na fase aguda do IAMCST sao escassas, sendo estas o objetivo da presente análise.

Métodos

Populado do estudo

Foram analisados retrospectivamente todos os pacientes com diagnóstico de IAMCST submetidos a ICP primária em um centro único, considerado como de alto volume de procedimentos (> 70 ICPs primárias/ano). Classificaram-se pacientes com idade < 45 anos como jovens, pautando-se em publicares prévias acerca do tema.6-8

O objetivo primário do estudo foi a caracterizado dos fatores de risco mais prevalentes em pacientes jovens com IAMCST, natureza angiográfica das lesoes, aspectos técnicos da ICP primária e evolu-gao clínica hospitalar, com enfoque na taxa de mortalidade, reinfarto, acidente vascular encefálico (AVE), trombose de stent e ocorrencia de sangramento grave, comparando-os a pacientes com idade > 45 anos.

Procedimentos

Eletrocardiograma de 12 derivares, acrescido das derivares V3R, V4R, V7 e V8 em infarto inferior, era realizado a admissao e aos 30-60 minutos após o término do procedimento. As intervenís terapéuticas obedeciam as recomendares e práticas estabelecidas pelas diretrizes vigentes.910 Anticoagula^ao era obtida com heparina nao fracionada (HNF) endovenosa, na dose de 100 U/kg, e dupla antiagregado plaquetária, com dose de ataque de 300 mg de ácido acetilsalicílico, juntamente de 600 mg de clopidogrel ou 180 mg de ticagrelor. A via radial constituía a primeira op^ao de acesso vascular. Aspirado manual de trombo e utilizado de inibidores de glico-

proteína IIb/IIIa ficaram a critério do operador. Dosagens de isoenzima MB da creatina quinase (CK-MB) eram realizadas a cada 6 horas, até a constatado de queda nos níveis do marcador.

Defini^oes

Foram avaliados os seguintes fatores de risco: tabagismo (fumante ativo ou com abstinencia de tabaco inferior a 6 meses); ipercoles-terolemia (lipoproteína de baixa densidade-colesterol - LDL-C > 160 mg/dL); hipertensao arterial sistemica (pressao arterial sistóli-ca > 140 mmHg e/ou pressao arterial diastólica > 90 mmHg); diabetes melito (duas dosagens de glicose plasmática de jejum, em dias distintos, > 125 mg/dL); história familiar positiva para doen^a coronária (relato de doen^a aterosclerótica em pais ou irmaos < 55 anos no caso de homens e < 65 anos para as mulheres); manifestado de doen^a aterosclerótica prévia (infarto do miocárdio antigo, procedimento de revasculariza^ao miocárdica percutanea ou cirúrgica, AVE); e insuficiencia renal crónica (taxa de filtrado glomerular

< 60 mL/minuto ou creatinina plasmática > 1,5 mg/dL).

Com relado a localizado eletrocardiográfica, o infarto agudo do miocárdio foi classificado em anterior (anterosseptal, anterior, anterolateral e anterior extenso) ou inferior (inferior, lateral e dorsal). Tempo porta-balao foi definido como o intervalo entre a admissao hospitalar e o cruzamento da lesao com um balao de pré-dilata^ao, cateter de aspirado manual de trombo ou stent. Sucesso angiográfi-co foi definido como a realizado de ICP com redu^ao da estenose alvo para um diámetro < 20%, com manuten^ao ou restabelecimento de fluxo anterógrado normal (Thrombolysis in Myocardial Infarction - TIMI grau 3). Foram definidos como sangramento grave os do tipo 3 ou 5 de acordo com a definido do Bleeding Academic Research Consortium: tipo 3 - (3a) sangramento com queda de hemoglobina > 3 e

< 5 g/dL, ou transfusao de concentrado de hemácias; (3b) sangramento com queda de hemoglobina > 5 g/dL, ou tamponamento cardíaco, ou sangramento que requeira interven^ao cirúrgica, ou sangramento que requeira uso de drogas vasoativas intravenosas; (3c) hemorragia intracraniana, ou subcategorias confirmadas por autópsia, exame de imagem, ou pun^ao lombar, ou sangramento intraocular com comprometimento da visao; tipo 5 - (5a) sangramen-to fatal provável, (5b) sangramento fatal definitivo.11

Análise estatística

As variáveis qualitativas foram resumidas em frequencias absolutas e porcentagens, e os dados quantitativos foram descritos em médias ± desvios padrao. Para comparado dos grupos, foi utilizado o teste qui quadrado ou exato de Fisher, para as variáveis qualitativas, e o teste t de Student ou de Mann-Whitney, para variáveis quantita-tivas. Foram considerados estatisticamente significantes os resultados com valor de p < 0,05.

Resultados

No período de abril de 2010 a dezembro de 2014 foram realizadas 2.674 ICPs, das quais 489 (18,3%) em pacientes com diagnóstico de IAMCST nas primeiras 12 horas de evolu^ao. Destes, 54 (11%) tinham

idade < 45 anos (média de 40,7 anos, variando de 36 a 45), e 435, idade > 45 anos (média de 64,2 anos, variando de 46 a 96).

Pacientes jovens exibiram maior prevalencia de tabagismo (72,2% vs. 40,5%; p < 0,0001) e obesidade (35,2% vs. 21,6%; p = 0,04), enquan-to pacientes > 45 anos eram mais propensos a apresentar hiperten-sao arterial sistemica (69,7% vs. 40,7%; p < 0,0001), diabetes melito (33,3% vs. 14,8%; p = 0,005), dislipidemia (34,0% vs. 13,0%; p = 0,002) e infarto do miocárdio antigo (9,4% vs. 0,0%; p = 0,02) (tabela 1).

Infartos de parede anterior foram mais frequentes (50,9%), com implante de stents em 90,4% dos procedimentos, predominantemente nao farmacológicos (98,6%), sendo trombectomia aspirativa manual, via de acesso radial e inibidores do receptor de glicoproteí-na Ilb/IIIa utilizados em, respectivamente, 57,5%, 94,3% e 47,0% dos casos, sem diferengas entre os grupos (tabela 2). ICP primária em pacientes jovens associou-se ao uso de menor quantidade de cateteres-

Tabela 1

Características clínicas e demográficas basais

-guia (1,1 vs. 1,3; p = 0,02), menor tempo de fluoroscopia (10,0 ± 4,4 vs. 15,3 ± 23,1 minutos; p = 0,09) e maior porcentual de implante direto de stent (61,1% vs. 47,1%; p = 0,06).

O sucesso angiográfico global foi elevado (92,2%) e pacientes jovens exibiram boa evolugao hospitalar, com reduzida taxa de mor-talidade (1,9% vs. 6,7%; p = 0,23), reinfarto (1,9% vs. 1,8%; p > 0,99) e ocorrencia nula de AVE, trombose de stent e sangramento grave (tabela 3).

Discussao

Embora as hospitalizagoes por infarto agudo do miocárdio apre-sentem tendencia contemporánea de queda, o mesmo nao é observado entre a categoria de pacientes jovens.12 Consequentemente, as

Variáveis Geral Idade < 45 anos Idade > 45 anos Valor de p

(n = 489) (n = 54) (n = 435)

Sexo masculino, n (%) 338 (69,1) 34 (63,0) 304 (69,9) 0,35

Idade, anos 61,6 ± 12,4 40,7 ± 3,7 64,2 ± 10,5 < 0,0001

Índice de massa corporal, kg/m2 27,0 ± 4,9 28,5 ± 5,3 26,8 ± 4,8 0,02

Obesidade, n (%) 113 (23,1) 19 (35,2) 94 (21,6) 0,04

Hipertensao arterial sistemica, n (%) 325 (66,5) 22 (40,7) 303 (69,7) < 0,0001

Diabetes melito, n (%) 153 (31,3) 8 (14,8) 145 (33,3) 0,005

Em uso de insulina 23 (15,0) 2 (25,o) 21 (14,5) 0,34

Dislipidemia, n (%) 155 (31,7) 7 (13,o) 148 (34,0) 0,002

Tabagismo atual, n (%) 215 (44,0) 39 (72,2) 176 (40,5) < 0,0001

História familiar positiva de DAC, n (%) 91 (18,6) 15 (27,8) 76 (17,5) 0,09

Infarto antigo do miocárdio, n (%) 41 (8,4) 0 (0,0) 41 (9,4) 0,02

ICP prévia, n (%) 42 (8,6) 1 (1,9) 41 (9,4) 0,07

RM prévia, n (%) 7 (1,4) 0 (0,0) 7 (1,6) > 0,99

Acidente vascular encefálico, n (%) 17 (3,5) 0 (0,0) 17 (3,9) 0,24

Insuficiencia renal crónica, n (%) 15 (3,1) 0 (0,0) 15 (3,4) 0,39

DAC: doen^a arterial coronariana; ICP: intervengo coronária percutánea; RM: revasculariza^ao miocárdica.

Tabela 2

Características angiográficas e do procedimento

Variáveis Geral ldade < 45 anos ldade > 45 anos Valor de p

(n = 489) (n = 54) (n = 435)

Lesao de novo, n (%) 483 (98,8) 53 (98,1) 430 (98,9) 0,51

Reestenose intra-stent, n (%) 6 (1,2) 1 (1,9) 5 (1,1) 0,51

Localizado, n (%) 0,56

Anterior 249 (50,9) 240 (49,1) 30 (55,6) 24 (44,4) 219 (50,3) 216 (49,7)

Inferior

Dura^ao do procedimento, minutos 41,6 ± 19,1 38,1 ± 14,6 42,0 ± 19,6 0,16

Tempo de fluoroscopia, minutos 14,5 ± 19,0 10,0 ± 4,4 15,3 ± 23,1 0,09

Tempo porta-balao, minutos 64,9 ± 34,9 63,6 ± 46,5 65,3 ± 29,9 0,71

Trombectomia aspirativa manual, n (%) 281 (57,5) 34 (63,0) 247 (56,8) 0,47

Implante direto de stent, n (%) 238 (58,9) 33 (61,1) 205 (47,1) 0,06

Pós-dilata^ao, n (%) 278 (56,9) 27 (50,0) 251 (57,7) 0,31

Via de acesso, n (%) 0,16

Radial 461 (94,3) 54 (100,0) 407 (93,6)

Femoral 23 (4,7) 0 (0,0) 23 (5,3)

Ulnar 5 (1,0) 0 (0,0) 5 (1,1)

Lesao culpada, n (%) 0,51

Descendente anterior 247 (50,6) 30 (55,6) 217 (49,9)

Coronária direita 185 (37,8) 21 (38,9) 164 (37,7)

Circunflexa 55 (11,2) 3 (5,5) 52 (12,0)

Tronco de coronária esquerda 2 (0,4) 0 (0,0) 2 (0,4)

Inibidor de glicoproteína Ilb/IIIa, n (%) 230 (47,0) 31 (57,4) 199 (45,7) 0,11

Número de cateteres 1,3 ± 0,6 1,1 ± 0,4 1,3 ± 0,6 0,018

Diámetro do cateter, n (%) > 0,99

5 F 1 (0,2) 0 (0,0) 1 (0,2)

6 F 487 (99,6) 54 (100,0) 433 (99,6)

7 F 1 (0,2) 0 (0,0) 1 (0,2)

Tipo de ICP, n (%) 0,81

Angioplastia com balao lmplante de stent Número de stents 47 (9,6) 442 (90,4) 1,1 ± 0,5 4 (7,4) 50 (92,6) 1,1 ± 0,6 43 (9,9) 392 (90,1) 1,1 ± 0,5

> 0,99

Tipo de stent, n(%) > 0,99

Stent farmacológico Stent nao farmacológico 6 (1,4) 436 (98,6) 2 (4,0) 48 (96,0) 4 (1,0) 388 (99,0)

Balao intra-aórtico, n (%) 2 (0,4) 0 (0,0) 2 (0,5) > 0,99

ICP: intervengo coronária percutánea.

Tabela 3

Desfechos hospitalares de eficácia e segurança

Variáveis Geral Idade S 45 anos Idade > 45 anos Valor de p

(n = 489) (n = 54) (n = 435)

Sucesso angiográfico, n (%) 451 (92,2) 51 (94,4) 400 (92,0) 0,79

ECAM, n (%) 42 (8,6) 2 (3,7) 40 (9,2) 0,30

Óbito, n (%) 30 (6,1) 1 (1,9) 29 (6,7) 0,23

Reinfarto,n (%) 9 (1,8) 1 (1,9) 8 (1,8) > 0,99

Acidente vascular encefálico, n (%) 1 (0,2) 0 (0,0) 1 (0,2) > 0,99

Trombose de stent hospitalar, n (%) 9 (1,8) o (o,o) 9 (2,1) 0,61

Aguda Subaguda 2 (0,4) 7 (1,4) o (o,o) o (o,o) 2 (0,5) 7 (1,6)

Sangramento grave, n (%) 4 (0,8) o (o,o) 4 (0,9) > 0,99

ECAM: eventos cardíacos adversos maiores (óbito, reinfarto, acidente vascular encefálico, trombose de stent ou sangramento grave).

estatísticas apontam um declínio na média de idade dos casos de IAMCST, bem como na taxa de mortalidade, constataçao esta justificada pelo impacto prognóstico da idade avançada nesse cenário de alto risco e que figura entre seus principais determinantes de morbi-mortalidade.13

Dados de registros como o FAST-MI (French Registry of Acute ST--Elevation or non-ST-elevation Myocardial Infarction) demonstram ainda um aumento na prevalência de tabagismo (32,0% para 40,9%) e obesidade (14,3% para 20,1%) na populaçao de infartados ao longo dos últimos 15 anos.2 Nos Estados Unidos, entre os jovens de 18 e 44 anos, 22,9% dos homens e 16,6% das mulheres sao tabagistas, e 69% da populaçao em geral é classificada como obesa ou com sobrepeso.1

Avaliando a populaçao de jovens com diagnóstico de infarto agudo do miocárdio, o porcentual de tabagistas pode alcançar até 74%, como no estudo CRAGS (Coronary Artery Disease in Young Adults).14 Sabe-se que o tabagismo contribui negativamente na regulaçao de cascatas responsáveis pela prevençao de oclusao coronária, bem como promove alteraçoes na resposta do ativador de plasminogênio tecidual à bradicinina. Além disso, o estado de hipercoagulabilidade e a disfunçao endotelial presentes nos fumantes predispoem à for-maçao de trombos intracoronários.15

Em nossa casuística, pacientes com idade S 45 anos representa-ram 11% do total de casos de IAMCST, sendo 37% do sexo feminino, exibindo elevada prevalência de fatores de risco modificáveis, como obesidade (35,2%) e tabagismo (72,2%), e menor porcentual de hiper-tensao arterial, dislipidemia, diabetes melito e infarto do miocárdio antigo. As características dos procedimentos, como menor número médio de cateteres utilizados, menor tempo de fluoroscopia e maior porcentual de implante direto de stent, sugerem menor complexida-de angiográfica nesse subgrupo, além de baixa taxa de eventos cardíacos adversos graves na fase hospitalar, exemplificado pela taxa de mortalidade de 1,9%, vs. 6,7% em pacientes > 45 anos. Achados seme-lhantes foram reportados pelo London Chest Hospital, centro de refe-rência em dor torácica, que, no período de 2004 a 2012, registrou 3.618 ICPs primárias. Pacientes com idade S 45 anos constituíram 10,1% da amostra, sendo a prevalência de tabagismo de 62,7% e a mortalidade aos 30 dias de 1,6%.16

Em conjunto, os dados refletem a importáncia da instituiçao de políticas de saúde na faixa etária dos jovens voltadas para a preven-çao primária ou secundária que foquem, sobretudo, em mudanças no estilo de vida, particularmente na cessaçao do tabagismo, na prá-tica regular de atividades físicas e na dieta equilibrada com manu-tençao do peso adequado. Sao açoes de baixo custo e com grande potencial de reduçao da incidência de novos casos de infarto nessa populaçao.

Limitaçoes do estudo

Foram limitaçoes da presente análise sua natureza observacional, unicêntrica, o tamanho limitado da amostra, a ausência de segui-mento clínico de longo prazo, bem como a nao realizaçao rotineira de testes diagnósticos para pesquisa de drogas ilícitas, como cocaí-

na, sabidamente promotora de espasmo coronário e hipercoagulabi-lidade em um ambiente de exacerbado da atividade simpática, sendo causa comum de síndrome coronária aguda em jovens.

Conclusôes

Pacientes com idade S 45 anos representaram aproximadamente 10% dos casos de infarto do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST, exibiram elevada prevalência de fatores de risco modi-ficáveis, notadamente de tabagismo, evoluçao clínica hospitalar fa-vorável após intervençao coronária percutánea primária e menor complexidade técnica quando comparados a pacientes > 45 anos. Políticas de saúde que contemplem mudanças no estilo de vida cons-tituem açoes de baixo custo e com potencial de impacto na reduçao de eventos futuros nessa populaçao.

Fonte de financiamento

Nao há.

Conflitos de interesse

Os autores declaram nao haver conflitos de interesse.

Referencias

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