Scholarly article on topic 'Injeção de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária'

Injeção de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária Academic research paper on "Educational sciences"

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Academic research paper on topic "Injeção de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária"

GE J Port Gastrenterol. 2012;19(5):270-271

Jornal Portugués de

j_Gastrenterolog¡a

Portuguese Journal of Gastroenterology

www.elsevier.pt/ge

INSTANTANEO ENDOSCOPICO

Injecao de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária

Steroid injection in the treatment of refractory esophageal stricture Rita Carvalho *, Miguel Areia, Daniel Brito, Sandra Saraiva e Ana Teresa Cadime

Servico de Gastrenterologia, Instituto Portugués de Oncología de Coimbra, Coimbra, Portugal

Recebido a 3 de agosto de 2011; aceite a 5 de novembro de 2011 Disponível na Internet a 24 de julho de 2012

Caso clínico

Apresenta-se o caso de um doente de 87 anos, referenciado á consulta por suspeita de neoplasia do esófago em endoscopia digestiva alta (EDA). Tinha antecedentes de doenca coroná-ria, doenca de refluxo gastroesofágico, hérnia do hiato e hipertensao arterial, estando medicado com aspirina, dilti-azem, furosemida, omeprazol e atorvastatina.

A EDA revelou, no esófago aos 25 centímetros, uma estenose infranqueável cuja mucosa circundante apresentava inflamacao e friabilidade marcadas (fig. 1). O estudo histológico mostrou tecido necroinflamatório sem células malignas. A tomografia computorizada (TC) toraco-abdomino-pélvica revelou espessamento do esófago proximal. Na presuncao de se tratar de causa péptica, foi realizado ensino dietético, medicado com esomeprazol 40 mg 2 id e suspensa a aspirina.

Efetuou-se dilatacao esofágica com balao «through-the-scope» (TTS) até 10 mm, revelando uma estenose regular com 2cm de extensao, circunferencial, com inflamacao difusa do esófago a jusante. Inicialmente com periodicidade semanal e depois quinzenal, efetuaram-se 14 procedimentos em 6 meses. O aspeto endoscópico mantinha-se semelhante,

* Autor para correspondencia. Correio eletrónico: ritamscarvalho@hotmail.com (R. Carvalho).

com estenose esofágica punctiforme (fig. 2). A repeticao das biopsias e da TC confirmaram benignidade.

Perante ausencia de melhoria, optou-se por complementar cada dilatacao com terapéutica intralesional de corticoide no final do procedimento (7mg de betametasona

Figura 1 Estenose infranqueável no esófago aos 25 centímetros, aquando da primeira endoscopia, previamente a dilatacao. A mucosa circundante apresenta inflamacao e friabilidade.

0872-8178/$ - see front matter © 2011 Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia. Publicado por Elsevier España, S.L. Todos os direitos reservados. http://dx.doi.org/10.1016/j.jpg.2012.06.001

Injecao de corticoide no tratamento de estenose esofágica refratária

Figura 2 Aspeto punctiforme da estenose esofágica, após 14 dilatacoes com balao TTS.

Figura 3 Aspeto cicatricial na regiao de estenose prévia, após 6 dilatacoes com injecao de corticoides, com lumen facilmente permeável sem estenose.

diluidos em 4 cc de soro, com injecao de 1cc por quadrante, no interior da estenose). Após 6 dilatacoes com injecao de corticoides em 6 meses, obteve-se melhoria franca, com a regiao da estenose franqueável e de aspeto cicatricial (fig. 3).

Na reavaliacao endoscópica aos 3 e 5 meses nao houve necessidade de dilatacao, mantendo-se o doente assinto-mático, medicado com esomeprazol.

As estenoses esofágicas podem ser benignas ou malignas. A causa péptica é a etiología benigna mais frequente,

apesar da diminuicao na sua frequencia devido á utilizacao de antissecretores1,2. A EDA com estudo histológico é o pro-cedimento diagnóstico de escolha.

A dilatacao endoscópica no tratamento das esteno-ses benignas tem como objetivos o alívio sintomático, a alimentacao oral e evitar a aspiracao pulmonar3. Se a etiologia é péptica, deve ser adicionado um inibidor da bomba de protoes, para diminuir a necessidade de dilatacoes4. Existem os dilatadores sobre fio-guia (Savary-Gilliard) e os baloes TTS1, nao havendo dados que permitam afirmar a superiori-dade de um deles. A escolha depende da sua disponibilidade e preferencia do endoscopista2.

A dilatacao é eficaz na maioria dos casos; no entanto, as estenoses complexas podem ser refratárias. Sao modalidades de tratamento adicionais a injeccao intralesional de corticoide, a terapeutica endoscópica com facas nas este-noses fibróticas5, a colocacao temporária de próteses, a utilizacao de próteses biodegradáveis e, em último caso, a cirurgia1.

Acredita-se que a injecao de corticoide interfira na sín-tese de colagénio, na fibrose e no processo de cicatrizacao6. Nao há diferencas entre os vários fármacos relativamente á eficácia. Deve ser feita, sempre que possível, antes da dilataccao, no topo proximal e no interior da estenose, nao havendo um número mínimo definido de sessoes1.

Com este caso, pretendemos demonstrar, á semelhanca de trabalhos nacionais anteriores6, que a injecao de corti-coide pode ser um tratamento eficaz nas estenoses benignas refratárias. Optámos pela nao utilizacao de prótese, dado o diámetro da estenose ser muito inferior ao das próteses existentes no mercado.

Conflito de interesses

Os autores declaram nao haver conflito de interesses. Bibliografía

1. Kochhar R, Poornachandra KS. Intralesional steroid injection therapy in the management of resistant gastrointestinal strictures. World J Gastrointest Endosc. 2010;2:61-8.

2. Baron TH. Management of benign esophageal strictures. Gastroenterol Hepatol. 2011;7:46-9.

3. Riley SA, Altwood SE. Guidelines on the use of oesophageal dilation in clinical practice. Gut. 2004;53 Suppl I:i1 —6.

4. Egan JV, Baron TH, Adler DG, Davila R, Faigel DO, Gan SL, et al. Esophageal dilation. Gastrointest Endosc. 2006;63: 755-60.

5. Siersema PD. Treatment options for esophageal strictures. Nat Clin Pract Gastroenterol Hepatol. 2008;5:142-52.

6. Gonccalves C, Almeida N, Gomes D, Gregório C, Cotrim I, Gouveia H, et al. Injeccao intralesional de betametasona nas estenoses benignas do esófago. J Port Gastrenterol. 2005;13:22-5.